6.ª Divisão de Exército

Criada como 6.ª Divisão de Infantaria Imperial, em virtude da Guerra da Tríplice Aliança, este grande comando operacional receberia várias denominações, até que em 1971, se transforma na atual 6.ª Divisão de Exército (6ª DE). Subordinada ao Comando Militar do Sul, está grande unidade operacional, receberia por suas origens sua denominação histórica, ou seja: "6.ª Divisão de Exército - Divisão Voluntários da Pátria".

6ª Divisão de Exército

Brasão
País  Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Comando Militar do Sul
Denominação Divisão Voluntários da Pátria
Sigla 6ª DE
Criação 1866
Sede
Sede Porto Alegre -  Rio Grande do Sul

História

Em virtude da eclosão da Guerra do Paraguai, o Exército Imperial Brasileiro, ativou na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, a 6.ª Divisão de Infantaria Imperial, integrada por três brigadas de infantaria, compostas em sua maioria por Batalhões de Voluntários da Pátria, organizados por todas as províncias imperiais, principalmente no Rio Grande do Sul, em virtude das longas tradições guerreiras gaúchas.

Como seu 1.º comandante foi nomeado o Brigadeiro Vitorino José Monteiro Carneiro [3] [4], (nascido em: 20.08.1815, Recife/PE, e falecido em: 24.10.1877, Porto Alegre/RS), filho Major João Francisco Carneiro Monteiro e de D.ª Isabel Rosa Ramos; casado em 02 de fevereiro de 1842, em Alegrete/RS, com Benevenuta Amália Ribeiro (nascida em: 27.06.1825, São Borja/RS e falecida em: 02.02.1890, Porto Alegre/RS), filha do Marechal Bento Manuel Ribeiro e de D.ª Maria Manso da Conceição.

Primeiro e único. Barão de São Borja (título nobiliárquico recebido em 18.05.1870), e posteriormente utilizado para nomear a área de instrução dos elementos da 3.ª Região Militar, o Centro de Instrução Barão de São Borja – CIBSB. Sua carreira militar teve início em Pernambuco,, onde foi gravemente ferido, em 1833; reincorporado, parte com destino ao Rio Grande do Sul onde combate na Revolução Farroupilha, em 1837, atingindo o posto de major. Em 1854, combate, desta vez na Campanha da Cisplatina, atingindo o posto de tenente-coronel.

Finalmente combate na Guerra do Paraguai com o posto de Brigadeiro, comandando a 6.ª Divisão de Infantaria Imperial [1], teve seu batismo de fogo, no dia 02 de maio de 1866, em um dos episódios mais sangrentos da Guerra do Paraguai, a Batalha de Estero Bellaco, localidade integrante do departamento de Ñeembucú, no Paraguai. Como resultado das ações daquele dia, o exército paraguaio, perdeu mais de 2.000 homens e 300 prisioneiros; após os exércitos da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) realizarem um contra-ataque ordenado pelo General Manuel Luís Osório, que quebrou o ímpeto das ações iniciais, do General Paraguaio José E. Diaz.

Posteriormente também se destacou na Batalha de Tuyutí, ocorrida no dia 24 de maio de 1866, conhecida como a maior e mais sangrenta batalha campal da Guerra e da América Latina, por ter envolvido mais de 55 mil militares, sendo que destes 24.000 paraguaios comandados pelo Mal paraguaio Francisco Solano López, que após atacar de surpresa o acampamento aliado, e mesmo que o terreno favorecesse defesa.

Mesmo obtendo alguns sucessos iniciais, que resultaram inclusive no aniquilamento de alguns batalhões inteiros dos aliados, os paraguaios demonstraram falta de preparação adequada para o prosseguimento das operações, fato demonstrado inclusive pelas ações posteriores dos generais paraguaios, além de não contarem com o fervor do general Manuel Luís Osório.

O futuro Marquês do Herval, no desenrolar da batalha assumiu o posto de comandante-em-chefe, reorganizou as tropas aliadas em fuga e conduzindo-as à vitória. Mesmo que não pudesse reforçar todos os pontos em dificuldades, pois seu objetivo principal era impedir que as forças paraguaias flanqueassem e cercassem o acampamento aliado, finalmente após cinco horas de combate, as forças paraguaias se retiraram do campo de batalha, onde foram derrotados.

Sofrendo aproximadamente 13 mil baixas, contra as cerca de 4 mil baixas dos aliados. Resultando com isto que pelas próximas quatro décadas, esse episódio fosse comemorado como a principal ação do Exército Imperial Brasileiro e posteriormente do Exército Brasileiro. Nesta batalha também se destacaram os futuros patronos das armas de: Cavalaria, (Manuel Luís Osório); Infantaria (Antônio de Sampaio), nascido no dia 24 de maio de 1810) e de Artilharia (Emílio Mallet).

Com estás e outras destacadas participações no conflito e a aproximação de seu fim, foi ordenada sua desmobilização dos efetivos da Tríplice Aliança, entre eles os da 6ª DI Imperial. Ferido na batalha de Tuyutí, e por atos de bravura, seu comandante foi promovido posto de Marechal-de-Campo,; nomeado posteriormente como comandante das armas nas províncias de:  Pernambuco (1870) e do Rio Grande do Sul (1871); e finalmente em 1877 foi promovido ao posto de Tenente-General.

Após sua desmobilização em 1870, a então 6ª Divisão de Infantaria, somente seria reativada novamente no dia 02 de maio de 1949, sendo aquartelado em Porto Alegre/RS, nas dependências da antiga Comissão de Carta Geral do Brasil, em 1956, se transfere para o prédio do QG da Zona Militar Sul, no dia, 11 de novembro de 1971, em um novo processo de reestruturação do EB, surgiria a 6.ª Divisão de Exército.

Organizações Militares Subordinadas

Para o cumprimento de sua missão, a 6.ª Divisão de Exército – Divisão Voluntários da Pátria, enquadra cerca de 7.700 homens e mulheres, distribuídos por 23 unidades militares [2], que atuam em uma área fronteiriça no sul do Brasil:

Base Divisionária - Sede em: Porto Alegre/RS

Cmdo 6.ª DE – Porto Alegre/RS

Cia Cmdo da 6.ª DE – Porto Alegre/RS

8.º Esqd C/ Mec – Porto Alegre/RS  

6.º BCom – Bento Gonçalves/RS

3.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (3.ª Bda C/Mec) – Sede em: Bagé/RS

Cmdo 3.ª Bda C/ Mec – Bagé/RS

Esqd Cmdo 3.ª Bda C/ Mec – Bagé/RS

2.ª Bia AAÉ – Sant'Ana do Livramento/RS

3.ª Cia Eng Cmb Mec – Dom Pedrito/RS

3.ª Pel PE – Bagé/RS

13.ª Cia Com Mec – São Gabriel/RS

3.º Blog – Bagé/RS

9.º RCB – São Gabriel/RS

3.º R C/ Mec – Bagé/RS

7.ª R C/ Mec – Sant'Ana do Livramento/RS

12.º RC Mec – Jaguarão/RS

25.º GACAP – Bagé/RS

8.ª Brigada de Infantaria Motorizada (8.ª Bda Inf. Mtz) – Sede em: Pelotas/RS

Cmdo. 8.ª Bda Inf Mtz - Pelotas/RS  

Cia Cmdo 8.ª Bda Inf Mtz – Pelotas/RS

8.º Pel PE – Pelotas/RS

9.º Bimtz – Pelotas/RS

18.º Bimtz – Sapucaia do Sul/RS

19.ª Bimtz – São Leopoldo/RS

6.º GAC – Rio Grande/RS

Desativação e Reativação

Desativação: Com o surgimento de novas necessidades de transformação e modernização do Exército Brasileiro, é editado o Decreto nº 8.298, de 15 de agosto de 2014 [5], pelo qual a 6.ª DE – Divisão Voluntários da Pátria, foi desativada, sendo cmte do Comando Militar do Sul – CMS, o então General de Exército Hamilton Mourão.

O mesmo decreto também estipulava a redistribuição das organizações militares a ela subordinada, fazendo com que a AD da 6ª DE se transformasse no Comando de Artilharia do Exército, subordinado inicialmente ao Comando Militar do Sul - CMS e posteriormente ao Comando Militar do Planalto - CMP ; enquanto a 8.ª Brigada de Infantaria Motorizada e a 3.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, seriam transferidas para à 3.ª DE, ficando o Comandante do Exército autorizado a editar os atos complementares que fossem necessários à execução.

Reativação: Tal situação perdurou daquela data, até o dia 07 de fevereiro de 2020, quando na sede do 19.ª BIMTZ, na cidade gaúcha de São Leopoldo, em cerimônia presidida pelo agora Vice-Presidente da República, Antônio Hamilton Martins Mourão e com as presenças do comandante do Exército Brasileiro, General de Exército Edson Leal Pujol; do comandante do CMS, General de Exército Geraldo Antônio Miotto e demais autoridades civis dos três poderes, ocorreu sua reativação.

Em cumprimento ao Decreto n.º 9.965, de 8 de agosto de 2019 [6], que determinou sua sede, organizações militares subordinadas, a revogação do decreto anterior e que o Comandante do Exército poderá editar atos complementares para a sua execução. Nesta ocasião o Comandante do Exército Brasileiro, o General de Exército Edson Leal Pujol; também entregou ao 1.º cmte desta fase, o General de Divisão Achilles Furlan Neto, o estandarte histórico pertencente a 6.ª DE – Divisão Voluntários da Pátria.

Deve-se destacar ainda que a reativação da Divisão Voluntários da Pátria, não envolve a AD/6, que foi transformada pelo decreto n.º 8.298, de 15 de agosto de 2014, no novo Cmdo de Art do Exército, plenamente desativada no dia 31 de outubro de 2014; com suas unidades aguardando transferência da cidade de São Leopoldo/RS para as novas instalações do Forte Santa Bárbara, na cidade goiana de Formosa.

Além da transferência da Bia Cmdo AD/6 e do 16.º GACAP, quando está última unidade militar trocará seus canhões por lançadores Astros 2020, se transformando então no novo 16.º Grupo de Mísseis e Foguetes, somando-se ao 6.º Grupo de Mísseis e Foguetes, criado pela associação das baterias de sistemas Astros, espalhadas pelo Brasil na década de 90, fato confirmado pelo decreto n.º 10.299, de 30 de março de 2020 [7].

Ver também

Referências

    1.- Bento, Cláudio Moreira. História do Comando Militar do Sul: 1953-2018 e Antecedentes/Cláudio Moreira Bento, Luiz Ernani Caminha Giorgis. 2.ª ed. Porto Alegre, Resende: FAHIMTB, 2018. 360 p.\;il.; 23 cm.

    2.- https://eb.mil.br. Utilizado para obtenção dos nomes das organizações militares que integram a 6.ª Divisão de Exército, acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020.

    3.- https://gw.geneanet.org. Utilizado para obtenção de informações genealógicas e pessoais do 1.º Comandante da 6.ª Divisão de Exército, acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020

    4.- https://www.parentesco.com.br. Utilizado para obtenção de informações genealógicas e pessoais do 1.º Comandante da 6.ª Divisão de Exército, acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020.

    5.- https://www.planalto.gov.br/ccvil. Decreto n.º 8.298, de 15 de agosto de 2014 (Revogado), acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020.

    6.- https://www.planalto.gov.br/ccivil. Decreto n.º 9.965, de 8 de agosto de 2019, acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020.

    7.- https://www.planalto.gov.br/ccivil. Decreto n.º 10.299, de 30 de março de 2020 (Revoga o artigo 3.º do decreto 9.965, de 8.08.2019), acessado pela última vez dia 25 de abril de 2020.

    Ligações externas

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