Almotacé
Almotacé (ou almotacel) é o funcionário de confiança dos concelhos na Idade Média (equivalente a um oficial municipal) responsável pela fiscalização de pesos e medidas e da taxação dos preços dos alimentos; sendo encarregado também da regulação da distribuição dos mesmos em tempos de maior escassez. Ocupava o cargo da Almotaçaria mensalmente e estava dependente dos governadores do concelho (vereadores, juízes e procuradores).
No Reino de Portugal o almotacé-mor era um oficial da Casa Real que acompanhava sempre o monarca e o seu séquito na sua itinerância. A sua principal função era garantir o abastecimento da Corte de vinho, carne, peixe, pão e outros mantimentos. Para além disso, no espaço onde exercia a sua jurisdição (o local onde se encontrava a Corte e a área de cinco léguas que o rodeava), competia-lhe: conceder privilégios de isenção de direitos de circulação a quem contribuísse para o abastecimento real; fazer cumprir posturas sobre esterqueiras, canos, chafarizes, fontes e poços; controlar a atividade dos almotacés; fiscalizar os preços, os pesos e o tamanho do pão nos mercados e açougues; garantir a limpeza dos locais onde passaria o rei; mandar arranjar caminhos, calçadas e pontes por onde o monarca circulasse[1]. Este cargo era hereditário e veio a recair no 4.º Visconde com Grandeza de Asseca e 6.º titular deste cargo em sucessão ao 5.º, seu sogro.
No Brasil, no período colonial, os almotacés exerciam duplamente as funções administrativas e judiciárias, não sendo possível, na prática, a distinção de uma e outra função. Cabiam-lhes "o julgamento das infrações de postura, aferição de pesos e medidas, questões concernentes a paredes de casas, quintais, portas, janelas e eirados"[2].
Almotacés-Mores do Reino
- Francisco de Faria, 1.º Almotacé-Mor do Reino (padrasto do 3.º)
- …, 2.º Almotacé-Mor do Reino (primo do 3.º)
- António Luís Coutinho da Câmara, 3.º Almotacé-Mor do Reino
- João Gonçalves da Câmara Coutinho, 4.º Almotacé-Mor do Reino
- Lourenço Gonçalves da Câmara Coutinho, 5.º Almotacé-Mor do Reino
- Martim Correia de Sá e Benevides Velasco, 6.º Almotacé-Mor do Reino, 4.º Visconde com Grandeza de Asseca
- Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco, 7.º Almotacé-Mor do Reino, 5.º Visconde com Grandeza de Asseca
- António Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, 8.º Almotacé-Mor do Reino, 6.º Visconde com Grandeza de Asseca
- Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, 9.º Almotacé-Mor do Reino, 7.º Visconde com Grandeza de Asseca
- António Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, 10.º Almotacé-Mor do Reino, 8.º Visconde com Grandeza de Asseca
- Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, 11.º Almotacé-Mor do Reino, 9.º Visconde com Grandeza de Asseca
Referências
- A burocracia régia e os seus oficiais no tempo de D. Manuel I, Autores: Faria, Diogo, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Instituto de História Económica e Social, ed. lit. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, Aparece nas colecções: Revista Portuguesa de História nº 45, pág. 601
- Sandra de Mello Carneiro Miranda. «Inserção e consolidação da participação de advogados no colegiado dos tribunais» (PDF). Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Consultado em 17 de abril de 2015