Berta Gleizer Ribeiro
Berta Gleizer Ribeiro OMC (Bălţi, 2 de outubro de 1924 — Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1997) foi uma antropóloga, etnóloga e museóloga moldava-brasileira, autoridade em cultura material dos povos indígenas do Brasil.
| Berta Gleizer Ribeiro | |
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![]() Berta Gleizer Ribeiro | |
| Outros nomes | Berta G. Ribeiro |
| Conhecido(a) por |
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| Nascimento | 2 de outubro de 1924 Bălţi, Bessarábia, Principado da Moldávia |
| Morte | 17 de novembro de 1997 (73 anos) Rio de Janeiro, Brasil |
| Residência | Brasil |
| Nacionalidade | moldava brasileira |
| Cônjuge | Darcy Ribeiro |
| Alma mater |
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| Prêmios | Ordem Nacional do Mérito Científico |
| Causa da morte | tumor cerebral |
| Orientador(es)(as) | Amadeu José Duarte Lanna |
| Instituições | |
| Campo(s) | etnologia, antropologia, museologia |
| Tese | A Civilização da Palha. A Arte do Trançado dos Índios do Brasil (1980) |
Foi casada com o também antropólogo e senador Darcy Ribeiro.[1]
Biografia
Primeiros anos e casamento
Berta nasceu em 1924, na cidade de Bălţi (em alemão: Belz) (atualmente na Moldávia), na região romena da Bessarábia. Filha de Motel e Rosa Gleizer. Seu pai deixou a Bessarábia em 1929, com o aumento do antissemitismo, mudando-se para o Brasil e logo depois retornar para trazer a família após a morte da esposa, por suicídio. Berta chega ao Rio de Janeiro, aos oito anos de idade na companhia da irmã, Genny de quatorze anos (às vezes, escrito Jenny) em 1933, indo morar nos arredores da Praça XI, reduto da comunidade judaica na época, onde seu pai abriu um pequeno comércio.[1][2][3]
Em 1934, sua irmã Genny vai para São Paulo,[3][4] e provavelmente, foi nesse período que ingressou na Federação da Juventude Comunista, acabou presa indevidamente com apenas dezessete anos e deportada um ano depois, por "atividades subversivas".[4] Genny foi interrogada e torturada pela polícia, e seu paradeiro permaneceu um mistério, sendo que seu pai liderou a busca em jornais e revistas com a frase: "Onde está Genny?", causando grande comoção no país. Mesmo com protestos populares contra a prisão, Genny seria transportada para a Romênia, via Porto de Santos em 12 de outubro de 1935, por decreto do então presidente Getúlio Vargas, por possuir "propaganda marxista" e "propagar ideais comunistas".[3][4][2] Chegando à Europa, entretanto, o comandante do navio, compadecido da situação da menina e, com apoio da tripulação e de portuários franceses, deu-lhe liberdade e arranjou-lhe um local para que se abrigasse. Ela viveu na França, Peru e na Rússia até se estabelecer nos Estados Unidos, onde formou-se em psicologia e falecendo de causas naturais.[4][3] Já no início de 1936 – auge da repressão aos comunistas –, a polícia invadiu um centro cultural de trabalhadores judeus onde funcionava a redação do semanário de esquerda Unhoid (O Começo), prendendo os militantes — sendo a maioria deportada do país, e entre eles estava seu pai Motel Gleizer, que morreria em um campo de concentração.[4]
Berta ficou sozinha no Brasil, sob a guarda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), onde seu pai, líder sindical, e sua irmã eram militantes e filiados. Entre 1936 e 1947, mudou-se para São Paulo, estudando na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, frequentando o Curso Técnico de Contabilidade. Para levantar dinheiro para concluir seus estudos, foi datilógrafa e, com este emprego, mudou-se para uma pensão, tornando-se independente do PCB.[1][4][2]
Em 1946, conhece seu futuro marido, Darcy Ribeiro, em uma manifestação do Partido Comunista, casando-se em maio de 1948, quando Darcy ingressou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Com ele, partiu para um trabalho de campo entre os índios Kadiwéu, Kaiowás, Terenas e Ofaié-Xavantes do sul do Mato Grosso.[1] Assim, Berta passou a assinar Berta G. Ribeiro — G de Gleizer, sobrenome que poucos conheciam,[5] pois sempre temeu ter o mesmo destino dos seus familiares.[4]
O lado romeno de Berta era desbravador e foi exercido em inúmeras pesquisas de campo que se iniciaram entre 1949 e 1951 quando, então recém-casada com Darcy, passou a acompanhá-lo.[6] A esse respeito, descreveu Maria Stella Amorim: "de seu amor por Darcy adveio a paixão pela antropologia", e as viagens se seguiram até quase o fim da sua vida.[6]
O trecho, retirado da obra autobiográfica Confissões de Darcy Ribeiro, retrata, ainda que de maneira breve, a importância de Berta na sua vida:
| “ | Colaborou de forma assinalável comigo como auxiliar de pesquisa e teve sua primeira formação como etnóloga capacitada para observação direta. Nos anos seguintes, Berta aprofundou seus estudos me ajudando a elaborar os materiais colhidos na redação de meus livros sobre a arte, a religião e a mitologia dos Kadiwéu. | ” |
— Darcy Ribeiro. Confissões. p. 109[7]. |
Berta nunca foi apenas uma "mera auxiliar" ou "secretária" de Darcy, como alguns se referiam a ela até em tom de chacota,[5] mas sim, uma antropóloga dedicada e uma ativa militante da causa indígena. Sua obra é referência para pesquisadores e estudiosos das áreas de museologia e antropologia em todo o mundo, sendo considerada uma das maiores autoridades em cultura material dos povos indígenas do Brasil.[5]
Carreira
Em 1950, Berta ingressou no bacharelado em Geografia e História da Universidade do Distrito Federal, hoje a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Concluiu o curso em 1953, indo lecionar Geografia do Brasil no Instituto Lafayette.[1] Em 1953, começou a estagiar na Divisão de Antropologia do Museu Nacional, iniciando seus estudos para criar uma classificação dos adornos plumários dos índios Urubu-Kaapor,[1] concluindo sua licenciatura em Geografia e História em 1954.[1][2]
Bases para uma Classificação dos Adornos Plumários dos Índios do Brasil, publicado em 1957, os volumes da Suma Etnológica Brasileira e o Dicionário do Artesanato Indígena, constituem bases metodológicas e classificatórias indispensáveis nas pesquisas da cultura material e na documentação etnomuseológica de acervos etnográficos, que fundamenta-se na elaboração de instrumentos para os estudos de cultura material, sendo um campo inovador desbravado por Berta.[8] Apresentou diversos trabalhos e organizou mostras culturais nos anos seguintes, sempre com temáticas sobre cultura indígena. Recebeu o Prêmio João Ribeiro de Ensaios, da Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo livro Arte Plumária dos Índios Kaapor, em colaboração com o marido.[1] Entre 1959 e 1960, empreende pesquisa bibliográfica para a elaboração do artigo Línguas e Culturas Indígenas no Brasil e do livro Os Índios e a Civilização, de Darcy Ribeiro.[1]
Exílio
Com o Golpe de Estado no Brasil em 1964, Berta e o marido exilaram-se no Uruguai. Trabalhou então na pesquisa bibliográfica e na revisão de traduções para a série Estudos de Antropologia da Civilização e no levantamento bibliográfico e estatístico de A Universidade Necessária, ambas publicações de Darcy Ribeiro.[1] Berta e o marido retornaram ao Brasil em 1968, mas Darcy foi preso e ficou durante oito meses na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói. Do lado de fora, Berta mobilizou intelectuais e pessoas influentes para agilizar sua libertação.[1]
Em 1969, o casal se exila novamente mas na Venezuela, e de 1970 a 1974 no Chile e no Peru. Em Lima, Berta realiza pesquisa sobre estrutura familiar e socialização em uma oficina coordenada pela professora Violeta Sara Lafosse, recolhendo dados para a dissertação Crianças Trabalhadoras – Trabalho e Escolaridade de Menores em Lima.[1]
Retorno ao Brasil

Em 1974, já no Brasil, separa-se de Darcy e no ano seguinte presta consultoria para a elaboração do projeto do Centro de Documentação Etnológica e Indigenista do Museu do Índio, dirigido por Carlos de Araújo Moreira Neto e em 1975 assume a assistência de direção da Editora Paz e Terra.[1] No ano de 1976, estagia no setor de Etnologia e Etnografia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional e atua como pesquisadora no projeto Etnografia e Emprego Social da Tecnologia Indígena e Popular coordenado por Maria Heloísa Fenelón Costa.[1]
Em 1977, torna-se Pesquisadora B do CNPq. Visitou diversas aldeias indígenas no Alto e Médio Xingu e no Ceará. Entre 1978 e 1979, participou do Movimento Feminino pela Anistia e da Campanha pela demarcação das Terras Indígenas, coordenada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI).[1]

| “ | Dada a gravidade da ameaça que pesa sobre a população indígena e a ecologia da Amazônia, nenhuma instituição comprometida com o futuro do país pode eximir-se de tomar partido. A omissão significa complacência e cumplicidade. | ” |
— Berta Ribeiro, [1] | ||
Em 1978, quando a antropóloga estava na região do Alto Rio Negro para estudar o trançado indígena, teve conhecimento que dois indígenas haviam escrito a mitologia dos Desana, motivados anteriormente por um padre da Missão Salesiana de São Gabriel da Cachoeira a passar para o papel essas narrativas.[9] No mesmo período em que se encontrava na localidade, os originais foram devolvidos pela editora. Ela se interessou pelo projeto e ajudou pai e filho — Umúsin Panlõn Kumu (Firmiano Lana) e Tolamãn Kenhirí (Luis Lana), a reformularem o texto de forma a conseguir sua publicação em 1980, que se tornou o livro: Antes o Mundo Não Existia. A Mitologia Heróica dos Índios Desana, e criando assim, uma parceria com a família Lana que se estendeu até o fim da sua vida.[9][8] Sendo que sempre ficou patente em suas publicações e em seu discurso, o quanto Berta prezava de modo especial os Desana, dentre todos os grupos indígenas que conheceu.[6]

Em princípios dos anos 80, no Rio de Janeiro, Berta convidava a visitar a exposição Os Índios das Águas Pretas, provavelmente a primeira das que organizou, e que envolvia, como as que se seguiram posteriormente, a comunicação clara e objetiva de aspectos da vida indígena, assim como a discussão de temas amazônicos relacionados com a preocupação ecológica.[6] Nessa mesma ótica, foram montadas com grande repercussão, Brasilidades na Casa França-Brasil em 1998 e Amazônia Urgente em 1990, que acompanhada de seu livro homônimo, itinerou pela Estação Carioca no Rio de Janeiro, pelo Centro Cultural São Paulo, em Brasília e pelo Centro Cultural Tancredo Neves em Belém.[6] Ainda em 1980, defendeu seu doutorado na Universidade de São Paulo, sob a orientação do professor Amadeu José Duarte Lanna, com a tese intitulada A Civilização da Palha: A Arte do Trançado dos Índios do Brasil,[1][10] que representa um dos mais completos estudos de cestaria indígena do Alto Xingu e do Alto Rio Negro, abordando os aspectos tecnológicos, produtivos e estéticos dessa arte.[8] A análise comparativa dessa produção artística especifica, lança luzes sobre o sistema de trocas existente nos dois territórios.[6]
Entre 1982 e 1983, inicia a elaboração e coordenação do periódico Suma Etnológica Brasileira e em 1884, assume a coordenação geral do comitê editorial e tem seu ex-marido Darcy Ribeiro como editor.[1] Ainda em 1983, publica O Índio na História do Brasil, coleção dirigida por Jayme Pinsky, e destinada à estudantes do ensino médio e universitários,[1] que se divide em duas partes: na primeira, a autora apresenta os indígenas na história do Brasil a partir da colonização até o final do século XX e, posteriormente, suas contribuições à nossa própria cultura.[11]
Berta visitou vários museus pelo mundo, organização exposições sobre a arte e cultura indígenas do Brasil, além de publicar constantemente sobre povos e costumes. Foi assessora da FUNAI e chefe de museologia da mesma instituição em 1985 e também professora visitante no programa de mestrado da Escola de Belas-Artes (UFRJ).[1]
Em 1988, assume por concurso o cargo de professora assistente nível 1 do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, desligando-se assim do Museu do Índio.[1] Berta foi membro da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), do Conselho Regional de Museologia do Rio de Janeiro; do Conselho Editorial das Revistas Ciências em Museus, Ciência Hoje das Crianças e dos Anais do Museu Paulista; da Comissão Julgadora da seleção para a Pós Graduação em Artes Visuais, mestrado em História e Crítica da Arte, na Escola de Belas-Artes (UFRJ).[1]
O livro Arte Indígena, Linguagem Visual, publicado em 1989, constituiu-se na sua mais complexa abordagem dos “conteúdos e significados das manifestações estéticas do índio brasileiro, através da análise de casos concretos” como informa o prefácio, um caminho pouco trilhado da Antropologia da Arte, mas abraçado por Berta, pela sua familiaridade na leitura e na classificação de objetos.[8][6] Já O Índio na Cultura Brasileira publicado em 1991, apresenta algumas das contribuições indígenas à cultura brasileira nas áreas da Botânica, da Zoologia, Cultura Material, da Arte e da Linguagem.[11]
Em 1994, Berta participou de um projeto para edição de desenhos animados que seriam integrantes de uma série chamada Mito e Morte no Amazonas, baseada em mitos Desana descritos no livro Antes o Mundo Não Existia, e que seria composta pelos curtas: Gaín Pañan e a Origem da Pupunheira, Bali Bó e O Começo Antes do Começo. Sendo que dos três, apenas o primeiro foi concretizado.[9]
Em seu livro Os Índios das Águas Pretas, publicado em 1995, aborda conteúdos relacionados à ecologia e à cultura material, temas centrais em seu trabalho,[8] com o intuito de, em suas palavras, "suscitar a reflexão sobre a criatividade das culturas indígenas, sobre o saber ecológico do índio e sobre o legado indígena brasileiro, transmitido para milhões de interioranos".[6]
Quando não estava em campo, Berta refugiava-se no seu escritório, em seu apartamento em Copacabana. Este ambiente constituía o seu verdadeiro "oásis", onde a máquina de escrever, manejada com perícia e herança dos tempos de datilógrafa em São Paulo, ocupava um lugar de destaque. Dessa máquina tudo brotava: artigos, livros e cartas, sendo que a correspondência de Berta era um capítulo à parte, pois sua dedicação para que nada ficasse sem resposta, fez dela uma aficcionada pelo correio eletrônico posteriormente.[6] Ainda em seu apartamento, as estantes refletiam as aquisições, o intercâmbio e uma produção que alcançou nove livros e mais de quarenta artigos publicados, numa vida devotada ao estudo das culturas indígenas,[6] além de armazenar cuidadosamente um acervo de aproximadamente quinhentas peças, reunidas ao longo dos anos, com contribuições de Darcy Ribeiro e Eduardo Galvão. Esse acervo, especificamente, destinava-se a viabilizar o projeto do Museu do Índio a ser implantado em Brasília.[6]
A formação de acervos de bens materiais dos grupos indígenas que estudava, constituía um de seus principais interesses, pois como estudiosa da cultura material, "Berta lia objetos e os colecionava".[6] Seu interesse colecionista foi estendido para outros museus, através de doações, como foi o caso do Museu Paraense Emílio Goeldi, que recebeu de Berta uma importante coleção Asurini.[6] Institucionalmente, esteve associada ao Museu do Índio e ao Museu Nacional, atuando como pesquisadora e formadora de coleções etnográficas.[6] Como professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ministrou aulas no curso de Pós-Graduação em História da Arte nas disciplinas: "Arte Indígena no Brasil" e "Cultura Material e Arte Étnica", orientando os alunos nos temas de sua especialidade.[8] Paralelamente, empenhou-se na promoção e publicação de estudos museológicos, apesar de seu baixo prestígio no meio acadêmico, pois acreditava que esses estudos permitiam apoiar a causa indígena e porque considerava os museus como um meio de educação pública.[6]

Berta reuniu uma extensa coleção de artefatos, desenhos, fotografias e amostras de espécimes vegetais, barro e tinta. Estudou a fundo técnicas de fiação, tecelagem entretecida, tecelagem enlaçada (filé), uso de corantes e fibras têxteis, destinando-os para o acervo do Museu Nacional,[1] mas infelizmente, em setembro de 2018, houve um incêndio de grandes proporções que destruiu quase a totalidade do acervo histórico e científico que havia na instituição.
Aposentadoria e morte
Devido a um tumor cancerígeno, entrou em coma em 1995. Mas um pouco antes, em sua própria casa por motivo da doença, recebeu do governo brasileiro a medalha de Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico,[1] em virtude do seu compromisso e rigor com a produção do conhecimento científico, pois os caminhos percorridos por Berta Ribeiro sempre foram amplos, porque vastos eram os seus interesses: Antropologia, Ecologia, Museologia, Arte e sua principal especialidade, a Cultura Material Indígena.[8] No ano seguinte, aposentou-se em decorrência do estado avançado da doença, falecendo em 17 de novembro de 1997, aos 73 anos, exatamente 9 meses após o falecimento de seu ex-marido Darcy Ribeiro.[1]
Berta parece ter feito de seu trabalho a razão de sua vida, como constantemente dizia à amiga Maria Stella Amorim:[9]
| “ | Eu não posso ser judia, porque não tenho religião... Não tenho família, nem marido, nem filhos. Sou sozinha. Só tenho mesmo meu trabalho com os índios. Devo a eles o que sou... Eu me sinto Desâna. | ” |
— Berta Ribeiro | ||
Premiações
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Lista resumida:[1]
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Acervo pessoal
No período de 27 anos em que esteve casada com Darcy, Berta teve papel primordial na elaboração de suas obras, e também foi responsável pela revisão, tradução e catalogação de diversas cartas, obras e documentos reunidos ao longo da trajetória profissional de seu então marido, que culminaram na criação da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar).[7] A construção desse arquivo, que abriga o acervo documental e as bibliotecas dos dois antropólogos, surgiu do desejo de Darcy de ser lembrado por sua contribuição intelectual, e não apenas por seus projetos políticos.[7]
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O acervo pessoal de Berta Ribeiro foi reunido, juntamente com o do seu ex-marido, em uma biblioteca que está localizada no Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo) na Universidade de Brasília.[12] São cerca de 30 mil volumes de documentos acumulados por ambos ao longo de mais de 50 anos de intensa atividade em diferentes âmbitos do conhecimento.[12] Constituem-se de dois extensos arquivos que se complementam, contendo registros textuais, iconográficos, filmográficos e sonoros, revelano não apenas a produção cultural e científica de seus autores, mas também das expressões culturais, memória e história de grupos formadores da sociedade brasileira e latino-americana.[12] Os acervos de Darcy e de Berta Ribeiro, reunidos em diferentes suportes, dialogam, uma vez que os dois antropólogos apresentam, em seus percursos biográficos, pesquisas e publicações realizadas individualmente ou em parceria, nas áreas da Etnologia, Antropologia, Cultura e Política.[12] A biblioteca estabelece desse modo, uma estreita relação com o conjunto de documentos arquivísticos, agregando todos os campos pertencentes à biografia e a atividade profissional resultante da ação intelectual de ambos os autores.[12]
Obras
Levantamento de publicações da autora, extraído do artigo escrito por Lucia Hussak van Velthen:[6]
Artigos em catálogos
| Artigos em catálogos |
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1980 - "A Arte Plumária dos Índios Urubus-Kaapor". Arte Plumária do Brasil. (catálogo). São Paulo: Museu de Arte Moderna, pp. 26-28 1983 - "Contributi Indigeni alla Cultura Contemporanea". Indios del Brasile. Culture che Scompaiono. Roma: Soprintendenza Speciale al Museo Preistorico ed Etnografico Luigi Pigorini. pp. 29-32 1984 - "Arte Gráfica Kadiwéu". Arte e Corpo: Pintura sobre a Pele e Adornos de Povos Indígenas Brasileiros. (catálogo). Rio de Janeiro: FUNARTE, pp. 39-46 1984 - "Arte Gráfica Juruna". Arte e Corpo: Pintura sobre a Pele e Adornos de Povos Indígenas Brasileiros — catálogo. Rio de Janeiro: FUNARTE, pp. 75-82 1995 - "Arte Indígena: Linguaggio Visuale". I Segni del Tempo: Identità e Mutamento. Arte, Cultura e Storia di Tre Etnie del Brasile. Roma: Edizioni Seam. pp. 89-112 |
Artigos em periódicos
| Artigos em periódicos |
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1957 - "Bases para uma Classificação dos Adornos Plumários dos Índios do Brasil". Arquivos do Museu Nacional 43. pp. 59-128 1978 - "O Artesanato Indígena como Bem Comerciável". Ensaios de Opinião 5. pp. 68-77 1979 - "Arte Indígena, Linguagem Visual". Ensaios de Opinião 7. pp. 101-110 1980 - "Possibilidade de Aplicação do “Critério de Forma” no Estudo de Contatos Intertribais, pelo Exame da Técnica de Remate e Pintura de Cestos". Revista de Antropologia 23. pp. 31-67 1982 - "A Oleira e a Tecelã: O Papel Social da Mulher na Sociedade Asuriní". Revista de Antropologia 25. pp. 25-61 1983 - "Araweté: A Índia Vestida". Revista de Antropologia 26. pp. 1-38 1985a - "Museu: Veículo Comunicador e Pedagógico". Revista Brasileira de Pedagogia 66 (152). pp. 77-98 1985b - "Tecelãs Tupi do Xingu: Kayabi, Juruna, Asuriní, Araweté". Revista de Antropologia 27-28. pp. 355-402 1986 - "Os Estudos de Cultura Material: Propósitos e Métodos". Revista do Museu Paulista 30. pp. 13-41 1987a - (Em co-autoria com T. Kenhíri) "Chuvas e Constelações". Ciência Hoje 36. pp. 26-35 1987b - "Museu do Índio, Brasília". Cadernos RioArte 3 (7). 1989 - "Museu e Memória. Reflexões sobre o Colecionamento". Ciências em Museus 1(2). pp. 109-122 1990a - "Cultura Material: Objetos e Símbolos". Ciências em Museus 2. pp. 17-2 1990b - "Perspectivas Etnológicas para Arqueólogos: (1957-1988)". BIB- Anpocs 29. 1991a - (Em co-autoria com T. Kenhíri) "Chuvas e Constelações: Calendário Econômico dos Índios Desana". Ciência Hoje, Volume Especial Amazônia. pp. 14-23 1991b - "Literatura Oral Indígena: O Exemplo Desana". Ciência Hoje, Volume Especial Amazônia. pp. 32-41 1992 - "Coleções Museológicas: Do Estudo à Exposição". Ciências em Museus 4. pp. 73-4 |
Artigos em periódicos estrangeiros
| Artigos em periódicos estrangeiros |
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1981 - "O Artesanato Cesteiro como Objeto de Comércio entre os Índios do Alto Rio Negro, Amazonas". América Indígena 61(2). pp. 289-310 1986 - "La Vannerie et l’Art Décoratif des Indiens du Haut Xingu, Brésil". Objets et Mondes, Revue du Musèe de l'Homme 24 (1-2). pp. 57-68 1991 - "Ao Vencedor, as Batatas. Plantas Ameríndias, Oferendas à Humanidade". Trabalhos de Antropologia e Etnologia 31. Fascículos 1-4 (Homenagem a Ernesto Veiga de Oliveira). pp. 99-112 1993 - "Les Poupées Karajá". La Revue de la Céramique et du Verre 68. pp. 34-35 1995 - "Parque Indígena de Xingu: Laboratorio de Intercambio Cultural". Artesanías de América Cuenca 46-47. pp. 117-30 |
Capítulos de livros
| Capítulos de Livros |
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1959 - (Em co-autoria com J. C. de Melo Carvalho). "Curare: A Weapon for Hunting and Warfare". In Curare and Curare-Like Agents. (D. Bovet et alii, orgs.). Amsterdam. pp. 34-59 1983a - "Artesanato Indígena: Para que, para quem?". In O Artesão Tradicional e seu Papel na Sociedade Contemporânea. Rio de Janeiro: FUNARTE/INF. pp. 11-48 1983b - "O Índio Brasileiro: Homo Faber, Homo Ludens". ln A Itália e o Brasil Indígena. Rio de Janeiro: Index Editora. pp. 13-23 1985 - "Artesanato Indígena: Porque e para quem?". In As Artes Visuais na Amazônia: Reflexões sobre uma Visualidade Regional. Belém: FUNARTE/SEMEC. pp. 23-42 1986a - "A Arte de Trançar: Dois Macroestilos, dois Modos de Vida". In Suma Etnológica Brasileira II: Tecnologia Indígena (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 283-313 1986b - "Glossário dos Trançados". In Suma Etnológica Brasileira II: Tecnologia Indígena (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 314-22 1986c - "Artes Têxteis Indígenas do Brasil". In Suma Etnológica Brasileira II: Tecnologia Indígena (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 351-89 1986d - "Glossário dos Tecidos". In Suma Etnológica Brasileira II: Tecnologia Indígena (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 390-96 1986e - "A Linguagem Simbólica da Cultura Material". In Suma Etnológica Brasileira III: Arte Índia (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 15-28 1986f - "Bases para uma Classificação dos Adornos Plumários dos Índios do Brasil". In Suma Etnológica Brasileira III: Arte Índia (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 189-226 1986g - "Desenhos Semânticos e Identidade Étnica: O Caso Kayabi". In Suma Etnológica Brasileira III: Arte Índia (D. Ribeiro, ed.). Petrópolis: Vozes/FINEP. pp. 265-86 1987 - '"Visual Categories and Ethnic Identity: The Symbolism of Kayabi Indian Basketry (Mato Grosso, Brazil)". In Material Anthropology: Contemporary Approaches to Material Culture (Reynolds e Stott, orgs.). Washington, D.C.: University Press of America, pp. 189-230 1988a - "Semantische Zeichnungen und Ethnische Identităt: Das Beispiel der Kayabi". In Die Mythen Sehen. Bilder und Zeichen vom Amazonas (Mark Munzel. org.). Museum für Volkerkunde, Band 14. pp. 391-450 1988b - "Die Bildliche Mytologie der Desâna". In Die Mythen Sehen. Bilder und Zeichen vom Amazonas (Mark Munzel, org.). Museum fur Volkerkunde, Band 14: 243-77 1992a - "A Mitologia Pictórica dos Desâna". In Grafismo Indígena: Estudos de Antropologia Estética (Lux Vidal, org.). São Paulo: Nobel. pp. 35-42 1992b - "As Artes da Vida do Indígena Brasileiro". In Índios no Brasil (Luiz Donisete Benzi Grupioni, org.) Brasília: MEC. pp. 135-44 1992c - (Em co-autoria com L. H. van Velthem) "Coleções Etnográficas: Documentos Materiais para a História Índígena e a Etnologia". In História dos Índios no Brasil (Manuela Carneiro da Cunha, org.). São Paulo: FAPESP/Companhia das Letras. pp. 103-14 1993 - "Os Padrões Ornamentais do Trançado e a Arte Decorativa dos Índios do Alto Xingu". In Karl von den Steinen: Um Século de Antropologia no Xingu. São Paulo: EDUSP. pp. 563-89 1995 - "A Contribuição dos Povos Indígenas à Cultura Brasileira". In A Temática Indígena na Escola: Novos Subsídios para Professores de 1⁰ e 2⁰ Graus (Aracy Lopes da Silva e Luís D. B. Grupioni, orgs.). Brasília: MEC/MARI/UNESCO. pp. 197-220 |
Livros
| Livros |
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1957 - (Em co-autoria com Darcy Ribeiro). Arte Plumária dos Índios Kaapor. Rio de Janeiro: Seikel. 154 pp. 1979 - Diário do Xingu. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 265 pp. 1983 - O Índio na História do Brasil. Rio de Janeiro: Global (Coleção História Popular 13). 125 pp. 1985 - A Arte do Trançado dos Índios do Brasil: Um Estudo Taxonômico. Belém: MPEG. 185 pp. 1987 - O Índio na Cultura Brasileira. Rio de Janeiro: Unibrade/UNESCO. 186 pp. 1988 - Dicionário do Artesanato Indígena. Belo Horizonte: Editora ltatiaia/EDUSP. 343 pp. 1989 - Arte Indígena, Linguagem Visual. Belo Horizonte: Editora Itatiaia/EDUSP. 186 pp. 1990 - Amazônia Urgente: Cinco Séculos de História e Ecologia. Belo Horizonte: Editora Itatiaia. 272 pp. 1995 - Os Índios das Águas Pretas: Modo de Produção e Equipamento Produtivo. São Paulo: Companhia das Letras/EDUSP. 269 pp. |
Textos inéditos
1980 - A Civilização da Palha: A Arte do Trançado dos Índios do Brasil. Universidade de São Paulo, Tese de Doutorado. 590 pp.
1988 - Classificação dos Solos e Horticultura Desana. 18 pp.
1994(?) - Índios do Brasil: 500 Anos de Resistência. Ms.
Ver também
- Era Vargas
- Segunda Guerra Mundial
- Ditadura militar brasileira
- Povos nativos do Brasil
- Arte indígena brasileira
- Arte plumária indígena brasileira
- Música indígena brasileira
- Grafismo indígena
- Memorial dos Povos Indígenas
- Coleção indígena do Museu Nacional
- Incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro
Referências
- «Biobibliografia Berta Ribeiro». Fundação Darcy Ribeiro. N.d. Consultado em 10 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2016
- Pondé, Consuelo (19 de março de 2014). «A Antropóloga Berta G. Ribeiro». Tribuna da Bahia. Consultado em 10 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2016
- Arruda, Cláudia Maria Calmon (janeiro–junho de 2010). «Memórias num bordado: traços de Genny Gleizer no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro» (PDF). Uberlândia. Cadernos de Pesquisa do CDHIS. 23 (1): 15-22. ISSN 1518-7640. doi:10.14393/cdhis.v23i1.7700. Consultado em 24 de novembro de 2022
- C. Buonicore, Augusto (9 de agosto de 2015). «O caso Genny Gleizer: a garota judia e comunista deportada por Vargas § Geral/Nacional». Portal Vermelho. Consultado em 10 de dezembro de 2016
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- «Inventário § Acervo». Fundação Darcy Ribeiro. N.d. Consultado em 27 de novembro de 2022
Ligações externas
- «Entrevista de Berta Ribeiro ao Programa "Tome Ciência" (Rádio USP/SBPC)». A entrevista foi feita em 1988, quando Berta recebeu o Prêmio Érico Vanucci Mendes para "Trabalhos de Preservação da Memória Nacional, Tradições Populares e Traços Culturais" durante a 40ª RASBPC (SoundCloud). Consultado em 22 de abril de 2022
- «Programa de Índio: Escrevendo a Cultura (As línguas indígenas e as iniciativas de conhecimento e preservação, a partir da publicação de livros didáticos em tupi). Com Ruth Monserrat, lingüista da UFRJ; Berta Ribeiro, antropóloga do Museu Nacional; Bruna Francheto, lingüista da UFRJ e Nietta Lindenberg, da Comissão Pró-índio do Acre». Acervo: Debates do Antigo "Tome Ciência" (Vimeo) - programa nº 125, que foi ao ar em 14 de abril de 1990. Consultado em 22 de abril de 2022

