Bruno Torres

Bruno Torres (Brasília, 1 de outubro de 1980) é um ator, músico, ambientalista e cineasta brasileiro. No ano de 2022, assumiu o nome espiritual Fatumbi (o poder e a sabedoria de Ifá me fez renascer), após recebê-lo de um suntuoso babalawô nigeriano em sua iniciação para Ifá, no Templo de Oduduwa.

 Nota: Se procura pelo futebolista português, veja Bruno Torres (futebolista).
Bruno Torres
Bruno Fatumbi Torres em 2023
Outros nomes Fatumbi
Nascimento Bruno Torres Moraes
1 de outubro de 1980 (42 anos)
Brasília, DF
Nacionalidade brasileiro
Estatura 1,75m
Progenitores Mãe: Mallú Moraes
Pai: Geraldo Moraes
Ocupação
Principais trabalhos A Espera de Liz (Miguel)

Somos Tão Jovens (Fê Lemos) Insensato Coração (Valdir) Bio (Filho Neuropsiquiatra) O Homem Mau Dorme Bem (Wésley) Entrando Numa Roubada (Vitor)

Prêmios
  • Melhor Ator Coadjuvante (O Homem Mau Dorme Bem) - XIV CINE-PE.
  • Melhor Ator Coadjuvante (O Homem Mau Dorme Bem) - 42 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
  • Indicado como Melhor Ator Coadjuvante (Somos Tão Jovens) - Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2014.
Página oficial
https://www.caicodequeiroz.com.br

Considerado uma das promessas do cinema brasileiro, seu desempenho como "Fê Lemos" no longa metragem Somos Tão Jovens e seus demais trabalhos foram bem recebidos pela crítica especializada[1] e pelo público.[2] Como ator, a característica camaleônica tem se destacado cada vez mais, através da composição de persongens com distintas e fortes caracterizações.

No ano de 2017, Bruno Torres deu início ao seu ativismo como ambientalista, sendo mestre de cerimônia de eventos do FUNBIO.

No ano de 2020, se tornou o primeiro ator brasileiro a compensar o carbono de todas as suas atividades pessoais e profissionais, através das empresas de crédito de carbono Ecooar,[3] Iniciativa Verde[4] e Sustainable Carbon.[5] O feito chamou a atenção de diversas revistas,[6] portais especializados,[7][8]blogs, sites de sustentabilidade[9] e colunas sociais,[10] fazendo com que ele ficasse reconhecido também como um filantropo.

Biografia

Bruno aos oito anos de idade começou a participar como ator em comerciais e espetáculos de teatro amador. Estudou música dos 10 aos 18 anos e estreou profissionalmente como ator em 1997, no longa metragem No Coração dos Deuses, dirigido por seu pai Geraldo Moraes.

Em 1999, a convite do diretor de teatro Hugo Rodas, passou a integrar o elenco da Cia dos Sonhos, pela qual participou de dois espetáculos com turnê nacional: "Arlequim, servidor de dois patrões", de Carlo Goldoni; e "Álbum Wilde", com colagem de textos de Oscar Wilde. Em 2001 atuou em "Não Ficamos Muito Tempo Juntos", com textos de Samuel Beckett. Em seguida atuou no espetáculo "Resta Pouco a Dizer", sob direção de Adriano e Fernando Guimarães, bastante elogiada e reconhecida pela crítica especializada.[11] Em 2004 gravou pequenas participações nas novelas Mulheres Apaixonadas e Celebridade, da TV Globo.

Por sua participação no filme O Homem Mau Dorme Bem, recebeu o prêmio de Melhor ator coadjuvante[12] nos Festivais de Brasília[13] em 2009 e Recife[14] em 2010.

Estreou como roteirista e diretor em 2004, com o curta-metragem "O último raio de sol", que acabou premiado como melhor curta nos festivais de Brasília, Tiradentes e Florianópolis. Em 2009, dirigiu o curta A Noite por Testemunha, inspirado no assassinato do indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo em Brasília em 1997. Por este trabalho, Bruno conquistou vários prêmios em festivais nacionais e internacionais.[15][16]

Em 2012, representou o personagem Valdir Brandão[17] na novela Insensato Coração, produzida pela TV Globo.

Seu trabalho mais marcante no cinema foi no longa metragem Somos Tão Jovens, de Antônio Carlos da Fontoura. Como reconhecimento por este trabalho, Bruno Torres foi indicado na categoria de melhor ator coadjuvante ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o mais importante do segmento no país, concorrendo com Jesuíta Barbosa, Wagner Moura, Antônio Calloni e Matheus Nachtergaele.[18]

Em 2016, atuou em três longas-metragens: BIO,[19] dirigido por Carlos Gerbase e lançado nos cinemas em 2018; e CAMPUS SANTO, de Márcio Curi, ainda não lançado.[20] No mesmo ano integrou o elenco principal do longa metragem de sucesso de bilheteria "Entrando Numa Roubada",[21] de André Moraes.

No primeiro semestre de 2022, lançou seu primeiro longa-metragem como diretor, A Espera de Liz[22], filmado no Brasil e na Venezuela [23], filme que também atua como antagonista e é corroteirista e produtor. O filme ficou reconhecido como o primeiro longa da história do cinema brasileiro a compensar todas as emissões de carbono da produção[24].

Em 2023, estará nos cinemas como protagonista do longa metragem INFINITAS TERRAS, de Cauê Brandão.

Princípios, práticas e crenças

Bruno Torres em Brasília, sua cidade natal, na Praça dos Três Poderes

Bruno Torres teve fortes influências de seu pai Geraldo Moraes, tanto no que se refere à espiritualidade quanto em responsabilidade socioambiental. Seu pai, Geraldo, fomentou leis que valorizavam a cultura e que foram determinantes para a famosa retomada do cinema brasileiro. Além disso, Geraldo Moraes ficou conhecido no Brasil como “o cineasta do interior”,[25] uma vez que todos os seus filmes enfocavam os pequenos mercados, pessoas humildes, a história do Brasil, a igualdade social e a igualdade racial. Além de diretor de cinema e ativista político, Geraldo Moraes era tarólogo. Tudo isso fez com que Bruno abrisse os horizontes para que seus costumes e práticas fossem de princípios humanistas, ocultistas e holisticos. Seus curtas metragens mais premiados tratavam da opressão da elite sobre a população menos desfavorecida,[26] e meditavam também sobre a violência exercida por jovens de classe média-alta, sobre impunidade e sobre preconceito.

Seu filme de longa metragem de estréia A Espera de Liz (ainda inédito no circuito comercial) medita, por trás da trama apresentada, sobre a opressão do masculino sobre o feminino, o silenciamento da mulher e a masculinidade tóxica.[27][28]

Já o longa metragem, também inédito, A Pele Morta, codirigido por Denise Moraes, trata da perda de território de indígenas Guarani-Kaiowás e foi filmado no Brasil e no Paraguay, além de ter como idiomas o Guarani, a língua portuguesa e o espanhol.[29][30][31]

O nascimento em Brasília reforçou de forma expressiva o misticismo de Bruno Torres, onde também cursou homeopatia unicista,[32] foi ogã por 17 anos no candomblé e se desenvolveu como médium na umbanda. As declarações de Bruno, em diversas entrevistas e em suas próprias redes sociais, bem como relato de pessoas próximas do seu convívio, comprovam que sua trajetória artística se confunde com uma intensa busca por aprimoramento espiritual.

Influências

Bruno Fatumbi Torres é regido por Logunedé, na diáspora afro brasileira.

Embora se defina como universalista, Bruno Torres cresceu em uma atmosfera religiosa umbandista e candomblecista. No início de sua caminhada espiritual, o babalorixá Raúl de Xangô, da Tenda de Xangô Airá do Itajacy, e a Ialorixá Mãe Estela de Oxóssi, do Ilê Axé Opô Afonjá, foram suas principais influências de formação religiosa, que contou também com influências diretas do espiritismo, do kardecismo e do budismo. Mas essa formação sempre contou com toques de reflexões pessoais, já que Bruno era frequentador assíduo do Templo da Boa Vontade, onde estudava na ala dos estudantes o desenvolvimento de canalização dos Mestres da Fraternidade Branca. Pela Comunhão Espírita de Brasília, se formou no ESDE (Estudo Sistematizado de Doutrina Espírita). De todas as formas, a principal atuação de Bruno é como ativista cultural e ambiental, além de defensor da diáspora afro brasileira, que fez com que em 2021 ele passasse por iniciação teórica em Odulogia da Cabala Afro Brasileira e no Merindilogun, pela Astro Milênio.[33]

Baba King e Bruno Fatumbi Torres, no Templo de Templo de Oduduwa

Mas foi no Templo de Oduduwa,[34] sob a supervisão e orientação de Baba King,[35] que Bruno Torres viveu seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi (aquele que renasce através do Ifá), no primeiro semestre de 2022, quando se iniciou para Ifá. Hoje, Bruno Fatumbi Torres vem acumulando iniciações espirituais para diversos Orixás, como por exemplo Iami Oxorongá, Exú e Ogum.

Sustentabilidade e estilo de vida

Desde o ano de 2018 que Bruno adotou ser mais sustentável em tudo que faz. Foi através desse pensamento que ele estabeleceu uma nova forma de interagir com o meio ambiente e com o Planeta. Se obrigou a ter uma série de mudanças de hábitos e se tornou em 2020 o primeiro artista brasileiro a compensar anualmente o carbono de todas as suas atividades pessoais e profissionais, tendo já compensado, tanto pessoalmente quanto para seus projetos, 30.420 kg de CO² retidos do Meio Ambiente, auxiliando para a proteção de nascentes e da biodiversidade na região do plantio, reflorestando Áreas de Preservação Permanente e colaborando com a educação ambiental.[36][37][38][39]

Como parte da consciência e gestão humana (um dos pilares da sustentabilidade), Bruno também incentiva o programa HeForShe (ElesPorElas), criado pela ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero. O movimento ElesPorElas faz parte de um esforço global para envolver homens e meninos na remoção das barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingir seu potencial, atuando todos juntos por uma nova sociedade.[40]

Carreira

Na televisão

No teatro

  • 1999: "Arlequim, servidor de dois patrões" (dir. Hugo Rodas)
  • 2000: "Álbum Wilde" (dir. Hugo Rodas)
  • 2001: "Não ficamos muito tempo juntos" (dir. Adriano e Fernando Guimarães)
  • 2007: "Resta pouco a dizer" (dir. Adriano e Fernando Guimarães)

No cinema (como ator)

Referências

  1. «Guia Rio Show :: O Globo». rioshow.oglobo.globo.com. Consultado em 25 de maio de 2016
  2. «"Somos Tão Jovens" é a sexta maior estreia desde a retomada do cinema nacional - 07/05/2013 - Ilustrada - Folha de S.Paulo». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 10 de agosto de 2016
  3. «CERTIFICADO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL - Ecooar». Issuu (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2020
  4. «CERTIFICADO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL - Carbon Free». Issuu (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2020
  5. «CERTIFICADO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL». Issuu (em inglês). Consultado em 23 de maio de 2020
  6. «audiovisual». GQ. Consultado em 17 de março de 2021
  7. «Portal Exibidor - Cineasta brasileiro quer transformar audiovisual em mercado sustentável». Exibidor. Consultado em 17 de março de 2021
  8. «Bruno Torres dirige e protagoniza road movie em parceria com Tiny House Brasil». TELA VIVA News. 22 de setembro de 2020. Consultado em 17 de março de 2021
  9. «Mudança de hábito: Consumidores contam o que fizeram para reduzir, ou quase zerar, o envio de lixo e carbono para o meio ambiente». www.uol.com.br. Consultado em 17 de março de 2021
  10. «Mônica Bergamo: Milhem Cortaz, Lucy Alves e Luiz Carlos Vasconcelos atuarão em filme sobre madeireiros ilegais». Folha de S.Paulo. 1 de setembro de 2020. Consultado em 17 de março de 2021
  11. «Blog do Jean-Claude». jcbernardet.blog.uol.com.br. Consultado em 10 de agosto de 2016
  12. «'As melhores coisas do mundo' leva oito prêmios no Cine PE». www.conquistanews.com.br. Consultado em 25 de maio de 2016
  13. «É Proibido Fumar é o grande vencedor do Festival de Brasília». RollingStone. 25 de novembro de 2009. Consultado em 25 de maio de 2016
  14. «"As Melhores Coisas do Mundo" é o grande vencedor do Cine PE - BOL Notícias». noticias.bol.uol.com.br. Consultado em 25 de maio de 2016
  15. «Matéria do saite E-pipoca sobre a premiação em Brasília 2009». Consultado em 17 de abril de 2016
  16. «Matéria do saite Visão Arte sobre a premiação em Recife 2010». Consultado em 17 de abril de 2016
  17. «INSENSATO CORAÇÃO - GALERIA DE PERSONAGENS». memoriaglobo.globo.com. Consultado em 25 de maio de 2016
  18. «Lista dos finalistas - Academia Brasileira de Cinema | Grande Prêmio do Cinema Brasileiro». Academia Brasileira de Cinema | Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (em inglês). 6 de agosto de 2014. Consultado em 25 de maio de 2016
  19. «"Bio", novo filme de Carlos Gerbase, tem trama construída a partir de fragmentos de memórias». ZH 2014. Consultado em 25 de maio de 2016
  20. «Página sobre o filme "Campus Santo" no site da Asacine». Consultado em 17 de abril de 2016
  21. «Entrando Numa Roubada». AdoroCinema. Consultado em 25 de maio de 2016
  22. «As polaridades da alma | Revista de Cinema». revistadecinema.uol.com.br. Consultado em 25 de maio de 2016
  23. «Matéria no Jornal de Brasília sobre a rodagem de "A espera de Liz"». Consultado em 17 de abril de 2016
  24. «Mônica Bergamo: Filme com Zé Carlos Machado é o primeiro do Brasil a fazer compensação total de emissão de carbono». Folha de S.Paulo. 4 de março de 2022. Consultado em 6 de janeiro de 2023
  25. «Geraldo Moraes - o Cineasta do Interior - Imprensa Oficial - No Magalu». Magazine Luiza. Consultado em 28 de março de 2021
  26. «FILMOGRAFIA - O ÚLTIMO RAIO DE SOL». bases.cinemateca.gov.br. Consultado em 28 de março de 2021
  27. «As polaridades da alma | Revista de Cinema». Consultado em 28 de março de 2021
  28. Drummond, Juliana; Grossi, Murilo; Iliescu, Simone; Lyberato, Ingra (2 de outubro de 2020), A Espera de Liz, Aquarela Produções Culturais, Astrals - Music Production, Organismo Filmes, consultado em 28 de março de 2021
  29. Hopewell, John; Hopewell, John (9 de novembro de 2019). «'Summer White,' 'Perfect David,' 'Nocturna' 'Set for Ventana Sur's Copia Final (EXCLUSIVE)». Variety (em inglês). Consultado em 28 de março de 2021
  30. «Dourados é cenário do filme nacional Pele Morta com foco na multinacionalidade». Dourados Agora - Notícias de Dourados-MS e Região. Consultado em 28 de março de 2021
  31. «História de grupo de rap indígena vira inspiração para o filme "A Pele Morta", com filmagem em Dourados | IPOL». ipol.org.br. Consultado em 28 de março de 2021
  32. 11734818. «Homeopatia Unicista - Instituto Hanneman». Issuu (em inglês). Consultado em 28 de março de 2021
  33. «AstroMilênio». astromilenio.yolasite.com. Consultado em 28 de março de 2021
  34. «ODUDUWA». oduduwa.com.br. Consultado em 18 de janeiro de 2022
  35. «ODUDUWA». oduduwa.com.br. Consultado em 18 de janeiro de 2022
  36. Árvores, Ecooar-É mais do que plantar. «Selo Verde Bruno Torres • Compensação ambiental». Ecooar - É mais do que plantar Árvores. Consultado em 6 de janeiro de 2023
  37. Árvores, Ecooar-É mais do que plantar. «Selo Verde Bruno Torres • Compensações». Ecooar - É mais do que plantar Árvores. Consultado em 6 de janeiro de 2023
  38. Árvores, Ecooar-É mais do que plantar. «Selo Verde A Espera de Liz • Produção Sustentável». Ecooar - É mais do que plantar Árvores. Consultado em 6 de janeiro de 2023
  39. Árvores, Ecooar-É mais do que plantar. «Selo Verde A Sustentável Leveza do Ser». Ecooar - É mais do que plantar Árvores. Consultado em 6 de janeiro de 2023
  40. ecooar (27 de maio de 2020). «Bruno Torres: atuando em prol da sustentabilidade». Blog Ecooar. Consultado em 28 de março de 2021

Ligações externas

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