Chaturanga

Chaturanga é um antigo jogo de tabuleiro indiano que se acredita estar na origem do Jogo de Xadrez, o Shogi e o Makruk, e é relacionado com o Xiang Qi (ou Janggi). Surgiu provavelmente no século VI, sendo considerado o predecessor do Xatranje que, por sua vez, veio a originar o xadrez moderno.

Peças de Chaturanga
राजा (Ràja,Rei)
काउंसेलर (Mantri,Conselheiro)
कोच (Ratha,Carruagem ou Torre)
Gaja (Elefante)
Ashva (Cavalo)
Padàti/Bhata (Infantaria) (Peão)
abcdefgh
8 8
7 7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1
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Chaturanga: A posição das peças ao início do jogo. Note que os Ràjas não ficam frente a frente, o Ràja branco começa na casa e1 e o Ràja preto na casa d8.
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8 8
7 7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1
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Ashtāpada, tabuleiro 8×8 sem xadrez, as vezes com marcas especiais, sobre o qual se jogava Chaturanga.

Assim como nos jogos de tabuleiro atuais, o chaturanga se joga com dois jogadores, mas também há uma versão para quatro jogadores, o Chaturaji.

Origem do chaturanga

Não é possível estabelecer uma comparação entre o chaturanga e jogos de tabuleiro mais antigos. O conhecimento de jogos de tabuleiro indianos mais antigos é vago porque a literatura brâmane e Sutras era religiosa e quase totalmente poética. Somente literatura posterior passou a incluir temas seculares. Embora termos indicando jogos de tabuleiro sejam vagos em relação às regras, o termo Ashtāpada (8x8) e dasapada (10x10) são úteis pois usam o mesmo tabuleiro monocromático que outras variantes de xadrez antigas. O significado da palavra Ashtāpada é estabelecido por Patânjali no livro Mahābhāshya escrito no século II, como um tabuleiro em que cada linha tem oito casas monocromáticas, sendo o termo um objeto familiar.[1]

Chaturanga é um adjetivo composto por duas palavras, chatur que significa "quatro" e anga que significa "membro" e tem o significado literal de "quadripartido". Em seu sentido original aparece no Rigveda em referência as quatro partes do corpo humano e no Shatapatha Brahmana. O termo apareceu também no Mahābhārata que existe desde o século V, Ramáiana (século V a.C.), Nitisara (Kamandaki) do início da era cristã e no Atarvaveda Parsistas (~250) tanto com a palavra bata (exército) ou como substantivo neutro ou feminino no sentido de "exército composto por quatro membros" e "exército" em geral, ficando claro o uso da palavra como nome do exército em sânscrito.[2]

O significado destas quatro partes fica claro da conexão da palavra chaturanga com bigas, elefantes, cavalaria e infantaria no Ramáiana, no Mahābhārata e no Amarakosa no qual o exército é expressamente chamado de hasty-ashwa-ratha-padatam que era a composição do exército desde século IV a.C. de acordo com relatos gregos da invasão do noroeste indiano por Alexandre, o Grande. O historiador grego Megástenes passou algum tempo na corte de Pataliputra no século III a.C. e afirmou que havia seis divisões no exército: Elefantes, Bigas, Cavalaria, Soldados, suprimentos e barcos. (hasty-aswa-ratha-padati-senepati-karmakara).[3]

As regras do jogo

O jogo começa conforme a imagem ao lado.

  1. Peças pretas, da esquerda para a direita (do ponto de vista do jogador com as peças pretas): Ratha (Torre), Ashva (Cavalo), Gaja (Elefante), Mantri (Conselheiro), Ràja (Rei), Gaja, Ashva e Ratha na fileira de trás, e os oito Padàti/Bhata (Peões) na fileira da frente.
  2. Peças brancas, da esquerda para a direita (do ponto de vista do jogador com as peças brancas): Ratha, Ashva, Gaja, Mantri, Ràja, Gaja, Ashva e Ratha na fileira de trás, e os oito Padàti/Bhata (Peões) na fileira da frente.
Note que: Diferente do xadrez ocidental, aqui os reis (Ràjas) não ficam frente a frente.
  • O Ràja pode se mover uma casa para qualquer lado, podendo também fazer um único movimento de Ashva durante a partida desde que não tenha sido ameaçado (posto sob cheque) antes;
  • O Mantri move uma casa na diagonal;
  • O Gaja move duas casas na diagonal, podendo saltar uma peça que esteja no caminho.
  • O Ashva se move em "L", fazendo um movimento equivalente à diagonal de um retângulo de 3x2 casas;
  • A Ratha move-se para a frente, para trás ou para os lados, quantas casas o jogador quiser;
  • O Padàti/Bhata move-se uma casa para a frente, e captura em uma casa para a diagonal (para a frente e para a direita, ou para a frente e para a esquerda, nunca para trás).

Os Bhata podem promover quando eles chegam na última fileira do tabuleiro, mas somente para o mesmo tipo de peça que estava no início da partida na casa ao qual ele chegou. Exemplo: quando um Bhata branco move para a casa onde inicialmente estava um Ashva, ele é promovido a Ashva . Porém, a promoção só é possível se o jogador já tiver perdido a peça a ser promovida.

Ver também

Referências

  1. Murray (1913), p.32-35
  2. Murray (1913), p.42
  3. Murray (1913), p.43-44

Bibliografia

  • Murray, H. J. R. 1913. A History of Chess. Oxford University Press London.

Ligações externas

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