Divaldo Lara

Divaldo Vieira Lara (Bagé, 14 de julho de 1979), também conhecido como Larinha, é um político brasileiro filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e atual prefeito de Bagé.[3]

Divaldo Lara
Prefeito de Bagé
Período 1 de janeiro de 2017
presente
Vice Mario Mena
Antecessor(a) Dudu Colombo
Vereador de Bagé
Período 1 de janeiro de 2009
a 31 de dezembro de 2016[1]
Dados pessoais
Nome completo Divaldo Vieira Lara
Nascimento 14 de julho de 1979 (43 anos)[2]
Bagé, RS
Partido PTB (2003-presente)

Anteriormente, foi vereador pela mesma cidade por dois mandatos consecutivos. Foi também presidente da Câmara de Vereadores por um período. Divaldo Lara é formado em Gestão Pública.[4]

Prefeito

Logo do primeiro mês de governo, anunciou a compra de 1.200 exames para diminuir a fila de espera de exames de tomografia, ecografia abdominal, entre outros.[4]

Em 2018, o prefeito causou controvérsia ao enaltecer as agressões trocadas entre militantes do Partido dos Trabalhadores e representantes da Bancada ruralista no município de Bagé, quando a cidade tornou-se a primeira parada da caravana do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pelo sul do Brasil.[5][6] A posição do prefeito ganhou repercussão nacional quando ele presenteou o General Hamilton Mourão com um relho usado contra os apoiadores do ex-presidente Lula, afirmando que a recepção e o presente seriam gestos que caracterizariam a cidade Bagé.[5]

Em 24 de setembro de 2019, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul ordenou cautelarmente o afastamento do prefeito por 180 dias, em face de diversas denúncias de corrupção oferecidas pelo MP-RS contra o político. Divaldo Lara foi impedido de frequentar as dependências da prefeitura e da Câmara de Vereadores, conforme despacho do desembargador Julio Cesar Finger.[7] O prefeito foi notificado da decisão na manhã seguinte ao despacho, por integrantes da Procuradoria dos Prefeitos e membros do Gaeco. Período pelo qual a cidade de Bagé passou a ser administrada pelo vice-prefeito de seu primeiro mandato, Manoel Luiz Gonsalves Machado.[7]

Cerca de 3 meses depois, o desembargador reconsiderou a decisão e cassou a própria medida cautelar imposta ao prefeito em setembro, permitindo que ele retornasse ao cargo, embora tenha mantido a proibição de Divaldo manter contato com qualquer um dos demais 12 denunciados que integrariam a sua suposta quadrilha.[8]

Em 2020, mesmo com seus bens bloqueados pelo Poder Judiciário em virtude dos processos judiciais em que figurava como réu,[9] Divaldo Lara conseguiu ser reeleito ao cargo de prefeito de Bagé após receber 30.623 votos, totalizado 50% dos votos válidos.[10] Uma de suas bandeiras na campanha foi o combate à corrupção, simbolizado por um relho.[9]

Acusações de Corrupção

Em Setembro de 2019, Divaldo Lara foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tornou-se réu em duas ações criminais, sendo acusado por formação de quadrilha, desvio de verbas públicas, fraude em licitação e por crime de responsabilidade. De acordo com o MP-RS, o prefeito seria o líder de uma organização criminosa que desviou R$ 2,5 milhões dos cofres do município de Bagé ao longo de dois anos.[11]

Após ser afastado de suas funções por conta das supramencionadas ações criminais, o prefeito sofreu um novo revés em decisão tomada pela juíza Marina Wachter Gonçalves da 2ª Vara Cível do município de Bagé. No dia 18 de Outubro de 2019, a juíza ordenou novo afastamento de Divaldo Lara em virtude de uma ação por improbidade administrativa.[8] O advogado do prefeito recorreu da decisão da juíza, porém seu pedido foi negado. O defensor então apelou para o Tribunal de Justiça, que concedeu efeito suspensivo à medida cautelar e devolveu o cargo ao prefeito considerando que não havia mais risco, dano ou comprometimento à instrução processual no fato do prefeito reassumir o cargo.[12]

No mesmo mês de Outubro de 2019, Divaldo e o seu irmão, o então presidente da Assembleia Legislativa do RS, Luis Augusto Lara, foram condenados pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, abuso de poder político e dos meios de comunicação, na campanha que conduziu o parlamentar ao sexto mandato consecutivo de deputado estadual. Ambos foram multados em R$ 60 mil cada um e tiveram os direitos políticos cassados até 2026.[13] O prefeito Divaldo e seu irmão recorreram da sentença ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém o Ministro Alexandre de Moraes negou provimento ao recurso e manteve a inelegibilidade do prefeito Divaldo Lara, bem como a cassação de seu irmão, que, irresignados, acusaram o Ministro de ter decidido desta forma como uma retaliação política por conta de ambos serem aliados do Presidente Bolsonaro e do presidente do PTB, Roberto Jefferson.[14]

Em Dezembro de 2020 o MP-RS apresentou uma terceira denúncia criminal contra Divaldo e outras 7 pessoas pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa e passiva. A investigação aponta que desvios aconteceram por meio de licitações ilegais e fraudulentas.[15] Em agosto de 2021, uma reportagem da RBS TV que detalhava a delação premiada e provas colhidas pelo Ministério Público sobre o caso sofreu censura prévia por força de decisão judicial expedida pela juíza da 18ª Vara Cível da comarca de Porto Alegre, Tatiana Di Lorenzo,[9] esposa do vereador Porto Alegrense Wambert Di Lorenzo,[16] que integra o mesmo partido do prefeito Bageense. A decisão da magistrada de primeira instância, foi mantida pelo Desembargador Jorge André Pereira Gailhard, da 5ª Câmara Cível do TJ-RS, porém derrubada pelo Ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF), levando à publicação da matéria jornalística em janeiro de 2022.[9]

No final de Setembro de 2021, o MP-RS entrou com uma ação civil pública de responsabilidade por atos de improbidade administrativa contra prefeito de Bagé e uma ex-servidora. Segundo a promotoria, o prefeito Divaldo nomeou uma servidora, com quem tem um filho, para o cargo de coordenadora de posto de saúde em 2017, mas ela não comparecia para trabalhar nas unidades da cidade da Região da Campanha.[17] Em nota para a imprensa, a defesa do prefeito classificou a propositura da ação como "denuncismo da esquerda opositora".[17]

Referências

  1. https://www.eleicoesepolitica.net/vereador2008/RS/85316/14789
  2. https://especiais.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2016/bage-rs/prefeito/divaldo-lara-14/
  3. «Divaldo Lara avalia primeiro ano de gestão e projeta ações para 2018 | Editoria Cidade». Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler. 30 de dezembro de 2017. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  4. «Prefeito Divaldo Lara anuncia 1200 exames na Saúde». Rádio Difusora de Bagé. 26 de janeiro de 2017. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  5. «"A recepção e o presente foram gestos que caracterizam Bagé", diz prefeito que entregou relho a Mourão». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  6. «Prefeito de Bagé, que defendia 'tratar corrupto com relho', é afastado por suspeita de fraude». Sul 21. 25 de setembro de 2019. Consultado em 25 de setembro de 2019
  7. Schaffner, Fábio (25 de setembro de 2019). «Justiça afasta prefeito de Bagé por 180 dias por suspeita de fraude em licitações». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  8. Schaffner, Fábio (11 de dezembro de 2019). «TJ permite que prefeito de Bagé Divaldo Lara retorne ao cargo, mas ele segue afastado por outra decisão judicial.». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  9. «Delação premiada revela suposto esquema de pagamento de propina a prefeito de Bagé». G1. 11 de janeiro de 2022. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  10. «Divaldo Lara, do PTB, é reeleito prefeito de Bagé». G1. 15 de novembro de 2020. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  11. Schaffner, Fábio (25 de setembro de 2019). «MP aponta prejuízo de R$ 2,5 milhões em esquema que afastou prefeito de Bagé». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  12. «Justiça autoriza Divaldo Lara a reassumir prefeitura de Bagé». Zero Hora. 19 de dezembro de 2019. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  13. Schaffner, Fábio (21 de outubro de 2019). «TRE cassa mandato de presidente da Assembleia Legislativa do RS». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  14. Viesseri, Bruna (14 de abril de 2021). «Moraes nega recursos e mantém cassação de Luís Augusto Lara e inelegibilidade de prefeito de Bagé». Zero Hora. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  15. «MP-RS denuncia prefeito de Bagé por fraudes na saúde com prejuízo superior a R$ 2 milhões». G1. 19 de dezembro de 2020. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  16. «AJURIS acompanha posse de prefeitos». Departamento de Comunicação - Imprensa AJURIS. 2 de janeiro de 2022. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  17. «MP-RS entra com ação na Justiça contra prefeito de Bagé e ex-servidora por improbidade administrativa». G1. 23 de setembro de 2021. Consultado em 19 de fevereiro de 2022
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