Domingos Barbosa Calheiros
Capitão Domingos Barbosa Calheiros. Filho de Domingos Barbosa e de Maria Rodrigues. Casou com Maria Maciel, sendo cunhado portanto de Estêvão Ribeiro Baião Parente.
| Domingos Barbosa Calheiros | |
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Silva Leme estuda sua família no volume VIII pg 241 de sua «Genealogia Paulistana». Foi grande sertanista desde 1646; derrotado em 1651 como veremos abaixo, ainda em 1658, sexagenario, comandou leva à Bahia.
Na Quaresma de 1651, aproveitando-se de se encontrar Portugal em guerra com Espanha, os paulistas planejaram atacar os missionarios simultaneamente por quatro pontos referentes aos rios Paraná e Uruguai - tendo mesmo havido a louca idéia de uma vaga marcha até Buenos Aires! Vão ameaçar a cidade espanhola de Corrientes, na mesopotâmia dos rios Paraná e Uruguai, atacando reduções.
O fato é que em maio de 1651 os jesuítas continuavam prevenidos, pois os paulistas continuavam a atacar no Itatim. Partiu um verdadeiro exército da Redução de Nossa Senhora do Mbororé para tomar a ofensiva, capitaneados pelo índio D. Inácio Abiarú, que alcançou a tropa paulista nos Pinhais de Santa Teresa e lhes impôs uma derrota memorável. Era chefe dos paulistas Domingos Barbosa Calheiros, sendo seu imediato Brás Rodrigues de Arzão; tomando os paraguaios sua munição de guerra e de boca e ainda um pendão com a efígie de Santo Antônio.
Diz o livro «Ensaios Paulistanos», Editora Anhambi, São Paulo, 1958, página 634 que «em 1651, assinalava-se na mesopotâmia argentina a bandeira de Domingos Barbosa Calheiros que esteve às portas de Corrientes, causando aos espanhóis o maior receio por constar que visava atacar Buenos Aires, tentativa aliás malograda e sobre a qual há obscura documentação.»
Os paulistas desistiram, mas o Tape já estava devastado como o Guairá e os territórios reconhecisos pelos espanhóis como pertencentes a Portugal. Os jesuítas que abandonaram o Guairá tinham ido fundar reduções novas no baixo Mato Grosso, as de Xerez, Tarém, Mboimboi, Terecañi, Maracaju, Caaguaçu, Guarambaré, Atira, Nossa Senhora Fé... a chamada província do Itatim, por capital Vila Real do Espírito Santo, fundada em território paraguaio após a destruição do Guairá.
A 21 de setembro de 1657 o Governador Geral do Brasil, Francisco Barreto, empenhado em combater o gentio bravio na Bahia, solicitou dos camaristas de São Paulo a eleição de um cabo, dois capitães e 20 ou mais sertanistas práticos. Em 20 de fevereiro de 1658 a Câmara escolheu Domingos Barbosa Calheiros, já sexagenário, e para capitães adjuntos Fernando Ortiz de Camargo o Moço e Bernardo Sanches de Aguiar. Deveriam embarcar de Santos em maio.
A 4 de setembro de 1658, o Governador Francisco Barreto dava na Bahia patente de capitão-mor a Domingos Barbosa Calheiros, e Regimento passado pelo Conde de Óbidos para se guiar na jornada, mandando que seguisse para a cachoeira dos Barcos, agregando ali os índios das aldeias do Jaguaripe, conforme instruções já dadas ao sargento-mor Pedro Gomes. Seguiriam o caminho dos Tocos, arrebanhando mais 40 escravos e 40 cavalos e marchariam para a Jacobina, onde juntaria a gente das aldeias de índios mansos. Os índios amigos paiaiás serviriam de reforço. Depois, devia a bandeira guerrear as sete aldeias dos maracá-açus e tupinis, na região do Orobó.
Em 14 de outubro de 1658, Francisco Barreto, por carta, avisou aos edis de São Paulo que Domingos Barbosa Calheiros iria penetrar o sertão embora sem trazer toda a gente prometida. Na tropa, contava com Manuel Garcia Bernardes (paulista, filho de Miguel Garcia Bernardes e Maria Fernandes, que morreria na aldeia de Tapuricé em 1659); Diogo Domingues de Faria, descrito por Silva Leme no volume VII pg 103 de sua «Genealogia Paulistana», capitão-mor de Paranaguá com D. Rodrigo de Castelo Branco, que morreria em Sorocaba em 9 de fevereiro de 1690; João da Costa Leal, cuja família é descrita por Silva Leme no volume VII, pg 288, da mesma obra, casado com Antônia Gonçalves, fª d Lourenço Gomes Ruxaque; Francisco Leite e João Jorge Leite (que, com Jerônimo Pedroso de Barros fizera a entrada de 1641, que também morreria no sertão de Tapuricé em 1659) e o capelão Mateus Nunes de Siqueira.
Em outubro de 1660 os sobreviventes da bandeira reaparecem em São Paulo. Iludidos no roteiro pelo guia, tiveram fim desastroso, pois os índios paiaiás mataram e comeram os Paulistas que haviam ficado de guarda às munições de guerra.
Uma filha sua casou com Antônio Rodrigues de Medeiros.
Diz sobre este bandeirante o grande historiador brasileiro Capistrano de Abreu em «Capítulos da História Colonial», página 60:
Em torno do Paraguaçu reuniram-se tribos ousadas e valentes, aparentadas aos Aimorés convertidos no princípio do século, que invadiram o distrito de Capanema, trucidaram os moradores e vaqueiros do Aporá, e avançaram até Itapororocas. Pouco fizeram expedições baianas mandadas contra eles, e houve a idéia de chamar gente de São Paulo. Acudindo ao convite Domingos Barbosa Calheiros embarcou em Santos; na Bahia se dirigiu para Jacobinas, mas deixou-se iludir por Paiaiás domesticados, e nada fez de útil.
Acompanhando-o na jornada mais de 200 homens brancos, raros tornaram do sertão. Com este malogro não admira se repetissem as incursões de Tapuias, a ponto de a 4 de março de 1669 ser-lhes declarada guerra e outra vez convidados paulistas para fazê-la. Em agosto de 71 chegou a gente embarcada, com cuja condução a câmara do Salvador despendeu mais de dez contos de réis. Eram dois os chefes principais, Brás Rodrigues de Arzão e Estêvão Ribeiro Baião Parente. Fizeram de Cachoeira base das operações que duraram anos.
Brás Rodrigues retirou-se depois de tomar, na margem esquerda do Paraguaçu, a aldeia do Camisão. Estêvão Ribeiro guerreou sobretudo na margem direita, onde conquistou a aldeia de Massacará. Em paga dos serviços foi-lhe dado o senhorio de uma vila chamada de João Amaro, nome de seu filho. A vila, depois de vendida com as suas terras a um ricaço da Bahia, extinguiu-se; o epônimo ainda é lembrado nos catingais baianos.
A estas expedições marítimas sucederam outras por via terrestre. Talvez a mais antiga fosse a de Domingos de Freitas de Azevedo, de quem apenas consta haver sido derrotado no rio São Francisco. Facilitaram estas entradas a abundância de matas no trecho superior do rio, as suas condições de navegabilidade dentro do planalto, o emprego de canoas. Paulistas houve que fizeram canoas e desceram para vendê-las próximo do trecho encachoeirado, onde a escassez da vegetação tornava preciosa a mercadoria. Das expedições feitas pelo interior conhecemos a de Domingos Jorge Velho, Matias Cardoso de Almeida, Morais Navarro, todos empregados em combater os Paiacus, Janduís, Icós, nas ribeiras do Açu e do Jaguaribe.
Domingos Jorge auxiliou a debelação dos Palmares, mocambo de negros localizado nos sertões de Pernambuco e Alagoas, que já existia antes da invasão flamenga e zombara de numerosas e repetidas tropas contra ele mandadas. Ficou assim livre todo o território entre as matas do cabo de Santo Agostinho e Porto Calvo. »