Edênia Garcia

Edênia Garcia (Crato, 30 de abril de 1987) é tetracampeã mundial de natação paralímpica. Natural do interior do Ceará, a nadadora (classes S3, SB2 e SM3) viveu a infância e a adolescência em Natal, no Rio Grande do Norte, e há alguns anos mora em São Paulo. Está na seleção de natação paralímpica desde 2001 representando o Brasil em quatro edições de Jogos Paraolímpicos (Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016) e sete mundiais da modalidade (Mar Del Plata 2002, Durban 2006, Eindhoven 2010, Montreal 2013, Glasgow 2015, México 2017 e Londres 2019[1]). A atleta mais longeva da equipe de natação paralímpica do Brasil já garantiu vaga para os Jogos Paralímpicos Tóquio 2021.

Edênia Garcia
Natação
Apelido
Categoria S3,Sb2 e SM3
Estilo costas
Especialidade 50m costas
Nascimento 30 de abril de 1987 (35 anos)
Crato, Ceará
Nacionalidade brasileira
Compleição Altura: 164
Clube São Bernardo do Campo
Período em atividade Atleta
Conquistas
Tricampeã mundial
Medalhas
Jogos Paralímpicos
PrataAtenas 2004Natação nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2004 – 50 m costas S4
BronzePequim 2008Natação nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2008 – 50 m livre S4
PrataLondres 2012Natação nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2012 – 50 m costas S4

Foi a primeira atleta brasileira, entre as olímpicas e paralímpicas, a conquistar um tricampeonato mundial. No final de 2019, no Mundial de Natação em Londres, fez outro feito inédito ao se consagrar tetracampeã mundial[2] – título que nenhuma outra brasileira ainda tem.

Em Mundiais, a nadadora paralímpica soma 17 medalhas (05 ouros, 09 pratas e 04 bronzes) e três em Paralimpíadas (02 pratas e 01 bronze).

Edênia é nacionalmente conhecida por ministrar palestras motivacionais. Em 2019, durante o Parapan-americano de Lima, falou pela primeira vez publicamente, numa entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, sobre a sua orientação sexual.[3]

Descoberta da deficiência física

A atleta nasceu com a doença de Charcot-Marie-Tooth, que é degenerativa e afeta a musculatura, em especial de pés e mãos. Com apenas dose anos, por recomendação médica e com incentivo dos pais, buscou a natação como tratamento. O talento, somado à muita dedicação, levou Edênia a representar o Brasil nas Paralimpíadas de Atenas (2004) com apenas 17 anos de idade.

Em 2017, depois de 15 anos competindo por essa classe S4, justamente devido à evolução da perda dos movimentos, Edênia foi reclassificada e passou a competir desde então pela classe S3.

Trajetória esportiva

Edênia Garcia, atleta da seleção brasileira de natação paralímpica desde os 15 anos, estreou na equipe no Mundial de Natação em Mar Del Plata, na Argentina, em 2002, onde conquistou cinco medalhas (01 ouro, 03 pratas e 01 bronzes) sendo uma delas o primeiro título mundial da atleta potiguar nos 50m costas.

Em sua estreia nos Jogos de Atenas, Edênia também subiu no pódio. A primeira das três medalhas em Paralimpíadas foi uma prata nos 50m costas. Nesta mesma prova, que é a especialidade da atleta, conquistou bronze em Pequim 2008 e prata em Londres 2012. No Jogos Rio 2016, a nadadora ficou em sétimo lugar nessa prova.

Foi justamente na realização dos Jogos Paralímpicos em casa que Edênia se deu conta de que seu corpo já não se encaixava mais na classe S4. Por conta da evolução da sua síndrome, a nadadora perdeu força muscular, tendo uma piora nos resultados. Tanto que no ano seguinte, passou por uma reclassificação funcional e foi elegível para a classe S3. Nesse mesmo ano (2017), no Mundial do México, competição que foi realizada meses depois de um grande terremoto que atingiu à capital do país, Edênia foi a segunda melhor do mundo nos 50m costas.

Dois anos depois, com à rotina de treino completamente modificada, e ressurgiu e se consagrou tetracampeã mundial na "sua" prova no Mundial da modalidade, em Londres. Com o ouro no peito, além de ter sido um título inédito para uma atleta brasileira, Edênia garantiu vaga para os Jogos Tóquio 2020 (que meses depois foi remarcado para 2021 devido à pandemia de COVID-19).

Em abril de 2019, voltou ao topo do ranking mundial — posição que não ocupava desde 2011. Com o tempo de 55s98 registrado no Open de Atletismo e Natação, no Centro de Treinamento Paralímpico de São Paulo, a listagem emitida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês) em junho daquele ano trouxe Edênia mais uma vez para o protagonismo dos 50m costas, agora na classe S3.

Em Jogos Parapan-americanos, Edênia soma 14 medalhas (09 ouros, 04 pratas e 01 bronzes) com participação em cinco edições (Mar Del Plata, Rio de Janeiro, Guadalajara, Toronto e Lima).

Recordes

  • Recordista das Américas nos 50m Costas (S3)
  • Recorde das Américas 100m Costas (S4)
  • Recorde Brasileiro nos 50m, 100m e 200m Livre e 50m peito (S4)

Principais resultados

  • Tetracampeã mundial nos 50m costas (2002, 2006, 2010 e 2019).
  • Prata nos 50m costas nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 e nos Jogos de Atenas 2004.
  • Bronze nos 50m costas nos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008.
  • Prata nos 50m costas no Mundial de Montreal 2013.
  • Bronze nos 50m costas no Mundial de Glasgow 2015.
  • Ouro nos 50m costas, prata nos 50m e 100m livre no Parapan de Toronto 2015.
  • Ouro nos 50m costas no Parapan de Guadalajara 2011.
  • Prata nos 50m costas no Mundial do México 2017.
  • Ouro nos 50m costas no Mundial de Londres 2019.

Prêmios

  1. Prêmio Paralímpico 2010: melhor atleta feminina.
  2. Prêmio Instituto Superar 2010: melhor atleta feminina

Carreira além das piscinas

Em paralelo à carreira de atleta de alto rendimento, Edênia tem uma carreira como palestrante em grandes empresas.[4] Contando a sua história e como fez para passar pelos momentos mais desafiadores, Garcia já falou para mais de 100 empresas, somando mais de 1000 pessoas. Algumas das grandes empresas para as quais já palestrou são: Under Armour, Caixa Econômica Federal, Rhodia Solvay, Havaianas, Sesc, Senac, Wet 'n Wild, Instituto Lucy Montoro, entre outras.

A atleta também completou o curso de Gestão Estratégica do Esporte pela FGV e PERSONAL & PROFESSIONAL COACHING, pelo IBC. E desde 2017, é colunista do site ESPN W com publicações semanais sobre o universo feminino e o esporte.

Em 2021, Edênia foi eleita para presidir o conselho fiscal do Comitê Paralímpico Brasileiro para o ciclo 2021-2025.[5]

Referências

  1. «Aos 30 anos, Edênia Garcia disputa o seu 6º Mundial: "Ainda bate aquele frio"». ge. Consultado em 21 de janeiro de 2022
  2. «Edênia Garcia conquista o título mundial pela quarta vez, em Londres». Comitê Paralímpico Brasileiro. Consultado em 21 de janeiro de 2022
  3. «Mulher, nordestina, cadeirante, gay e pentacampeã parapan-americana: prazer, Edênia Garcia! - Esportes». Estadão. Consultado em 21 de janeiro de 2022
  4. Chacon, Paulo (28 de junho de 2020). «Referência nas piscinas, Edênia Garcia quer ir além do esporte». Olimpíada Todo Dia. Consultado em 21 de janeiro de 2022
  5. «Mizael Conrado é reeleito presidente do CPB por aclamação; Yohansson Nascimento será o vice». Comitê Paralímpico Brasileiro. Consultado em 21 de janeiro de 2022

Ligações externas

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