Frevo de bloco
Frevo-de-bloco é um frevo executado por orquestra de pau-e-cordas. Essa orquestra geralmente é composta por violões, cavaquinhos, banjos, bandolins, violinos, além de instrumentos de sopro (como flauta e clarinete) e de percussão (como surdo, caixa e pandeiro).[1] É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha-de-bloco".
O frevo-de-bloco é a música das agremiações tradicionalmente denominadas “blocos carnavalescos mistos”, cujo aparecimento no carnaval de Pernambuco se relaciona a um dado histórico e sociológico: o início da efetiva participação da mulher,[1] principalmente da classe média, na folia de rua do Recife, nas primeiras décadas do século XX.
Em 1957 Nelson Ferreira compôs Evocação[nota 1], que tomou a denominação de frevo de bloco, até então inexistente na divisão do frevo.
Essas manifestações culturais encontravam-se em risco de desaparecer, em meados dos anos de 1950. Graças à fundação de um bloco idealizado por Edgar Moraes,[3] o Bloco da Saudade (1974), o carnaval recifense ganhou mais força, exaltando a tradição do estado. O Bloco da Saudade foi fundado com o intuito de reviver os antigos carnavais, trazendo força a esses tipos de agremiações carnavalescas.
Há uma tendência atualmente de se adotar a denominação “blocos carnavalescos líricos”, que foi inscrita pela primeira vez no flabelo do bloco Cordas e Retalhos, fundado em 1998. Segundo o historiador Leonardo Dantas e Silva, no frevo-de-bloco está “a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano” [4].
Alguns dos Blocos Carnavalescos Líricos que atuam no carnaval pernambucano são: O tradicional Bloco da Saudade, Bloco das Flores, Batutas de São José, Banhistas do Pina, Flor da Lira de Olinda, Menestréis do Paulista, Amantes das Flores de Camaragibe, Flor do Eucalipto de Moreno, Cordas e Retalhos, O Bonde, Boêmios da Boa Vista, Artesão de Pernambuco, Confete e Serpentina, Trupe Lírico-Musical Um Bloco em Poesia, Sonho e Fantasia, Pierrot de São José, Eu Quero Mais, Bloco das Ilusões, entre tantos outros.
Entre os compositores de frevo-de-bloco mais conhecidos estão os irmãos Raul Moraes (1891-1937) e Edgard Moraes (1904-1973), João Santiago (1928-1985), Luiz Faustino (1916-1984), Nelson Ferreira (1902-1976), Romero Amorim (1937), João Araújo (1975), Bráulio de Castro (1942), Fátima de Castro, Cláudio Almeida (1950), Getúlio Cavalcanti (1942), Negresco Bonfim (1943), Alírio Moraes (1928-1999).
Ver também
Notas e referências
Notas
- Evocação passou depois a denominar-se Evocação nº 1 porque, em sua esteira, apareceram outros frevos de bloco denominados Evocação, que receberam numeração pela ordem cronolórica.[2]
Referências
- «Conheça as várias faces do aniversariante...». Consultado em 21 de junho de 2022
- JC.NE10. «Evocação: Maior de todos os frevos de bloco». Consultado em 21 de junho de 2022
- «Isabella de Roldão lembra o dia do frevo de bloco». Consultado em 21 de junho de 2022
- Ouvindo frevo