Frontex

A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, também conhecida como Frontex ("Fronteiras externas"), é uma agência da União Europeia com sede em Varsóvia, na Polónia, encarregue de controlar as fronteiras externas do Espaço Schengen europeu e de apoiar a repatriação de imigrantes irregulares para os seus países de origem, em coordenação com as guardas de fronteira e costeiras dos estados-membros do Espaço Schengen.[4]

Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira - Frontex

Emblema da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira - Frontex
A secção da Warsaw Spire, que aloja a sede da Frontex.
Organização
Missão Agência da União Europeia
Atribuições Regulamento (UE) 2019/1896
Número de funcionários 1400 (2021)[1]
10.000 (2024/2027, proposto)[2][2][2]
Orçamento anual € 754.4 milhões (2022)[3]
Localização
Jurisdição territorial União Europeia
Sede Varsóvia, Polónia
Histórico
Antecessor Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas
Criação 3 de outubro de 2005 (original)
6 de outubro de 2016 (como Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira)
Sítio na internet
frontex.europa.eu

A Frontex foi criada em 2004 como Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas e é a principal responsável pela coordenação dos esforços de controlo das fronteiras externas. Em resposta à crise migratória europeia de 2015–2016, a Comissão Europeia propôs, em 15 de dezembro de 2015, prorrogar o mandato da Frontex e transformá-la numa Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira de pleno direito.[2] Em 18 de dezembro de 2015, o Conselho Europeu apoiou incondicionalmente a proposta[5] e, após votação do Parlamento Europeu, a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira foi oficialmente lançada em 6 de outubro de 2016 na fronteira externa da Bulgária com a Turquia.[2]

Para permitir à agência cumprir as suas tarefas, o seu orçamento aumentou gradualmente dos 143 milhões de euros em 2015[6] para 543 milhões de euros previstos para 2021[7] e os funcionários da agência deverão alcançar os 10.000 até 2027.[2]

Faixa de corrida (racing stripe) da Guarda Costeira.

Organização

De acordo com a Comissão Europeia, a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira "reunirá uma Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira construída a partir da Frontex e das autoridades dos estados membros responsáveis pela gestão das fronteiras", com a gestão quotidiana das regiões das fronteiras externas a continuar a ser da responsabilidade dos estados-membros. Pretende-se que a nova Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira desempenhe um papel de apoio aos estados-membros que necessitem de assistência, bem como coordene a gestão geral das fronteiras externas da Europa. A segurança e o patrulhamento das fronteiras externas da União Europeia (UE, na prática o Espaço Schengen, incluindo os Países Associados de Schengen, bem como os estados-membros da UE que ainda não aderiram ao Espaço Schengen, mas estão obrigados a fazê-lo) é uma responsabilidade partilhada da Agência e das autoridades nacionais.[2]

A Agência coordena a cooperação operacional entre os estados-membros no domínio da gestão das fronteiras externas, apoia os estados-membros no treinamento dos guardas nacionais de fronteiras, incluindo a definição de normas de treino comuns, realiza análises de risco, acompanha a evolução da investigação relevante em matéria de controlo e vigilância das fronteiras externas, apoia os estados-membros em circunstâncias que exijam assistência operacional e técnica reforçada nas fronteiras externas, faculta aos estados‑membros o apoio necessário no âmbito da organização de operações conjuntas de repatriação de imigrantes irregulares.[8]

A Frontex tem ligações com outros parceiros comunitários e da UE responsáveis pela segurança das fronteiras externas, designadamente a Europol, a Agência da União Europeia para a Formação Policial (CEPOL) e o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF)[9], bem como pela cooperação no domínio aduaneiro e dos controlos fitossanitários e veterinários a fim de promover a coerência global nesta matéria. Também reforça a segurança nas fronteiras, assegurando a coordenação das acções dos estados‑membros na aplicação das medidas comunitárias relacionadas com a gestão das fronteiras externas.[8]

Guarda da Frontex na primeira patrulha conjunta com a polícia grega na fronteira greco-turca em Kastanies.

Agência

Com a criação da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, o projeto de regulamento da Comissão Europeia visou reforçar o mandato da agência encarregue do controlo das fronteiras externas da UE, aumentar as suas competências e equipá-la melhor para o desempenho das suas atividades operacionais. A Agência desenvolve o seu trabalho em coordenação conjunta com a Agência Europeia de Controlo das Pescas e a Agência Europeia de Segurança Marítima no que diz respeito às funções de guarda costeira. O pessoal do Corpo Europeu Permanente da Agência foi duplicado entre 2015 e 2020. A nova proposta prevê o estabelecimento de uma reserva de guardas europeus de fronteira e de equipamento técnico. A Agência poderá adquirir os seus próprios veículos uniformizados. Os estados-membros onde este equipamento se encontre registado (equipamento de maior dimensão, como navios patrulha, aeronaves, etc.) serão obrigados a colocá-lo à disposição da Agência sempre que necessário. Tal permitirá à Agência implementar rapidamente o equipamento técnico necessário nas operações fronteiriças. Uma reserva rápida de guardas de fronteira e uma reserva de equipamento técnico serão colocadas à disposição da agência, com o objetivo de eliminar a escassez de pessoal e de equipamento para as operações da Agência.[10][11]

Corpo Europeu Permanente

O ministro Sebastian Kurz, da Áustria, visita um simulacro de uma operação de vigilância fronteiriça em Malta.

Lançado em 2021, o Corpo Permanente da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira é o primeiro serviço uniformizado da UE. Está previsto, em 2027, o Corpo alcançar os 10.000 guardas. O corpo é composto por guardas da agência e dos estados-membros, que apoiam e trabalham sob o comando das autoridades nacionais do país em que estão a operar.[12]

O Corpo também pode trabalhar em países não pertencentes à UE que tenham assinado um "status agreement" com a Comissão Europeia, como a Albânia, Montenegro ou a Sérvia. Os futuros guardas recrutados não precisam necessariamente de experiência anterior em autoridades de aplicação da lei e passam por um ano de treinamento organizado pela agência. Tarefas realizadas pelo Corpo Permanente:[13]

  • controlos da fronteira e patrulhamento
  • verificação da identidade e dos documentos
  • registo dos imigrantes

Monitorização e análise de risco

Será criado um centro de monitorização e análise de risco, com autorização para efetuar análises de risco e monitorizar os fluxos para e dentro da UE. A análise de risco inclui a criminalidade transfronteiriça e o terrorismo, o tratamento dos dados pessoais de pessoas suspeitas de estarem envolvidas em atos de terrorismo e a cooperação com outras agências da União e organizações internacionais na prevenção do terrorismo. Será estabelecida uma avaliação obrigatória da vulnerabilidade das capacidades dos estados membros para enfrentar os desafios atuais ou futuros nas suas fronteiras externas. A Agência pode lançar operações conjuntas, incluindo a utilização de drones quando necessário. O sistema de observação da Terra Copernicus da Agência Espacial Europeia, fornece à nova Agência capacidades de vigilância por satélite quase em tempo real, juntamente com o atual sistema de vigilância de fronteiras Eurosur.[14]

Trabalhar com e em países terceiros

A Agência tem um novo mandato para enviar oficiais de ligação e lançar operações conjuntas com países terceiros na vizinhança da União Europeia, incluindo operações no seu território.[15]

Repatriação de imigrantes irregulares

A Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira tem capacidade de apoio para repatriar os imigrantes que residem irregularmente no Espaço Schengen e é responsável pela coordenação das operações de retorno. A decisão sobre quem deve ser devolvido é sempre tomada pelas autoridades judiciais ou administrativas dos estados-membros da União Europeia.[16]

Relatórios de análise de risco

A Frontex divulga regularmente relatórios que analisam eventos relacionados com o controlo das fronteiras, os atravessamentos ilegais das fronteiras e as diferentes formas de crime transfronteiriço. A tarefa geral de avaliar estes riscos foi definida no regulamento de base da Frontex, segundo o qual a agência deve "realizar análises de risco [...] a fim de fornecer à Comunidade e aos Estados-Membros informações adequadas para permitir a adoção de medidas apropriadas para assumir ou fazer face às ameaças e aos riscos identificados, a fim de melhorar a gestão integrada das fronteiras externas".[17] As principais instituições da Frontex no que diz respeito à informação e avaliação de risco é a Unidade de Análise de Risco (em inglês: Risk Analysis Unit, RAU) e a Rede de Análise de Risco da Frontex (em inglês: Frontex Risk Analysis Network, FRAN), através das quais o pessoal da Frontex coopera com especialistas em segurança dos Estados-Membros.[18][19][20]

Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira

A Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira é formada pela própria agência Frontex e pelos guardas de fronteira e guardas costeiros dos estados membros do Espaço Schengen. As autoridades nacionais continuam a exercer a gestão quotidiana das fronteiras externas do Espaço Schengen:

  Autoridades de países de fora da União Europeia
Autoridades nacionais de contacto da Frontex encarregues de proteger e segurar as fronteiras externas do Espaço Schengen
Estado-Membro Guarda de Fronteira
Alemanha Polícia Federal

(Bundespolizei)

Áustria Polícia Federal

(Polizei)

Bélgica Polícia Federal

(Police Fédérale / Federale Politie / Föderale Polizei)

Bulgária Polícia de Fronteiras

(Гранична полиция)

Chéquia Serviço de Policía de Fronteiras e Estrangeiria

(Služba cizinecké a pohraniční policie)

Chipre Polícia

(Police)

Dinamarca Polícia

(Politi)

Eslováquia Direção de Polícia de Fronteiras e de Estrangeiria[21]

(Úrad hraničnej a cudzineckej polície)

Eslovénia Polícia

(Policija)

Espanha Corpo Nacional de Polícia

(Cuerpo Nacional de Policía)

Guarda Civil

(Guardia Civil)

Estónia Polícia e Guarda de Fronteiras

(Politsei-ja Piirivalveamet)

Finlândia Guarda Fronteiriça

(Rajavartiolaitos)

França Polícia de Fronteiras da Policía Nacional

(Police Aux Frontières)

Grécia Polícia Helénica

(Ελληνική Αστυνομία)

Guarda Costeira Helénica

(Λιμενικό Σώμα)

Hungria Polícia

(Rendőrség)

Islândia Polícia

(Lögreglan)

Guarda Costeira

(Landhelgisgæslu Íslands)

Itália Polícia do Estado

(Polizia di Stato)

Guarda de Finanças

(Guardia di Finanza)

Corpo das Capitanias dos Portos - Guarda Costeira

(Corpo delle Capitanerie di porto – Guardia costiera)

Letónia Guarda Estatal de Fronteiras

(Valsts robežsardze)

Lituânia Serviço Estatal de Guarda Fronteiriça

(Valstybės sienos apsaugos tarnyba)

Luxemburgo Polícia Grã-Ducal

(Police Grand-Ducale / Groussherzoglec)

Malta Força de Polícia de Malta

(Il-Korp tal-Pulizija ta’ Malta)

Noruega Polícia

(Politi)

Países Baixos Real Marechalato

(Koninklijke Marechaussee)

Polónia Guarda Fronteiriça

(Straż Graniczna)

Portugal Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
Roménia Polícia de Fronteira

(Politia de Frontieră)

Suécia Polícia

(Polisen)

Guarda Costeira

(Kustbevakningen)

Suíça Corpo de Guarda Fronteiriça

(Corps des gardes-frontière / Grenzwachtkorps / Corpo delle guardie di confine)

Ver também

Agências existentes

Referências

  1. «Why us». frontex.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  2. «Press corner». European Commission - European Commission (em inglês). Consultado em 12 de dezembro de 2021
  3. «Frontex Budget 2022 VOBU» (PDF). Frontex (em inglês). Consultado em 7 de julho de 2022
  4. Regulamento (UE) 2019/1896 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de novembro de 2019, relativo à Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, que revoga os Regulamentos (UE) n.° 1052/2013 e (UE) 2016/1624 (32019R1896), 14 de novembro de 2019, consultado em 12 de dezembro de 2021
  5. Robinson, Duncan; Spiegel, Peter (18 de dezembro de 2015). «EU border guard proposal wins wide support». Financial Times. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  6. Frontex Amended Budget 2015 N3.
  7. Frontex Budget 2021 VOBU.
  8. http://europa.eu/about-eu/agencies/regulatory_agencies_bodies/policy_agencies/frontex/index_pt.htm
  9. http://ec.europa.eu/anti-fraud/home_pt
  10. «Frontex». european-union.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  11. «Frontex Operations». frontex.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  12. «Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira: 10 mil agentes operacionais até 2027 | Atualidade | Parlamento Europeu». www.europarl.europa.eu. 17 de abril de 2019. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  13. «Frontex to recruit new standing corps officers». frontex.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  14. «Eurosur». ec.europa.eu (em inglês). Consultado em 12 de dezembro de 2021
  15. «Non-EU Countries». frontex.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  16. «Returns». frontex.europa.eu. Consultado em 12 de dezembro de 2021
  17. «EUR-Lex - 32004R2007 - EN - EUR-Lex». eur-lex.europa.eu (em inglês). Consultado em 18 de dezembro de 2021
  18. «Frontex Risk Analysis Network (FRAN) Quarterly Report | Knowledge for policy». knowledge4policy.ec.europa.eu. Consultado em 18 de dezembro de 2021
  19. «Risk Analysis Unit». frontex.europa.eu. Consultado em 18 de dezembro de 2021
  20. «Strategic Analysis». frontex.europa.eu. Consultado em 18 de dezembro de 2021
  21. «Úrad hraničnej a cudzineckej polície P PZ, Ministerstvo vnútra SR - Polícia». www.minv.sk. Consultado em 12 de dezembro de 2021
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