Golpe de Estado no Brasil em 1937

Golpe de Estado no Brasil em 1937 ou Golpe do Estado Novo designa o conjunto de eventos ocorridos em 10 de novembro de 1937 no Brasil, que culminaram na implantação do Estado Novo.

Antecedentes

Ver artigo principal: Plano Cohen

Em 30 de setembro de 1937, enquanto eram aguardadas as eleições presidenciais marcadas para janeiro de 1938, a ser disputadas por José Américo de Almeida, Armando de Sales Oliveira, ambos apoiadores da revolução de 1930, e por Plínio Salgado, foi denunciada, pelo governo de Getúlio, a existência de um suposto plano comunista para tomada do poder. Este plano ficou conhecido como Plano Cohen. Foi posteriormente acusado de ter forjado tal plano, um adepto do integralismo, o capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que daria início ao Golpe de Estado no Brasil em 1964.[1]

Foto do encontro de Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt no Rio de Janeiro, em 1936.

Os integralistas, porém, negam sua participação na implantação do Estado Novo, culpando o general Góis Monteiro, na época chefe do Estado Maior do Exército, pela criação e divulgação do Plano Cohen. No dia seguinte à divulgação do Plano Cohen, 1 de outubro de 1937, o Congresso Nacional declarou o estado de guerra em todo o país, em 21 de Março de 1936.[1][2]

Em 19 de outubro, o governador do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, depois de ter perdido o controle sobre a Brigada Militar gaúcha, a qual, por ordem de Getúlio, ficara subordinada ao Exército brasileiro, e de ter sido cercado militarmente pelo general Góis Monteiro, abandonou o cargo de governador do Rio Grande do Sul e se exilou no Uruguai. Flores da Cunha, que havia comprado grande quantidade de armamento na Europa, representava a última possível resistência militar a uma tentativa de golpe de Estado por parte de Getúlio. Armando de Sales Oliveira, que também poderia se opor ao golpe de Estado, já deixara o governo de São Paulo, em 29 de dezembro de 1936, para se candidatar à presidência da República. Seu sucessor, José Joaquim Cardoso de Melo Neto, garantiu a Getúlio que "São Paulo não faria outra revolução".[1] São Paulo estava novamente dividido, como em 1930, sendo que o Partido Constitucionalista (de Armando Sales e herdeiro do Partido Democrático) e o Partido Republicano Paulista não se entendiam. O PRP não aceitou apoiar a candidatura de Armando Sales à presidência da república.[1]

A outorga do Estado Novo

Ver artigo principal: Estado Novo (Brasil)

Getúlio, em 10 de novembro de 1937, através de um golpe de estado, instituiu, então, o Estado Novo, anunciado em um pronunciamento em rede de rádio no qual lançou um Manifesto à nação, no qual dizia que o Estado Novo tinha como objetivo "reajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".[3] O Estado Novo era favorável à intervenção do Estado na atividade econômica, como afirmou: "É a necessidade que faz a lei: tanto mais complexa se torna a vida no momento que passa, tanto maior há de ser a intervenção do Estado no domínio da atividade privada".[3] O regime entendia, assim, a organização política de um país e a participação do cidadão na vida política do país, nas palavras de Getúlio: "A riqueza de cada um, a cultura, a alegria, não são apenas bens pessoais: representam reservas de vitalidade social, que devem ser aproveitadas para fortalecer a ação de Estado".[4]

Na versão do almirante Ernâni do Amaral Peixoto, o Estado Novo não foi obra pessoal de Getúlio, mas sendo sim, uma decisão especialmente dos militares, visando o combate à subversão: "O Golpe do Estado Novo viria com Getúlio, sem Getúlio, ou contra Getúlio".[5]

No dia do golpe de estado, 10 de novembro, Getúlio Vargas fez um pronunciamento em rede nacional de rádio, determinou o fechamento do Congresso Nacional do Brasil e outorgou uma nova constituição, a Constituição de 1937, que lhe conferia o controle total do poder executivo e lhe permitia nomear, para os estados, interventores a quem deu ampla autonomia para a tomada de decisões. Essa constituição, elaborada por Francisco Campos, ficou conhecida como "a Polaca", por se ter inspirado na constituição vigente na Polônia naquela época.[6]

Ver também

Referências

  1. Ana Paula Corti (28 de setembro de 2005). «Estado Novo (1937-1945): A ditadura de Getúlio Vargas». UOL - Educação. Consultado em 10 de novembro de 2012
  2. «Portal da Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 26 de dezembro de 2022
  3. VARGAS, Getúlio, A nova política do Brasil, 10 volumes, Livraria José Olympio, 1941
  4. VARGAS, Getúlio, Diário, Editora FGV (1997).
  5. CAMARGO, Aspácia, Artes da Política - Diálogo Com Amaral Peixoto, Editora Nova Fronteira, (1986)
  6. «hjobrasil.com». www.hjobrasil.com. Consultado em 7 de março de 2021
This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.