Guerra Civil da Nigéria
A Guerra Civil da Nigéria, também conhecida como Guerra Civil Nigeriana, Guerra Nigéria-Biafra ou ainda Guerra do Biafra que durou de 6 de julho de 1967 a 13 de janeiro de 1970, foi um conflito político causado pela tentativa de separação das províncias ao Sudeste da Nigéria, como a República autoproclamada do Biafra.
| Guerra Civil Nigeriana | |||
|---|---|---|---|
![]() O Estado independente da República de Biafra em junho de 1967. | |||
| Data | 6 de Julho de 1967 – 15 de Janeiro de 1970 (2 anos, 6 meses, 1 semana e 2 dias) | ||
| Local | Nigéria meridional | ||
| Desfecho |
| ||
| Beligerantes | |||
| |||
| Comandantes | |||
| Forças | |||
| |||
Mortes militares: 45 000[1] – 100 000[2][3] Civis mortos de inanição: 2 000 000[4] Civis deslocados internamente: 2 000 000 – 4 500 000[5] Refugiados: 500 000[6] – 3 000 000[carece de fontes] | |||

| Parte de uma série sobre a |
| História da Nigéria |
|---|
![]() |
| Pré-História |
| História Antiga (antes de 1500) |
| Período pré-colonial (1500–1800) |
| Nigéria colonial (1800–1960) |
| Primeira República (1960–1979) |
| Guerra Civil (1967–1970) |
| Segunda República (1979–1983) |
| Terceira República (1993–1999) |
| Quarta República (1999–presente) |
| Cronologia |
| Temas afins |
| História dos iorubás |
|
Portal Nigéria |
Teve início após uma desavença entre os povos Hauçás e Ibos. Hauçás eram muçulmanos originários do norte do país e viviam em um sistema semifeudal. Os Ibos eram considerados a elite nigeriana, possuíam melhores cargos e melhores salários, e provinham das tribos ao leste. Em 1966, soldados da etnia Ibo tomaram o poder do país em um golpe de estado. No entanto, os Hauçás tomaram o poder seis meses depois em um contra golpe de estado e iniciaram um massacre aos Ibos em todo país. Estima-se que cerca de 30 000 Ibos tenham sofrido nesse primeiro ataque. Os sobreviventes se refugiaram nas terras ao leste e proclamaram a República de Biafra. Embora as tensões culturais, étnicas e religiosas tenham sido alguns dos principais instigadores do conflito, a questão econômica acabou sendo um dos fatores mais importantes, com o controle do Delta do Níger (região rica em recursos naturais, como petróleo) tendo um significado estratégico gigantesco.[7]
Com apenas um ano de guerra, tropas do governo federal nigeriano tinham Biafra completamente sob cerco, capturando as instalações de petróleo da costa e a cidade de Porto Harcourt. Com o conflito se alastrando num impasse, o bloqueio imposto pelo governo nigeriano levou a uma fome em massa.[8] Durante a guerra, mais de 100 mil baixas foram reportadas entre forças militares devido a inanição, com entre 500 000 e 2 milhões de civis da região de Biafra morrendo devido a falta de comida.[9]
Em meados de 1968, imagens de crianças mal nutridas sofrendo com a fome chegaram as mídias ocidentais. A comunidade internacional se dividiu com relação ao conflito. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética apoiavam o governo central nigeriano, enquanto França, Israel e China apoiavam a República de Biafra. A guerra acabou em janeiro de 1970, após uma ofensiva de três semanas do exército nigeriano. O presidente de Biafra, Odumegwu Ojukwu, partiu para o exílio e a resistência armada se desfez após a tomada de Owerri por tropas nigerianas.[10]
O impacto na população civil
Com as tropas nigerianas a isolarem a província rebelde, limitando a quantidade de produtos de fora que aí podiam chegar, a curto prazo a escassez de alimentos tornou-se crónica, e em breve a fome em grande escala assola a população. Pela primeira vez, através da televisão, as imagens de populações inteiras literalmente a morrer de fome pelos caminhos chegam em directo e com todo o impacto ao Ocidente. O choque que causam levam a que um pouco por todo lado apareçam movimentos, muitos enquadrados pela Igreja, tanto católica como protestante, para o envio de alimentos. Foi a primeira vez que a exibição das imagens de uma catástrofe humana pela televisão gerou resposta popular, obrigando várias instituições e governos a intervir pela pressão da opinião pública.
Ver também
Referências
- Phillips, Charles, & Alan Axelrod (2005). "Nigerian-Biafran War". Encyclopedia of Wars. Tomo II. New York: Facts On File, Inc., ISBN 978-0-8160-2853-5.
- Paul R. Bartrop (2012). A Biographical Encyclopedia of Contemporary Genocide. Santa Bárbara: ABC-CLIO, pp. 107. ISBN 978-0-313-38679-4.
- Bridgette Kasuka (2012). Prominent African Leaders Since Independence. Bankole Kamara Taylor, pp. 331. ISBN 978-1-4700-4358-2.
- Stevenson, "Capitol Gains" (2014), p. 314.
- Godfrey Mwakikagile (2001). Ethnic Politics in Kenya and Nigeria. Huntington: Nova Publishers, pp. 176. ISBN 978-1-56072-967-9.
- DeRouen & Heo, 2007: 570
- Diamond, Larry. Class, Ethnicity and Democracy in Nigeria: The Failure of the First Republic. Basingstroke, UK: Macmillan Press, 1988. ISBN 0-333-39435-6
- Njoku, H. M. A Tragedy Without Heroes: The Nigeria—Biafra War. Enugu: Fourth Dimension Publishing Co., Ltd., 1987. ISBN 978-156-238-2
- «ICE Case Studies: The Biafran War». American University: ICE Case Studies. American University. 1997. Consultado em 6 de novembro de 2016. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2017
- Ekwe-Ekwe, Herbert. The Biafra War: Nigeria and the Aftermath. African Studies, Volume 17. Lewiston, NY: Edwin Mellen Press, 1990. ISBN 0-88946-235-6
Ligações externas
- «Mapa da guerra civil nigeriana» (em inglês)
- «Civil War in Nigeria (Biafra), 1967-1970» (em inglês)
- The Nigerian Civil War - Marcus Garvey
- «Wole Soyinka and the Nigerian Civil War» (em inglês)
- «The Nigerian Civil War: Causes, Strategies, And Lessons Learnt» (em inglês)
- «Short history and assessment of the MFI-9B "MiniCOIN" in Biafran air force service» (em inglês)
- «Nicknames, Slogans, Local and Operational Names Associated with the Nigerian Civil War» (em inglês)
- «Quick Kill in Slow Motion: The Nigerian Civil War» (em inglês)
- «A view of blunders in the Nigerian strategy» (em inglês)
- «The Nigerian Civil War: Causes, Strategies, And Lessons Learnt» (em inglês)

