Houthis
Houthis (em árabe, الحوثيون, transl. al-Ḥūthiyyūn, também chamados al-Houthis, em alusão ao nome de seus dirigentes, Hussein Badreddine al-Houthi e seus irmãos) é a denominação mais comum do movimento político-religioso Ansar Allah, (em árabe أنصار الله, transl. anṣār allāh : 'partidários de Deus')[6] majoritariamente xiita zaidita (embora inclua também sunitas)[7] do noroeste do Iêmen.[8]
Hussein Badreddin al-Houthi, líder do grupo, foi morto em setembro de 2004, por forças do exército iemenita.[9] Outros integrantes da liderança houthi, incluindo Ali al-Qatwani, Abu Haider, Abbas Aidah e Yousuf al-Madani (um genro de Hussein al-Houthi) também foram mortos pelas forças governamentais iemenitas.[10] [11]
Parte do grupo tem sido referida como um "poderoso clã",[12] denominado Ash-Shabab al-Mu'min (em árabe, الشباب المؤمن; em português, Jovens Crentes) [13] ou Jovens Crentes. [11]
História
Os houthis se constituíram como grupo político nos anos 1990, após a unificação do Iêmen (antes dividido em Iêmen do Norte e Iêmen do Sul). Antes da unificação, o Iêmen do Norte, de população majoritariamente zaidita, era uma república nacionalista árabe instalada nos anos 1960, após um golpe militar e uma longa guerra civil que pôs fim ao teocrático Reino do Iêmen, expulsando os imãs zaiditas, que haviam governado o território desde o final do século IX (ca. 897). Em 1990, quando ocorre a unificação do país, o presidente do antigo Iêmen do Norte, Ali Abdullah Saleh, é eleito presidente da nova República do Iêmen. Saleh se manteve no cargo até 2012, quando foi destituído, na esteira de revoltas populares ocorridas durante a chamada Primavera Árabe - com apoio dos houthis, violentamente combatidos por seu governo.[14]
Mais recentemente, porém, Saleh acabou por se aliar aos houthis,[15] quando o Iêmen foi levado a nova guerra civil, quando os insurgentes capturaram a capital iemenita, Sana'a, obrigando o presidente Abdrabbuh Mansur Hadi a sair do país.
Luta armada
Armado a partir de 2004, em 2005 o movimento contava com 1.000 a 3.000 combatentes;[16] a partir de 2009, esse número era estimado em 2.000 a 10.000.[17] De acordo com Ahmed Al-Bahri, os houthis tinham um total de 100.000-120.000 seguidores, incluindo combatentes armados e partidários desarmados.[18] O grupo tem evitado a disseminação do COVID-19 em pessoas em 2020 no país, sendo um dos poucos países imunes a doença.[19]


Os houthis afirmam que suas ações são para a defesa de sua comunidade e contra a discriminação por parte do governo. O governo do Iêmen, por sua vez, acusa-os de querer derrubá-lo e instituir uma lei religiosa xiita,[20] desestabilizar o governo e "fazer uma agitação com sentimento de antiamericano".[21]
O governo iemenita também acusou os houthis de ter ligações com patrocinadores externos, especialmente o governo iraniano.[22] Por sua vez, os houthis rebateram as acusações, afirmando que o governo iemenita é apoiado por agentes externos, notadamente a Arábia Saudita e a Al-Qaeda[23][24][25] [26]
Em menos de um mês (de 26 de março a 13 de abril de 2015), os ataques contra os houthis produziram 3.897 feridos e resultaram na morte de aproximadamente 2.600 civis, incluindo um grande número de crianças e mulheres. A Arábia Saudita e seus oito aliados árabes justificam os ataques pela necessidade de defender a legitimidade do presidente iemenita, Abdrabbuh Mansur Hadi, além de suprimir a ameaça que os houthis supostamente representariam para a Arábia Saudita, e principalmente evitar que o Irã estenda sua influência na região por meio dos rebeldes. [27]
Referências
- https://www.alaraby.co.uk/english/comment/2015/4/12/houthi-propaganda-following-in-hizballahs-footsteps
- «Houthis are fighting "Western Imperialism"». PressTV
- «Will Yemen kick off the War of the two Blocks?'». Russia Today
- Plotter, Alex (4 de junho de 2015). «Yemen in crisis». Esquire
- Houthis Kill 24 in North Yemen, 27 de novembro de 2011
- Ataques contra aldeia sunita do Iémen deixam 26 mortos e 120 feridos. A Verdade, 31 de outubro de 2013.
- «Derribando mitos acerca de los hutíes en Yemen, un país devastado por la guerra · Global Voices en Español». Global Voices en Español. 3 de abril de 2015
- «Ansar Allah vows to defeat al-Qaeda in Yemen». 22 de outubro de 2014. Consultado em 23 de janeiro de 2016
- Deaths in Yemeni mosque blast. Al Jazeera, 2 de maio de 2008.
- Press TV Saudi soldier, Houthi leaders killed in north Yemen, 19 de novembro de 2009
- «Hothi / Houthi / Huthi. Ansar Allah al-Shabab al-Mum'en / Shabab al-Moumineen ('Believing Youth')». GlobalSecurity.org
- What Is Yemen's Houthi Rebellion? Arquivado em 17 de julho de 2011, no Wayback Machine. Por Pierre Tristam
- Regime and Periphery in Northern Yemen - The Huthi Phenomenon. Por Barak A. Salmoni, Bryce Loidolt, Madeleine Wells. Prepared for the Defense Intelligence Agency. Rand National Defense Research Institute
- Arábia Feliz Arquivado em 20 de dezembro de 2016, no Wayback Machine.. Por Salem Nasser. Brasileiros', 21 de outubro de 2016.
- «Yemen's Saleh declares alliance with Houthis». Al Jazeera. 11 de maio de 2015
- Philips, Sarah (28 de julho de 2005). Cracks in the Yemeni System Arquivado em 27 de setembro de 2011, no Wayback Machine.. Middle East Report Online.
- «Pity those caught in the middle». The Economist. 19 de novembro de 2009
- Ahmed Al-Bahri: Expert in Houthi Affairs, 10 de abril de 2010
- «WHO: Yemen is free of coronavirus» (em inglês). 26 de março de 2020
- «Deadly blast strikes Yemen mosque». BBC News. 2 de maio de 2008. Consultado em 23 de janeiro de 2016
- Sultan, Nabil (10 de julho de 2004). Rebels have Yemen on the hop. Asia Times Online.
- Wikileaks. Kuwait Interior Minister sounds alarm on Iran; offers assurances on GTMO returnees and security. Data: 17 de fevereiro de 2010.
- «Saudi, al-Qaeda support Yemen crackdown on Shias». Press TV. 29 de agosto de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010
- «Al-Qaeda Fighting for Yemeni Government Against Houthi Shia Rebels...». 29 de dezembro de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010
- «Yemen employs al-Qaeda mercenaries: Houthis». Press TV. 28 de outubro de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010
- Dostoiévski no Iêmen, por Salem Nasser. Brasileiros, 22 de maio de 2015
- Houthis denunciam a morte de mais de 2.500 civis desde o início da ofensiva no Iêmen. R7, 13 de abril de 2015.
