Jarid Arraes
Jarid Arraes (Juazeiro do Norte, 12 de fevereiro de 1991) é uma escritora, cordelista e poeta brasileira, autora dos livros As Lendas de Dandara, Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, Um buraco com meu nome e Redemoinho em dia quente. Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres. Até o momento, tem mais de 70 títulos publicados em Literatura de Cordel, incluindo a coleção Heroínas Negras na História do Brasil.[1][2]
| Jarid Arraes | |
|---|---|
| Nascimento | 12 de fevereiro de 1991 (31 anos) Juazeiro do Norte |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | escritora, cordelista e poeta |
| Principais trabalhos |
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| Página oficial | |
| http://jaridarraes.com/ | |

Biografia
Desde a infância teve forte contato com a literatura, sobretudo pela influência do seu avô, Abraão Batista, poeta, xilogravo, escultor, ceramista, gravador e professor que desde o final da década de 1960 vinha produzindo e se estabelece na cena do cordel, tendo uma vasta produção que chega a mais de 200 títulos e reconhecimento internacional, sendo também um dos fundadores da Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro. E de seu pai, Hamurabi Batista, poeta, cordelista, xilógrafo e escultor. Batista tem uma vasta produção com mais de 250 folhetos e traz em sua escrita um forte compromisso com a história e a luta política, seus trabalhos trazem personalidades históricas e diversas questões raciais. Em 2018 publicou a antologia “O golpe de 2016: uma antologia poética”, obra na qual através de 19 cordéis ele esquematiza o processo que gerou o impeachment da então presidenta Dilma Roussef.[3] Um poeta engajado fez parte da Sociedade dos poetas mauditos e utilizou do campo artístico para desenvolver ferramentas de conscientização.[4]
Cresceu entre manifestações de cultura tradicional nordestina, frequentando o Centro de Cultura Popular Mestre Noza,[5] associação de artesãos que existe até hoje, mas suas influências literárias não se limitaram ao cordel; leitora de grandes poetas, buscava os livros de Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Manuel Bandeira e Ferreira Gullar como principais interesses. No entanto, foi percebendo, enquanto crescia, que seu acesso a obras de escritoras era precário, o que lhe trouxe motivação para pesquisar e conhecer mulheres que marcaram a história não só como autoras e poetas, mas nas mais diversas áreas do conhecimento, principalmente mulheres negras, que percebia serem ainda mais esquecidas das escolas e mídia.
Começou a publicar seus escritos aos 20 anos de idade, no blog Mulher Dialética. Logo passou a colaborar em blogs como o Blogueiras feministas e o Blogueiras Negras e em 2013 se tornou colunista da Revista Fórum, onde manteve o blog Questão de Gênero até Fevereiro de 2016.[6] Na Revista Fórum, atuava também como jornalista e escrevia matérias sobre as mais diversas ramificações dos Direitos Humanos, como feminismo, movimentos de luta contra o racismo, direitos LGBT, entre outros.[7]
Jarid morou em Juazeiro do Norte/CE até 2014 e participou de coletivos regionais, como o Pretas Simoa (Grupo de Mulheres Negras do Cariri) e o FEMICA (Feministas do Cariri), o qual fundou. Em dezembro de 2014 mudou-se para São Paulo, onde passou a fazer parte da ONG Casa de Lua até o seu fechamento.
Em Julho de 2015, Jarid Arraes publicou As Lendas de Dandara, seu primeiro livro em prosa e em edição independente que contou com ilustrações de Aline Valek. Em menos de 1 ano, a tiragem foi completamente esgotada e a obra foi republicada em dezembro de 2016 pela Editora de Cultura. O livro nasceu da necessidade de resgatar a história de Dandara dos Palmares, contada como esposa de Zumbi dos Palmares, e tem a proposta de misturar lendas e fantasia com fatos históricos sobre a luta quilombola no período da escravidão no Brasil.[8]
Jarid Arraes também criou o Clube da Escrita Para Mulheres em outubro de 2015, realizando encontros periódicos com o objetivo de encorajar mulheres que escrevem ou desejavam começar a escrever.[9] O Clube da Escrita Para Mulheres é um projeto gratuito que se expandiu em 2017 e se tornou um coletivo contando com a participação de outras integrantes e escritoras.
Além do livro As Lendas de Dandara, suas obras mais conhecidas são os cordéis da Coleção Heroínas Negras da História do Brasil; neles, são resgatadas biografias de grandes mulheres negras que marcaram a história brasileira, como Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Tereza de Benguela, Laudelina de Campos Melo, entre outras. A autora também possui cordéis infantis, como “A menina que não queria ser princesa” e “A bailarina gorda” e “Os cachinhos encantados da princesa”.
Em Junho de 2017, Jarid lançou o livro “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis” pela Pólen Livros e realizou eventos de lançamento em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambos recorde de vendas da Blooks Livraria com exemplares totalmente esgotados.[10][11] Ainda em 2017, no dia 12 de outubro, a atriz e cantora Thalma de Freitas apresentou um espetáculo musical interpretando o livro “Heroínas Negras Brasileiras” na casa Jazz nos Fundos localizada em São Paulo/SP.[12]
Em Julho de 2018, Jarid Arraes lançou seu primeiro livro de poesia, Um buraco com meu nome, publicado pelo selo Ferina, do qual se tornou curadora.[13] O livro foi apresentado pela primeira vez durante a Festa Literária Internacional de Paraty. A autora foi também a responsável pelas ilustrações de sua obra.
O selo Ferina, da editora Pólen, foi lançado em Maio de 2018 com a proposta de publicar autoras brasileiras. Um Conselho Editorial de mulheres foi formado com profissionais de diversas áreas, incluindo a escritora Márcia Wayna Kambeba, autora indígena, a autora de literatura afrobrasileira Cidinha da Silva, a coordenadora do Museu Afro Brasil Neide Almeida, a designer e ilustradora Raquel Matsushita, a ilustradora venezuelana Valentina Fraiz, a jornalista Jéssica Balbino, a poeta Estela Rosa, a acadêmica em Literatura Heloísa Buarque de Hollanda, a livreira e coordenadora do projeto Leia Mulheres Juliana Gomes, a intelectual Jaqueline Gomes de Jesus e a jornalista Lizandra Magon de Almeida, da Pólen Editora. A formação inicial do Conselho Editorial do selo Ferina representou um marco em diversidade para o mercado editorial brasileiro, por trazer uma autora indígena, autoras negras, uma intelectual transexual, diversidade etária, entre outras.[14]
Em Outubro de 2018, seu livro "As Lendas de Dandara" foi traduzido para o francês e publicado na França, sob o título de "Dandara et les esclaves libre" pela editora Anacaona.[15] Jarid esteve em turnê de lançamento em cidades francesas e participou de eventos em Paris, na Maison de l’Amérique latine, em Rennes, em La Rochelle, no Musée du Nouveau Monde, e em Lille, na Le Bateau Livre, além de ter visitado liceus e universidades.
Em Julho de 2019, lançou seu primeiro livro de contos pela Alfaguara (Companhia das Letras), “Redemoinho em dia quente”, onde se relaciona com sua origem carirense.[16] O primeiro lançamento aconteceu durante a FLIP, para a qual Jarid foi convidada oficialmente.[17] Seu livro foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como melhor livro da categoria contos e crônicas de 2019.[18]
Na Flip, Jarid Arraes participou da mesa “Vila Nova da Rainha”[19] com participação da escritora cubano-americana Carmen Maria Machado com a mediação da jornalista Adriana Couto, e da mesa "Livro da cabeceira",[20] tradicional mesa de encerramento do evento. Dois livros de Jarid entraram na lista de mais vendidos da Flip: “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis” e “Redemoinho em dia quente”.[21] Por sua participação de destaque na Flip, foi capa do caderno de cultura do jornal Estadão,[22] foi entrevistada pela Folha de S.Paulo[23] e saiu em revistas como a Marie Claire,[24] Claudia e Vogue Brasil,[25][26] como um dos nomes mais importantes da Flip e da literatura brasileira.
Também aconteceram eventos de lançamento de “Redemoinho em dia quente” no Rio de Janeiro e em São Paulo.[27] No Rio, Jarid conversou com mediadoras do Leia Mulheres Rio de Janeiro na Livraria da Travessa Botafogo; em São Paulo, houve bate-papo com o escritor Marcelino Freire no Centro Cultural São Paulo,[28] além de uma exposição fotográfica com fotos clicadas pela própria autora. As fotografias foram feitas em Juazeiro do Norte e Crato-CE, na região do Cariri, terra natal da autora e também onde os contos do livro “Redemoinho em dia quente” estão ambientados. A exposição fotográfica contou com a curadoria da fotógrafa Maria Ribeiro, que também editou as fotos.
As primeiras cinquenta pessoas que compraram o livro “Redemoinho em dia quente” no evento de lançamento ganharam um cordel inédito da autora. O folheto continha duas histórias: o primeiro sendo a versão completa de um cordel que faz parte de um dos contos do livro, “Asa no pé”, e o segundo – baseado livremente nos pensamentos existencialistas de Jean-Paul Sartre – intitulado “Patas vazias”.
Já colaborou com diversos portais e revistas, entre eles a Folha de S.Paulo,[29] as revistas impressas Quatro Cinco Um,[30] Caros Amigos, Claudia, Cult e Blooks,[31] teve poesias publicadas em veículos como a Revista Parênteses e a Revista Gueto,[32] participou de uma antologia de poesias da TAG Experiências Literárias. Também escreveu o cordel Chega de Fiu Fiu em parceria com a ONG Think Olga e o título "Informação Contra o Machismo" em parceria no prêmio com a Artigo 19 e em 2020 foi considerada pela Forbes uma das trinta personalidades em destaque no Brasil, premiada no UNDER-30 que visa da ênfase a jovens que vem fazendo a diferença na história país.[33]
- «Como cordéis estão sendo usados para debater questões sociais nas escolas - Educação - BOL Notícias». noticias.bol.uol.com.br. Consultado em 10 de março de 2018
- «Cordelista e feminista: Jarid Arraes, protesto contra a opressão». Trip
- «"Antologia do golpe", 19 cordeis de Hamurábi Batista – PSICANALISTAS PELA DEMOCRACIA». Consultado em 28 de novembro de 2022
- LUCAS, ALEXANDRE. «Hamurábi Batista – Um artista ponteiro, blog do crato, 2011.». http://blogdocrato.blogspot.com/2011/01/hamurabi-batista-um-artista-ponteiro.html
- «Jarid Arraes: "Escrevo para honrar minha ancestralidade"». cartacapital.com.br. Consultado em 13 de abril de 2018
- «Questão de Gênero - Revista Fórum». Revista Fórum
- SAMYN, Henrique Marques (julho–dezembro de 2016). «Negritude e gênero no cordel: ensaio sobre as "heroínas negras" de Jarid Arraes.». Macabéa – Revista Eletrônica do Netlli | V. 5, N. 2, p. 92-102, jul.-dez. 2016. Negritude e gênero no cordel: ensaio sobre as “heroínas negras” de Jarid Arraes. (2): 92-102
- «Jarid Arraes, Dandara e a tradição popular - Revista Fórum». Revista Fórum. 26 de agosto de 2015
- «Clube da Escrita para Mulheres». Consultado em 13 de abril de 2018. Arquivado do original em 14 de março de 2018
- «Apagadas da história, heroínas negras se tornam protagonistas em coletânea de cordéis». revistacult.uol.com.br. Consultado em 10 de março de 2018
- «Quando uma escritora negra independente é recorde de lançamento». medium.com. Consultado em 13 de abril de 2018
- «Noite ÁfricaBrasil com Thalma de Freitas e Yannick Delass». Consultado em 13 de abril de 2018. Arquivado do original em 14 de abril de 2018
- «Novo selo enfoca questões femininas». publishnews.com.br
- «Selo Ferina estreia com conselho editorial exclusivo de mulheres». catracalivre.com.br
- «Les Afro-Brésiliennes dans l'Histoire : rencontres avec Jarid Arraea». anacaona.fr
- «Jarid Arraes, a "jovem mulher do sertão" que faz literatura retirante». elpais.com
- «Flip anuncia cordelista e escritora Jarid Arraes em sua programação». folha.uol.com.br
- «APCA divulga lista de premiados de 2019». estadao.com.br
- «Corpos e linguagens rumo ao direito de existir». flip.org.br
- «Livro de cabeceira: mesa ganha novo formato e encerra a Flip». flip.org.br
- «A lista mais plural da história da Flip». publishnews.com.br
- «Jarid Arraes faz as pazes com o seu sertão em 'Redemoinho em Dia Quente'». estadao.com.br
- «'Me promovi tão bem que não dava mais para me ignorar', diz Jarid Arraes». folha.uol.com.br
- «Mulheres são destaque na Flip que traz Kristen Roupenian, autora de "Cat Person"». revistamarieclaire.globo.com
- «Jarid Arraes leva a literatura de cordel para o palco da Flip». vogue.globo.com
- «Flip 2019: 5 escritores que fortalecem narrativas periféricas». vogue.globo.com
- «Marque na agenda - 15/07 a 21/07». blogdacompanhia.com.br
- «Bate-papo e lançamento do livro Redemoinho em Dia Quente, de Jarid Arraes». http://centrocultural.pagina-oficial.ws
- «Lady Gaga me ensinou a nascer como escritora, diz Jarid Arraes». Consultado em 29 de julho de 2019
- «Colaboradores: Jarid Arraes - Poeta e cordelista, é autora de Um buraco com meu nome (Ferina).». quatrocincoum.com.br
- «A literatura de cordel como tradição transformadora». Consultado em 29 de julho de 2019
- «cinco poemas de Jarid Arraes». Consultado em 29 de julho de 2019
- Arnoni, Helena (29 de dezembro de 2020). «Under 30 2020: conheça 30 destaques brasileiros». Forbes Brasil. Consultado em 28 de novembro de 2022
- «Chega de Fiu Fiu: ciberfeminismo contra o assédio sexual» (PDF). Consultado em 13 de abril de 2018
- «Questão de gênero e acesso à informação». Consultado em 13 de abril de 2018
Lista de obras
- Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis: Desde 2012, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a história das mulheres negras que fizeram a História do Brasil. E não bastava conhecer essas histórias, era preciso torná-las acessíveis e fazer com que suas vozes fossem ouvidas. Para isso, Jarid usou a linguagem poética tipicamente brasileira da literatura de cordel. E vendeu milhares de seus cordéis pelo Brasil, alertando para a importância da multiplicidade de vozes e oferecendo exemplos de diversidade para as mulheres atuais. Neste livro, reunimos 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora e a beleza das ilustrações de Gabriela Pires.
- As Lendas de Dandara: Na sociedade do período do açúcar, a casa-grande era a residência do senhor de engenho. Seu conforto contrastava de modo gritante com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas, onde moravam os escravos. O tratamento dado a eles era cruel, envolvendo castigos sangrentos, ataques sexuais e dolorosas explorações físicas e mentais. Afinal, eles não passavam de semoventes – criaturas que se moviam por si, como os cavalos, as vacas e os cachorros da fazenda. E que podiam ser vendidos, trocados, emprestados ou doados, como qualquer outro animal na posse do senhor branco. É contra essa estrutura odiosa que se ergue Dandara dos Palmares, guerreira e companheira de Zumbi, que luta à frente das formações de palmarinos dispostos a reconquistar a liberdade de a dignidade para si e para seus irmãos escravizados. As Lendas de Dandara é um romance que busca preencher lacunas de uma história do Brasil que nunca foi bem contada.
- Um buraco com meu nome: Em seu livro de estreia na poesia, a escritora e cordelista Jarid Arraes dedica seus poemas àqueles que não encontram matilha. Àqueles que procuram um buraco para chamar de seu – talvez toca, talvez a cova íntima que nem sempre encontramos quando precisamos de abrigo. Nas quatro partes do livro – Selvageria, Fera, Corpo Aberto e Caverna – Jarid cava fundo, com unhas e presas, em busca desse lugar.
- Redemoinho em dia quente: Focando nas mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid Arraes desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade ímpar de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres. Uma senhora católica encontra uma sacola com pílulas suspeitas e decide experimentar um barato que a leva até o padre Cícero, uma lavadeira tenta entender os desejos da filha, uma mototáxi tenta começar um novo trabalho e enfrenta os desafios que seu gênero representa ― a autora narra a vida de mulheres com exatidão, potência e uma voz única na literatura brasileira contemporânea.
- Corpo desfeito: Em seu romance de estreia, Jarid Arraes traz uma história impactante e impossível de esquecer, focada nas consequências do abuso físico e psicológico de crianças. Com uma prosa ágil e habilmente construída, ela mergulha fundo em uma narrativa sobre como as marcas da infância são construídas e como é possível lidar com elas.
Suas outras produções são cordéis que abordam temas biográficos e historiográficos acerca de histórias de "heroínas negras brasileiras"; além de cordéis infantis e uma série recente de Lendas da África. São 60 cordéis assinados pela autora.
PREMIAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| BIBLIOTECA NACIONAL | “Redemoinho em dia quente” | 2020 | CATEGORIA CONTOS |
| APCA DE LITERATURA | “Redemoinho em dia quente | 2019 | CATEGORIA CONTOS/CRÔNICAS |
| SUPLEMENTO PERNAMBUCO | “Redemoinho em dia quente”
“Nossos poemas conjuram e gritam” |
2013 | OS MELHORES LIVROS DE 2019
QUATRO CINCO UM |