Katherine Dunham
Katherine Dunham ( 22 de Junho de 1909 – 21 de maio de 2006) foi uma bailarina, coreógrafa, criadora da Técnica Dunham, autora, educadora, antropóloga e ativista social afro-americana. Dunham teve uma carreira bem sucedida nos teatros europeus e afro-americanos do século 20. Ela dirigiu sua própria companhia de dança por muitos anos. Ela foi conhecida como a "matriarca e rainha mãe da dança da dança preta[1]".
| Katherine Dunham | |
|---|---|
![]() Katherine Dunham | |
| Nascimento | 22 de junho de 1912 Chicago |
| Morte | 21 de maio de 2006 (93 anos) Nova Iorque |
| Residência | Nova Iorque |
| Cidadania | Estados Unidos |
| Etnia | afro-americanos |
| Alma mater |
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| Ocupação | antropólogo, coreógrafa, bailarina, professor de música, autora-compositora, atriz de cinema, ativista |
| Prêmios |
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| Página oficial | |
| http://kdcah.org | |
Ao mesmo tempo em que era estudante da Universidade de Chicago, Dunham comandava uma escola de dança e, também, se apresetava enquanto dançarina. Após ganhar uma bolsa, foi para o Caribe estudar dança e etnografia. Após seu retorno aos Estados Unidos, se graduou e começou seu mestrado em antropologia. Todavia não obteve o título de mestre pois não finalizou as etapas necessárias pois, percebeu que seu chamado profissional era performar a dança.
No auge de sua carreira, entre as décadas de 1940 e 1950, Dunham foi reconhecida amplamente na Europa e América Latina e era muito popular nos Estados Unidos. O jornal The Washington Post lhe deu o título de "Katherine, a grande dançarina". Por quase 30 anos ela manteve a Katherine Dunham Dance Company, a única companhia de dança afro-americana auto sustentada daquela época. Ao longo de sua carreira, Dunham coreografou mais the noventa dançarinos[2]. Ela era uma inovadora na área da dança moderna afro-americana e uma líder no campo da antropologia da dança ou etnocoreologia. Ela também desenvolveu a Técnica Dunham, um método de mocimento para auxiliar seus trabalhos de dança[3].
Primeiros anos
Katherine Mary Dunham nasceu em 22 de junho de 1909 em um hospital de Chicago e foi levada, ainda criança, para a casa de seus pais em Glen Ellyn, Illinois, cerca de 40 quilômetros a oeste de Chicago. Seu pai, Albert Millard Dunham, era descendente de indivíduos escravizados da África Ocidental e de Madagascar. Sua mãe, Fanny June Dunham (nascida Taylor), de descendência franco-canadense, morreu quando Dunham tinha três anos. Ela tinha um irmão mais velho, Albert Jr., com quem era muito próxima[4]. Depois que seu pai se casou novamente, alguns anos depois, a família mudou-se para um bairro predominantemente branco em Joliet, Illinois. Lá, seu pai tinha uma lavanderia a seco[5].
Dunham começou a se interessar por escrever e dançar desde muito jovem. Em 1921, um conto que ela escreveu quando tinha 12 anos, chamado "Come Back to Arizona", foi publicado no volume 2 do The Brownies 'Book'.
Ela se formou na Joliet Central High School em 1928, onde jogou beisebol, tênis, basquete e atletismo; serviu como vice-presidente do Clube Francês e fez parte da equipe do anuário[6]. No colégio, ela se juntou ao Clube Terpsichoriano e começou a aprender um tipo de dança moderna baseada nas idéias dos europeus, Émile Jaques-Dalcroze e Rudolf von Laban[4]. Aos 15 anos, ela organizou "The Blue Moon Café", um cabaré para arrecadar dinheiro para a Igreja Metodista de Brown em Joliet, onde fez sua primeira apresentação pública. Quando ainda era estudante do ensino médio, ela abriu uma escola particular de dança para crianças negras[7].
Antropóloga na acadêmia
Depois de completar seus estudos no Joliet Junior College, Dunham mudou-se para Chicago para se juntar a seu irmão Albert, que estava cursando a Universidade de Chicago como estudante de filosofia. Em uma palestra de Robert Redfield, um professor de antropologia, ela aprendeu que muito da cultura negra na América moderna começou na África. Ela decidiu se formar em antropologia e estudar as danças da diáspora africana. Além de Redfield, ela estudou com antropólogos como Radcliffe-Brown, Edward Sapir e Bronisław Malinowski. Sob sua tutela, ela se mostrou muito promissora em seus estudos etnográficos da dança[8].
Em 1935, Dunham recebeu bolsas de viagem das fundações Julius Rosenwald e Guggenheim para realizar estudos etnográficos das formas de dança do Caribe, especialmente as manifestadas na prática Vodu do Haiti. A colega estudante de antropologia Zora Neale Hurston também fez trabalho de campo no Caribe. Dunham também recebeu uma bolsa para trabalhar com o professor Melville Herskovits, da Northwestern University, cujas ideias sobre a retenção da cultura africana entre os afro-americanos serviram de base para as pesquisas de Dunham no Caribe
Seu trabalho de campo no Caribe começou na Jamaica, onde ela morou por vários meses na remota vila quilombola de Accompong, nas montanhas de Cockpit Country. Mais tarde, ela escreveu Journey to Accompong, um livro que descreve suas experiências lá. Em seguida, ela viajou para a Martinica e para Trinidad e Tobago para estadias curtas, principalmente para fazer uma investigação sobre Xangô. No início de 1936, ela chegou ao Haiti, onde permaneceu por vários meses, a primeira de suas muitas estadas naquele país ao longo de sua vida.
Enquanto estava no Haiti, Dunham investigou os rituais Vodu e fez extensas notas de pesquisa, particularmente sobre os movimentos de dança dos participantes. Anos mais tarde, após extensos estudos e iniciações, ela se tornou um mambo na religião Vodu. Ela também fez amizade com, entre outros, Dumarsais Estimé, então político de alto nível, que se tornou presidente do Haiti em 1949. Um pouco mais tarde, ela o ajudou, com risco considerável de vida, quando ele foi perseguido por suas políticas progressistas e enviado para o exílio na Jamaica após um golpe de estado.
Dunham retornou a Chicago no final da primavera de 1936. Em agosto, ela recebeu um diploma de bacharel em filosofia, com sua principal área de estudo denominada antropologia social. Ela foi uma das primeiras mulheres afro-americanas a frequentar essa faculdade e obter esses diplomas[3]. Em 1938, usando materiais coletados durante sua viagem de pesquisa pelo Caribe, Dunham apresentou uma tese, As Danças do Haiti: Um Estudo de seue aspectos materiais, organização, forma e função, para o Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago uma parte dos requisitos para obter seu título de mestrado, mas nunca concluiu o curso ou fez os exames exigidos para obter o grau. Dedicada à performance de dança, assim como à pesquisa antropológica, ela percebeu que tinha que escolher entre as duas. Embora Dunham tenha recebido outra bolsa da Fundação Rockefeller para prosseguir seus estudos acadêmicos, ela escolheu dança, desistiu de seus estudos de pós-graduação e partiu para a Broadway e Hollywood[9].
Referências
- Fraleigh, Sondra (20 de abril de 2017). «Dancing Becomes Walking». University of Illinois Press. doi:10.5406/illinois/9780252039409.003.0003. Consultado em 27 de março de 2021
- Robinson, Karima A. (2007). «Kaiso! Writings By and About; Katherine Dunham, edited by VèVè Clark and Sara E. Johnson. 2005. Madison: University of Wisconsin Press. xiii + 675 pp., chronology, illustrations, appendices, glossary, index. $65.00 cloth, $24.95 paper.». Dance Research Journal (2): 116–119. ISSN 0149-7677. doi:10.1017/s0149767700000309. Consultado em 27 de março de 2021
- «Katherine Dunham - Katherine Dunham Biography». kdcah.org (em inglês). Consultado em 27 de março de 2021
- Goodrum, Charles A.; Dalrymple, Helen W. (11 de julho de 2019). «The Library of Congress and the Performing Arts». Routledge: 175–201. ISBN 978-0-429-31230-4. Consultado em 27 de março de 2021
- «Dunham, Katherine». Oxford University Press. African American Studies Center. 7 de dezembro de 2000. ISBN 978-0-19-530173-1. Consultado em 27 de março de 2021
- Joliet Central High School Yearbook, 1928
- Learn About Dancer Katherine Dunham". About.com Home.
- Ira E. Harrison and Faye V. Harrison, African-American Pioneers in Anthropology (Urbana: University of Illinois Press, 1999), p. 139.
- «Timeline: The Katherine Dunham Collection at the Library of Congress (Performing Arts Encyclopedia, The Library of Congress)». memory.loc.gov. Consultado em 27 de março de 2021
