Laep Investments
A Laep Investments é uma empresa holding com sede principal em Bermudas,[2] já foi listada na B3 (antiga BM&FBovespa) sob os códigos MILK11 e MILK33 (hoje possui capital fechado)[3], sendo deslistada da B3 em 2017.[4] O principal investimento da empresa de private equity foi a Parmalat do Brasil S.A., cujo controle foi adquirido em leilão da Recuperação Judicial em 2006. Houve muita discussão e diversos processos administrativos e judiciais envolvendo reestruturações e a queda do BDR em bolsa (em linha com outras listagens de 2007, como Agrenco). De 2007 até 2015, os BDRs da empresa caíram 99,9% sendo apontado como um dos maiores prejuízos do mercado financeiro brasileiro, segundo o Ministério Público Federal (que desconsidera casos de falência).[5][2]
| Laep Investments Ltd. | |
|---|---|
| Empresa Bermudense de capital fechado | |
| Atividade | Holding |
| Fundação | Brasil, 1994 |
| Fundador(es) | Marcus Alberto Elias |
| Sede | Clarendon House, 2 Church Street, Hamilton, HM 11, 666 Bermudas |
| Área(s) servida(s) | Brasil |
| Locais | Teve escritório em São Paulo, Brasil |
| Presidente | Luiz Cezar Fernandes, fundador dos bancos Garantia e BTG Pactual e ex-CEO da Laep |
| Pessoas-chave | Antonio Romildo da Silva (Representante legal de acordo com as Instruções n. 331/00 da CVM) Marcus Alberto Elias (ex-CEO ex-presidente do conselho de administração) Othoniel R. L. Filho (presidente de subsidiária e ex-membro do CA) Rodrigo Andres Pimenta Hoffmann (tesoureiro) |
| Produtos | Private Equity; Distress |
| Divisões | Varejo; Daslu Lácteo; LBR - Lácteos Brasil S A; Parmalat; Cia. Gloria S.A. (SP) e Cia. Ibituruna S.A. (MG). |
| Subsidiárias | Lácteos do Brasil S.A; Lácteos Brasil S.A; New Participations Ltd; Prime Venture 4 Ltd; New Enterprises 3 Ltd; Retail Participations 2 Ltd; Shitenno Capital Ltd; Padma Indústria de Alimentos S.A.; Companhia de Alimentos Glória; Companhia de Alimentos Ibituruna S.A.; DSL Comércio Varejista S.A; Caloocan Empreendimentos e Participações S.A; Makalu Empreendimentos e Participações S.A; Makti Empreendimentos e Participações Ltda; Lácteos Indústria de Alimentos S.A; PRLT S.A - Indústria de Alimentos; Integralat - Integraçaõ Agropecuária S.A; Integralat - Integração Agro-Negócios Ltda; Bhagavate Empreendimentos e Participações Ltda |
| Acionistas | 12.906 sendo 12.732 Pessoas Físicas e 174 Pessoas Jurídicas[1] |
| Significado da sigla | LAEP - Latin America Equity Partnership |
| Website oficial | www.laep.com.br |
Histórico
A Laep é uma empresa constituída em 20 de junho de 2007 em Hamilton, Bermudas, e originada em 1994.[6] de uma parceria dos antigos sócios fundadores com a norte-americana TCW - Trust Company of the West. Dentre as principais empresas que fizeram parte do portfólio da Laep estiveram a Daslu,[7] Parmalat,[8] Monticiano Participações S.A (consórcio constituído em julho 2010 com as cias Gloria, Ibituruna e LeitBom em parceria com o Fundo GP Investiments - fundado por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira),[9] e LBR - Lácteos Brasil S/A (constituída em dezembro 2010 a partir de fusão de empresas, sob controle do Fundo GP Investments, com fundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES).[10]
Em outubro 2007 a companhia fez IPO em Luxemburgo e no Brasil simultaneamente. Os recibos de ações (BDRs) passaram a ser negociados no Nível III na B3. Em janeiro de 2010 a Laep entrou com pedido na CVM de fechamento de capital da subsidiária Parmalat Brasil S.A. Indústria de Alimentos, negociada na B3 pelos códigos (LCSA3) para ações ordinárias; e (LCSA4) para ações preferenciais. Naquele mesmo ano, a LAEP iniciou um processo de aquisição de participação societária no capital da empresa Holquadros SGPS S.A. (“Holquadros”), além da integralidade das ações Matebrico SGPS S.A., empresas de Portugal e Espanha pertencentes ao Grupo Empark (www.empark.com).[11] O negócio não foi adiante, e o dinheiro captado para o negócio retornou à Laep.[12] Firmou contrato como GEM (Global Emerging Markets) em 15 de janeiro de 2010 de subscrição particular de 120 milhões de reais em mais de 30 milhões de ações (a R$3 o papel) em BDRs.[13] Em fevereiro de 2011, através de leilão judicial, adquiriu unidade produtiva isolada (UPI) com a marca Daslu, uma das mais fortes e renomadas marcas do mercado de luxo do Brasil; Em dezembro de 2011, o diretor financeiro da Laep a época, Alberto Mendes Tepedino, em entrevista ao InfoMoney (em vídeo), afirmou que os atrasos nos balanços seriam sanados em 2012. Nos anos de 2010 e 2011, a Laep atrasava de 7 a 12 meses a publicação das informações financeiras (ITRs - Informações Trimestrais , IAN - Informações Anuais e DFPs - Demonstrações Financeiras Padronizadas).[14] Ainda em 2012, a Laep estudou a compra da CELPA (Centrais Elétricas do Pará).[15] Em março de 2013 a Laep anunciou uma fusão com a empresa de Bermudas Prosperity Overseas (Bermuda) Limited, mas a fusão foi suspensa em 6 de março de 2013.[16] Em setembro de 2013 a Suprema Corte de Bermudas decidiu pela liquidação da Laep, que foi posteriormente revertida, encontrando-se regularmente registrada naquele país até 2021.[17] Em 19 de agosto de 2014, a CVM suspendeu o registro da Laep por ter descumprido, por período superior a 12 meses, suas obrigações periódicas.[18] Os BDRs já não estavam sendo negociadas na B3 (BM&FBovespa) desde setembro de 2013.[19]
Ações legais e investigação policial
Até 2012, a Laep respondia por mais de 60 processos administrativos na CVM, em sua maioria relativos ao atraso de registro de informações periódicas e eventuais.[5] Em 2013 os processos em aberto foram consolidados em procedimento único. Detentores de BDRs reclamavam à época que a CVM não conseguiria fiscalizar o mercado de capitais com eficiência, em razão do tempo que demora a ser julgado o processos (há ainda processos em aberto em 2022).[20] Denúncias do MPF apontavam ainda pagamentos a familiares de forma fraudulenta.[2] Segundo a revista InfoMoney, haveria denúncia de fraude na fusão anunciada com a Prosperity Overseas no início do ano de 2013.[21]
A Polícia federal investigou operações de aumento de capital via emissões de BDRs para liquidação de dívidas e despesas entre os anos de 2010 e 2012, o que teria afetado a participação de acionistas minoritários (diluição injustificada).[22] As ações da empresa desvalorizam 99,98% na Bovespa.[23]
Investidores minoritários em 20 de janeiro de 2012 manifestaram-se de forma pacífica em frente a Laep, Bovespa e Daslu.[24][25]
Em março de 2013, a Laep, as subsidiárias e o controlador tiveram seus bens bloqueados pela Justiça Federal de São Paulo, através da liminar na ação cautelar proposta pela CVM e MPF.[26] Ainda em março, a Laep Investments e o controlador, Marcus Alberto Elias, apresentaram um recurso, agravo de instrumento, com tentativa de suspender o bloqueio de seus bens. Em 22 de março, o Ministério Público Federal apresentou sua manifestação ao recurso e, em 19 de abril, através do Procurador Regional da República, peticionou a Contraminuta ao agravo de instrumento da Laep, recurso este negado pela Justiça em 30 de abril de 2013.[27]
Em abril de 2013, a Laep Investments Ltd passou a ser ré na ação civil pública proposta pela CVM em conjunto com o MPF,[28] e ré na ação coletiva proposta pela Associação ABRIMEC.[29] O controlador também é réu nas mesmas ações, que continuam em curso, sem julgamento passada uma década.[28][29]
Em agosto de 2013, advogados de Marcus Elias, entraram com habeas corpus preventivo, que foi negado.[30]
Em 23 de setembro de 2013 a negociação das ações foram suspensas pela B3, em razão da liquidação da companhia pela Suprema Corte de Bermudas.[19] Em 19 de agosto do ano seguinte, a CVM suspendeu as negociações da Laep pela não entrega de documentos obrigatórios.[18]
Em março de 2014, a Laep entrou com recursos no STJ e STF,[8] e em agosto, uma audiência de conciliação foi solicitada.[31]
Em 2014, a pedidos do Ministério Público Federal, a parte da herança de Mário Elias que cabia a Marcus Elias foi bloqueado pela justiça.[32]
De acordo com o MPF e CVM, o caso Laep foi o mais aviltante da história da Bolsa de Valores Brasileira e possivelmente mundial[33]:
| “ | Este é sem dúvida o caso mais aviltante que já ocorreu na história do mercado de capitais brasileiro e quiçá mundial. Uma absoluta afronta e um total desrespeito não só com os investidores, mas com todos os poderes constituídos no país", afirmaram a CVM e o MPF na petição, que resultou no bloqueio dos bens da Laep e de seu acionista controlador, Marcus Elias. | ” |
Othoniel R. L. Filho, ex-conselheiro da Laep, foi condenado a pagar 600 mil reais em um processo na CVM por informação privilegiada.[34]
Contraponto
A Laep tem ajuizado ações contra o que classifica como "ataques realizados de modo orquestrado, sem qualquer fundamento e procedência, de fake news perante à CVM, à diversos órgãos públicos, à mídia e redes sociais", possuindo veredito favorável em pelo menos algumas delas. Em seu site, afirma ainda que "todas as ações tomadas contra a LAEP tiveram como (falsa) justificativa a defesa de investidores e do mercado de capitais", o que teria levado-a "ao completo colapso financeiro, causando gravíssimos prejuízos aos verdadeiros investidores que se dizia estar protegendo".[35]
Referências
- «Formulário de Referência v3 2103» (PDF). Página Oficial. Consultado em 2 de setembro de 2014
- «Laep Investments, uma empresa que deu um golpe de R$5 bilhões». Época. 3 de julho de 2015. Consultado em 28 de julho de 2015
- «Mais de 80 empresas mudam código de negoiação de BDRs na Bovespa». Página oficial do Reuters Brasil. Consultado em 8 de setembro de 2014
- Umpieres, Rodrigo Tolotti. «É o fim: Bovespa divulga 15 empresas que serão excluídas da Bolsa até 6 de março». www.infomoney.com.br
- «Justiça de SP determina bloqueio de bens da Laep e de empresário». G1. 8 de março de 2013. Consultado em 5 de maio de 2015
- «Fundador do Pactual vai comandar a Laep». Estadão. 24 de Fevereiro de 2012.
Elias deixou uma carreira em bancos de investimentos para fundar a Laep em 1994.
- «Laep, dona da Parmalat, compra a Daslu em acordo de R$65 milhões». Estadao. Consultado em 27 de abril de 2015
- «Marcus Elias e Laep, dona da Parmalat, apelam ao STJ e STF para tentar desbloquear bens». Portal InfoMoney. Consultado em 6 de setembro de 2014
- «GP e Laep concluem acordo formando gigante no setor». MilkPoint. Consultado em 27 de abril de 2015
- «Laep briga com GP por causa da LBR». O Povo. Consultado em 31 de julho de 2017
- «Histórico Laep». Página Oficial. Consultado em 10 de setembro de 2014
- «Laep desiste de adquirir participação na Holquadros e Matebrico». Extra, Globo. Consultado em 10 de setembro de 2014
- «Laep levanta R$120 mi emissão de ações a fundo GEM». Estadao. Consultado em 14 de setembro de 2014
- «Laep: atraso na entrega de balanços deve ser sanado em 2012». Portal InfoMoney. Consultado em 8 de outubro de 2014
- «Laep esclarece sobre estudo para possível participação na reestruturação de CELPA». Portal InfoMoney. Consultado em 8 de outubro de 2014
- «Fusão da Laep com Prosperity tem efeitos suspensos». Revista Exame. Consultado em 6 de setembro de 2014
- «Suprema Corte de Bermudas determina liquidação da Laep». Jornal Valor Econômico. Consultado em 10 de setembro de 2014
- «CVM suspende registro de companhia estrangeira da Laep Investiments». Jornal Valor Econômico. Consultado em 5 de setembro de 2014
- «Laep tem liquidação decretada pela corte de Bermudas; BDRs estão suspensas na Bolsa». Portal InfoMoney. Consultado em 6 de setembro de 2014
- «A CVM é um xerife desarmado e anacrônico». Revista Exame. 24 de outubro de 2013. Consultado em 5 de maio de 2015
- «Laep, dona da Parmalat, é acusada de fraudar aprovação de fusão com Prosperity». InfoMoney. 20 de agosto de 2013. Consultado em 5 de maio de 2015
- «Por trás do Prejuízo da Laep, dona da Parmalat». Revista Exame. Consultado em 3 de setembro de 2014
- «Laep rumo aos 100% de queda». Revista Exame. Consultado em 5 de setembro de 2014
- «Minoritários da Laep protestam na rua». Jornal Valor Econômico. Consultado em 8 de outubro de 2014
- «Minoritários vão as ruas contra Laep». Revista Exame. Consultado em 8 de outubro de 2014
- «CVM e MPF obtêm bloqueio de bens e participações de dona da Parmalat». Estadao. Consultado em 7 de setembro de 2014
- «Justiça mantém bloqueio de bens de Marcus Elias, controlador da Laep». Portal InfoMoney. Consultado em 4 de setembro de 2014
- «CVM e Ministerio Publico pedem ação civil publica contra Laep e Marcus Elias». Estadao. Consultado em 7 de setembro de 2014
- «Ação contra Laep inclui CVM, Bovespa e bancos». Estadao. Consultado em 7 de setembro de 2014
- «Juízes negam pedido de habeas corpus de Marcus Elias, controlador da Laep». InfoMoney. 23 de agosto de 2013. Consultado em 28 de julho de 2015
- «Marcus Elias busca acordo em ação que pode reembolsar R$167 mi a acionistas da Laep». Portal InfoMoney. Consultado em 4 de setembro de 2014
- «Após escândalo com Laep, justiça bloqueia herança de Marcus Elias». InfoMoney. 27 de fevereiro de 2014. Consultado em 9 de maio de 2015
- «Caso da Laep é um dos mais desrespeitosos já ocorridos no País, dizem CVM e MPF». Portal InfoMoney. Consultado em 7 de setembro de 2014
- «CVM multa ex-conselheiro da Laep em R$600 mil em caso de informação privilegiada». reuters. 9 de dezembro de 2015. Consultado em 11 de janeiro de 2016
- «PUBLICACOES». www.laep.com.br. Consultado em 22 de abril de 2019: (i) Processo n. 1036438-77.2015.8.26.0100, (ii) Processo n. 0130185-98.2016.4.02.5101, (iii) Processo n. 0113731-77.2015.4.02.5101, (iv) Processo n. 5023348-60.2018.4.02.5101, (v) Processo n. 5000781-18.2018.4.03.6100, (vi) Processo n. 1009958-91.2017.8.26.0003; e (vii) dentre outras medidas.
Ligações externas
- Revista Época: Investigado pela CVM, empresário da o troco e processa órgão regulador
- Portal InfoMoney: Caso Laep - Justiça manda Marcus Elias se afastar do mercado
- Revista Exame: Por trás do prejuízo da Laep
- Portal InfoMoney: Em carta, acionistas da Laep rebatem acusações de Marcus Elias
- Ministério Público Federal: Justiça instaura ação contra gestores da Laep por crimes financeiras
- Ministério Público Federal: Justiça denuncia controladores da Laep por crimes que causaram prejuízos bilionários ao mercado de capitais