Luís Melo

Luís Alberto Melo (Curitiba, 13 de novembro de 1957)[1][2] é um ator e encenador brasileiro. De origem étnica plural e diversa,[3] atuou por muitos anos sob a batuta do exigente encenador Antunes Filho, tendo sido protagonista de vários espetáculos marcantes, entre eles Vereda da Salvação, Gilgamesh e a peça Trono de Sangue, adaptação da obra Macbeth de Shakespeare, em 1992, considerado por muitos a melhor interpretação de Macbeth no teatro brasileiro.

Luís Melo
Luís Melo
Luís Melo em outubro de 2010.
Nome completo Luís Alberto Melo
Nascimento 13 de novembro de 1957 (65 anos)
Curitiba, PR
Nacionalidade brasileiro
Ocupação ator e professor de interpretação
Período de atividade 1969–presente
Principais trabalhos
Prêmios Lista

Biografia

Ator formado pelo Curso Permanente da Fundação Teatro Guaíra em 1969, trabalhou em Curitiba como ator e professor de teatro até 1985, tendo tido a oportunidade de ser dirigido por alguns dos mais importantes diretores do teatro paranaense. Ainda em Curitiba, foi dirigido por Emílio de Biasi e Ademar Guerra, no Teatro de Comédia do Paraná. Em 1985, foi para São Paulo, onde se tornou, durante dez anos, o primeiro ator do importante Grupo Macunaíma, dirigido por Antunes Filho.

Foi muito criticado por Antunes Filho quando ingressou na TV, atuando, em 1995, na novela Cara e Coroa (Antônio Calmon), da Rede Globo, como o romântico e sofrido professor Rubinho, apaixonado pela protagonista da história, Fernanda, personagem da atriz Christiane Torloni.[4] Esse personagem fez muito sucesso e lhe trouxe popularidade, tanto que o par acabou por repetir a parceria bem-sucedida também nos palcos, em Salomé (Oscar Wilde), direção de José Possi Neto (1997), trabalho pelo qual Luís foi indicado para o Prêmio Cultura Inglesa como melhor ator de 1997.

Sua estréia marcante em Cara e Coroa também lhe garantiu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), como melhor ator em TV, e o Prêmio Contigo de revelação masculina do ano.

Logo depois, encenou o monólogo Sonata Kreutzer (Leon Tolstoi), direção de Eduardo Wotzik, recebendo por ele os prêmios Mambembe, APCA e indicação para o prêmio Shell de 1996 como melhor ator de teatro.

Em cinema, atuou em Terra Estrangeira (Walter Salles/Daniela Thomas) (1995), Jenipapo (Monique Gardenberg) (1995), Bar Babel (Roberto Prado/Rodrigo Barros Del Rei) (1996), Doces Poderes (Lúcia Murat) (1996), e Por Trás Do Pano (Luís Villaça) (1999). Participou também das novelas O Amor Está no Ar (Alcides Nogueira) (1997) e Pecado Capital (Glória Perez).

Durante sua trajetória nas telenovelas, o ator sempre se destacou em papéis de antagonista principal.[5] Em novelas e minisséries como O Amor Está no Ar, Pecado Capital, A Padroeira, A Casa das Sete Mulheres, América e JK, destacou-se por representar vilões aclamados pela crítica.

Integrou o elenco das minisséries Hilda Furacão (do romance de Roberto Drummond), direção de Wolf Maia e O Auto da Compadecida (Ariano Suassuna). Em 1999, excursionou com o espetáculo Nijinsky - Divino Bufão, estreando como produtor, com direção de Rossela Terranova e Cláudia Schapira, considerado um dos cinco melhores espetáculos do ano pelo Jornal do Brasil, e indicado para o prêmio Shell de melhor ator.

Em 2000, participou da minissérie A Invenção do Brasil, direção de Guel Arraes e da novela O Cravo e a Rosa, direção de Walter Avancini como o prepotente Nicanor Batista. Em 2001, fundou, juntamente com Nena Inoue e Fernando Marés, o ACT – Ateliê de Criação Teatral, espaço voltado à formação e experimentação nas artes cênicas em sua cidade natal, Curitiba.

Luís Melo conversa com Mariana Ximenes na festa de lançamento da novela América, em janeiro de 2005

Em 2002, participou da novela A Padroeira, direção de Walter Avancini, e do espetáculo Cãocoisa e a Coisa Homem, direção de Aderbal Freire Filho, primeira montagem do ACT – Ateliê de Criação Teatral, ganhando o Prêmio Governador do Estado - Troféu Gralha Azul como melhor ator. Em 2003, participou da minissérie A Casa das Sete Mulheres, direção de Jayme Monjardim, recebendo o premio Qualidade Brasil/SP, como melhor ator de teledramaturgia, e do filme Olga, de Jayme Monjardin. Em 2004, iniciou, juntamente com Marcio Abreu, o Grupo de Estudos sobre Tchekhov, que originou o espetáculo Daqui a 200 Anos (2005). Em 2006 entrou em Cobras & Lagartos, interpretando o delicado Orã. Em 2010, vive Creonte no teatro, na peça RockAntygona, baseada na clássica tragédia grega de Sófocles.

Em 2012, co-antagonizou a novela Amor Eterno Amor como o duvidoso Dimas. No ano seguinte, entra para o elenco da telenovela Amor à Vida, como o honesto administrador Atílio, e vive um homem solitário em uma metrópole futurista devastada por escassez e poluição, no espetáculo Ausência, da companhia franco-brasileira Dos à Deux, sob direção de André Curti e Artur Ribeiro, em turnê pelo país.

Luís estava escalado para interpretar João Batista (Batista), o marido da atriz Vera Holtz na novela Nos Tempos do Imperador, mas devido a questões relativas a pandemia, foi substituído pelo ator Ernani Moraes. [6]

Filmografia

Televisão

Ano Trabalho/Obra Papel Notas
1985CataventoGororoba
1995Cara & CoroaRubens Del Rey Villar (Rubinho)
1996Vira LataPresidiárioParticipação
1997O Amor Está no ArAlberto Amaral Leite
1998Pecado CapitalRicardo Freitas
Hilda FuracãoPadre Ciro
1999Você DecideXavierEpisódio: "Assim é se lhe parece"
RosaldoEpisódio: "Forró Bandido"
Suave VenenoRamalho
2000O Auto da CompadecidaDiabo
Brava GenteSérgioEpisódio: "O Condomínio"
O Cravo e a RosaNicanor Batista / Manuel
A Invenção do BrasilVasco de Athaíde
A MuralhaManuel
2001A PadroeiraSantiago Aragão / Padre Molina
2003A Casa das Sete MulheresBento Manuel
2004Um Só CoraçãoCândido Portinari
2005AméricaRamiro Hernandez (Coiote)
2006Cobras & LagartosOrã Munhoz / Conchita Muñoz
JKCoronel Licurgo
2007Eterna MagiaDr. Rafael Pelizari
2008Faça Sua HistóriaDelegado Nicanor
Casos e AcasosLinharesEpisódio: "O Beijo, a Foto e o Empréstimo"
2009CinquentinhaJoaquim Coutinho
2010A Princesa e o VagabundoConde Graco de Lafayette
A Vida AlheiaDelano SilvaEpisódio: "A Vítima"
Na Forma da LeiJoão Carlos Viegas
2011Morde & AssopraOséas Guedes
2012Amor Eterno AmorDimas Sobral
2013Amor à VidaAtílio Pimenta Camargo / Alfredo Gentil
2015Além do TempoMassimo Pasqualino
2016Sol NascenteKazuo Tanaka[7]
2017–18Sob PressãoJosé Luiz AlmeidaParticipações
2017 O Outro Lado do ParaísoGustavo Nogueira

Cinema

Ano Título Papel
1991Desterro
1995Útero
1995JenipapoCristo-
1996Bar BabelBabel
Doces PoderesAraponga
1999Por Trás do PanoSérgio
2000O Auto da CompadecidaDiabo
SeparaçõesConvidado da estreia
2001Caramuru - A Invenção do BrasilDom Vasco de Athayde
2004OlgaLéo Benário
2005Gaijin - Ama-me como SouRamon Salina Bravo Salinas
CafundóMonsenhor João Soares
2008Encarnação do DemônioSeu Américo
2010Chico XavierJoão Cândido
2019O Olho e a FacaDutra

Teatro

  • Macunaíma (Mário de Andrade)
  • A Hora e a Vez De Augusto Matraga (Guimarães Rosa)
  • Xica da Silva, (Luis Alberto de Abreu)
  • Paraíso Zona Norte (Nélson Rodrigues)
  • Nova Velha História (do mito Chapeuzinho Vermelho)
  • Trono de Sangue / Macbeth (William Shakespeare)
  • Vereda da Salvação (Jorge de Andrade)
  • Gilgamesh (baseado no poema épico sumério)
  • Sonata Kreutzer (baseado em conto de Tolstoi)
  • Salomé (Oscar Wilde)
  • Nijinski - Divino Bufão (baseado nos diários do genial bailarino e coreógrafo russo)
  • Cão Coisa e a Coisa Homem
  • Daqui a 200 Anos
  • O Que Eu Gostaria de Dizer
  • RockAntygona (baseado na tragédia grega de Sófocles)
  • Ausência (atualmente em cartaz)

Prêmios e indicações

AnoPrêmioCategoriaTrabalhoResultado
1989Prêmio ShellMelhor Ator
Paraíso Zona Norte
Venceu
1992Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)Melhor Ator
Trono de Sangue
Venceu
Prêmio MambembeMelhor atorVenceu
Prêmio ShellMelhor atorVenceu
1995Prêmio MambembeMelhor Ator
Sonata Kreutzer
Venceu
Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)Melhor ator em teatroVenceu
Prêmio MolièreMelhor atorVenceu
1996Prêmio ShellMelhor atorIndicado
Prêmio Guarani de Cinema BrasileiroMelhor ator coadjuvanteIndicado
Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)Melhor ator revelaçãoVenceu
Prêmio Contigo! de TVMelhor ator revelaçãoVenceu
1997Prêmio Cultura InglesaMelhor atorIndicado
1999Prêmio ShellMelhor ator
Nijinsky - Divino Bufão
Indicado
Festival Internacional de Cinema de CuiabáMelhor atorVenceu
2000Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro[8]Melhor atorVenceu
2002Prêmio Governador do Estado de São PauloMelhor ator
Cão Coisa e a Coisa homem
Venceu
2004Prêmio Arte Qualidade Brasil - SPMelhor ator em TVVenceu
Prêmio Arte Qualidade Brasil - RJMelhor ator em TVIndicado
Prêmio Contigo! de TVMelhor ator coadjuvanteIndicado
2005Prêmio Arte Qualidade BrasilMelhor ator coadjuvanteIndicado
Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)Melhor ator em teatro
Daqui a 200 Anos
Venceu
2006Prêmio Arte Qualidade BrasilMelhor ator coadjuvanteIndicado
2008Prêmio de Melhor AtorMelhor AtorVenceu
2010Prêmio Arte Qualidade BrasilMelhor ator coadjuvante em minissérieVenceu
2013Prêmio Extra de TelevisãoMelhor ator coadjuvanteIndicado

Referências

  1. - itaúcultural.com.br (visitado em 27-9-2021).
  2. Perfil de Luís Melo - "caras.uol" (visitado em 30-8-2013).
  3. «Internautas criticam escalação de Luis Melo para personagem japonês de 'Sol Nascente'». Estadão. 30 de agosto de 2016. Consultado em 6 de setembro de 2022
  4. Cara & Coroa - Memória Globo (visitado em 27-6-2010).
  5. Luis Melo comemora novo vilão, desta vez ao lado de Cassia Kiss Magro (visitado em 06-06-2012).
  6. Patrícia Kogut (21 de fevereiro de 2021). «Luis Melo é substituído em 'Nos tempos do imperador'. Saiba o motivo». O Globo. Consultado em 22 de julho de 2021
  7. «Luis Melo interpretará um japonês dono de empresa de pescados na novela 'Sol Nascente'». Gshow.com. Consultado em 29 de julho de 2016
  8. «5° Prêmio Guarani :: Premiados de 1999». Consultado em 9 de julho de 2021

Ligações externas

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