Mansio
Mansio, no plural mansiones, era, na Roma Antiga, um edifício, mansão ou pousada, situado ao longo das vias romanas, destinado a albergar funcionários do Estado em viagem.[1]

As mansiones situavam-se ao longo das estradas seguindo um modelo de mansio - statio - mansio - statio - ..., conforme se vê do Itinerário Antonino.[2] A distância entre duas mansiones correspondia à jornada de um dia de viagem com os meios de transporte da época, e os arreios então disponíveis, ainda bastante inferiores aos que se usaram séculos depois. Esta distância variava entre os 27 e os 33 quilómetros actuais, dependendo do tipo de via e do estado em que se encontrava. Cada mansio correspondia ao ponto final da jornada, sendo a statio uma paragem intermédia.[3]
Sempre que se reuniam as condições mínimas, as mansiones tendiam a converter-se em cabeceiras de civitates, por forma a facilitar tanto a administração local, como para nelas instalar os centros comerciais do território, assim como armazéns - horrea - alguns dos quais, como os destinados a produtos de primeira necessidade, como o sal, eram imprescindíveis.[3]
No latim literário da Roma Antiga, o termo tinha o significado de "morada" e "habitação", assim como de "hospedaria". Esta acepção da palavra continuou nas línguas românicas, de que é exemplo a "mansão" do português semi-erudito, com o significado de "habitação sumptuosa".[4]
Referências
- Sarmento 1960, p. 38.
- Mangas 2012, p. 201.
- Mangas 2012, p. 202.
- Bassetto 2001, p. 131.
Bibliografia
- Bassetto, Bruno Fregni (2001). Elementos de filologia românica. [S.l.]: EdUSP. ISBN 8531406013
- Belo, Aurélio Ricardo (1960). «Nótulas sobre cinco marcos miliários da via militar romana Mérida-Viseu-Braga, encontrados nas proximidades da torre Cetum Cellae, de Belmonte.» (PDF). Revista de Guimarães. [S.l.]: Sociedade Martins Sarmento
- Mangas, Julio (2012). «Ciudades Romanas del Ámbito de la Provincia de Toledo». La ciudad romana en Castilla-La Mancha. [S.l.]: Universidad de Castilla La Mancha