Maria de Sousa
Maria Ângela Brito de Sousa GOSE • GCSE • GOIH (Lisboa, 17 de outubro de 1939 – Lisboa, 14 de abril de 2020) foi uma cientista imunologista, escritora e professora universitária portuguesa.[1][2]
| Maria de Sousa | |
|---|---|
| Nascimento | 17 de outubro de 1939 Lisboa |
| Morte | 14 de abril de 2020 (80 anos) Lisboa |
| Cidadania | Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | imunologista |
| Prêmios |
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| Empregador | Universidade do Porto |
| Causa da morte | COVID-19 |
Biografia
Formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Exerceu atividade científica em Inglaterra, Escócia e Estados Unidos, tendo sido Professora Assistente na Universidade de Glasgow (Escócia), onde fez o doutoramento em Imunologia, Professora Associada na Escola de Estudos Pós-graduados de Cornell Medical College[3] (Nova Iorque) e, simultaneamente, Membro Associado e Diretora do Laboratório de Ecologia Celular no Instituto Sloan Kettering de Investigação em Cancro (SKI), em Nova Iorque (EUA). Em 1984, regressa a Portugal para o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, na Cidade do Porto, iniciando nesse mesmo ano o Mestrado em Imunologia. Em 1987 torna-se Professora Catedrática de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.
Em 1966, publicou dois artigos relatando descobertas fundamentais em imunologia, referentes às distribuição de linfócitos T nos órgãos linfóides de mamíferos, na sequência de estudos realizados nos laboratórios de Experimental Biology do Imperial Cancer Research Fund em Mill Hill, Londres.[2] Os artigos foram publicados em duas das mais conceituadas revistas científicas, o Jounal of Experimental Medicine e na revista Nature.[4] Em 1971, descobriu um fenómeno a que deu o nome de ecotaxis, termo proposto para designar a capacidade de células de diferentes origens migrarem e organizarem-se em áreas bem delineadas dos órgãos linfóides periféricos.
Posteriormente, conduziu os seus estudos para o sistema imunitário de pacientes com uma doença genética de sobrecarga de ferro, a hemocromatose hereditária. Foi precisamente com esta área de investigação que regressou, em 1984, ao Porto. A equipa que lidera está implantada no meio científico como referência no estudo desta doença, muito frequente em Portugal, e na sua relação com o sistema imunitário.
Tendo experiência anterior nesta área, em 1996 encabeçou a fusão de três mestrados para criar o "Programa Graduado em Biologia Básica e Aplicada" (GABBA) na Universidade do Porto, o segundo em Portugal.
Além de ser uma mulher de ciência, Maria de Sousa foi igualmente uma cidadã comprometida com a vida cultural e social do país. Ao longo da sua carreira, já com mais de 50 anos, Maria de Sousa reuniu um valiosíssimo arquivo pessoal, meticulosamente produzido na sua atividade de investigadora e de professora catedrática, que constitui uma fonte inesgotável para a história da ciência e da tecnologia.
São mais de 60.000 documentos, sendo a maior parte composta por originais da autora, mas também de outros cientistas, correspondência, recortes de jornais e revistas, lamelas de vidro usadas nos microscópios.
Um verdadeiro tesouro científico que Maria de Sousa doou, na íntegra, à Câmara Municipal de Cascais e que, em conjunto com os espólios do Instituto Ricardo Jorge, Reynaldo dos Santos e Bartolomeu Cid dos Santos, constituirá o ponto de partida de um centro de investigação dedicado às relações entre Ciência, Cultura e Arte sediado na Casa Reynaldo dos Santos e Irene Virote Quilhó dos Santos, na Parede.[5]
Em 2014 publicou um livro, Meu Dito Meu Escrito (Gradiva, ISBN 978-989-616-577-2), sobre ciência e cientistas, que reúne textos escritos ao longo de anos, apresentados em conferências, publicados em revistas e jornais, bem como anotações, dedicatórias e memórias.[6]
Era membro habitual do júri do Prémio Pessoa.[7]
Prémios e Reconhecimento
Em 1994, foi-lhe atribuído o "Bial Merit Award in Medical Sciences", pelo seu trabalho intitulado "Contribuição para a Caracterização da Ecologia e da Biologia do Sistema Timo-Dependente: Memórias, Percursos e Esboço de uma nova Teoria"[8], numa cerimónia que contou com a entrega do prémio pelo então Presidente da República Portuguesa Mário Soares, que a fez Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a 9 de junho de 1995.[9]
Em 2004, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior atribui-lhe o prémio "Estímulo à Excelência".[10]
A Universidade do Porto atribui-lhe o título de Professor Emérito em 2010.[11] O Prémio "Universidade de Coimbra 2011" foi-lhe atribuído pelo seu trabalho sobre o sistema imunológico.[12]
A 20 de janeiro de 2012, foi feita Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.[9]
A 18 de novembro de 2016, foi elevada a Grã-Cruz da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico, das mais altas distinções por mérito literário, científico e artístico, que lhe foi entregue por ocasião do Dia Nacional da Cultura Científica, a 24 de novembro de 2016, pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.[9]
A 26 de maio de 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Universidade de Lisboa, pelo seu contributo notável para o progresso da Ciência e para a projeção de Portugal no Mundo.
Em 2020, a Ordem dos Médicos e Fundação Bial criaram em sua homenagem o Prémio Maria de Sousa para premiar projectos na área das ciências da saúde criados por jovens cientistas portugueses.[13]
Foi homenageada no Dia Mundial da Língua Portuguesa de 2021, no lançamento do livro A Ciência Cura. [14]
Morte
Morreu dia 14 de Abril de 2020, vítima da COVID-19, durante a pandemia da doença no país.[15]
Referências
- Firmino, Teresa. «Morreu a imunologista Maria de Sousa»
- «Imunologista Maria de Sousa homenageada nos 40 anos da sua descoberta mais importante». PÚBLICO. 4 de março de 2006. Consultado em 16 de abril de 2020
- «De Sousa, Maria». vivo.med.cornell.edu (em inglês). Consultado em 13 de fevereiro de 2017
- «Simpósio na Universidade do Porto». Universia.pt[ligação inativa]
- «CASA REYNALDO DOS SANTOS E IRENE QUILHÓ DOS SANTOS»
- Santos, Anabela Mota Ribeiro, Nuno Ferreira. «Esse espanto»
- «Júri do Prémio Pessoa 2016». Jornal Expresso
- «Bial Award 1994». www.bial.com. Consultado em 13 de fevereiro de 2017
- «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Maria Ângela Brito de Sousa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 12 de fevereiro de 2018
- «Maria de Sousa, investigadora». Rádio e Televisão de Portugal. Arquivado do original em 6 de janeiro de 2008
- «Os novos Eméritos da U.Porto». Noticias.up.pt[ligação inativa]
- «Prémio Universidade de Coimbra». Jornal Público. Publico.pt. Arquivado do original em 27 de janeiro de 2011
- Firmino, Teresa. «Carta de amor a Maria de Sousa num prémio com o seu nome». PÚBLICO. Consultado em 1 de dezembro de 2020
- «Maria de Sousa homenageada no Dia Mundial da Língua Portuguesa». Notícias ao Minuto. 4 de maio de 2021. Consultado em 5 de maio de 2021
- Firmino, Teresa (14 de abril de 2020). «Morreu a imunologista Maria de Sousa, vítima de covid-19». Público. Consultado em 14 de abril de 2020
