Martin Bugreiro

Martinho Marcelino de Jesus (Bom Retiro, 1876Bom Retiro, 1936)[3], mais conhecido como Martin Bugreiro, ou ainda, Martinho Bugreiro, foi um bugreiro que atuou no estado de Santa Catarina.

Martin Bugreiro
Martin Bugreiro
“Meu nome, Martin Bugreiro, assim me chamam os da terra. Nascido de Bom Retiro, vivente de mar e serra. Ciência tenho de tiro e minha arma não emperra” -Martinho Marcelino de Jesus [1][2]
Nome completo Martinho Marcelino de Jesus
Nascimento 1876
Bom Retiro, Santa Catarina
Morte 1936 (60 anos)
Bom Retiro, Santa Catarina
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Bugreiro

História

Nasceu no ano de 1876 no município de Bom Retiro e muitas histórias e lendas cercam a personalidade do maior matador de índios da região. Segundo relatos, ele viveu os primeiros anos de sua vida em sua cidade natal e logo cedo, aos 18 anos já matava indígenas. Dedicava-se a criação de gado, foi nessa condição de pequeno fazendeiro que começou a atender pedidos da população e do governo para matar e afugentar os nativos. Comandou diversas expedições no Vale do Itajaí. Para dar segurança aos colonos que se fixaram em Ituporanga e Alfredo Wagner, foi nomeado gerente da Companhia Colonizadora de Santa Catarina, pelo diretor Coronel Carlos Poeta. [3]

O ataque aos índios pelo bando de Martinho era feito sempre da mesma maneira. Perseguia-se o grupo a que se desejava exterminar, depois de encontrá-lo, os bugreiros ficavam esperando o momento exato para surpreender os índios, geralmente atacavam na madrugada. Primeiro cortavam as cordas dos arcos, depois iniciavam as execuções. Cortavam as orelhas dos mortos – pois a recompensa era paga por cada par delas.[4]

Martinho teve conflitos com Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, responsável pelo contato pacífico com os índios Xoclengues e pela criação da área indígena Ibirama-La Klãnõ.[1] Em um encontro em 1916, Hoerhann teria dito: “Martinho, uma coisa eu vou te pedir, não mate mais índios, porque o governo já proibiu esta matança. Tu bem sabes disso. Já te escapastes da mão do tenente José. Mas se tu matares, só mais um índio e eu souber, venho a tua procura, e sabes que te encontro. Podes pensar o que vais te acontecer? Vou te buscar nem que seja no inferno. Acho que estás bem avisado!”. Segundo Horerhann, o último ataque que se teve conhecido teria ocorrido no ano seguinte, mas a chacina dos 19 indígenas teria sido praticado por outro grupo.

Participou da Revolução Constitucionalista de 1932, lutando contra os revolucionários. Morreu em 1936, aos 60 anos, vítima da febre paratifoide.

Bando de Martin Bugreiro

Bando de Martin Bugreiro

Martin Bugreiro era líder de um bando com cerca de 25 integrantes[1], os membros eram pessoas que tinham ligações afetivas com Martinho, seja de parentesco ou de amizade. Perseguiam os indígenas durante vários dias, não acendiam fogo para não serem descobertos, passavam meses em meio à mata virgem, orientando-se apenas pelos astros[3]. Sob a orientação de Martin, sabiam a hora certa de atacar.

Segundo Manoel Castanheiro - um dos integrantes do bando - em uma das perseguições, fizeram uma emboscada e traiçoeiramente mataram 45 indígenas e pouparam a vida de oito com a idade entre 4 e 6 anos, nesse massacre escapou um homem que ficou em perseguição ao grupo de caçadores. Depois de três dias o índio conseguiu alvejar com uma flecha a coluna vertebral de um dos caçadores, que acabou perdendo a vida. Com isso, Martin Bugreiro ficou furioso e ordenou que matassem os indiozinhos, mas por insistência de um companheiro - Eduard Deucher - foi poupada a vida de uma menina e dois meninos, que foram chamados inicialmente de Luca Moa, Nelo e Tenente, respectivamente. Nelo e Tenente ficaram com a família Deucher até a adolescência, onde partiram à procura de trabalho nas fazendas da região. Luca Moa foi educada na cultura germânica, aprendendo a falar a língua alemã. Foi batizada na Igreja de Confissão Luterana no dia 03 de agosto de 1893, recebendo o nome de Caroline, porém mais conhecida pelo seu apelido, Calina.[1][3]

"Luca Moa", batizada como Caroline, mais conhecida como Calina
Nelo, criado pela família Deucher


Referências

  1. SILVA, Bruno Mariano da. Memórias de Bom Retiro. [S.l.]: Impregraf
  2. «Blogueiros do Continente  » Arquivo  » "Meu nome é Martin Bugreiro", por Letícia Weigert». wp.clicrbs.com.br. Consultado em 15 de maio de 2018
  3. JUSTINO, Selene Momm (2013). Bom Retiro Resgata sua História. [S.l.]: Nova Letra. pp. 114 – 118
  4. Tríscele (3 de janeiro de 2012). «Martinho Bugreiro: "eu não matei 100, matei 1.000" | Portal do Rancho». Portal do Rancho
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