Maurice d'Elbée
Maurice-Joseph-Louis Gigost d'Elbée ( pronunciada(o) [mɔʁis ʒɔzɛf lwi ʒiɡo dɛlbe, moʁ-] ; 21 de Março de 1752 - 6 de Janeiro de 1794) foi um comandante militar realista francês durante a Revolução Francesa. Inicialmente entusiasmado com a Revolução, ele se decepcionou com a destituição da Igreja Católica e voltou a suas propriedades em Beaupreau . Ele foi o segundo comandante em chefe do Exército Real e Católico formado pelas forças realistas da insurreição de Vendeia contra a turbulenta República e a Revolução Francesa.
| Maurice d'Elbée | |
|---|---|
![]() Maurice d'Elbée | |
| Nome completo | Maurice-Joseph-Louis Gigost d'Elbée |
| Nascimento | 21 de março de 1752 Dresden, Eleitorado da Saxônia |
| Morte | 6 de janeiro de 1794 (41 anos) Noirmoutier, Primeira República Francesa |
| Cônjuge | Marguerite Charlotte Holly Hauterive |
| Serviço militar | |
| País | |
| Serviço | Exército Católico e Real |
| Anos de serviço | 1777–1783 1793–1794 |
| Patente | Generalissimo |
| Conflitos | Guerra da Vendeia |
Biografia
Maurice d'Elbée nasceu em 1752 em Dresden, no eleitorado da Saxônia, naquele tempo ainda parte do Sacro Império (atual Alemanha) em uma família francesa. Ele se mudou para a França em 1777, radicalizando e se tornando cidadão francês ingressou no Exército Real Francês. Ele embarcou na carreira militar, alcançando o posto de tenente, mas renunciou ao exército em 1783, casou-se; passando a viver uma vida no campo como retirado próximo de Beaupréau, em Anjou. Posteriormente serviu como oficial no exército de Frederico Augusto I, o Príncipe Eleitor da Saxônia . Após a Revolução ele voltou a França graças a lei que ordenava os imigrantes a retornarem.
Participação na Revolta da Vendeia
Os camponeses e grande parte da classe média na Vendeia permaneceram leais à Igreja Católica e organizados pelo Marquês de La Rouërie realizaram uma revolta geral, embora isso tenha sido momentaneamente frustrado pela prisão do agora conde. Quando a Convenção decretou o "levee en masse" de 300.000 homens, a Vendeia declarou guerra contra o que considerava uma República ateísta. Os camponeses de Beaupréau nomearam D'Elbeé como seu líder. Sua tropa juntou-se às de François de Charette, Charles Bonchamps, Jacques Cathelineau e Jean-Nicolas Stofflet. O Exército Católico e Real usufruiu de vários sucessos; Stofflet derrotou o exército republicano em St. Vincent; D'Elbée e Bonchamps venceram-nos em Beaupreau; e Henri de la Rochejaquelein obteve vitórias sobre a Republica em Aubiers e First Cholet.[1] D'Elbeé é famoso por suas ações após a Batalha de Chemillé, em 11 de abril de 1793: após a vitória dos insurgentes, muitos deles planejavam vingar seus mortos e executar os prisioneiros republicanos (aproximadamente 400). D'Elbée tentou impedi-los e, por fim, pediu-lhes que recitassem o Pai Nosso, o que o fizeram; quando chegaram à frase "Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido", D'Elbeé interrompeu-os com as palavras: "Não mintais a Deus!". Comovidos com tal reprova, seus homens se afastaram e d'Elbée conseguiu salvar os prisioneiros. Esse episódio ficaria conhecido como " Le Pater d'Elbée " (o Pai Nosso d'Elbée).

Na primavera de 1793, os insurgentes haviam estabelecido seu controle sobre a província da Bretanha. Em 2 de Junho do mesmo ano, La Rochejacquelin invadiu Saumur e Cathelineau foi eleito como comandante-chefe. D'Elbée era o principal comandante de Cathelineau. Luís XVII, de apenas oito anos, detido na prisão do Templo em Paris, filho do já executado Luís XVI, foi proclamado rei de França, Charette e Cathelineu uniram suas forças para marchar a Nantes e conquistar a mesma. Quando Cathelineau se ajoelhou na praça da cidade para agradecer a Deus por suas vitórias, foi morto por um atirador republicano a 14 de julho de 1793; d'Elbée substituiu-o como generalíssimo. Um comandante notoriamente habilidoso, ele liderou o pequeno exército da Vandéia a várias vitórias, principalmente em Coron e Torfou. Mesmo com sua derrota na Batalha de Luçon (19 de Agosto de 1793), ele conseguiu afastar sua força do perigo. Na Batalha de Luçon, ele conseguiu poupar a força realista de uma potencial derrota, mas sofreu um revés significativo. [1] [2]

O governo republicano em Paris entregou sua luta aos generais do antigo exército. O general Westermann foi enviado contra os insurgentes primeiramente, mas em 5 de julho foi expulso de Châtillon e suspenso pelos representantes em missão. Após sua demissão, alguns dos generais mais incompetentes do antigo exército tentaram derrotar a rebelião. Sucedido pelo duque de Lauzun, o general Biron, o qual também não foi bem sucedido sendo demitido menos de uma semana depois; o comitê então enviou Jean Antoine Rossignol, ex-aprendiz de ourives (artífice em metais preciosos), Antoine Joseph Santerre, um cervejeiro, e Charles-Philippe Ronsin, dramaturgo; todos foram sucessivamente derrotados em uma série de batalhas, embora Rossignol tenha conseguido manter seu comando. [3]
Eventualmente, Jean Baptiste Kléber, um experiente comandante assumiu o comando do exército da República na Vendeia, infligindo uma série de derrotas nos insurgentes. Após a Segunda Batalha de Cholet (17 de outubro de 1793), d'Elbée foi gravemente ferido e Bonchamps foi morto. Posteriormente, d'Elbée foi transferido primeiro para Beaupréau, depois para a ilha de Noirmoutier. Três meses depois, os Republicanos assumiram o controle da ilha e o levaram a uma comissão militar para um julgamento-espetáculo. Condenado à morte, foi fuzilado em praça pública na cidade de Noirmoutier. Ele foi executado enquanto sentado em uma cadeira, pois não conseguia ficar de pé devido aos quatorze ferimentos. Rochejaquelein, (1772 – 1794) um ex-oficial da cavalaria real, sucedeu-o como comandante da força da Vendeia que viria a ser futuramente derrotada.[4]
Vida pessoal
D'Elbée se casou com Marguerite Charlotte Holly Hauterive em 17 de Novembro de 1788 na Igreja de Gaubretière e viveu afastado em uma comuna próxima a Beaupréau em Anjou. Marguerite d'Elbée foi baleada vinte dias após a execução de seu marido em Janeiro de 1794 e enterrada em uma estrada submersa. Os restos de seu corpo foram descobertos por acaso muito posteriomente.
Seu filho Louis-Joseph Maurice d'Elbée nasceu em 12 de Março de 1793. Louis foi criado em Beaupréau. Ele serviu no Grande Armeé de Napoleão, onde se destacou na Batalha de Leipzig e na Batalha de Hanau. Sendo ferido nesta ultima e também sendo feito prisioneiro, transportado para o hospital de Potsdam, aonde viria a morrer no ano seguinte. [5]
A cadeira que d'Elbée foi executado permaneceu dentro da família até 1975, quando seu parente, o marquês Charles Maurice d'Elbée, doou a cadeira ao Museu da Vendeia no Château de Noirmoutier .
Legado
Uma canção tradicional dos rebeldes da Vendeia, "Monsieur d'Elbée", é nomeada em sua homenagem, embora também foque nos outros comandantes notáveis da rebelião, como Cathelinou, Bonchamps, Lescure entre outros. Em 1993 Didier Barbelivien lançou o álbum Vendée 93, no qual "Monsieur d'Elbée" se fez presente.
Referências
- John Keegan, Andrew Wheatcroft, Who's Who in Military History: From 1453 to the Present Day. Routledge, 2014. p. 86.
- Thomas Edward Watson, From the end of the reign of Louis the Fifteenth to the consulate... Macmillan Company, 1901, pp. 799–800.
- Watson, p. 859. As a general Rossignol was accused of incompetence by his subordinate, Augustin Tuncq.
- Keegan, p. 251.
- «Archived copy» (PDF). Consultado em 9 de abril de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 24 de Setembro de 2015
