Meio ambiente na Paraíba
A questão do meio ambiente na Paraíba tem tido cada vez mais atenção e relevância nas políticas de desenvolvimento dos recentes governos do estado.[1] Área protegida é um espaço geográfico claramente definido, reconhecido e gerido por meios legais, ou outros igualmente eficientes, com o fim de manter a conservação de sua natureza a longo prazo por meio de serviços associados ao ecossistema e aos valores culturais.

Histórico
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Em meados do século XVI, a Paraíba ainda era apenas habitada por tribos indígenas e ocasionalmente visitada por corsários franceses para a extração de madeiras de diversas espécies e outros produtos de sua fauna e flora.
Após a conquista pelos portugueses, oficializada em 1585 com a fundação de Filipeia, o litoral passou a ser palco da extensa monocultura da cana-de-açúcar para exportação, iniciando-se aí a derrubada inexorável das matas e a paulatina extinção da maior parte da fauna do estado, sobretudo de grande e médio porte, assim como ocorreu em todo o Nordeste oriental. A implementação de tal monocultura perdurou por quatro séculos – do século XVI ao XX – e mudou de vez a face natural da região.
Em 1911, o cientista brasileiro Luís Felipe Gonzaga de Campos publicou o «Mapa Florestal do Brasil», o qual mostrava a situação da cobertura florestal de várias regiões do território nacional.[2] Esse foi o primeiro estudo abrangente dos diversos ecossistemas do país e mostrava o estado de conservação de cada um deles.[2] O mapa produzido teve como principal intuito incentivar a criação de parques de preservação pelo governo do Brasil de então.[2] Na época da publicação, a Paraíba tinha em torno de 35% de seu território cobertos por matas (sobretudo no litoral e no agreste), situação que mudou drasticamente doze anos depois, em 1923, segundo levantamento feito pela Inspetoria Federal de Obras Contra a Secas (atual DNOCS), que constatou o alarmante número de menos de 1% de remanescentes florestais no estado.[2]
O que se sabe é que até no início do século XX, quando ainda existia muito da mata atlântica do estado, havia relatos da existência de animais selvagens mesmo no entorno da grande João Pessoa, como se lê no livro Evolução histórica da Paraíba do Norte, de 1946, escrito por Delmiro Pereira de Andrade:
Ao redor do rio São Domingo, como era chamado o Paraíba, muitas matas tornavam-se intransitáveis pela abundância de madeiras que, somente muitos anos depois, o homem com o machado penetrou e derrubou para satisfação do seu desejo destruidor e para fazer o sol iluminar o coração desconhecido da mata, afugentando pela claridade o jaguar indômito ou o tamanduá (...) A miragem extraordinariamente bela que as várzeas do Paraíba e o brejo oferecem ao visitante pela opulência da vegetação, riqueza da flora, abundância de água (...), que a natureza soube preparar, contrasta com as faixas intermediárias agrestes e caatingas (...)[3]
Nas últimas duas décadas desde 1995, atividades ecoturísticas têm sido implementadas e incentivadas pelo governo local, o que, além de gerar divisas para o estado, desenvolve sustentavelmente o turismo local,[1] embora a Paraíba tenha entrado no século XXI com menos de 2% de todo seu território (nos domínios da mata atlântica, agreste e caatinga) como áreas com proteção legal.[4] [nota 1]
Estado de conservação da fauna paraibana
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| Status IUCN | Situação | Espécie |
|---|---|---|
![]() | Espécie extinta na natureza (EW) | Quati, anta, jaburu, caititu, paca, tamanduá-bandeira, pantera-negra, queixada, entre outros.[3] |
![]() | Ameaçada ou seriamente ameaçada (EN, VU, CR) | Cotia, ema, gambá, jacaré, onça-pintada, onça-parda, preguiça, seriema, tamanduá-mirim, urubu-rei, veado-catingueiro, entre outros.[3] |
![]() | Quase ameaçada ou pouco preocupante (NT) | Cancão, currupião, caninana, cascavel, cipó, jiboia, papa-ovo, surucucu, cobra-verde, tapiti, preá, raposa, gato-maracajá, gato do mato, gato-vermelho, entre outros. |
Notas
- A título de comparação, a Costa Rica, na América Central, com área territorial de 51.100 km² (muito semelhante aos 56.585 km² da Paraíba), preserva 26% do território nacional na forma de reservas extrativistas protegidas ou parques nacionais.[5][6]
Referências
- Adm. PBTur (2014). «Ecoturismo na Paraíba». Destino Paraíba. Consultado em 18 de setembro de 2015[ligação inativa]
- MARCONDES, Sandra Marcondes (2005). Brasil, amor à primeira vista!: viagem ambiental no Brasil do século XVI ao XXI. [S.l.]: Editora Peirópolis. 343 páginas. ISBN: 8575960539
- ANDRADE, Delmiro Pereira de (1946). Evolução histórica da Paraíba do Norte, volume 7 de Coleção Estados do Brasil. [S.l.]: Editora Minerva. 313 páginas
- Adm. do MPPB (2010). «Paraíba tem a 4ª menor área protegida do país». Ministério Público do Estado da Paraíba. Consultado em 28 de julho de 2017
- Lições do turismo sustentável<Planeta Sustentável – Abril.com.br Arquivado em 5 de fevereiro de 2015, no Wayback Machine.>Acesso em 24 de março de 2012.
- Costa Rica, o pagamento por serviços ambientais<www.senac.com Arquivado em 5 de fevereiro de 2015, no Wayback Machine.> Acesso em 25 de março de 2012.
Ver também
- Lista das áreas naturais protegidas da Paraíba
- Associação Paraibana dos Amigos da Natureza
- Preservação ambiental no Brasil
- Preservação ambiental


