Mosteiro de São Salvador de Cela Nova
O Mosteiro de São Salvador de Celanova é um mosteiro medieval beneditino fundado por São Rosendo em meados do século IX, e situado no concelho de Celanova, no centro da mesma localidade pertencente à Comarca da Terra de Celanova, na província de Ourense, na Galiza.
| Mosteiro de São Salvador de Celanova | |
|---|---|
![]() Mosteiro de São Salvador de Cela Nova | |
| Estilo dominante | Misto |
| Arquiteto | São Rosendo |
| Início da construção | 937 |
| Fim da construção | 942 |
| Religião | Igreja Católica |
| Ano de consagração | 1687 (igreja) |
| Geografia | |
| País | Galiza |
| Região | província de Ourense |
| Local | Celanova |
| Coordenadas | |
História.

Ao redor de 937, São Rosendo construiu um cenóbio na aldeia de Vilar, nuns terrenos propriedade do seu irmão, o conde Froila Gutiérrez. São Rosendo foi bispo de Dume e de Íria, e Ordonho III nomeou-o vice-rei da Galiza, mas retirou-se ao pouco a este cenóbio, onde foi seu segundo abade até sua morte a 1 de Março de 977. Seu primeiro abade foi Franquila, que fora fundador do Mosteiro de Santo Estevo de Ribas de Sil, donde proviriam os monges para a nova comunidade. Após a sua morte em 955, sucedeu-o no cargo São Rosendo.
Foi abençoada a 25 de Setembro de 942. Atrás ficavam cinco anos de trabalhos.
O lugar medrou ao redor do mosteiro e acabar-se-ia tornando na atual Celanova. O abade ostentava, entre outros, os títulos de conde de Bande e marquês de Torre de Sande, nomeava juízes e prefeitos em mais de 50 localidades e tinha assento reservado na catedral de Ourense.
Após um período de decadência, em 1506 somou-se à Congregação de São Bento de Valladolid, com o que recuperou certo esplendor, mas no século XIX foi exclaustrado. A igreja converteu-se na paróquia de São Breijo e o mosteiro funcionou como cárcere, quartel, escola e moradia particular.
Descrição
No mosteiro realizaram-se importantes obras no século XVII. Então contava com um templo medieval encostado ao claustro renascentista.
A Capela de São Miguel

Da época da fundação só resta a Capela de São Miguel, uma pequena capela pré-românica de influência moçárabe consagrada a São Miguel única no seu estilo na Galiza. Situada na horta, foi erguida por São Rosendo como santuário-oratório dedicado a seu irmão. Ocupa vinte e dois metros quadrados e mede seis de altura. A nave é de planta retangular; o cruzeiro está coberto por uma abóbada de aresta e a abside é circular no interior e quadrada no exterior. Os três espaços separam-se mediante arcos de ferradura.
As fachadas
As fachadas principais do mosteiro e da igreja estão em linha, quando o habitual é que se coloquem em ângulo reto. Dão para a Praça central, na qual se colocou uma fonte procedente do claustro das Procissões, onde se erguera em 1580 imitando a fonte da Ferraria de Pontevedra.
A fachada principal do mosteiro conta com uma portada na direita. Nela, o primeiro corpo ocupa-o uma porta adintelada ladeada por dois pares de colunas de capitéis dóricos, o segundo uma porta vidrada com tímpano e um balcão com varanda de ferro forjado e o terceiro um frontão curvo com um escudo.
A igreja
A fachada da igreja, barroca, foi terminada em 1653, embora sofresse algumas modificações no século seguinte. Encontra-se próxima a uma torre, a dos Abades, obra iniciada no século XVI e terminada com elementos típicos barrocos. A porta principal está presidida por São Bento, ladeado por São Torquato e São Rosendo, colocados estes últimos entre dois pares de colunas com capitéis coríntios; São Bento tem uma pedra na mão. No corpo intermédio há um vitral muito grande e o superior culmina num pente com o escudo abacial, rodeado por oito pináculos barrocos. O conjunto tende à horizontalidade
A planta da igreja é de cruz latina (com um formato retangular) com três naves e foi desenhada por Melchor de Velasco em 1661 que assina um contrato com a comunidade beneditina pelo qual levantou a igreja aproveitando a fachada recentemente terminada. A nave central cobre-se com um artesoado pétreo. Uma galeria percorre todo o beirado, que se apóia sobre grandes pilastras. O presbitério retangular entre sacristias e o cruzeiro coberto por uma cúpula ressalta os seus elementos classicistas. O conjunto não foi terminado por Melchor Velasco já que as obras se dilataram no tempo, e foi Pedro de Monteagudo o que trabalhou no seu acabado de 1672, pertencendo a cúpula (1682-1684) a este último período.
A igreja consagrou-se por volta de 1687.
O retábulo barroco da capela-mor é de 1697 e foi obra de Francisco Castro Canseco e alguns dados falam da continuação da obra por parte da sua oficina após a sua morte, unindo seu trabalho com o barroco compostelano tardio, tomando como referência as obras que se estavam a realizar no mosteiro de San Martiño Pinario. Deste jeito, podem-se encontrar paralelismos (uso de estípites e o tratamento do remate dos laterais) nos retábulos laterais dedicados a Santa Escolástica e Santa Gertrudes. Isto faz pensar numa cronologia tardia para esta parte da obra, possivelmente de tempos nos quais Frei Plácido Igrejas fora mestre-de-obras do mosteiro. Em outros retábulos como o de São Rosendo, montado em 1718, consta o trabalho de Frei Primitivo.

O templo conta também com um cadeiral plateresco de finais do século XV no coro alto, adornado com figuras de misericórdias. O coro baixo, de princípios do século XVII, por volta de 1715 a 1720, é obra também de Francisco de Castro Canseco, embora haja teorias que sustêm que a obra for de outros autores, com participação de Castro Canseco só para o final da obra, pelo qual se fala da convivência de dois estilos. Conta com 38 cadeiras na altura superior e 28 na inferior. Nos cadeirais do coro baixo relatam-se as vidas de São Bento (no lado da epístola) e a de São Rosendo (na do evangelho). Nos respaldos estão talhados santos da Ordem Beneditina (nos superiores) e cenas da vida do mosteiro (nos inferiores). Os seus lados longos unem-se por meio de um frente aberto por meio de um arco de volta perfeita que originariamente permitiria a contemplação direta do altar-mor desde os pés da igreja.
Em 1735 a comunidade contratou a Rodrigo Díaz de Lombán a realização de duas grades que fecham o coro.
Os claustros
No interior há dois claustros:
- O claustro Velho ou claustro das Procissões tem planta quadrada e é obra de Frei Juan de Badajoz. Seu corpo inferior, de estilo renascentista. Começou-se sua construção por volta de 1550 e terminou-se em 1594. Apóia-se sobre vinte e quatro arcos semicirculares e está coberto por abóbada de cruzaria no desenvolvimento e por abóbadas estreladas nas esquinas. O corpo superior, barroco, foi remodelado no século XVIII obra do mestre de obras frei Plácido Igrejas, que decora as placas com formas cilíndricas, cachos de frutos e volutas e gárgulas nos seus balcões. As mísulas nas quais pousam as nervaturas das abóbadas decoram-se com bustos de Carlos V, Filipe II, João de Áustria e outros.
- O claustro Novo ou do Poleiro, neoclássico, foi construído em finais do século XVII ou começos do século XVIII e conta com um grande varandão montado sobre grandes mísulas que serve de lugar de aceso às celas que se encontram nesse nível, ao qual deve o seu sobrenome.
Estado atual
Sua situação privilegiada no centro da vila de Celanova fez com que este mosteiro fosse reutilizado após a exclaustração para fins civis. Em nossos dias e a sé da Reitoral, o Concelho, o Julgado, a Biblioteca, o instituto de educação secundária e outras dependências oficiais.
Ver também
Bibliografia
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- CHAMOSO LAMAS, M. (1946). La iglesia conventual de Celanova y su valor representativo en el barroco gallego. Boletín del Museo Arqueológico Provincial de Orense, II. [S.l.: s.n.]
- FONSECA MORETON, E. (1985). Reconversión del Monasterio de San Salvador de Celanova (Ourense) en Instituto de Bachillerato: Premio de restauración Europa Nostra 1984. Obradoiro, 11. [S.l.: s.n.]
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