Movimento Armorial

O Movimento Armorial foi uma iniciativa artística cujo objetivo seria criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro[1]. Para tanto, buscava convergir e orientar todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura etc. Um dos idealizadores e principal nome do movimento foi o escritor Ariano Suassuna.[1]

Uma conceituação pelo próprio Suassuna

Origem

Antônio Nóbrega, um dos integrantes do Quinteto Armorial.

O escritor Raimundo Carrero, que participou da fundação do Movimento junto a Ariano, entende que o momento fundador do Movimento Armorial foi a publicação do Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, em 1971.[2] Houve uma grande repercussão no meio literário brasileiro com a publicação do romance, e isso teria servido para popularizar todo o restante do trabalho coordenado por Ariano.

O Movimento Armorial surgiu, portanto, sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de diversos artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco.

Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Foi lançado oficialmente, no Recife, em 18 de outubro de 1970, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas na Igreja de São Pedro dos Clérigos, localizada no centro da cidade.[3]

O Instituto Brincante, espaço cultural criado pelo artista Antônio Nóbrega na capital paulista, era chamado por Ariano de “consulado do Movimento Armorial” [4]. O Brincante buscava difundir uma espécie de corpo popular brasileiro, forjado nas andanças de Nóbrega pelo Nordeste.

Características e atuação

O Movimento Armorial tinha a pretensão de realizar uma arte nacional erudita baseada nas raízes populares da cultura nordestina e, assim sendo, convergir diversas artes para este fim. Segundo Suassuna, sendo "armorial" o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras.

Literatura de Cordel, exemplo de inspiração para o Movimento Armorial.

O Movimento tem ressonâncias em diversos campos artísticos: pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Uma grande importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada literatura de cordel, por achar que neles se encontra a fonte de uma arte e uma literatura que expressam as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte em único gênero: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas — da qual o principal representante no movimento é o artista Gilvan Samico[5] — e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada por viola ou rabeca[6]. Segundo Ligia Vassalo[7]:

São também importantes para o Movimento Armorial, os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi.

O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação.[3]

Integrantes[8]

  • Marcus Moraes Accioly
  • Antônio Carlos Nóbrega Almeida
  • Fernando José Torres Barbosa
  • Aluísio Braga
  • Francisco Brenanand
  • Edilson Aulálio Cabral
  • Antônio Fernandes de Farias
  • Ângelo Monteiro
  • Miguel Domingos dos Santos

Grupos

  • Orquestra Armorial
  • Orquestra Romançal Brasileira
  • Balé Armorial do Nordeste

Ver também

Referências

  1. «Movimento Armorial». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 7 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2007
  2. «Cinquenta anos de um movimento que une cultura popular e arte erudita». Consultado em 8 de março de 2021
  3. «Movimento Armorial». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 8 de março de 2021
  4. Oliveira, Beatriz Jucá, Joana (18 de outubro de 2020). «Movimento Armorial, 50 anos do convite para que o Brasil mire as suas entranhas». EL PAÍS. Consultado em 8 de março de 2021
  5. http://www.samico.art.br/sobresamico
  6. Frankreich., Santos, Idelette Fonseca dos Literaturwissenschaftlerin, Brasilien, (2009). Em demanda da poética popular : Ariano Suassuna e o Movimento Armorial. [S.l.]: Editora Unicamp. OCLC 840596406
  7. VASSALO, Lígia. O Grande Teatro do Mundo. Cadernos de Literatura Brasileira, São Paulo, n. 10, 2000.
  8. dos Santos 1999, p. 353.

Bibliografia

This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.