Murumuru

Murumuru é uma planta. Industrialmente, o óleo de murumuru (Astrocaryum murumuru Mart, Bolivia 'chonta', 'chontaloro', 'pani' ou 'schibo', Brazil 'murumuru', Colombia 'chechana, 'totose', Ecuador 'Huiango', 'Unan', Venezuela 'Orocori') é obtido pela prensagem das sementes ou das amêndoas em prensas cêsto ou "expeler", havendo necessidade de moagem preliminar, com moinhos de discos, fortes e resistentes, devido à dureza do material. O rendimento das prensagens raramente excede 34%.[1]

Murumuru
Astrocaryum murumuru - MHNT

Nomes vernáculos

Propriedades

Os frutos são constituídos de uma polpa amarelada (28%) e semente (72%). A gordura do murumuru é branca, com muito pouco cheiro e nenhum gosto especial. No clima do Pará conserva-se com uma consistência pouco superior a da vaselina. Ela tem um ponto de fusão superior ao do palmisto e do côco, que a faz ser procurada para ser misturada às gorduras vegetais que fundem a uma temperatura mais baixa. Esta gordura tem a grande vantagem de uma baixa acidez, especialmente se preparada com amêndoas frescas. Quando exportadas para a Europa, elas chegam com uma acidez de 4-5% enquanto que a do palmisto tem acidez às vezes superior a 25%.[1]

Murumuru in natura

Uso cosmético

A manteiga de murumuru é emprega em loções, cremes, sabonetes condicionadores capilares, máscaras faciais, shampoo, óleos e emulsões, hidratante de pele, produtos para nutrição dos cabelos e restauração de cabelos danificados, ceras depilatórias. Pode ser indicado para o uso em outros produtos como: creme de pentear (cabelo crespo), maquiagem, creme pós-depilatório.

A falta de ácidos graxos na pele causa a perda de H2O na camada trans-epidérmica e conseqüentemente maciez e brilho. Desta forma, este óleo pode ser utilizado também para melhorar a emoliência e hidratação da pele e cabelo. O ácido mirístico é Insolúvel na água e solúvel em etanol. É utilizado em cosmetologia como possível substituto do ácido esteárico, mas principalmente esterificado com o álcool isopropílico dando origem a um óleo muito apreciado pelo seu grau de penetração e estabilidade (miristato de isopropila).[1] O ácido láurico comporta-se como carreador de princípios ativos, pois é capaz de aumentar sua permeabilidade através da pele. Sua atuação se dá de duas maneiras distintas: pela reação com ativos catiônicos, aumentando sua lipofilicidade, ou pela desorganização temporária da camada córnea da pele. Após sofrer reação de neutralização na presença de uma base forte, como NaOH, o ácido láurico comporta-se como emulsionante, estabilizando emulsão do tipo óleo em água. O ácido oléico pode ser utilizado como promotor químico de absorção, uma vez que é capaz de melhorar a difusão de princípios ativos pelo estrato córneo. Esta propriedade é explicada por sua capacidade em modificar, de forma reversível, a resistência do mesmo ou pela reação entre este ácido e ativos catiônicos, gerando sais com um caráter lipofílico maior. A vitamina A, atua como antioxidante, diminuindo a degradação lipídica causada pelos radicais livres, pois é capaz de absorver as radiações solares, formando um radical menos reativo. Esta propriedade é explicada pela presença, em sua estrutura, de uma série de duplas ligações conjugadas, capazes de estabilizar o elétron desemparelhado por ressonância. Devido a sua instabilidade oxidativa, a vitamina A é normalmente empregada em conjunto com outras vitaminas, como a vitamina C. Estudos sobre a absorção de vitamina A pela pele mostraram que esta é maior quando o princípio é associado a uma base autoemulsificante, na presença de álcoois graxos com tensoativos aniônicos e não-iônicos. Assim, todos estes compostos químicos presentes no óleo de murumuru atuam de forma sinérgica podendo ser aplicado em loções, cremes, sabonetes, condicionadores capilares, máscara facial, entre outros, a concentração do óleo deve ser de 1 a 5%.[8].

Composição acido-graxo da manteiga virgem de Murumuru

Manteiga de muru muru
Ácido caprílico % Peso2 - 4
Ácido capríco % Peso1 - 3
Ácido láurico % Peso40 - 50
Ácido miristico % Peso28 - 33
Ácido palmítico % Peso5 - 10
Ácido palmitoléico % Peso2 - 4
Ácido esteárico % Peso2 - 5
Ácido oléico % Peso5 - 10
Ácido linoléico % Peso1 - 5
Saturado %90
Insaturado %10

Composição fisico-químico

CaracterísticaUnidadePresentação
Aparência (25ºC)---Sólido
Cor---Branco para beje
Odor---característico
Índice de acidezmgKOH/g< 15,0
Índice de peroxido10 meq O2/kg< 10,0
Índice de IodogI2/100g10 - 15
Indice de saponificaçãomgKOH/g230 - 240
Densidade25ºC g/ml0,9325
Ponto de fusãoºC30 - 35

Referências

  1. PESCE, Celestino. Oleaginosas da Amazonia.-Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi, 2009.
  2. Oliveira, Sanderson Castro Soares de (2014). Contribuições para a reconstrução do Protopáno. Brasília: Universidade de Brasília. (Tese de Doutorado).
  3. Angenot, Geralda de Lima (1997). Fonotática e Fonologia do Lexema Protochapacura. Dissertação do Mestrado, Universidade Federal de Rondônia.
  4. Dixon, R. M. W. 2004. Proto-Arawá Phonology. Anthropological Linguistics 46: 1-83.
  5. Olawsky, Kurt (2007). A Grammar of Urarina. [S.l.]: Mouton de Gruyter. ISBN 978-311-019020-5. ISSN 0933-7636
  6. Manso, Laura Vicuña Pereira. 2013. Dicionário da língua Kwazá. Dissertação de mestrado. Guajará-Mirim: Universidade Federal de Rondônia. (PDF).
  7. Silva, Maria de Fátima dos Santos da. 2012. Dicionário de raízes da língua aikanã. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Rondônia, Campus de Guajará-Mirim. (PDF)
  8. Plantas da Amazônia para Produção Cosmética
This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.