Néstor Combín
Néstor Combín [1] (Las Rosas, 29 de dezembro de 1940) é um ex-futebolista argentino naturalizado francês, tendo emigrado ainda adolescente ao país europeu, pelo qual competiu na Copa do Mundo FIFA de 1966. Destacou-se em um Lyon ainda pouco vencedor, no maior momento dos lioneses no século XX; pela dupla rival Juventus e Torino e também no Milan - clube onde notabilizou-se por ter o rosto desfigurado na disputa do Mundial Interclubes de 1969, com sua imagem encharcado de sangue afugentando times europeus em edições ao longo da década de 1970.[2]
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| Combín no Milan, em 1970 | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Néstor Combín | |
| Data de nasc. | 29 de dezembro de 1940 (82 anos) | |
| Local de nasc. | Las Rosas, Argentina | |
| Nacionalidade | argentino francês | |
| Apelido | La Foudre ("O Raio") Il Selvaggio ("O Selvagem") | |
| Informações profissionais | ||
| Clube atual | Aposentado | |
| Posição | Atacante | |
| Clubes de juventude | ||
| 1958–1959 | Lyon | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1959–1964 1964–1965 1965–1966 1966–1968 1968–1970 1970–1973 1973–1975 1975–1976 |
Lyon Juventus Varese Torino Milan Metz Red Star Hyéres |
131 (78) 24 (7) 16 (2) 82 (27) 69 (20) 59 (34) 64 (39) |
| Seleção nacional | ||
| 1964–1968 | França | 8 (4) |
Um dos poucos campeões pelos rivais Juventus e Torino, estando na história do clássico de Turim também pelos três gols marcados pelo Toro em um dérbi seguinte à morte da estrela dos grenás (vencido por 4-0 mesmo nessas circunstâncias),[3] Combín é considerado um dos principais jogadores franceses no futebol italiano,[4] e foi eleito em 2011 para o time dos sonhos do Lyon mesmo após o período ainda mais vitorioso que o time teve no início do século XXI.[5]
Carreira
Início no Lyon
Sem ter jogado profissionalmente em seu país de origem, Combín mudou-se aos 17 anos para a França,[6] terra de sua avó materna,[7] lá começando carreira no futebol. Ingressou nas categorias de base do Lyon, sendo promovido ao time principal em 1959.[6] A estreia se deu em circunstâncias curiosas: Combín não teria qualquer documentação consigo e dependeu da cavalheira autorização do técnico adversário para poder jogar. Acabou marcando o gol da vitória, em partida contra o Valenciennes. Chegou a ser colega de dois outros argentinos no OL, primeiramente Roberto Marteleur (de rápida passagem em 1959) e depois Ángel Rambert, que também viria a defender a seleção francesa.[5]
Durante o período em que vestiu a camisa dos Gones, Combín fez uma prolífica dupla também com Fleury Di Nallo, e eles ajudaram o Lyon à 5ª posição no Campeonato Francês - melhor posição do clube até então - além de ter chegado à final da Copa da França de 1962-63.[6] Na edição seguinte da competição, o Lyon foi campeão, em sua primeira grande conquista nacional. Combín fez os dois gols da decisão, contra o Bordeaux de outro argentino da seleção francesa, Héctor de Bourgoing. Em paralelo, o time subiu para 4º lugar na Ligue 1 e foi semifinalista da Recopa Europeia, eliminado no jogo-desempate para o Sporting Clube de Portugal.[5] Naquele ano, Combín foi então convocado pela primeira vez para a seleção e foi vendido à Juventus.[6]
Juventus e Varese

A Juventus vivia um período de reformulação após a saída do galês John Charles e a aposentadoria de Giampiero Boniperti. Combín jogou apenas uma temporada na Vecchia Signora, conquistando apenas uma Copa da Itália, em 1965. Na Serie A, marcou sete vezes, o suficiente para ser o vice-artilheiro do elenco bianconero.[6] Porém, não convenceu o técnico paraguaio Heriberto Herrera e foi vendido ao Varese,[3] onde fez dupla com o jovem Roberto Boninsegna.[3]
Combín jogou pouco no Varese,[6] marcando apenas dois gols na Serie A de 1965-66, ainda que um deles tenha sido na Internazionale.[carece de fontes] A despeito disso e do rebaixamento do clube, foi à Copa do Mundo FIFA de 1966 e mesmo com a má campanha dos Bleus no mundial, foi contratado pelo Torino.[6]
Torino
Em seu regresso a Turim, dessa vez pelo rival do ex-clube, Combín iniciou uma boa fase que lhe renderia o apelido de Il Selvaggio ("O Selvagem"), originado pelo seu espírito incansável.[6] Inicialmente, foram sete gols na temporada 1966-67, ainda que três tenham ocorrido somente na última rodada, contra o Brescia.[carece de fontes] Na temporada seguinte, teve seu grande momento: foi vice-artilheiro do torneio, com treze gols, em meio a uma tragédia: após o franco-argentino marcar três gols em 4-2 sobre a Sampdoria, seu colega Luigi Meroni, visto como a grande promessa do Toro, morreu atropelado enquanto comemorava a vitória. O jogo seguinte foi justamente o clássico com a Juventus. Combín homenageou o amigo com uma exibição de gala, marcando novamente três gols em um jogo, em vitória grená por 4-0, entrando para a história do chamado Derby della Mole.[6]
À altura de 2013, o Torino seguia sem nunca mais ter voltado a rival por mais de dois gols de diferença. Naquela temporada, o clube pôde ser campeão da Copa da Itália, com gol de Combín na final contra a Internazionale.[8] Na Serie A, também marcou sobre a Inter, além de vazar também o campeão Milan (marcando o gol da vitória por 3-2), o vice-campeão Napoli (em 2-2 fora de casa, diminuindo derrota parcial de 2-0 já nos seis minutos finais antes dos turineses empatarem faltando três) e em vitória de 2-0 visitando a Roma. Na temporada 1968-69, Combín marcou sete vezes, incluindo em novo clássico com a Juve (que venceu por 2-1) e dois em nova vitória visitando a Roma (3-0). Foi o suficiente para ser o artilheiro do elenco granata.[carece de fontes]
Nereo Rocco havia treinado Combín no Torino e o requisitou para o Milan, que contratou o franco-argentino.[6] Ele deixou o Toro após 31 gols em 106 partidas,[3] para jogar na equipe campeã da Liga dos Campeões da UEFA naquela temporada de 1968-69.[carece de fontes]
Milan e o "massacre da Bombonera"

Combín chegou para substituir Kurt Hamrin, vendido ao Napoli, assumindo logo a titularidade de um ataque que já tinha Gianni Rivera, Pierino Prati e Ângelo Sormani. O time não fez uma boa temporada europeia, caindo ainda nas oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA, eliminado ainda na primeira fase da Copa da Itália e apenas na 4ª colocação da Serie A,[6] em que o franco-argentino marcou somente cinco vezes. Em meio a essas campanhas, porém, o Milan venceu o Mundial Interclubes de 1969,[6] na primeira conquista do clube na competição.[carece de fontes] Combín terminaria involuntariamente como o protagonista da façanha.[6][9]
Aquela edição foi a primeira em que o critério do gol fora de casa teria peso de desempate. O primeiro jogo foi em Milão e os argentinos do Estudiantes de La Plata, embora pretendessem defender-se, teriam dominado sessenta dos noventa minutos, sem impedir uma derrota de 3-0 nos poucos instantes de desatenção. Em um deles, nos acréscimos do primeiro tempo, Combín aproveitou de falha de Ramón Aguirre Suárez e ficou frente a frente com o goleiro Alberto Poletti,[9] driblando-o antes de marcar o segundo gol.[6] Em 2015, outro adversário, Raúl Madero, que seria o médico da seleção argentina na Copa do Mundo FIFA de 1986, declarou à revista El Gráfico que "toda a confusão foi armada por Néstor Combín, o camisa 9 do Milan, que era argentino. No jogo na Itália, que eles ganharam por 3-0, veio zombar. Disse em um momento a Aguirre Suárez: 'negro, não se aqueças mais porque em um mês eu ganho o mesmo que você em dois anos'. Disse isso justo ao Negro. 'Ali arrebento tua cabeça', lhe respondeu. E em La Bombonera lhe meteu um socão e lhe disse 'agora vá se danar', e armou-se a confusão generalizada. Eu fui um dos poucos que separei porque se não, íamos todos à cadeia, mas a confusão começou com a provocação de Combín lá".[10]
Duas semanas depois, em La Bombonera, Combín interceptou um passe mal dado e serviu para Rivera driblar Poletti e abrir o placar. Ainda no primeiro tempo, os argentinos conseguiram virar para 2-1 com dois gols-relâmpago, o segundo deles marcado pelo próprio Aguirre Suárez. O descontrole começou na segunda etapa, à medida que não conseguiam mais criar chances,[9] contidos pela retranca catenaccio italiana.[6] Poletti e Aguirre Suárez foram os mais descontrolados, com este fraturando o nariz e inchando o olho de Combín ao desferir-lhe uma cotovelada.[9]
A maioria dos jogadores do Estudiantes, bem como seu técnico Osvaldo Zubeldía, não coadunaram com as agressões, mas a própria mídia argentina não poupou o time da "página mais negra do futebol argentino". O infortúnio para Combín não terminou ao fim do jogo: foi detido pela polícia local, acusado de desertor do Exército Argentino,[9] cujo serviço militar era obrigatório na época.[11] Posteriormente, o próprio ditador argentino Juan Carlos Onganía interveio pela liberação, dada à repercussão negativa do jogo, transmitido via satélite ao vivo para a Europa, e ao esclarecimento de que Combín servira às Forças armadas da França, havendo tratado entre os dois países dispensando do serviço os cidadãos de um que se alistassem em outro.[9]
As imagens desfiguradas de Combín ajudaram a afugentar europeus do torneio ao longo da década de 1970 e estigmatizaram o Estudiantes como um clube violento, a ponto de tornar-se lugar comum que os argentinos teriam vencido com suas agressões o Manchester United no ano anterior quando na realidade os britânicos é que iniciaram as hostilidades dentro e fora de campo.[12] O goleiro Poletti relataria que os argentinos entraram na partida de 1969 pressionados até por um sacerdote local para servirem de válvula de escape à desclassificação da seleção à Copa do Mundo FIFA de 1970 e a convulsões sociais no país, esclarecendo que não houve rancores mútuos em conversa posterior com Combín.[9] Na temporada 1970-71, ele e o Milan terminaram a Serie A e a Copa da Itália no vice-campeonato em ambas, com dez gols de Il Selvaggio, que deixou a Itália ao fim da temporada; como milanista, marcou vinte vezes em 70 jogos.[6]
Final da carreira
Combín voltou à França para defender o Metz. Ainda marcaria época no Red Star, marcando 24 gols na Ligue 2, devolvendo o clube de Paris pela última vez á primeira divisão. Por fim, jogou pelos amadores do Hyéres. Seguiu no país após parar de jogar, radicando-se na Riviera Francesa.[6]
Seleção Francesa
Crescido na França desde os 17 anos,[6] Combín estreou pela seleção juvenil dos Bleus em 8 de abril de 1964, em empate em 2-2 com a Inglaterra. No dia 25 do mesmo mês, estreou pelo time principal, pelas quartas-de-final das qualificações à Eurocopa 1964, atuando nos dois jogos da eliminação frente a Hungria. Após atuar em quatro partidas das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1966, entre 1964 e 1965, figurou em uma partida do mundial, no empate em 1-1 com o México. Após essa partida, só defendeu a seleção francesa uma vez mais, no empate em 1-1 com a Iugoslávia nas quartas-de-final das qualificações à Eurocopa 1968.[13] Foram ao todo oito jogos e quatro gols pela França,[6] tendo defendido-a na Copa de 1966 junto do também argentino Héctor de Bourgoing.[2]
Títulos
- Lyon
- Copa da França: 1963-64
- Juventus
- Copa da Itália: 1964-65
- Torino
- Copa da Itália: 1967-68
- Milan
Individual
- Division 2 top scorer: 1973–74
Referências
- «Néstor Combín». O Gol. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BRANDÃO, Caio (9 de junho de 2016). «Especial Eurocopa – argentinos da seleção francesa». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- OLIVEIRA, Nelson (15 de dezembro de 2018). «Corações ingratos: os jogadores que defenderam os rivais Juventus e Torino». Calciopédia. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BARCELOS, Arthur (setembro de 2014). «Os 10 maiores franceses do futebol italiano». Calciopédia. Consultado em 19 de dezembro de 2018
- BRANDÃO, Caio (3 de agosto de 2015). «Argentinos nos 65 anos de história do Lyon». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- OLIVEIRA, Nelson (maio de 2016). «No Milan, Néstor Combín foi protagonista do 'Massacre da Bombonera'». Calciopédia. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- Christophe (21 de dezembro de 2009). «La migration des footballeurs africains en Europe». Africulture. Consultado em 3 de janeiro de 2019
- GOMES, Tiago de Melo (1 de outubro de 2013). «Argentinos de história na Juventus e no Torino». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BRANDÃO, Caio (22 de outubro de 2014). «45 anos da grande vergonha do Estudiantes: o mundial com o Milan em 69». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BORINSKY, Diego (3 de novembro de 2015). «Raúl Madero, 100x100: "Bilardo es un tipo muy jodido, se mandó muchas cagadas"». El Gráfico. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BRANDÃO, Caio (3 de setembro de 2018). «Diferentemente de Son Heung-min, astros argentinos não escaparam do serviço militar obrigatório. Incluindo Kempes e Maradona». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- BRANDÃO, Caio (16 de outubro de 2018). «50 anos do mundial do Estudiantes. Em Old Trafford. Com os "gentlemen" ingleses impedindo a volta olímpica». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- «Nestor Combin». 11v11. Consultado em 13 de setembro de 2010


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