Paulo Lukamba Gato

Armindo Lucas Paulo Lukamba "Gato" (Bailundo, 13 de maio de 1954) é um político, diplomata e general do Exército Angolano, uma das mais importantes lideranças da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Classificado entre os "homens fortes da UNITA", foi considerado um "savimbista sólido" — tal como António Dembo e Abel Chivukuvuku —, parte do parte do círculo de confiança de Jonas Savimbi,[1] um dos poucos referenciais do pensamento nacionalista de esquerda após a adoção integral da retórica anticomunista pelo partido durante a década de 1980.[2]

Participou da Guerra Civil Angolana como general do braço armado da UNITA, as Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA). Tornou-se líder da UNITA em 2002, desempenhando um papel central nas negociações de paz com as autoridades angolanas para acabar com a guerra e legalizar a UNITA.[3] É também membro do Parlamento Angolano.[3]

Biografia

Paulo Lukamba Gato nasceu no Bailundo em 13 de maio de 1954. Seu pai era Zacarias Sanjolomba Paulo Lukamba e sua mãe Lussinga Paulo Lukamba.[4] Fez seus estudos primários e secundários na cidade do Huambo.[4]

Lukamba Gato juntou-se à UNITA em 1974 durante o processo da revolução dos Cravos que ocorria em Portugal. Sua primeira função no partido foi como vice-chefe do Depertamento de Pessoal da Base Central de Massivi, em 1975.[4]

Em agosto de 1975 foi enviado para Cambândua para chefiar uma unidade especial das FALA que lutou nas etapas finais da independência angolana, participando também dos embates da guerra civil subsequente.[4] Em 1978 foi nomeado vice-comandante para a inteligência militar na Frente Central.[4]

Em 1979 foi designado para trabalhar como secretário da informação na ala jovem do partido, a Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA).[4] Em seguida foi eleito secretário-geral da JURA e membro do Comité Central da UNITA.[4] Em 1980 foi nomeado diretor do gabinete do presidente da UNITA, Jonas Savimbi.[4]

No V Congresso do partido, em 1982, foi eleito membro do bureau político e chefe da Diretoria-Geral de Pessoal do Comando Operacional Estratégico (COPE).[4] Foi graduado como coronel das FALA na ocasião.[4]

Foi nomeado por Savimbi para servir, de 1983 a 1991, em Paris, na França, como representante-geral da UNITA para a Europa e vice-secretário dos negócios estrangeiros.[4]

Foi designado um dos diplomatas do partido a participar nas negociações sobre a implementação do acordo de paz alcançado em 1994 em Lusaca, negociado em Luanda com os representantes do Estado angolano.[5]

De 1995 até a morte de Jonas Savimbi, em fevereiro de 2002, Lukamba Gato serviu como secretário-geral da UNITA.[3] Após a morte de Savimbi e a subsequente morte do vice-presidente António Dembo apenas alguns dias depois de diabetes e ferimentos de batalha, Lukamba Gato assumiu o controle do partido.[3] Lukamba Gato liderou a UNITA nas negociações que puseram fim à Guerra Civil Angolana a partir de abril de 2002,[6] culminando no Memorando de Entendimento do Luena — complemento aos acordos de paz de Bicesse e Lusaca.[3]

Lukamba Gato liderou o partido político UNITA até o 9º Congresso em Viana, Angola, de 24 a 27 de junho de 2003.[7] Disputou as eleições para a presidência partidária com Dinho Chingunji e Isaías Samakuva. Terminou as eleições em segundo lugar, sendo derrotado por Isaías Samakuva.[8][3] A partir de então passou a ser integrado nas Forças Armadas Angolanas.

Lukamba Gato foi o quinto candidato na lista da UNITA para o cículo nacional nas eleições parlamentares de setembro de 2008.[3] Foi um dos 16 candidatos da UNITA a ganhar assentos nas eleições. Foi reeleito em 2012,[3] 2017[3] e 2022.[9]

Ao final da década de 2010 formou-se em relações internacionais pela Universidade Internacional Atlântica, em Honolulu, Havaí.[10]

Referências

  1. «O grande problema com vista à pacificação é que a «UNITA savimbista» nunca aceitou os acordos de Lusaka». Consultado em 16 de novembro de 2006. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2006
  2. JUSTINO, Jofre. A actual UNITA traiu o espírito de Muangai. Maputo, 2006
  3. General Lukamba Paulo “Gato”: “Angola ainda tem uma longa caminhada a fazer”. Jornal de Angola. 4 de abril de 2021.
  4. UNITA (1990). The UNITA Leadership. Jamba: União Nacional para a Independência Total de Angola. p. 111-112
  5. «Angola: Peace Monitor, III, 8, 4/30/97». Consultado em 18 de dezembro de 2013. Cópia arquivada em 8 de junho de 2011
  6. Angola: Interview with General Paulo Lukamba "Gato". TNH. 24 de maio de 2002.
  7. Brittain, Victoria (1998). Death of Dignity: Angola's Civil War. [S.l.: s.n.] pp. 18–19
  8. Membros da Unita escolhem novo líder em Angola. BBC Brasil. 2003.
  9. Frente Patriótica Unida: Paulo Lukamba Gato vai dirigir campanha eleitoral. DW. 9 de maio de 2022.
  10. Angola Fala Só: Bilhete Identidade Lukamba Gato. VOA Português. 24 de novembro de 2015.
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