Pedro Goulart

Pedro Martins Goulart da Silva, (ilha do Pico, freguesia de São Mateus, 5 de Outubro de 1940, Lisboa, 20 de Novembro de 2018).[1] Foi fundador e dirigente das Forças Populares 25 de Abril (FP25) em 20 de Abril de 1980, em resultado da cisão por ele provocada no grupo terrorista, Anteriormente tinha sido já fundador das Brigadas Revolucionárias conhecido como PRP/BR.

Biografia

Pedro Goulart é um professor do ensino secundário, formado em economia no Instituto Superior de Economia. Depois de aderir ao MDP/CDE e posteriormente ao PCP, de onde viria a sair, é um dos fundadores das Brigadas Revolucionárias, onde se manteve já depois da junção destas com o Partido Revolucionário do Proletariado, ocorrida após o 25 de Abril.[2] É um dos poucos dirigentes do movimento (que nunca foi constituído em partido) a ter alguma aparição mediática, para além de Isabel do Carmo e Carlos Antunes. Mais tarde, faz parte dos fundadores da Organização Unitária dos Trabalhadores (OUT), com Otelo Saraiva de Carvalho, Mouta Liz, em Abril de 1978. Esta é uma organização com os mesmos objetivos que o PRP . Em Junho de 1978 dá-se a prisão de Isabel do Carmo e Carlos Antunes o que vem enfraquecer a liderança do PRP/BR.[3] Deste vazio surge um maior protagonismo de Pedro Goulart que defende o elevar e radicalizar o patamar da violência armada promovendo maior violência contra pessoas, através de baleamentos e assassinatos e raptos. Desta divergência fundamental com os fundadores na cadeira, resulta a cisão e posterior expulsão destes e de alguns dos seus apoiantes. e posterior transferência de operacionais, militantes e sedes para o Projecto Global, a super estrutura no qual incluía as FP-25 e a FUP e o próprio Otelo Saraiva de Carvalho.[4][5] Entre 1980 e 1987, as FP-25 foram diretamente responsáveis por 13 assassinatos, inclusive uma criança — às quais acrescem ainda as mortes de 5 dos seus operacionais e um dissidente/arrependido assassinado na véspera de ir depor a julgamento. Além disso foram responsáveis por dezenas de baleamentos, atentados com explosivos, assaltos a bancos, empresas e viaturas de transporte de valores.[6]

Participa na famosa reunião do Conclave, na Serra da Estrela,[7] bem como em reuniões posteriores onde se discute a oportunidade dos "engarrafamentos", nome dado pela organização aos raptos de políticos e empresários, cujo resgate deveria engrossar os cofres da organização. Nas reuniões clandestinas do Projecto Global ou das FP25 é referenciado por “João" ou simplesmente “PG".[8][9]

É preso a 20 de Junho, um dia após o início da operação Orion.[10] Foi condenado em Primeira Instância, a 20 de Maio de 1987, a 15 anos de prisão. Dois anos depois, a 13 de Setembro de 1989, o Tribunal da Relação de Lisboa agravaria a pena para os 18 anos, acabando o Supremo Tribunal de Justiça, a 19 de Dezembro de 1990, por fixar a condenação em 17 anos de cadeia.[11]

Foi militante do Bloco de Esquerda.[2][12] Morreu em Lisboa a 20 de Novembro de 2018.

Referências

  1. «FP-25 Quem são os 73 acusados». FP-25 Quem são os 73 acusados. O Jornal. 19 de julho de 1985. pp. 18–19
  2. Dâmaso, Eduardo. «O economista revolucionário». PÚBLICO. Consultado em 29 de maio de 2022
  3. «Não acreditamos no Socialismo a cinquenta por cento». A Capital. 17 de março de 1975
  4. Vilela, António José (2005). «Réus do processo 396/91 (crimes de sangue)». Viver e Morrer em nome das FP-25. Cruz Quebrada: Casa das Letras. pp. 336–339. ISBN 972-46-1594-4
  5. Poças, Nuno Gonçalo (2021). «As organizações precedentes». Presos por um fio : Portugal e as FP-25 de Abril. Lisboa: Casa das Letras. pp. 44–52. ISBN 978-989-66-1033-3
  6. Castelo-Branco, Manuel. «À lei da bala. Os 25 anos sobre a amnistia às Forças Populares-25 de Abril». Observador. Consultado em 29 de maio de 2022
  7. Vilela, António José (2005). «O Conclave». Viver e morrer em nome das FP-25. Cruz Quebrada: Casa das Letras. pp. 126–128. ISBN 972-46-1594-4
  8. Caso FP-25 de Abril: Alegações do Ministério Público, Ministério da Justiça, Lisboa 1987
  9. Vilela, António José. (2005). Viver e morrer em nome das FP-25. Engarrafamentos 1ª ed. Lisboa: Casa das Letras/Editorial Notícias. pp. 128–131. ISBN 972-46-1594-4. OCLC 350197130
  10. Poças, Nuno Gonçalo (2021). «A Operação Orion». Presos por um Fio, Portugal e as FP-25 de Abril. Cruz Quebrada: Casa das Letras. pp. 127– 143. ISBN 9789896610333
  11. Vilela, António José. (2005). «As penas do processo 23/85 - Associação terrorista». Viver e morrer em nome das FP-25 1 ed. Cruz Quebrada [Portugal]: Casa das Letras. pp. 328–334. ISBN 972-46-1594-4
  12. «Morreu Pedro Goulart, um dos fundadores do PRP/BR». Esquerda.net. 21 de novembro de 2018
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