Pit Monster
Pit Monster, Monster ou Brazilian Pit Monster[a] é uma recente raça de cães brasileira, ainda em fase de aperfeiçoamento. A raça já é reconhecida por alguns kennel clubes no Brasil.[1][2][3]
| Pit Monster | |
|---|---|
![]() Pit Monster | |
| Nome original | Pit Monster |
| Outros nomes | Brazilian Pit Monster Brazilian Monster Pit Extremado Monster Monster Brasileiro Extreme |
| País de origem | |
| Características | |
| Peso do macho | maior que 45 kg |
| Peso da fêmea | maior que 40 kg |
| Altura do macho | maior que 50 cm na cernelha |
| Altura da fêmea | maior que 45 cm na cernelha |
| Pelagem | curto |
| Cor | vermelho, dourado, cinza, preto, branco |
História e origem
Base histórica
Nos Estados Unidos na década de 1960, um veterinário chamado John Bayard Swinford criou um conceito conhecido como American Bandog, um projeto de criação inspirado pelos extintos cães bandogges britânicos. Neste conceito ele introduziu o cruzamento entre raças de cães do tipo mastim com pit bulls de combate, na intenção de criar cães funcionais para guarda.[4] Ele popularizou o conceito entre os criadores de pit bull de combate da época, através de criadores renomados como Jack Kelly, e de periódicos (como o Sporting Dog Journal, de 1972) e livros populares no meio combatente. O conceito de Swinford acabou sendo adotado pelos criadores de pit bulls de combate, que reproduziam este tipo de cruzamento para criar cães para caça de javali e guarda, mantendo-os separadamente da criação de pit bulls de raça pura para combate.
Em algum momento entre as décadas de 1970 e 1980, alguns criadores, à exemplo de Edgar Eddington, começaram a não distinguir mais entre cães de raça pura e meio-sangues, registrando estes animais como pit bulls puros em grandes kennel clubes americanos, gerando grandes discussões e controvérsias.
Com a popularidade do esporte de tração weight pulling, cães deste tipo, pelo grande porte, tornaram-se mais requisitados. Tornando-os mais populares entre o público geral e leigo, atraídos também pela aparência "monstruosa" dos cães. Logo após, entre as décadas de 1980 e 1990, teve início o movimento bully estadunidense, onde criadores como David Wilson e outros desenvolveram cães robustos utilizando cruzamentos com buldogues, american staffordshire terrier e adicionando os cães meio-sangue usados para caça e tração.
Só na década de 2010, os kennel clubes americanos retrataram o registro destes tipos de cães e hoje os reorganizaram e os reconhecem como novas raças distintas do pit bull puro-sangue.
Origem no Brasil
O pit monster é uma raça do século XXI, com origem nos EUA e desenvolvida no Brasil a partir da seleção de cães de aparência "monstruosa" relacionados ao pit bull, american bully e similares, e de forma menos direta à cães molossos como o buldogue americano e mastins. A motivação social para o seu desenvolvimento teve grande influência do movimento Bully estadunidense, que tratou-se do desenvolvimento de cães grandes e robustos à partir de cruzamentos entre raças fortes, inicialmente objetivando o esporte weight pulling, e posteriormente ganhando adeptos interessados apenas na aparência dos cães.
A origem genética do monster é obscura devido principalmente a controvérsias. Sua base genética inicial conhecida foi composta por linhagens de cães pesados com sangue molosso, à exemplo das linhagens Camelot e McKenna que atualmente fazem parte da raça American Working Red (cães de presa)[5]; as linhagens Chevy e Elli's que hoje fazem parte da raça Working Pit Bulldog (cães de tração)[6][7][8][9]; e a linhagem Razor Edge que faz parte da raça American Bully (cães de companhia)[10][11]; todas combinadas com pit bulls relacionados às linhagens brasileiras thompson, amichetti e canchin[12][13][14] e cães sem árvore genealógica conhecida porém com registro inicial. O resultado foram cães robustos e pesados, com peito largo, crânio pesado e ossatura forte.
Alguns dos criadores pioneiros foram os canis Pit Game, Red Maximus Bull, Red Bukanas Bull, Bomberbull, e Westh.
Por muitos anos o pit monster veio sendo registrado em alguns kennel clubes brasileiros de maneira polêmica sob a nomenclatura de raça American Pit Bull Terrier, o que gerou grande mal-estar entre os criadores das duas raças distintas. Porém, isto começou a mudar durante esta metade final da década de 2010 com o reconhecimento independente do pit monster[15] como raça separada por outros clubes, apesar de que ainda podem ser encontrados indivíduos registrados sob a nomenclatura da raça anterior.
O pit monster está estreitamente relacionado ao american bully, em especial aos do padrão XL e aos do extinto padrão extreme, por isso estes cães eram até recentemente conhecidos também como extremados.[16][17]
Características

São cães com aparência bastante intimidadora por seu porte grande, robusto e musculoso, com cabeça volumosa. Hoje, porém, há uma crescente preocupação com o melhoramento de sua morfologia, tendo mais adeptos interessados em cães com boas angulações, com mordida em tesoura, e que não apresentam acondroplasias em seus membros.
São pesados e largos, com ossatura pesada e crânio grande e potente com masséteres bem desenvolvidos. Todas as cores são aceitas, porém sua cor de pelagem principal é a vermelha com nariz vermelho (red nose), muitas vezes com marcas brancas principalmente no peito e patas. Outras cores de pelagem são cinza (azul, blue nose), preta, branca, etc. Segundo o padrão atual, a altura desejável dos machos é acima de 50 cm na cernelha, e o peso desejável é acima de 45 kg.[2][1][3]
Reconhecimento
A raça é reconhecida pela American Bully Brazil Registry (ABBR)[1], Instituição Brasileira de Registro de Cães (IBRC)[18], International Bully Coalition (IBC)[2], América Latina Kennel Clube (ALKC)[19], SOBRACI[20] e CINOBRAS[21], neste último a raça foi classificada questionavelmente no grupo dos terriers apesar de possuir muito mais afinidade com os molossos.
O Pit Bull Club do Brasil, sediado no Rio de Janeiro e fundado em 1991, na década de 2010 passou a incluir o pit monster assim como também o American Bully em eventos de conformação filiados ao American Preservation Dog Registry (APDR) dos Estados Unidos.
O pit monster ainda não é reconhecido pela CBKC.
Por muitos anos o pit monster veio sendo registrado em alguns kennel clubes de maneira polêmica sob a nomenclatura de raça American Pit Bull Terrier. A polêmica se deve ao fato de que os criadores de Pit Bull defendiam que o monster tratava-se de uma raça separada, já que notoriamente não atendiam ao padrão da raça pit bull e haviam denúncias e relatos de cruzamentos com molossos, realizados desde os EUA para desenvolver cães maiores desde os anos 1970.
Por muitos anos a situação gerou grande mal-estar entre os criadores nos EUA e no Brasil. Contudo, recentemente no Brasil, pelo menos três clubes (IBRC[18], IBC[2] e ABBR[1]) passaram a reconhecer o monster como uma raça separada com padrão próprio e a atual nomenclatura de pit monster, fazendo com que muitos cães migrassem dos pedigrees com nomenclatura incorrespondente (de pit bull) para um correspondente à nova raça, amenizando o problema. Iniciativas similares foram realizadas nos EUA, culminando na formalização de novas raças, como o American Bully e o American Working Red.
O padrão da raça ainda está aberto a modificações em muitos clubes, contudo a IBRC[18] é um dos clubes que apresenta documento oficial de padronização da raça. A formação de um clube especializado próprio pode estar em pauta.
Ainda existem cães registrados com pedigrees de raças incorrespondentes.
Saúde
Ainda não há dados ou pesquisas sobre quais males podem acometer a raça com mais frequência. Porém, uma prevenção básica pode ser adotada pelos criadores. Pelo fato do porte molossóide do Pit Monster, algumas medidas preventivas básicas podem ser recomendadas, como, por exemplo, o controle radiológico de reprodutores a fim de evitar propagação genética de displasia coxofemoral e displasia de cotovelo e problemas na coluna vertebral; e exames cardiológicos, para prevenir o uso de reprodutores portadores de cardiopatias e males similares que podem ser transmitidos à prole.
Ver também
Referências
- ABBR. «Padrão da raça Brazilian Monster Pit». www.abbrdogs.com.br. American Bully Brazil Registry. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «Pit Monster | IBC». ibcdogs.org. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «CINOBRAS - Cinofilia Brasileira». cinobras.com.br. Consultado em 18 de março de 2019
- «History of American Bandogges». Monsters of Molosser Kennels (em inglês). Consultado em 11 de setembro de 2022
- «AMERICAN WORKING RED». American Preservation Dog Registry (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2018
- «Breed Reclassification Process Underway: American Staffordshire Terrier, American Bully, Working Pit Bulldog.» (PDF) (em inglês). American Dog Breeders Association. 23 de Março de 2015. Consultado em 1 de Novembro de 2018
- «American Dog Breeders Assoc APBT Stud Book Corrections». American Dog Breeders Association (em inglês). 16 de maio de 2016
- «GameDogs Pedigree: SPAULDING'S CHEVY RED DOG». pedigree.gamedogs.cz. Consultado em 3 de novembro de 2018
- «GameDogs Pedigree: MONTANHA EVEREST LIONS PIT». pedigree.gamedogs.cz. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «Standard // The American Bully Registry». theabkcdogs.org (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2018
- «GameDogs Pedigree: BANHA RED MONSTER». pedigree.gamedogs.cz. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «ABRAM WESTH. PIT MONSTER. Pedigree online.». GameDogs Pedigree
- «GameDogs Pedigree: AIKO RED MONSTER BULL». pedigree.gamedogs.cz. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «GameDogs Pedigree: BRAVUS PIT MONSTER GOLIAS». pedigree.gamedogs.cz. Consultado em 2 de novembro de 2018
- «Big Boss Kennel». www.facebook.com. Consultado em 9 de julho de 2020
- «5 Types of American Bully Dog Breeds ⋆ AmericanBullyDailly ⋆». American Bully Daily (em inglês). 7 de dezembro de 2015. Consultado em 1 de fevereiro de 2019
- «XL // The American Bully Registry». theabkcdogs.org (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2018
- Istituição Brasileira de Registro de Cães, IBRC. «IBRC - Istituição Brasileira de Registro de Cães»
- «Pit Monster». alkc. Consultado em 7 de janeiro de 2020
- «Raça - Pit Monster - SOBRACI». www.sobraci.com.br. Consultado em 6 de junho de 2020
- «Padrão da raça Pit Monster». cinobras.com.br. CINOBRAS - Cinofilia Brasileira. Consultado em 23 de março de 2019
Ligações externas
- Padrão da raça Brazilian Monster Pit publicado pelo American Bully Brazil Registry.
- Padrão da raça Pit Monster publicado pela CINOBRAS.
