Podrão
"Podrão" é um termo da gíria carioca[1] para um tipo específico de cachorro-quente feito em carrocinhas de vendedores ambulantes que, além do convencional pão e salsicha com catchup, mostarda e maionese, é recheado com uma série de ingredientes adicionais que variam de batata palha, queijo parmesão ralado, grãos de milho, ervilha e azeitona até ovos de codorna. Alguns chegam a substituir a salsicha por linguiça de carne suína. Desde pelo menos 1979 (em Botafogo), é um hábito incorporado à cultura do Rio de Janeiro;[1] comum principalmente nas proximidades de casas noturnas, cinemas e outros espaços frequentados por jovens.[2][3][4]
O termo, aumentativo de "podre", deriva da má reputação de alguns destes vendedores, que usariam ingredientes de procedência pouco confiável e às vezes fora da validade. Além disso, as condições de higiene dos ambulantes nem sempre são submetidas à fiscalização da Vigilância Sanitária e em certos casos podem de fato disseminar doenças ou causar problemas digestivos. Outros vendedores, por outro lado, aprimoraram seus produtos e cultivaram fama localizada chegando a expandir o negócio pela região metropolitana em sistema de franquia.
O "podrão" carioca é paralelo (embora não-relacionado) ao fenômeno dos danger dogs que surgiram no México em pontos de fronteira com os EUA alguns anos antes e se popularizaram como opção barata de refeição influenciada pela culinária estadunidense. O danger dog mexicano é feito com fatias de bacon e tiras de cebola enroladas na salsicha, junto com um molho chili (picante). Em Tijuana, existe ainda o dog dog ou Tijuana bacon dog, variedade em que a salsicha é grelhada. O hábito de consumo da guloseima já cruzou a fronteira dos EUA e hoje é popular em cidades do sul da Califónia, como Los Angeles. Na costa leste dos EUA, existe a variedade batizada como New Jersey breakfast dog, com salsicha frita em óleo e servida com ovos mexidos.
Assim como no México e na Califórnia, a cultura do "podrão" do Rio de Janeiro está associada aos hábitos noturnos da população jovem, especialmente frequentadores de bares acometidos por súbita sensação de fome após consumirem bebidas alcoólicas e maconha. Tal sensação, na gíria, é apelidada de larica (em inglês, munchies).[5]
Por meio do cinema e da televisão produzidos no Rio de Janeiro, o hábito do "podrão" tem sido exportado para outras regiões do Brasil e do exterior. Em casos raros, o termo é também aplicado a outras variedades de sanduíches e salgados vendidos por ambulantes, como hambúrgueres[6] e o churrasco grego (variedade de kebab vendida em São Paulo). Também em São Paulo, é hábito colocar queijo cheddar e purê de batata nos podrões. No Rio Grande do Sul há o tradicional xis, feito em diversas variações, como x-coração, x-bacon e x-calabresa[7].
Referências
- Marcello Victor (23 de março de 2014). «'Podrões' matam a fome na rua de madrugada». O Dia. Consultado em 12 de março de 2017. Cópia arquivada em 16 de agosto de 2015
- G1, Alimentos leves no Rio..., página visitada em 15 de agosto de 2015.
- Globo, Na hora de comer um podrão..., página visitada em 15 de agosto de 2015.
- IG, Podrões matam a fome na rua de madrugada, página visitada em 15 de agosto de 2015.
- SBT, , página visitada em 15 de agosto de 2015.
- - Podrão - outro "fenômeno" alimentar do Espírito Santo - Gazeta on-line
- «Conheça um lanche que só os gaúchos têm: o xis». Diário Gaúcho. Consultado em 16 de outubro de 2022
Ligações externas
- R7, Culinária nas madrugadas do Rio, página visitada em 15 de agosto de 2015.
- Estados e capitais do Brasil, Culinária do Rio de Janeiro, página visitada em 15 de agosto de 2015.
- Street Smart Brazil, Bazilian Food: Podrão, pagina visitada em 15 de agosto de 2015. (em inglês)