Prepona claudina

Prepona claudina[1] (outrora denominada Agrias claudina[2], durante o século XX, e pertencendo ao gênero Agrias, agora em desuso)[3] é uma espécie de inseto; uma borboleta neotropical da família Nymphalidae e subfamília Charaxinae, ocorrendo da Venezuela e Guianas até o Peru e Bolívia, Brasil amazônico e os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.[2][4][5][6] Foi classificada por Jean-Baptiste Godart, em 1824; descrita como Nymphalis claudina na obra Encyclopédie Méthodique, com sua localidade tipo erroneamente citada como "India".[2] Está listada como espécie pouco preocupante no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.[7]

Prepona claudina

Fotografia de P. claudina (macho), vista superior.

Fotografia de P. claudina (macho), vista inferior.
Estado de conservação

Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Subordem: Papilionoidea
Família: Nymphalidae
Subfamília: Charaxinae[1][2]
Tribo: Preponini[1]
Género: Prepona
Boisduval, 1836[1]
Espécie: P. claudina
Nome binomial
Prepona claudina
(Godart, [1824])[1]
Sinónimos
Nymphalis claudina Godart, [1824]
Papilio claudia Schulze, 1776
Agrias sardanapalus Hewitson, 1860
Agrias claudianus Staudinger, [1885]
Agrias sahlkei Honrath, [1885]
Agrias godmani Fruhstorfer, 1895
Agrias intensa Lathy, 1921
Agrias claudia
(Markku Savela)[2]

Descrição

Apresenta o padrão superior geral de coloração enegrecida, com manchas vermelho-rosadas e azuis metálicas, características, em suas asas; apresentando um padrão, em vista inferior, com sete manchas arredondadas, como ocelos de centro branco-azulado, na margem de suas asas posteriores.[8][9][10][11] De acordo com Otero, ela é denominada "o príncipe dos ninfalídeos" dado o tamanho e beleza incomuns de suas asas.[5] Tufos amarelos, nas costas das asas dos machos, liberam feromônios, através de escamas androconiais, para atrair as borboletas fêmeas.[12][13]

Hábitos e planta-alimento

Prepona claudina é ativa apenas em manhãs quentes, raras de serem vistas e geralmente vistas quando procuram comida entre trilhas e clareiras no solo das florestas; frequentemente encontrada se alimentando de exsudações de troncos de árvores ou de cipós brocados por larvas de moscas e besouros, além de líquidos provenientes de frutos em fermentação e esterco de mamíferos.[5][12][14] Voa entre altitudes de 200 a 600 metros.[13] Suas lagartas foram encontradas em folhas de Quiina glaziovii (gênero Quiina; familia Quiinaceae).[5] Se alimentam noturnamente e descansam durante o dia nos galhos das plantas alimentícias.[13]

Subespécies

P. claudina possui oito subespécies:[2]

  • Prepona claudina claudina - Descrita por Godart em 1824, de provável exemplar proveniente do Brasil ("India", na descrição).
  • Prepona claudina annetta - Descrita por Gray em 1832, de exemplar proveniente do Brasil (Santa Catarina).
  • Prepona claudina sardanapalus - Descrita por Bates em 1860, de exemplar proveniente do Brasil (Amazonas).
  • Prepona claudina lugens - Descrita por Staudinger em 1886, de exemplar proveniente do Peru (Chanchamayo).
  • Prepona claudina godmani - Descrita por Fruhstorfer em 1895, de exemplar proveniente do Brasil (Mato Grosso).
  • Prepona claudina croesus - Descrita por Staudinger em 1896, de exemplar proveniente do Brasil (Pará).
  • Prepona claudina delavillae - Descrita por Neild em 1996, de exemplar proveniente da Venezuela.
  • Prepona claudina patriciae - Descrita por Attal em 2000, de exemplar proveniente da Venezuela.

Conservação

Segundo Luiz Soledade Otero, esta borboleta foi caçada até a extinção de certas populações restritas em áreas de Mata Atlântica, na região sudeste do Brasil.[5] Não foi avaliada pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), mas está listada como vulnerável na "Lista Vermelha Brasileira": uma avaliação abrangente da conservação de animais brasileiros, criada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[12] Em 2018 ela foi listada como espécie pouco preocupante no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado pelo ICMBio/MMA.[7]

Referências

  1. «Family NYMPHALIDAE Rafinesque, 1815 – BRUSHFOOTS» (em inglês). Butterflies of America. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  2. Savela, Markku. «Agrias claudina (Godart, [1824] (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  3. Bonfantti, Dayana; Casagrande, Mirna Martins; Mielke, Olaf Hermann Hendrik (abril de 2013). «Male genitalia of neotropical Charaxinae: A comparative analysis of character variation» (em inglês). Journal of Insect Science: Vol. 13 / Article 35 (NCBI). 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019. Using data from DNA sequences, Ortiz-Acevado and Willmott (2013) classified Preponini as follows: two genera were synonymized, Noreppa to Archaeoprepona and Agrias to Prepona.
  4. «Species Prepona claudina» (em inglês). Butterflies of America. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  5. OTERO, Luiz Soledade; MARIGO, Luiz Claudio (1990). Borboletas. Beleza e comportamento de espécies brasileiras 1ª ed. [S.l.]: Marigo Comunicação Visual. p. 60-61. 128 páginas. ISBN 85-85352-01-9
  6. D'ABRERA, Bernard (1984). Butterflies of South America (em inglês). Australia: Hill House. p. 218. 255 páginas. ISBN 0-9593639-2-0
  7. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2018). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (PDF). Volume 1. Brasília: ICMBio/MMA. p. 388. 492 páginas. ISBN 978-85-61842-79-6. Consultado em 31 de outubro de 2019
  8. Lep Web. «(Prepona claudina) Godart, 1824 - vista superior». Flickr. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  9. Lep Web. «(Prepona claudina) Godart, 1824 - vista lateral». Flickr. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  10. SMART, Paul (1975). The Illustrated Encyclopaedia of the Butterfly World, In Colour. Over 2.000 species reproduced life size (em inglês). London: Salamander Books Ltd. p. 212-213. 274 páginas. ISBN 0-86101-101-5
  11. «Agrias claudina claudina (Godart, 1824)» (em inglês). Lepidoptera Brasiliensis. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  12. «THE AGRIAS CLAUDINA BUTTERFLY» (em inglês). Harper Macaw. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  13. Hoskins, Adrian. «Godart's Agrias Agrias claudina» (em inglês). Learn about butterflies. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
  14. Neild, Andrew (10 de novembro de 2017). «Prepona (Agrias) claudina - no flash P1200895» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 9 de outubro de 2019
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