Prevent Senior
Prevent Senior é uma empresa brasileira de assistência médica, fundada em 1997 pelos irmãos Eduardo Parrillo e Fernando Parrillo em São Paulo. A empresa se notabilizou durante a Pandemia de COVID-19 no Brasil por manipular informações sobre mortes de pacientes e manipular informações para justificar e estimular o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.
| Prevent Senior | |
|---|---|
![]() Prevent Senior | |
| Razão social | Prevent Senior Private Operadora de Saúde Ltda. |
| Slogan | Especialista em Pessoas |
| Atividade | Assistência médica |
| Fundação | 1997 |
| Fundador(es) | Fernando Parrillo Eduardo Parrillo |
| Sede | São Paulo, SP |
| Proprietário(s) | Fernando Parrillo Eduardo Parrillo |
| Presidente | Fernando Parrillo |
| Pessoas-chave | Fernando Parrillo
Eduardo Parrillo |
| Empregados | 13 mil |
| Produtos | |
| Lucro | |
| Faturamento | |
| Website oficial | preventsenior |
Atuação em assistência médica
A empresa é focada no tratamento do público da terceira idade, lançada inicialmente como um serviço de ambulância e evoluindo para o atendimento médico. É considerada a maior rede hospitalar da cidade de São Paulo, com mais de 1200 leitos em 11 centros. A empresa possui dez hospitais da rede Sancta Maggiore, que totalizam 37 unidades do grupo – como núcleos de medicina avançada, diagnóstico por imagem, oncologia, ortopedia e reabilitação.[3][6] Além do estado de São Paulo, a Prevent Senior tem presença no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.[3][7] No final de 2019, tinha 456 mil beneficiários, sendo 346 mil com 61 anos ou mais e 258 que já chegaram aos 100 anos de idade. Na época, o faturamento da empresa era estimado em 3,5 bilhões de reais, com lucro de 410 milhões.[2] Em 2021, a Prevent Senior ocupava o 5.º lugar como bandeira de plano de saúde mais utilizado na região metropolitana de São Paulo.[3] Fechou 2021 com 550 mil beneficiários.[8][9]
Ações na pandemia de COVID-19 no Brasil
Em março de 2020, no começo da pandemia de COVID-19 no Brasil, a Prevent Senior passou a ser investigada pelo Ministério Público de São Paulo por possível omissão de notificação de mortes pelo coronavírus no Hospital Sancta Maggiore. Na época, o diretor-executivo da rede Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, afirmou que o hospital teve problemas para acessar o sistema de monitoramento epidemiológico de São Paulo, mas que eles já tinham sido resolvidos.[10] O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chegou a criticar a estrutura de atendimento do hospital, que concentrava o maior número de mortes por COVID-19 em São Paulo na ocasião, mas foi contestado pelo CEO da empresa.[11][12] O inquérito foi arquivado em agosto de 2020.[13] Mandetta chegou a ser acusado, na imprensa, de atuar em favor da concorrência da Prevent Senior.[14]
Em 17 de abril de 2020, um estudo inconclusivo da Prevent Senior afirmava que o uso combinado de hidroxicloroquina e azitromicina (medicamentos que posteriormente seriam usados para formar o chamado "kit Covid") reduzia as internações em pacientes com suspeita de COVID-19. O estudo não havia sido publicado em revista científicas e foi duramente criticado por conta de erros na amostragem e diversos problemas metodológicos.[15] Ele foi iniciado em 26 de março, mas só recebeu autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) em 14 de abril, indicando fraude científica segundo o Conselho Nacional de Saúde (CNS). O estudo acabou suspenso.[16] Ainda sim, os dados foram usados pelo presidente Jair Bolsonaro para celebrar a suposta eficácia do uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da COVID-19. A empresa negou vinculação com Bolsonaro e afirma que o estudo não passou de um relatório de observação de casos,[17] o que foi reconhecido num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Estado de São Paulo.[18]
Em setembro de 2021, a Prevent Senior passou a ser investigada pela CPI da COVID-19 a partir de um dossiê elaborado de forma anônima por médicos e ex-médicos da empresa, apontando que a instituição omitiu mortes nesse estudo com o objetivo de demonstrar sua eficácia e de administrar medicamentos ineficazes contra a COVID-19 sem o consentimento dos pacientes.[19][20][21][22][23] Em texto publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, o professor-coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos da UFRJ e assessor acadêmico do Instituto Brasil-Israel Michel Gherman e a microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência Natalia Pasternak afirmam que a Prevent Senior repetiu práticas nazistas e serviu de alerta para o país.[24]
Comissões de inquérito da empresa
CPI da Covid-19
A CPI da Pandemia já investiga supostas irregularidades da Prevent Senior, porém como a CPI federal tem até o dia 5 de novembro para existir e as denúncias reveladas por ela foram consideradas "muito graves", parlamentares da capital se moveram e criaram em tempo recorde a comissão municipal.[25]
Possível CPI da empresa na Alesp
A Assembleia Legislativa de São Paulo também coletou assinaturas suficientes para a criação da comissão. Porém, diferente do ocorrido na Câmara Municipal, para que ela exista, ainda precisa passar por votação nominal em Plenário antes de ser protocolada.[26]
CEI na Câmara de Vereadores de Sâo Paulo
Em função da atuação da empresa durante a pandemia, a Câmara de Vereadores de São Paulo abriu Comissão Especial de Inquérito para investigar irregularidades nos serviços prestados pela empresa, além das suspeitas do uso de cobaias para serem tratados com o Kit Covid.[27] A comissão tem prazo inicial de 240 dias, prorrogáveis por mais 120. [28]
Relatórios
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu uma investigação para pautar uma denúncia do canal GloboNews sobre o uso indiscriminado do Kit Covid e se funcionários foram obrigados a trabalhar, mesmo infectados com a Covid-19. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também abriu inquérito administrativo para investigar médicos que, supostamente, contestaram com violações a ética médica. [29] O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu inquérito contra os envolvidos nas denúncias e criou uma força-tarefa para investigá-los. [30]
Integrantes da CEI na Câmara de Vereadores
- Presidente[31]
- Antônio Donato (PT)
- Integrantes
- Paulo Frange (PTB/Relator)
- Milton Ferreira (Podemos)
- Xexéu Trípoli (PSDB)
- Celso Giannazi (PSOL/Vice-presidente)
Primeira semana de trabalho
Na primeira reunião da CPI em 7 de outubro, o presidente da comissão Antônio Donato (PT) informara que foi decidido um encontro com o procurador-geral de Justiça Mário Luiz Sarrubbo para pedir informações do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo. A operadora Prevent Senior informou que colabora com investigações. Donato também disse que ouvirá autoridades municipais. O relator, Paulo Frange (PSB), informou que a CPI também investigará irregularidades no pagamento de impostos da empresa a Prefeitura de São Paulo. [32]
Segunda semana de trabalho
Em 14 de outubro, foi ouvido na comissão Luiz Artur Vieira Caldeira (diretor da Comissão de Vigilância Sanitária de São Paulo - Covisa). Ele disse aos vereadores que a secretaria estadual de Saúde do estado, não respondeu a um pedido de intervenção nos hospitais da empresa em 2020. Segundo Luiz, inspeções de rotina atestaram falhas graves durante o início da pandemia nos hospitais da rede, como falta de notificações e de testes, falta de detalhamento de casos em prontuário e riscos de transmissão da Covid-19 dentro das unidades. Também disse que a empresa sofreu um processo administrativo, mas negou ter havido prevaricação. [33]
Terceira semana de trabalho
Foram ouvidos na CEI Jorge Venâncio, coordenador da Comissão Nacional de Ética e Pesuisa (Conep) e Bruna Morato (advogada de ex-médicos da operadora) em 21 de outubro. Ele disse na oitiva que houve fraudes nas pesquisas sobre os estudos da eficácia do Kit Covid. Ainda segundo Venâncio, a prestadora de serviços não recorreu da suspensão dos estudos, pois segundo ele, mesmo que a empresa recorresse ou houvesse um engano, o mesmo não havia sido autorizado pelo Conep. Bruna Morato disse na oitiva que a empresa fez pesquisas com nanopartículas e células-tronco e segundo ela, Anthony Wong e Regina Hang foram submetidos a esses testes. Morato disse que a Prevent comprou mais de 21 mil medicamentos que são utilizados para tratar o câncer de próstata. Segundo o Conep, a empresa não tinha autorização para utilizá-los no tratamento da Covid-19. [34]
Quarta semana de trabalho
Na quarta semana de trabalho da comissão, foram convidadas a depor na CEI familiares e parentes de vítmas que eram pacientes da Prevent Senior, que morreram de Covid-19 no dia 28 de outubro. Uma das pessoas disse que sua avó, de 91 anos apresentou sintomas da doença após outros parentes dele se infectarem com o vírus. No prontuário, constava que ela havia se infectado com a Covid. Outro parente informou a comissão que o seu pai havia consumido medicamentos do ineficaz Kit Covid, ao se contaminar com a doença em maio de 2020. Ele afirmou também que sei pai saiu do hospital com o kit, teve piora do quadro clínico e morreu no dia 25 de junho do mesmo ano. [35]
Entrega do relatório e votação em plenário
No dia 5 de abril de 2022, a comissão entregou o documento e por votação unânime indiciou 18 pessoas, entre elas os donos da empresa. No relatório, a comissão acusou a empresa por utilizar o ineficaz Kit Covid para tratar seus pacientes. Além disso, um dos donos foi indiciado por crimes contra a humanidade. Os documentos, serão entregues para o Ministério Público de São Paulo, o Tribunal de Justiça de São Paulo e também para a Procuradoria-Geral do Estado. [36]
Resultados das investigações
A Prevent Senior contestou as acusações e anunciou que processará tanto os ex-médicos da empresa quanto aqueles que os acusaram de práticas ilegais. O CEO da empresa, Fernando Parrillo, acusou os ex-funcionários de tentarem extorquir a operadora.[37] O primeiro processo foi endereçado à advogada que representou os ex-médicos,[38] em fevereiro de 2022. Na ação, a Prevent Senior solicita indenizações por danos morais.
Em 19 de abril de 2022, Polícia Civil de SP concluiu que não houve ilícito penal no tratamento de pacientes de Covid-19 pela operadora de saúde e seus funcionários. Como os fatos apurados transcorreram em 2020, no início da pandemia, entre os pareceres publicados, destaca-se: "Trata-se de um período em que quase diariamente eram publicadas recomendações por parte das autoridades médicas, afetando principalmente os médicos que atuavam no front".[39]
O inquérito foi conduzido pela delegada Lisandrea Colabuono, da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Liberdade Pessoal, vinculada ao DHPP. Segundo a Polícia Civil, a análise de prontuários médicos não comprovou imperícia ou negligência por parte dos médicos da operadora. No relatório final do inquérito, encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, a delegada escreveu que as apurações foram isentas de "qualquer motivação político-partidária".[40]
Referências
- «Prevent Senior - Maiores e Melhores». Exame. Consultado em 23 de setembro de 2021
- Mariana Desidério (5 de dezembro de 2019). «Idosos e rentáveis». Exame. Consultado em 23 de setembro de 2021
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- «Estudo da Prevent não prova que cloroquina funciona contra Covid, diz fundador da empresa». Folha de S.Paulo. 23 de setembro de 2021. Consultado em 25 de novembro de 2021
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- Estêvão Bertoni (22 de setembro de 2021). «7 pontos-chaves para entender o caso da Prevent Senior». Nexo Jornal. Consultado em 23 de setembro de 2021
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- «Agência Nacional de Saúde e Cremesp investigam denúncias contra a Prevent Senior». G1. Consultado em 3 de outubro de 2021
- «MP vai investigar distribuição de 'kit Covid' a pacientes da Prevent Senior em SP». G1. Consultado em 3 de outubro de 2021
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- https://www.cnnbrasil.com.br/politica/cpi-da-prevent-senior-em-sp-define-quem-serao-os-primeiros-convocados/
- https://www.cnnbrasil.com.br/politica/apos-depoimento-cpi-da-prevent-senior-pede-explicacao-a-saude-estadual-de-sp/
- https://www.cnnbrasil.com.br/saude/coordenador-do-conep-ve-fortes-indicios-de-fraude-cientifica-da-prevent-senior/
- https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/10/28/avo-covid-quadro-irreversivel-prevent-senior-depoimento-cpi-camara-sp.htm
- https://noticias.r7.com/sao-paulo/relatorio-final-da-cpi-pede-indiciamento-dos-donos-da-prevent-senior-e-18-medicos-04042022
- «Fernando Parrillo, da Prevent Senior: "Não erramos em nenhuma decisão"». Exame. 31 de outubro de 2021. Consultado em 25 de novembro de 2021
- «Prevent Senior processa advogada que acusou a empresa de crimes na CPI da Covid». Consultor Jurídico. Consultado em 19 de maio de 2022
- Redação (19 de abril de 2022). «Escândalo Prevent Senior: empresa é inocentada em inquérito policial». Veja. Consultado em 20 de abril de 2022
- «Inquérito da Polícia Civil isenta Prevent Senior de crimes contra pacientes». Folha de S.Paulo. 19 de abril de 2022. Consultado em 19 de maio de 2022
