Projeto Candigno

O Projeto Candigno ou Projecto Condigno (Project Condign, no título original) foi um estudo secreto sobre OVNIs feito pela Equipe de Inteligência do Ministério da Defesa (MoD) do governo britânico, entre 1997 e 2000.[1]

Os resultados do Projecto Condign foram compilados num documento de 400 páginas intitulado "Unidentified Aerial Phenomena in the UK Air Defence Region" (Fenómenos Aéreos Não Identificados na Região de Defesa Aérea do Reino Unido), que incluiu cerca de 10.000 avistamentos e relatórios recolhidos pela DI55, uma secção da Direcção de Inteligência Científica e Técnica (DSTI) do Departamento de Inteligência da Defesa (DIS). O relatório foi concluído em 2000, indicando que não foram encontradas evidências de que os fenômenos aéreos observados são "hostis ou sob qualquer forma de controle", o que deu ao DI55 os fundamentos necessários para não mais aceitar relatos de avistamentos. A seguir o DI55 destruiu os arquivos nos quais o relatório se baseava, e também a base de dados que eles haviam coletado para análise.[2][1]

O relatório foi tornado público em 15 de Maio de 2006, após um pedido de Setembro de 2005 , baseado na Lei da Liberdade de Informação, pelos investigadores de OVNIs, Dr. David Clarke, professor universitário, e Andy Roberts. A identidade do ou dos autores do relatório não foi tornada pública. O relatorio afirmava que a existência de UAPs era "indiscutível", mas culpou o avistamento mais embaraçoso nos "plasmas" aéreos formados durante "mais de um conjunto de condições meteorológicas e de cargas eléctrica", ou durante chuvas de meteoros.[3]

Clarke e Roberts revelaram esta descoberta aos meios de informação em Maio de 2006, e pouco tempo depois, o MoD colocou uma cópia do relatório inteiro no seu sítio oficial.

Análise dos casos

Os casos foram agrupados em sete tipos:[4]

Veículos aéreos feitos pelo homem

Aeronaves, helicópteros, planadores, balões meteorológicos, balões de ar quente sozinhos ou vários entrelaçados, paraquedas, asas-deltas, dirigíveis, são das muitas opções de objetos aéreos que podem ser confundidos por testemunhas com UAPs.[5][6]

Alguns relatórios de UAP podem ser atribuídos a programas secretos de aeronaves - nos quais podem ser relatados veículos aéreos incomuns, tanto na fase experimental como em serviço.[7]

Passagens de satélites, reentrada de satélites na atmosfera são outros fortes candidatos para relatos de UAP. Observações noturnas de satélites baixos são normalmente possíveis somente durante uma hora ou duas ao anoitecer. A sequência é invertida pela manhã. Podem emitir flashes graças ao reflexo do sol em seus painéis, em magnitudes que podem exceder as do planeta Vênus.[8]

Fenômenos meteorológicos e atmosféricos

Nuvem lenticular, Hawai.

No campo da meteorologia e outros fenômenos atmosféricos e óticos naturais, que podem gerar relatórios de UAPs, são elencados vários fenômenos, como: nuvens lenticulares e outras tipos de nuvens de pouco conhecimento do público em geral, Halos, Glórias, Fogo de Santelmo, miragem ótica, vórtices toroidais, eventos luminosos transientes como sprites e blue jets.[9] Em particular, temos os relâmpagos bola (ball lightning) e os relâmpagos conta (bead lightning)[10] que merecem destaque:[11]

  • Podem ocorrer até duas horas após uma tempestade e podem ser percebidos pelo olho humano como um objeto. Duram de alguns segundos a vários minutos.
  • Podem ocorrer em todas as situações meteorológicas, mesmo em céu claro, sem a presença de uma tempestade ou de raios visíveis ou convencionais.
  • Os sons e cores que podem ser produzidos por relâmpagos bola frequentemente são similares ao relatórios UAP na base de dados do Reino Unido.

Os relâmpagos bola já foram relatados na vizinhança de pântanos, vulcões e durante terremotos. As bolas/globos aparecem na chuva, em céu limpo, em condições de vento ou ainda, se movem contra o vento, podem ser associados a vórtices, na neve, perto do solo e em altitude. Sem dúvida, a maior ocorrência é durante tempestades ou condições ciclônicas. Também podem deixar uma trilha como meteoros. Relâmpago conta é observado geralmente a distância enquanto o relâmpago bola é próximo.[12]

Relâmpagos bola podem variar de alguns centímetros à doze-quinze metros de diâmetro. Efeitos óticos podem mudar a percepção de tamanho. Apresentam variados movimentos: rápido ponto a ponto, em trajetórias complexas, atraídos para recintos e interior de aeronaves, emergindo de lagos, etc. A velocidade geralmente é baixa (quando perto do chão como a de um homem andando ou correndo), podendo ser zero; ou altas, de cem a mil e duzentos m/s.[13]

Imagem de um sprite por aeronave da NASA em 1994. A cor vermelha é devido emissões de nitrogênio fluorescente provocadas por relâmpago.

Um exame da vasta gama de investigações sobre relâmpagos bola e conta, revelou que estariam certamente ligados a uma parte dos relatórios UAP recebidos a partir do espaço aéreo do Reino Unido. As descrições destas formas particulares de relâmpago correlacionam-se no tempo, cor e movimento, com a descrição qualitativa dada frequentemente por testemunhas de confiança.[14]

Outro achado da investigação, e considerado um dos mais importantes é o de um fenômeno óptico de absorção total, que pode existir no espaço entre corpos flutuantes carregados, dando a aparência de uma forma aerotransportada (por exemplo, uma forma que é um vazio triangular visual, entre três corpos e de que nenhuma luz é refletida).[15]

Efeitos relatados em seres humanos

O relatório investigou os efeitos em seres humanos causados por campos magnéticos emanados de UAPs e verificou que o cérebro humano sob efeito desses campos pode responder de uma maneira muito semelhante aos efeitos descritos por testemunhas de encontros imediatos.[4]

Três campos possíveis podem ser emanados de um UAP:[16]

  • Campos magnéticos: podem ser naturais, gerados ou armazenados. Em um UAP isso significaria geradores de campo grandes e pesados numa estrutura sólida ou então gerados por um UAP de plasma;
  • Campos elétricos: esses campos passariam, conceitualmente, entre o corpo do objeto e a terra, com o ser humano entre ambos;
  • Campos eletromagnéticos: compreende tanto componentes elétricos como magnéticos. Em UAPs, o principal interesse é se ele irradia ondas eletromagnéticas diferentes daquelas da parte visível do espectro.

As características de campo UAP são desconhecidas, mas é um fato corroborado que, além da luz, algum tipo de campo é emanado que tem efeitos adversos em algumas pessoas quando estão perto da fonte.[16] Parece haver quatro tipos de formações relacionadas à carga elétrica que podem ocorrer na atmosfera que causam campos magnéticos: relâmpago bola, plasma ionosférico, evento luminoso transiente e aerossol carregado eletricamente.[17]

Michael Persinger estudou o papel que os campos eletromagnéticos e infrassons podem desempenhar em causar a percepção de uma "sensação de presença".

Modulações do campo eletromagnético em níveis de energia muito baixos parecem causar respostas cerebrais tipo encontros imediatos, quando na presença de um UAP ao ar livre ou dentro de casa, podendo fazer que o cérebro interaja de forma incomum com a biblioteca da imaginação, gerando relatos que não são de fato uma verdadeira representação dos fatos. É notável que a leitura de relatórios UAP do século XX, não produziram evidências de alienígenas espaciais ou feixes de luzes.[18]

Muitos relatórios são de luzes intensas, de cores diversas, muitas de curta duração, podendo ser imagens em sequência. Relatos de duração mais longa, de até cinco minutos, poderiam ser atribuídos a estímulos instantâneos, seguidos de uma pós-imagem.[19] Entre dez e quinze segundos, estaríamos interpretando e adaptando o que é visto muito além do que realmente é registrado quimicamente dentro da retina. Parece improvável que no caso de várias testemunhas de UAPs, todas receberiam o mesmo estímulo ao mesmo tempo, a menos que muito próximos umas das outras.[20]

O relatório evoca trabalhos científicos publicados pelo neurocientista Michael Persinger,[21] que usando campos magnéticos de baixa frequência, registrou atividade significativa do lobo temporal. Persinger é um dos expoentes da neuroteologia. Suas conclusões nos últimos anos tem sido objeto de críticas: seus resultados poderiam ser fruto de sugestão e não dos campos magnéticos.[22] Nas experiências de Persinger, seu trabalho teria demonstrado que as pessoas que já possuem altos níveis de atividade no lobo temporal provavelmente experimentarão atividades místicas ou paranormais, medo, experiências fora do corpo e formigamento ou vibração.[23]

Considerações importantes dentro do contexto UAP:[24]

  • A exposição de humanos a campos magnéticos fracos, causam efeitos estranhamente similares aos relatados por testemunhas de encontros imediatos;
  • Se um cérebro humano é afetado dessa forma, parece lógico que um UAP poderia emitir níveis semelhantes de energia magnética;
  • Percepção de alienígenas, tempo perdido, espaçonaves, acontecem na proximidade de UAPs, onde provavelmente o observador recebe os níveis adequados de energia;
  • Além do campo magnético temos as emissões de luz visível vistas por observadores UAP em todas as distâncias. Calor também é relatado.

A observação chave é que, embora muito fraco em comparação ao campo magnético da Terra, cerca de quinhentas vezes menor, o campo experimental foi utilizado em pulsos e rotacionado. Parece possível que os campos produzidos por um ou mais tipos de plasma possam irradiar e pulsar. Testemunhas próximas a eventos UAP muitas vezes relatam luzes pulsantes e até mesmo sons pulsantes.[25]

Fenômenos celestiais, ionosféricos e terrestre

Em formações rochosas específicas, uma luz pode ser produzida por certos materiais que têm a propriedade de emiti-la quando mecanicamente solicitados (triboluminescência) ou essa luz pode ser produzida em consequência de uma reação química (quimioluminescência). Esses dois fenômenos, segundo o relatório, podem ter sido os elementos de fundo para a teoria das chamadas Linhas de Ley, que seriam supostos alinhamentos entre vários sítios históricos ou arqueológicos ou a teoria das Ortotenias,[26] que propõem que observações de OVNI estão alinhadas na superfície da Terra. Uma breve pesquisa demonstrou que essas teorias são estatisticamente inválidas, mas uma conexão UAP com as Linhas de Ley poderia existir, uma vez que alguns dos locais que supostamente formam essas linhas envolvem formações rochosas no Reino Unido.[27] O relatório cita um famoso local na Noruega, com formações rochosas semelhantes a de partes do Reino Unido, onde luzes enigmáticas surgem com relativa constância, provocando o chamado Fenômeno de Hessdalem,[28] que vem sendo sistematicamente estudado em projeto no âmbito da Østfold University College.[29]

Outras fontes de luzes da Terra estão ligadas a geologia e estatisticamente estão conectados a UAPs, conforme estudo entre 1972 e 1976 em Leicestershire, Inglaterra.[30] Forças físicas e elétricas se acumulam em áreas de atividade sísmica, possivelmente ao longo de semanas ou meses e as tensões resultantes em formações rochosas finalmente resultam em fraturas de rocha. Antes do evento e durante a fratura são produzidas partículas carregadas eletricamente que se manifestam como luz quando ela ocorre, como relatado no grande terremoto do México de 8 de setembro de 2017.[31] Estudos realizados em 2014 corroboraram a hipótese acrescentando novas informações, como a de que essas luzes aparecem desproporcionalmente antes ou durante os terremotos, em vez de depois, e em determinadas categorias de falhas geológicas.[32] Nesse cenário, podem ocorrer luzes da Terra nas seguintes condições:[33]

  • Ao longo das falhas geológicas e a cerca de dois quilômetros das linhas de falha;
  • Em terra ou no mar, as luzes foram muitas vezes descritas como verdes em formas de globo ou triângulos;
  • Quando excepcionais condições meteorológicas estão presentes;
  • Quando o aumento da poluição causada pelo homem está presente (partículas no ar capazes de manter uma carga elétrica);
  • Quando existe uma presença gasosa ou quimioluminescente.

No relatório, a partir da tese que certos UAPs são gerados por cargas elétricas liberadas de tensões antes e depois de terremotos (aparentemente é necessária uma atividade sísmica de baixo nível), são listadas características que essas luzes da Terra geradas teriam, levando em conta relatos históricos e trabalhos elaborados dentro do projeto:[34]

  • Formas: bolas, raias, brilhos, arcos, bumerangues, triângulos com cantos arredondados, discos, esferas, girinos; à luz do dia podem parecer com discos metalizados, brilhos, halos, charutos; as cores mudam rápido e podem ser âmbar-amarelo e branco e a cor vermelha muitas vezes ao centro;
  • Luzes que mudam de forma, voam, perto da superfície ou em altura, descritas frequentemente como: dançando, perseguindo, dividindo ou fundindo; podem sugerir condução inteligente; podem se mover juntas, levando à suposição de que estão nas extremidades de um objeto sólido;
  • Os relatos são prováveis à noite, ainda que ocorram à luz do dia;
  • Uma emissão de ondas eletromagnéticas está presente.

Outro fenômeno, o das manchas solares tem sido sugerido com algum tipo de correlação com UAPs. Em alguns ciclos solares de onze anos, surgiram erupções solares que produziram campos magnéticos complexos, que variam no poder de penetração na ionosfera, no grau de flutuação e na distribuição da intensidade sobre a Terra. Os efeitos diretos da radiação eletromagnética são confinados ao hemisfério iluminado do planeta, que se inverte a cada novo ciclo. Correlações entre a frequência de UAPs e atividade magnética solar exigiria pelo menos vários anos de relatórios na base de dados.[35]

Formas visíveis, movimentos e sons

O estudo catalogou um grande número de formas e cores de UAPs, não só pelas fontes do banco de dados do Reino Unido, mas de relatos de outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, França, Japão, México, Peru e Áustria. As formas catalogadas foram esferas, discos, charutos, estrelas/pontos, triângulos, pirâmides, cones, retângulos, cilindros, diamantes, bumerangues.[36]

As cores foram: vermelho, laranja, amarelo, branco/prata, azul, verde, cinza/negro, rosa e misturadas. Foram criadas tabelas criando correlações entre as formas, cores e situações. Essas tabelas servem como uma referência e todos os casos investigados devem ser apoiados por uma investigação mais aprofundada usando todas as evidências disponíveis para auxiliar uma tomada de decisão final entre um UAP explicável ou não explicável (por falta de dados) ou inexplicável (com dados suficientes para tal). Por exemplo, uma forma em disco de cores misturadas, vista a noite, por segundos ou horas, é uma referência a um possível UAP identificado como uma luz da Terra (triboluminescência, quimioluminescência, cargas elétricas de atividades sísmicas) ou gás de pântano. Por outro lado, uma forma em disco negro ou como sombra, com luzes entre as extremidades, por segundos ou minutos, é uma referência a um possível UAP não identificado.[37]

O relatório também trata da ilusão de velocidade de objetos em afastamento. Quando UAPs são observados na escuridão da noite, se o observador não tiver uma outra referência simultânea, como um avião, com o qual possa comparar com a velocidade do objeto, determinar a real velocidade pode ser impossível. Do mesmo modo, sob luz solar intensa, a velocidade de um pequeno objeto esférico em afastamento é particularmente difícil de avaliar. Quando um objeto é visto como uma luz esférica, a sua área superficial se afastando é percebida como a área de um círculo (πr2), parecendo ter encolhido de acordo com a quadrado da distância para o observador. No entanto, se a luz é uma esfera de plasma ela pode não estar acelerando ou em velocidade linear, mas encolhendo de tamanho, de intensidade, sem chegar a se mover, no tempo de sua breve existência. Similarmente, uma luz aparentemente rotativa, pode ser uma luz oscilante, e que dá a impressão de uma luz em rotação.[38]

Quanto aos sons, em muitos relatórios de UAPs desenvolvendo alta velocidade, não são relatados a ocorrência do estrondo sônico. Alguns motivos para essa estranha ausência poderia estar relacionada aos seguintes fatores:

  • Velocidade superestimada do objeto;
  • Condições atmosféricas que suprimem ou diminuem o nível do som (uma onda de choque sônica é distorcida por ventos ou absorvida pelas nuvens);
  • O objeto na verdade está no espaço (satélites);
  • O objeto não perturbou a atmosfera através da qual pareceu passar;
  • O objeto na verdade não tem massa ou massa insignificante.

O design aerodinâmico da fuselagem de aeronaves pode reduzir efeitos de onda de choque, embora não eliminá-los.[39]

Detecção por radar

Testemunhas fiáveis relataram UAPs que, pelas descrições visuais, poderíamos razoavelmente esperar que fossem objetos suficientemente sólidos para produzir reflexões de radar. Havia uma discrepância inconcebível entre o número de relatos visuais em terra e os registros radar de UAPs no Reino Unido, mesmo estes podendo alcançar distâncias além do limite da visão humana. Alguns motivos para tal discrepância seriam que os operadores de radar desconsideram muitos sinais por reflexão fraca, suspeita de sinais espúrios ou por serem bandos de pássaros.[40]

Radar: um pulso de ondas de rádio de alta freqüência é emitido e reflete a partir da superfície do alvo. O sinal de retorno, "eco", é recebido pela antena, e o tempo de ida e volta é medido. A distância até o alvo é proporcional ao tempo de viagem. No mostrador a distância é proporcional à distância do pulso.

As respostas dos UAPs a radares são variáveis. Em dezembro de 1989, cinco radares da OTAN estavam dentro da área de cobertura de um relatório UAP. Três radares detectaram, mas dois não. A implicação disso parece ser que, pelo menos, a superfície de reflexão oferecida a uma frente de onda de radar pelo UAP não se apresenta como um objeto sólido consistente. Esta variabilidade pode ser devido a forma, orientação, composição do material ou ambos. Se UAPs forem fenômenos meteorológicos como plasmas atmosféricos, seria esperado que sua intensidade decairia conforme se extinguiria sua existência. Quanto a medição de velocidade, na ausência de correlação cruzada entre radares, são poucas as ocasiões onde ela pode ser deduzida a partir de medições reais.[41]

Ecos de radar podem ser obtidos devido à condutividade elétrica do ar ionizado. A camada emissora de luz, causada pelos elétrons, é provavelmente um alvo de radar efetivo.[42]

O estudo considerou que certos alvos de radar registrados como UAPs, foram originados por plasmas atmosféricos, como relâmpagos bola e plasma carregado de partículas de poeira (dusty plasma).[43] E destaca que uma esfera de plasma mais densa (ou outra forma) pode ser considerada um refletor perfeito.[44]

Tecnologias exóticas

Inicialmente o estudo não descartou que uma descoberta extraordinária, mesmo extraterrestre, poderia explicar alguns eventos. Que tal conclusão (tendo em conta as características excepcionais atribuídas por algumas testemunhas), só poderia ser o resultado de tecnologias que envolveriam atributos científicos e de engenharia que ultrapassariam as aspirações da indústria aeroespacial na Terra. Entre outras, por exemplo: [45]

  • Viagens interplanetárias ou intergaláticas;
  • Se mover a altas velocidades na atmosfera (acima da velocidade do som) sem causar o estrondo sônico;
  • Capacidade de manobras além de nossa capacidade atual e acima do que humanos possam suportar;
  • Emitir algum tipo de campo invisível, que, quando próximo, pode causar efeitos incomuns em humanos e equipamentos. Na pior das hipóteses, uma exposição de curto alcance a um UAP pode causar alguns efeitos de perturbações mentais e físicas, além de causar temporariamente mau funcionamento em equipamentos elétricos e eletrônicos.

Foi constatado que ao menos que existissem lacunas nas informações de inteligência há muitos anos, a possibilidade de demonstrar que a presença inexplicada de relatos UAP se deve inteiramente ao fenômeno humano, embora não totalmente impossível, era claramente improvável.[45]

Conforme o estudo prosseguiu, surgiram alguns dados que correlacionaram fenômenos de objetos aéreos inexplicados com fenômenos naturais. Assim, os interesses da inteligência de defesa não foram aprofundados por investigações contínuas concentradas em possibilidades extraterrestres.[46]

Quanto a meios de propulsão de veículos, o empuxo de qualquer objeto deve ser ligeiramente menor do que a massa do corpo na aterrissagem e duas vezes o seu peso para uma aceleração na decolagem de 1g. Se um objeto de um diâmetro de cinco a vinte metros fosse decolar, então uma explosão muito quente e significativa deveria ser esperada na superfície. Nenhum desses efeitos secundários foram relatados nos milhares de relatórios UAP, mantidos no Ministério da Defesa do Reino Unido. A existência de supostas tecnologias exóticas muitas vezes requerem que admitamos forças além do entendimento humano e que contrariam as leis da física como as conhecemos hoje. Tais como:[47]

Tendo em vista os casos residuais sem explicação na base de dados, com grandes variações de velocidade e aceleração além da nossa tecnologia atual, se pode elencar alguns meios de propulsão alternativos: uso de plasma, combustível químico combinado com eletro-nuclear, propulsão magnética, propulsão hipersônica, uso de antimatéria, micro-ondas.[49]

Quanto a relatos de OVNIs, o projecto afirma ter verificado que:[50]

  • Não existiriam relatos fiáveis de pouso e decolagem de veículos contendo seres. Nenhuma espaçonave extraterrestre e seus ocupantes foram vistos e artefatos ou materiais foram deixados para confirmar sua existência.
  • Não houve espaçonaves acidentadas, apesar de relatos de OVNIs por milhares de anos.
  • Não houve evidências de comunicação entre seres e suas naves com os humanos.
  • Não houve evidências de alguma nação que dominasse o uso da antimatéria para propulsão.


Referências

  1. «UFO study finds no sign of aliens» (em inglês). 7 de maio de 2006
  2. Gayle, Damien (6 de maio de 2018). «No time for aliens: how the MoD tried to prove no one's out there». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
  3. Randerson, James; correspondent, science (25 de setembro de 2006). «Is there anybody out there? How the men from the ministry hid the hunt for UFOs». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
  4. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 1, Chapter 2: Analysis Methodology, Subchapter: Relevant Information |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/D4D3A578-0E08-49B3-99C1-CBA6288AD86E/0/uap_vol1_pgs14to34_ch2.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 1|acessodata=13 de dezembro de 2016 }}
  5. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 14, Meteorological Balloons |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/B2887CA4-FDF6-41FC-9420-08C685FE1D2C/0/uap_vol2_ptb_pgs31to45.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 14-1 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  6. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, vol. 2, Papers 15, Airships, Hot Air and Tethered Balloons |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/B2887CA4-FDF6-41FC-9420-08C685FE1D2C/0/uap_vol2_ptb_pgs31to45.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 15-1 a 15-3 |acessodata=13 de dezembro de 2016}}
  7. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, vol. 2, Paper 9, Black and Other Aircraft |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/6A30B96E-35AD-4F73-93B1-863F59A3A0E4/0/uap_vol2_pgs76to90.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 9-1 |acessodata=13 de dezembro de 2016}}
  8. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, vol. 2, Paper 17, Visual Observation of Satellites |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/7815E2A9-02FF-4E8F-B31A-44E9E14D9522/0/uap_vol2_ptb_pgs46to60.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 17-1 a 17-3 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  9. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 13, Visual Meteorological and Other Natural Atmosferic Phenomena |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/FD558ECB-59C3-494D-8FAC-F0391B5721F1/0/uap_vol2_ptb_pgs16to30.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 13-2 a 13-4 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  10. «Bead Lightning». Enciclopédia Britânica. Consultado em 12 de maio de 2019
  11. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 2, Ball and Bead Lightning, Chapter: The Characteristics of Ball and Bead Lightning |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/C8BA09AC-5E7C-42A5-A597-6E2208FABA75/0/uap_vol2_pgs16to30.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 2-1 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  12. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 2, Ball and Bead Lightning, Chapter: The Characteristics of Ball and Bead Lightning, Subchapter: Introduction |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/C8BA09AC-5E7C-42A5-A597-6E2208FABA75/0/uap_vol2_pgs16to30.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 2-2 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  13. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 2, Ball and Bead Lightning, Chapter: The Characteristics of Ball and Bead Lightning, Subchapter: Shapes, Sizes and Structures |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/C8BA09AC-5E7C-42A5-A597-6E2208FABA75/0/uap_vol2_pgs16to30.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 2-3 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  14. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 2, Ball and Bead Lightning, Chapter: The Characteristics of Ball and Bead Lightning, Subchapter Summary - Relevance to UAP |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/C8BA09AC-5E7C-42A5-A597-6E2208FABA75/0/uap_vol2_pgs16to30.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 2-12 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
  15. {{Citar livro |nome=DIS |sobrenome=Air Command |título= Condign Report, Vol. 2, Paper 2, Ball and Bead Lightning, Chapter: The Characteristics of Ball and Bead Lightning, Subchapter: Optical Thickness of Black Body Radiators |url= http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20121026065214/http://www.mod.uk/NR/rdonlyres/AE15FEA4-6D23-4418-AF6C-6112DAE5EFD6/0/uap_vol2_pgs31to45.pdf |local=Reino Unido|editora= MoD|ano=2000 |página= 2-11 |acessodata=13 de dezembro de 2016| }}
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Bibliografia

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Ligações externas

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