República Federal da Jugoslávia

A República Federal da Jugoslávia (português europeu) ou Iugoslávia (português brasileiro) foi um estado federal formado pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro que existiu entre 1992 e 2003, quando foi reconstituído e renomeado para Sérvia e Montenegro. Sua capital era Belgrado.



Савезна Република Југославија
Savezna Republika Jugoslavija

República Federal da Iugoslávia

1992  2003
Bandeira Brasão
Hino nacional
Hej, Sloveni
"Hei, Eslavos"


Localização de Iugoslávia
Continente Europa
Capital Belgrado
Língua oficial Servo-croata (1992-1997)
Sérvio (1997-2006)
Governo República federal (1992–2003)
Sistema de partido dominante (1992 a 2000)
Presidente
 • 1992–1993 Dobrica Ćosić
 • 1993–1997 Zoran Lilić
 • 1997–2000 Slobodan Milošević
 • 2000–2003 Vojislav Koštunica
Primeiro-ministro
 • 1992–1993 Milan Panić
 • 1993–1998 Radoje Kontić
 • 1998–2000 Momir Bulatović
 • 2000–2001 Zoran Žižić
 • 2001–2003 Dragiša Pešić
História
  27 de Abril de 1992Fundação
  4 de Fevereiro de 2003Dissolução
Moeda Dinar iugoslavo (1992-2003)
Dinar sérvio (Sérvia 2003-2006)
Marco alemão (Montenegro 1999-2002)
Euro (Montenegro 2002-2006)

A federação surgiu da dissolução da República Socialista Federal da Iugoslávia, quando Croácia, Eslovênia, Bósnia e Herzegovina e a Macedónia do Norte se autodeclararam independentes.

História

Fundação

Ver artigo principal: Dissolução da Iugoslávia

A República Socialista Federal da Iugoslávia se desintegrou entre 1991 e 1992, na sequência da independência da Eslovênia, Croácia, Macedónia do Norte e Bósnia e Herzegovina. As outras duas repúblicas iugoslavas, Sérvia e Montenegro, formaram em 27 de abril de 1992 uma nova federação chamada República Federal da Iugoslávia. [1][2]

A Iugoslávia foi então renomeada para a República Federal da Iugoslávia, e até tentou ser a sucessora legal da antiga Iugoslávia, porém os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não a reconheceram como tal. A ONU, assim como muitos países, inicialmente se recusaram a reconhecer a federação da Sérvia e Montenegro como a sucessora da República Socialista Federativa da Iugoslávia, embora reconhecessem-a como um Estado independente.

Em um referendo realizado em Montenegro em 1992, 95,66% dos votos foram a favor da manutenção do vínculo com a República Federal da Sérvia. A participação nestas eleições foi de apenas 66%, o que indica o boicote por minorias muçulmanas e católicas, assim como cidadãos que apoiaram a independência. Esses setores se queixaram que o referendo foi organizado em condições antidemocráticas e que o governo central era responsável pelo acompanhamento da campanha eleitoral.

Guerras iugoslavas

Ver artigo principal: Guerras iugoslavas

Com a eclosão das guerras de independência da Eslovênia, da Croácia e da Bósnia e Herzegovina, a Sérvia manteve-se calma até 1998, embora o governo de Slobodan Milošević e suas instituições apoiariam, mais ou menos oficialmente, os sérvios da Croácia e da Bósnia, em guerra aberta com as outras nacionalidades, armando e estimulando suas tropas.

A República Federal da Iugoslávia foi suspensa de diversas instituições internacionais devido às guerras iugoslavas em curso durante a década de 1990, visto que o governo da Iugoslávia apoiava os sérvios bósnios e croatas nas guerras de 1992 a 1995. Por causa disso, o país esteve sob sanções econômicas e políticas, o que resultou em desastre econômico que forçou milhares de seus jovens cidadãos a emigrar do país.

A Guerra Civil que havia mantido com a Bósnia desde o início da década terminou em 1995, com o Acordo de Dayton, assinado por Slobodan Milošević, Franjo Tudjman e Alija Izetbegovic.

Montenegro

A partir de 1996, os primeiros sinais públicos de discórdia política entre a liderança montenegrina e a liderança sérvia começaram a aparecer. Por volta de 1998, simultaneamente com o primeiro-ministro montenegrino Milo Đukanović triunfando em luta pelo poder com o presidente montenegrino Momir Bulatović, as relações entre as duas repúblicas agravaram-se e, como resultado, a liderança política do Montenegro decidiu estabelecer uma política econômica independente, e introduzir o marco alemão como moeda oficial (moeda seria substituída mais tarde pelo euro).

Guerra do Kosovo (1996-1999)

A partir do final da Guerra da Bósnia, aumenta a tensão entre os kosovares albaneses e os sérvios do Kosovo. Em janeiro de 1998, iniciam-se confrontos entre as forças sérvias e os guerrilheiros do Exército de Libertação do Kosovo (ELK). Os albaneses passam a fazer uma guerra de guerrilha visando à independência e a expulsão dos sérvios da região. Milošević nega-se a outorgar o direito de autonomia aos albaneses, suprimido em 1989, e intervêm na província visando a repressão do terrorismo albanês. A OTAN, a União Europeia e os Estados Unidos, alegam que os albaneses estão sendo vítimas de uma limpeza étnica e condenam a repressão dos kosovares albaneses.[3]

Em maio do mesmo ano, quando a guerrilha já controla cerca de 40% do país, Milošević concorda em negociar com os kosovares. No ano seguinte, Estados Unidos e União Europeia forçam os dois lados a retomar negociações na Conferência de Rambouillet. A Iugoslávia rejeita a proposta de maior autonomia para a província seguida pelo envio de uma força de paz internacional. Porém a pressão internacional cresceu sobre o homem forte sérvio, Slobodan Milošević, para pôr fim à escalada de violência na província. As ameaças de ação militar do Ocidente sobre a crise culminou com o lançamento de ataques aéreos da OTAN contra a Iugoslávia em Março de 1999. Os ataques concentraram-se principalmente contra alvos militares no Kosovo e na Sérvia, mas alargaram a um vasto leque de outras localidades, incluindo pontes, refinarias de petróleo, fontes de alimentação e comunicações.[3]

A perseguição étnica sofridas por civis durante a guerra, levaram à criação de um Tribunal Internacional de Haia para julgar crimes de guerra. Kosovo seria administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e embora tenha sido formalmente parte da Sérvia, era esperado para conceder-lhe o plebiscito de independência futura.

Queda e prisão de Milošević

Ver artigo principal: Revolução Bulldozer
O sérvio Slobodan Milošević, presidente da Sérvia de 1989 a 1997, e presidente da Iugoslávia de 1997 a 2000.

Em setembro de 2000, o presidente Slobodan Milošević convocou eleições, nesse momento o país sofria com as sanções impostas pelo Ocidente, e milhares de sérvios estavam vivendo em pobreza absoluta. Quando Milošević se recusou a reconhecer a vitória do líder da oposição, Vojislav Kostunica, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas das grandes cidades iugoslavas em protesto e uma greve geral paralisou o país. A era do regime autoritário de Slobodan Milošević terminou quando milhares de iugoslavos invadiram o parlamento, em Belgrado. Milošević é afastado do poder.[4] No mesmo ano, a Iugoslávia foi finalmente readmitida na ONU, depois de anos de suspensão. Por outro lado, sob pressão interna, o governo finalmente decidiu enterrar o nome de Iugoslávia.

Em janeiro de 2001, são restabelecidas as relações da Sérvia com a Albânia e em abril o ex-presidente Slobodan Milošević é preso, acusado de corrupção e abuso de poder.[5] O presidente norte-americano George W. Bush impõe a extradição de Milošević para o Tribunal de Haia, como condição para a liberação de ajuda financeira para a reconstrução da Sérvia. Horas depois da autorização para a extradição, no dia 28 de junho, os Estados Unidos, a União Europeia e o Banco Mundial se comprometem a dar 1280 milhões de dólares para a Sérvia.

República Sérvia e Montenegro (2003-2006)

Ver artigo principal: Sérvia e Montenegro

Em 2002, os governos das duas entidades que compõem a federação chegaram a um novo acordo com o objetivo de melhorar a cooperação entre os dois. Em 4 de fevereiro de 2003 aprovou-se uma nova Constituição, e o Estado foi reestruturado, também mudou seu nome para "Sérvia e Montenegro", assim com o patrocínio da União Europeia, a Iugoslávia desapareceu formalmente dos mapas.[6] No entanto, vários grupos começaram a pressionar pela independência de Montenegro, que foi aprovado através de um plebiscito realizado em 21 de maio de 2006 por 55,5% dos eleitores.[7] Finalmente, o Parlamento de Montenegro proclamou a independência do Estado em 3 de junho de 2006, efetivamente dissolvendo o último vestígio da antiga Iugoslávia. O estado foi reconhecido em dias subseqüentes por vários estados do mundo, incluindo a Sérvia em 15 de junho, finalmente ingressou como 192ª membro da ONU em 28 de Junho.

Subdivisões

Mapa das subdivisões territoriais do país

O país era composto de quatro principais unidades políticas, que consiste em duas repúblicas e duas províncias autônomas subordinadas:

Ver também

Referências

  1. Eros Bicic (28 de abril de 1992). «Nasce, isolata, la nuova Jugoslavia». Corriere della Sera
  2. Yugoslavia - Encyclopædia Britannica
  3. Kosovo conflict - Encyclopædia Britannica
  4. Un dictador sin castigo - El País
  5. Las guerras de Yugoslavia, la última tragedia europea - El País
  6. «Desaparece Yugoslavia». BBC (em espanhol). 2003. Consultado em 26 de agosto de 2007
  7. «La decisión de los montenegrinos de separarse de Serbia: Comentarios en la prensa europea». Deutsche Welle 23.05.2006 (em espanhol). 2006. Consultado em 26 de agosto de 2007
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