Santo Souza
José Santo Souza (Riachuelo, 27 de janeiro de 1919 — Aracaju, 18 de abril de 2014[1]), nascido José dos Santos, mais conhecido como Santo Souza, foi um poeta brasileiro.
Nascido em Riachuelo, de família humilde, trabalhou desde os 10 anos como auxiliar de farmácia, nunca concluiu o curso primário e aprendera a ler e escrever com as tias e aprendeu a poesia recortando pedaços de poesia durante o trabalho. Estudou música e compôs algumas valsas na juventude.
Aos 10 anos, escreveu a seguinte quadra: "A origem do amor é um fanal/ que ilumina a fonte de nossa amargura,/ tornando nosso coração cheio de ternura luminosa,/semelhante à luz espiritual" qual encantou o poeta José Sampaio, que posteriormente seria seu "padrinho" poético".
Apesar dos incentivos de Sampaio, que era um nome notório entre a intelectualidade sergipana. Santo Souza só iria publicar seu primeiro livro, "Cidade Subterrânea" de 1953, aos 34 anos, após Lincoln de Souza descobrir o poeta e chamar a atenção para José Augusto Garcez, então principal nome editorial de Sergipe com seu Movimento Cultural de Sergipe. O livro contou com o prefácio de Luiz da Câmara Cascudo e se trata de um livro com predominância parnasiana, por mais que haja poemas em verso-livre.
Entretanto, o ápice da poética souzeana é alcançado no seu livro "Ode Órfica" de 1956, qual foi elogiado por Sergio Milliet e dissera "Anotem os críticos o nome desse poeta de Sergipe. Terão de falar dele um dia". "Ode" denota a influência do Simbolismo Brasileiro e Francês pelo retorno à espiritualidade na poesia, da rigidez formal Camoniana e, especialmente, nos mistérios de Orfeu. Posteriormente, a "Ode" seria relançada junto de "Pentáculo do Medo (1980)" acrescido da "Convocação ao Reino de Orfeu" em "A Ode e o Medo (1988)".
Apesar de não ser essencialmente um poeta social, escreveu "Pássaro de Pedra e Sono" de 1964, censurado pela ditadura, e "Concerto e Arquitetura" de 1974.
Era membro da Academia Sergipana de Letras, membro efetivo da Associação Sergipana de Imprensa e membro correspondente da Academia Paulista de Letras e fez parte da Maçonaria. Foi primo do ator, poeta, escritor e ativista sergipano Severo d'Acelino.
Morreu de câncer de pulmão, na sua casa, enquanto dormia.[1]Santo Souza deixou 8 filhos, 27 netos e 18 bisnetos.[2]
Obra
- Cidade Subterrânea (1953) (com prefácio de Câmara Cascudo)
- Caderno de Elegias (1954)
- Relíquias (1955)
- Ode Órfica (1956)
- Pássaro de Pedra e Sono (1964)
- Oito Poemas Densos (1964)
- Concerto e Arquitetura (1974)
- Pentáculo do Medo (1980)
- A Ode e o Medo (1988)
- Obra Escolhida (1989)
- Âncoras de Arco (1994)
- A Construção do Espanto (1998)
- Rosa de Fogo e Lágrima (2004)
- Réquiem para Orféu (2005)
- Ésquilo na Tormenta (2006)
- Deus Ensanguentado (2008)
- Crepúsculo de Esplendores (2010)
Referências
- «Morre aos 95 anos poeta, cronista e jornalista Santo Souza». TVCanal13. 18 de abril de 2014. Consultado em 22 de abril de 2014
- http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1445877-jose-santo-souza-1919-2014---poeta-espiritualista-e-universal.shtml