Solaropsis

Solaropsis é um gênero de gastrópodes terrestres e silvícolas da família Solaropsidae, na subclasse Heterobranchia e ordem Stylommatophora[1][2] (antes entre os Camaenidae[3][4] ou Pleurodontidae),[5] nativos da América tropical (região neotropical).[3] Foi classificado por H. Beck no ano de 1837; na obra Index molluscorum praesentis aevi musei principis augustissimi Christiani Frederici.[1] Sua espécie-tipo é Solaropsis undata (Lightfoot, 1786), também denominado S. pellisserpentis (Gmelin, 1791[1] / Chemnitz, 1795),[6] um táxon não mais válido,[1] ou S. cicatricata Beck, 1837,[6] agora outra espécie;[1] o que demonstra a grande dificuldade taxonômica em classificá-los e sua história sistemática é complexa, pois sua filogenética ainda não está bem estabelecida; com muitas descrições feitas apenas por características de suas conchas, contendo diversos outros taxa mencionados.[1][2][7] Rodolpho von Ihering já dizia, no ano de 1900, "são animais um pouco raros, por serem encontrados nos grandes matos. Pouco é o que se sabe de sua vida e nada consta sobre a sua propagação".[8]

Solaropsis

Três conchas de S. undata, aqui denominado S. pellisserpentis, em museu.

Três conchas de S. undata em museu.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Subclasse: Heterobranchia
Infraclasse: Euthyneura
Superordem: Eupulmonata
Ordem: Stylommatophora
Subordem: Helicina
Infraordem: Helicoidei
Superfamília: Sagdoidea
Família: Solaropsidae[1]
Género: Solaropsis
H. Beck, 1837[1]
Espécie-tipo
Solaropsis undata
([Lightfoot], 1786)[1]
Espécies
Ver texto
Sinónimos
Helix (com Helix pellisserpentis sendo a denominação inicial da espécie-tipo, por Johann Friedrich Gmelin, em 1791)[1]

Descrição, denominações e hábitos

Suas conchas são frágeis, com espiral baixa e circulares, quando vistas por cima ou por baixo, neste último caso demonstrando um umbílico profundo em seu centro[9] e uma abertura com o lábio externo levemente expandido e de coloração branca. Podem ter a lateral de sua concha arredondada[10] ou angulosa.[11] Também são caracterizadas por apresentar desenhos em faixas sinuosas de tonalidade marrom-avermelhada[12], linhas[10] e pontuações[11] em sua base. Tal padronagem de faixas, quando vista por cima,[13] fez os cientistas que os estudam imaginarem um possível mimetismo com uma serpente enrolada, dando-lhes denominações de espécies como pellisserpentis (pele de serpente),[12] serpens (de serpente) e vipera (proveniente de víbora).[10][4] Outras tiveram suas denominações retiradas de personagens da malacologia, como Henry Augustus Pilsbry,[8] ou até mesmo do ambientalismo, como a espécie boliviana Solaropsis chicomendesi Cuezzo & Fernandez, 2001, denominada em homenagem a Chico Mendes.[14] Suas dimensões geralmente não passam de 5 centímetros.[3]

O animal de Solaropsis é mais raro de ser avistado do que suas conchas, pois pode apresentar hábitos arborícolas. Ele possui o corpo e antenas alongados e uma faixa mais escura em cada lado da superfície dorsal, como em Solaropsis solenostoma (Pfeiffer, 1852),[15][16] ou ter corpo cinzento e antenas mais claras, como Solaropsis brasiliana (Deshayes, 1832), nas espécies onde o animal foi avistado.[17] No ano de 2010, a um exemplar capturado de Solaropsis fairchildi foram oferecidos alimentos de origem vegetal e animal, preferindo este o consumo de carne, o que denuncia o seu possível hábito predador em seu habitat.[18]

Distribuição

O gênero ocorre da Costa Rica para o nordeste da Argentina e do oeste da Colômbia,[18] também na Bolívia[14] e Equador,[16] até as Guianas, sendo mais abundante no leste da América do Sul.[18] No território do Brasil, as espécies foram encontradas nos estados do Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Pará, Piauí, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Goiás, Minas Gerais,[2] Espírito Santo,[17] Rio de Janeiro e São Paulo.[2] Espécimes foram fotografados em altitude de 1.500 metros, no Equador.[16]

Espécies e sinonímia

A seguir uma possível lista de taxa (denominações) para espécies brasileiras e estrangeiras de Solaropsis, segundo o MolluscaBase; incluindo sua sinonímia e erros de nomenclatura:[1]

  • Solaropsis alcobacensis Salvador & Simone, 2015
  • Solaropsis amazonica (Reeve, 1854) - Solaropsis amazonicus (sic)[2]
  • Solaropsis andicola (L. Pfeiffer, 1846)
  • Solaropsis anguicula (Hupé, 1853)
  • Solaropsis angulifera F. Haas, 1955
  • Solaropsis anomala Pilsbry, 1957
  • Solaropsis bachi Ihering, 1900
  • Solaropsis boetzkesi (K. Miller, 1878)
  • Solaropsis brasiliana (Deshayes, 1832) - Solaropsis braziliana (sic)[2]
  • Solaropsis caperata F. S. Silva, Mendes-Júnior & Simone, 2022
  • Solaropsis castelnaudii (Deville & Hupé, 1850)
  • Solaropsis catenifera (L. Pfeiffer, 1854)
  • Solaropsis cearana (F. Baker, 1914)
  • Solaropsis chicomendesi Cuezzo & I. Fernández, 2001[14]
  • Solaropsis cicatricata (Beck, 1837)
  • Solaropsis cousini Jousseaume, 1887
  • Solaropsis derbyi (Ihering, 1900)
  • Solaropsis diplogonia (Dohrn, 1882)
  • Solaropsis elaps Dohrn, 1882
  • Solaropsis fairchildi Bequaert & Clench, 1938
  • Solaropsis feisthamelii (Hupé, 1853)
  • Solaropsis gibboni (L. Pfeiffer, 1846)
  • Solaropsis heliaca (d'Orbigny, 1835) - sinônimoː Solaropsis paravicinii Ancey, 1897 / Solaropsis heliacus (sic)[2]
  • Solaropsis incarum (Philippi, 1869)
  • Solaropsis inornata Haas, 1951
  • Solaropsis johnsoni Pilsbry, 1933
  • Solaropsis juruana (Ihering, 1905)
  • Solaropsis leopoldina (Strubell, 1895) - Solaropsis leopoldinus (sic)[2]
  • Solaropsis marmatensis (L. Pfeiffer, 1855) - sinônimoː Solaropsis catenulata (Ancey, 1890)
  • Solaropsis monile (Broderip, 1832)
  • Solaropsis monolacca (L. Pfeiffer, 1857)
  • Solaropsis napensis (Crosse, 1871)
  • Solaropsis nimbus (Simone, 2010)
  • Solaropsis nubeculata (Deshayes, 1831) - sinônimoː Solaropsis kuehni (L. Pfeiffer, 1872)
  • Solaropsis palizae Weyrauch, 1956
  • Solaropsis pascalia (Cailliaud, 1857)
  • Solaropsis pellisboae (Hupé, 1853)
  • Solaropsis penthesileae Salvador, 2021
  • Solaropsis pilsbryi Ihering, 1900
  • Solaropsis pizarro (Pilsbry, 1944)
  • Solaropsis planior (Pilsbry, 1889)
  • Solaropsis praestans (L. Pfeiffer, 1854)
  • Solaropsis punctata (Wagner, 1827)
  • Solaropsis quadrivittata (Hidalgo, 1869)
  • Solaropsis rosarium (L. Pfeiffer, 1850)
  • Solaropsis rugifera Dohrn, 1882
  • Solaropsis selenostoma (L. Pfeiffer, 1854)
  • Solaropsis serpens (Spix, 1827)
  • Solaropsis tiloriensis (Angas, 1879)
  • Solaropsis trigonostoma F. Haas, 1934 - Solaropsis trigonostomus (sic)[2]
  • Solaropsis undata F. Haas, 1966
  • Solaropsis undata ([Lightfoot], 1786) - sinônimoː Solaropsis pellisserpentis (Gmelin, 1791) / Solaropsis undatus (sic)[2]
  • Solaropsis venezuelensis Preston, 1909
  • Solaropsis vipera (L. Pfeiffer, 1859) - Solaropsis viperus (sic)[2]

Ameaça e conservação

Por enquanto, nenhuma espécie do gênero Solaropsis entrou em alguma lista de espécies ameaçadas, por dados incompletos; porém um vídeo divulgado pelo canal G1, em uma reportagem do ano de 2013, em Rondônia, mostra espécimes de Solaropsis sendo coletados, confundidos com a espécie invasora Lissachatina fulica. A alegação é de que estariam propagando doenças à população.[19] Segundo Cuezzo et al., Solaropsis está claramente ameaçado devido à acelerada destruição da sua área de ocorrência. Por esse motivo, é necessário aumentar os estudos taxonômicos sobre este raro grupo de caracóis terrestres.[5]

Referências

  1. «MolluscaBase taxon details, Solaropsis Beck, 1837» (em inglês). MolluscaBase. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  2. «Solaropsidae» (em inglês). Conquiliologistas do Brasil: CdB. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  3. ABBOTT, R. Tucker (1989). Compendium of Landshells. A Full-Color Guide to More than 2.000 of the World's Terrestrial Shells (em inglês). Melbourne, FL, and Burlington, MA: American Malacologists, Inc. p. 142. 240 páginas. ISBN 0-915826-23-2
  4. Salgado, Norma Campos; Coelho, Arnaldo C. dos Santos (2003). «Moluscos terrestres do Brasil (Gastrópodes operculados ou não, exclusive Veronicellidae, Milacidae e Limacidae)» (PDF). Revista de Biologia Tropical N. 51 (Suppl. 3). pp. 171–173. Consultado em 31 de maio de 2016
  5. Cuezzo, Maria Gabriela; Lima, Augusto P. de; Santos, Sonia B. dos (19 de julho de 2018). «Solaropsis brasiliana, anatomy, range extension and its phylogenetic position within Pleurodontidae (Mollusca, Gastropoda, Stylommatophora)». Anais da Academia Brasileira de Ciências vol. 90; no. 3. (SciELO). 1 páginas. Consultado em 9 de novembro de 2019
  6. Cuezzo, Maria Gabriela (2002). «On Solaropsis Beck: new anatomical data and its systematic position within Helicoidea (Pulmonata, Stylommatophora (em inglês). Papéis Avulsos de Zoologia (São Paulo) 01/2002; 42(3):31-46. (ResearchGate). 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  7. «Cuezzo, M.G.; Pignataro de Lima, A. F.; Santos, S. B. dos. Anatomy of Solaropsis brasiliana (Deshayes, 1832): A contribution to the phylogeny of the Pleurodontidae (Stylommatophora, Helicoidea [p. 53] (em inglês). Bram's snailblog. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  8. Ihering, R. von (1900). «Os Caracóis do Gênero Solaropsis». Revista do Museu Paulista V. 4 (Internet Archive). pp. 539–549. Consultado em 31 de maio de 2016
  9. Evanno, Claude; Evanno, Amandine (10 de dezembro de 2013). «Solaropsis pescalia bresil 33.4mm» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  10. Evanno, Claude; Evanno, Amandine (14 de dezembro de 2013). «Solaropsis viperus bresil 32.2mm» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  11. Evanno, Claude; Evanno, Amandine (10 de dezembro de 2013). «Solaropsis punctatus bresil 37.1mm» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  12. Evanno, Claude; Evanno, Amandine (14 de dezembro de 2013). «Solaropsis pellisserpentis bresil 58mm» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  13. Evanno, Claude; Evanno, Amandine (14 de dezembro de 2013). «Solaropsis pilsbryi bresil 33.6mm» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  14. Poppe, Guido T.; Poppe, Philippe. «Solaropsis chicomendesi» (em inglês). Conchology. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  15. Christensen, James (14 de dezembro de 2013). «Tree snail, Solaropsis cf. selenostoma Mindo, west slope of Andes, Ecuador» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  16. Breure, Bram (8 de abril de 2010). «Photo of the day (90): Solaropsis» (em inglês). Bram's Snail Site. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  17. «Solaropsis brasiliana (Deshayes, 1832)». Biocenas. 1 páginas. Consultado em 31 de maio de 2016
  18. Oliveira, Luciano E. (janeiro–dezembro de 2010). «Carnivory in Solaropsis aff. fairchildi (Gastropoda, Solaropsidae (em inglês). Strombus 17(1-2) (ResearchGate). pp. 12–13. Consultado em 31 de maio de 2016
  19. «Caramujos africanos infestam bairros em Porto Velho». Globoplay. 16 de maio de 2013. 1 páginas. Consultado em 12 de abril de 2022

Ligações externas

This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.