Stephan Doitschinoff

Stephan Doitschinoff (São Paulo, 1977), artista visual brasileiro descendente de búlgaros,[2] desenvolve trabalhos no campo da pintura, escultura, vídeo, instalação e performance. Artista revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2009), realizou suas principais exposições em espaços institucionais como o “Irish Museum of Modern Art” – Irlanda, “Museum of Contemporary Art San Diego” - Estados Unidos, “Fondation Cartier” – França,  Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu Afro Brasil e XXII Bienal Internacional de Curitiba. O artista tem dois livros publicados pela editora alemã Gestalten, “CALMA: The Art of Stephan Doitschinoff” (2008) e CRAS (2012). Dentre os projetos recentes, destacam-se a sociedade filosófica "Cvlto do Fvtvrv" e suas diversas ações (marchas, hinos, balcão de adesão, videogame entre outras) e a instalação "Interventu".

Stephan Doitschinoff
Nascimento 10 de março de 1977 (45 anos)
São Paulo,  Brasil
Nacionalidade Brasileiro
Cidadania Brasil
Ocupação Artista Visual
Prémios Em 2009, foi eleito artista revelação pela APCA.[1]
Página oficial
http://www.doitschinoff.com/

De intenso caráter semiótico, a obra de Doitschnoff atribui novos significados a símbolos religiosos e cria diálogos entre representações litúrgicas do passado e sistemas de poder que operam no mundo contemporâneo, como o marketing e a política.[3]

Biografia

Stephan Doitschinoff iniciou-se no desenho. Filho de um pastor evangélico, neto e bisneto de espíritas e com passagem por terreiros de umbanda, tem sua obra marcada por elementos religiosos. Durante a juventude, já mergulhava em aspectos das religiões orientais, alquimia e arte sacra que também foram incorporados à sua obra[4].

Envolvido com o skate e movimentos punk e hardcore de São Paulo, passou a mostrar seus trabalhos para outros públicos e assimilar novas características, quando também, em parceria com o cenógrafo Zé Carratu, passou a elaborar capas de discos de bandas e cenários para grandes shows de rock da década de 90[4]. Em 2001, criou o Festival de Cultura Indie com a reunião de bandas, curtas-metragens, fanzines e selos independentes, além das exposições individuais de fotógrafos e pintores[5].

Em 2002, realizou a primeira mostra individual internacional a convite do "Windsor Arts Centre" (Inglaterra) sob o título "Stephan Doitschinoff an exhibition of original paintings and drawings" e participou da "III Mostra do Programa de Exposições (2002)", do Centro Cultural São Paulo (Brasil).

Após fazer uma residência na Inglaterra, retornou ao Brasil e viveu durante três anos na cidade de Lençóis, no interior da Bahia. Inspirado pelas crenças e histórias dos moradores, Doitschinoff desenvolveu seu projeto artístico mais audacioso por meio de intervenções nas casas de famílias de várias comunidades, assim como pintando uma capela e túmulos no cemitério de Lençóis.[4] Essas experiências, que colocaram a cidade na rota nacional de história de arte alternativa[6], estão registradas no documentário Temporal [7] e no livro "CALMA: The Art of Stephan Doitschinoff".

Em julho de 2009, participou da exposição "Né Dans la Rue" na Fondation Cartier pour l'Art Contemporain em Paris, França e em abril de 2010, montou exposição na Galeria Choque Cultural, onde, além de expor pinturas e objetos, encenou uma performance da qual participaram as atrizes Tainá Müller, Kika Martinez, Carolina Manica e a modelo Marina Dias.

No mesmo ano, a convite do grupo de hip hop N.A.S.A., desenvolveu uma animação para a música Strange Enough.

A convite da prefeitura de Lisboa e do C.E.M Centro em Movimento, viajou até Portugal para se aprofundar na cultura das festas populares e tradição das máscaras ibéricas e caretos do norte do país. Juntamente com Antonio Pinela Tiza, pesquisador do assunto e diretor do Museu da Máscara Ibérica em Bragança, Portugal, visitou artesãos nas pequenas aldeias da região aprendendo as técnicas locais. Em Lisboa construiu duas instalações no Bairro Mouraria e montou um ato performático em forma de procissão.[8] Esta performance, que ganhou o nome de "Brilho do Sol", virou um curta metragem que foi mostrado pela primeira vez no MASP em novembro de 2011.[9]

Em 2012, realizou na abertura da Art Rio a performance “Ventre Livre”. Em parceria com a chef de cozinha Fabiola Gouvea, esculpiu 100 quilos de bolo no formato de intestino, que no final da performance o bolo foi devorado pelo público. A performance foi uma ação da Krëemart, projeto que já convidou nomes como Marina Abramovic, Maurício Catellan e Los Carpinteros a criarem obras comestíveis tendo o açúcar como principal suporte.

Entre 2011 e 2012, o artista participou de cursos e palestras em faculdades e museus, em lugares como MASP, MAM, FAAP, e no exterior - Prague College (República Tcheca), Faculdade de Belas Artes de Lisboa (Portugal), conferência What Design Can Do Amsterdam (Países Baixos), Design Center Kiev (Ucrânia).

Em setembro de 2012 lançou sua segunda monografia, intitulada "Cras", também pela editora alemã Gestalten. A edição de luxo reúne imagens de obras, instalações e performances realizadas entre 2008 e 2012. "Cras", título do livro, remete à mitologia em torno de santo Expedito, que, ao decidir converter-se ao cristianismo, teria sido tentado por um corvo, que gritava "cras" (amanhã, em latim), no intuito de fazê-lo adiar sua conversão. O corvo teria sido esmagado por santo Expedito, que proclamou "hodie" (hoje, em latim), reiterando a nova fé.

O lançamento oficial foi em Berlim na sede da editora e seguiu-se uma turnê de promoção pela Europa passando por cidades como: Amsterdam, Zurich, Kiev e Praga.

Em dezembro de 2012, em parceria com o chef Alex Atala realizou a performance "Mesa e Hexágono", no MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo.

O seu trabalho mais recente é a seita-igreja "Cvlto do Fvtvrv" (fvtvrv.org), projeto que tem como intenção desenvolver uma seita-igreja que se apropria de linguagem das liturgias desenvolvidas há séculos. Usando as mesmas estruturas simbólicas, confeccionou inúmeros objetos – fardas, medalhas, hinos, joias, publicações, manifestos – que culminam em cerimônias, marchas e procissões realizadas de tempos em tempos. Assim como nos templos religiosos que tomam conta do país, um dos itens-chave é o engajamento.

Em 2016 realizou a performance Marcha ao Cvlto do Fvtvrv, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que teve a participação dupla Mixhell, formada por Iggor Cavalera e Laima Leyton.[10]

Em 2018, como parte da Mostra de Performance Arte (14ª edição) na Galeria Vermelho, Doitschinoff alugou um espaço na galeria comercial Stand Center na avenida Paulista (labirinto de lojas de réplicas e eletrônicos), em São Paulo, e montou a obra Balcão de Adesão do Cvlto do Fvtvrv, onde os interessados puderam se filiar ao Cvlto do Fvtvrv, podendo adquirir sua carteira de identificação de membro e publicações, essa foi a primeira ação do Cvlto do Fvtvrv organizada por Doitschinoff executada fora do ambiente de galerias ou museus.[11]

Prêmios

Em 2006, ilustrou o álbum do Sepultura, Dante XXI, e ficou com o segundo lugar no Prêmio Jabuti de Literatura pela ilustração do livro Palavra Cigana, uma trabalho marcado pelas "colagens que reproduzem o caráter caleidoscópico da cultura cigana".[4][12][13]

Em 2009, foi eleito artista revelação pela APCA.[1]

Em 2010, teve o projeto A Mão selecionado pelo edital do Prêmio Interações Estéticas em Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura. O prêmio contemplou o desenvolvimento e a produção de uma escultura em cerâmica de 1,80m de altura, instalada entre 2010 e 2012 na frente do Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera.[14]

Bibliografia

Cras – Stephan Doitschinoff, 2012, Gestalten, ISBN 978-3-89955-454-0

Closer to God - Religious Architecture and Sacred Spaces, 2010, Gestalten, ISBN 978-3-89955-313-0

Beyond the Street - The 100 Leading Figures in Urban Art, 2010, Gestalten, ISBN 978-3-89955-290-4

Urban Interventions - Personal Projects in Public Spaces, 2010, Gestalten, ISBN 978-3-89955-291-1

Calma - The Art of Stephan Doitschinoff, 2008, Gestalten, ISBN 978-3-89955-224-9

Black Magic, White Noise, 2007, Gestalten, ISBN 978-3-89955-187-7

Supersonic - Visuals for Music, 2007, Gestalten, ISBN 978-3-89955-186-0

Graffiti Brasil, 2005, Thames and Hudson, ISBN 9780500285749

Sonic - Visuals for Music, 2004, Gestalten, ISBN 978-3-89955-040-5

Referências

  1. Obras de Stephan Doitschinoff propõem reflexão sobre o ascetismo - Folha Online, 9 de abril de 2010 (visitado em 9-4-2010)
  2. Alexandre, Gabriel (7 de março de 2010). «Temporal: a arte de Stephan Doitschinoff». Soul Art. Consultado em 2 de abril de 2022
  3. Ilustrada, Folha de S.Paulo, 01/12/2012
  4. Stephan Doitschinoff - Com Alma Arquivado em 13 de abril de 2010, no Wayback Machine. - Choque Cultural, 2008 (visitado em 9-4-2010)
  5. Evento tem arte underground - Folha de S.Paulo, 2 de julho de 2001 (visitado em 10-4-2010)
  6. Stephan Doitschinoff - o artista, o sagrado e o profano Arquivado em 25 de março de 2010, no Wayback Machine. - Adoro Viagem, 11 de janeiro de 2010 (visitado em 10-4-2010)
  7. Stephan Doitschinoff vem a BH lançar documentário e livro em bate-papo aberto ao público - Portal UAI, 3 de março de 2010 (visitado em 10-4-2010)
  8. Stephan Doitschinoff monta performance em Lisboa
  9. Stephan Doitschinoff faz palestra no MASP[ligação inativa]
  10. Alzugaray, Paula (5 de junho de 2016). «Stephan Doitschinoff promove marcha Cvlto do Fvtvrv». Revista Select. Consultado em 2 de março de 2019
  11. Bagnoli, Helena (20 de fevereiro de 2019). «A arte do inacreditável». Revista Bravo!. Consultado em 2 de março de 2019
  12. Artista Stephan Doitschinoff mistura sagrado e profano - Folha Online, 28 de abril de 2009 (visitado em 10-4-2010)
  13. Fábulas nômades - Folha de S.Paulo, 22 de outubro de 2005 (visitado em 10-4-2010)
  14. Vaz, Marina. (14 de setembro de 2010). Arte pública, a nova cara do Parque do Ibirapuera. O Estado de S. Paulo, acesso em 21 de janeiro de 2011
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