Storm Center
Storm Center (O despertar das tormentas, no Brasil) é um filme estadunidense de 1956 dirigido por Daniel Taradash e estrelado por Bette Davis, Brian Keith e Kim Hunter.[1] Escrito por Taradash e Elick Moll,[2] o filme narra a história de uma bibliotecária acusada de comunismo durante o auge do macartismo.
| Storm Center | |
|---|---|
| O despertar das tormentas (BRA) | |
85 min min | |
| Direção | Daniel Taradash |
| Produção | Julian Blaustein |
| Elenco | Bette Davis Brian Keith Kim Hunter Paul Kelly Joe Mantell Edward Platt |
| Música | George Duning |
| Cinematografia | Burnett Guffey |
| Edição | William A. Lyon |
| Distribuição | Columbia Pictures |
| Lançamento | 31 de julho de 1956 |
| Idioma | inglês |
Apesar de se passar na Nova Inglaterra, o filme foi gravado inteiramente em Santa Rosa, Califórnia.
Sinopse
Alicia Hull é uma bibliotecária viúva de uma pequena cidade da Nova Inglaterra responsável por apresentar às crianças os prazeres da leitura. Em troca de seu desejo por uma ala infantil na biblioteca, o conselho municipal lhe pede que retire do acervo a cópia de um livro intitulado O Sonho Comunista. Ela se recusa e é demitida e estigmatizada de subversiva.
O juiz local Robert Ellerbe acha que Alicia foi tratada de maneira injusta e convoca uma reunião com os moradores da cidade para discutir o assunto. O ambicioso advogado e aspirante a político Paul Duncan, que namora a bibliotecária assistente Martha Lockeridge, usa a reunião como plataforma política e denuncia Alicia como comunista. Sua retórica convence todos os moradores, com exceção do jovem Freddie Slater, que fica cada vez mais chateado com a forma como sua mentora está sendo tratada.
Afetado pela influência do pai, o pobre de espírito George, Freddie se vira contra Alicia também e coloca fogo na biblioteca. Sua ação faz com que os moradores repensem a forma como trataram Alicia, e acabam pedindo a ela que retorne à cidade para supervisionar a construção do novo edifício da biblioteca municipal.
Elenco principal
- Bette Davis como Alicia Hull
- Brian Keith como Paul Duncan
- Kim Hunter como Martha Lockridge
- Paul Kelly como Juiz Robert Ellerbe
- Joe Mantell como George Slater
- Edward Platt como Reverendo Wilson
- Kathryn Grant como Hazel
- Kevin Coughlin como Freddie Slater
Recepção
Storm Center foi um dos primeiros filmes lançados por um grande estúdio a tratar de maneira franca temas como comunismo, banimento de livros e macartismo. Em seu elenco estava Kim Hunter, atriz que integrou a lista negra de Hollywood. No ano seguinte a seu lançamento, Storm Center recebeu o Prêmio Chevalier da la Barre no Festival de Cannes, onde foi citado como "o filme deste ano que melhor ajuda a liberdade de expressão e a tolerância".
Bosley Crowther, crítico do The New York Times, escreveu que "a intenção e a coragem dos homens que fizeram este filme não só devem ser elogiados como também merecem recompensas concretas. Eles tocaram num assunto delicado e urgente na vida contemporânea (...) e jogaram na luz de que os receios e suspeitas de nossa geração corrompe e cicatriza os jovens". Ele, entretanto, afirma que a "tese é muito melhor que a visualização, que é desajeitada e abrupta".
A revista Time afirmou que o filme "faz a leitura parecer, como hábito, tão arriscado quanto usar uma droga". E prossegue: "[o filme] é pavimentado e repavimentado com boas intenções; seu coração está insistentemente no lugar certo; seus personagens principais são motivados pelos mais nobres dos sentimentos. Tudo que o diretor-roteirista Taradash esqueceu de fazer foi fornecer uma história crível".
A Legião Nacional de Decência, organização estadunidense formada por membros da Igreja Católica em 1933, se opôs ao filme declarando que era uma obra de "propaganda oferecendo uma solução pervertida, simplificadamente emocional para a complexa problemática das liberdades civis na vida americana". A revista Daily Variety respondeu à Legião dizendo que é "quase impossível simplificar demais a liberdade humana, seja uma representação de Patrick Henry (...) ou de uma bibliotecária sacrificando sua reputação ao invés de seus princípios democráticos".
A revista TV Guide afirmou que "enquanto o filme é decisivo em sua tentativa de lidar com o tema da censura, sua execução foi abatida. A abrupta alteração nas crenças dos moradores da cidade é demasiada absurda para acreditar. Davis, entretanto, é bastante convincente como como a bibliotecária cheia de princípios, mas não houve história suficiente para complementar sua atuação".
Sobre o filme, Davis comentou: "Não fiquei entusiasmada com o filme depois de produzido (...) Tinha altas esperanças com ele. A necessidade básica era a escolha do garoto. Ele não era a criança do tipo calorosa, amorosa (...) O relacionamento dele com a bibliotecária era totalmente não-emocional e, assim sendo, roubou do filme seu fator mais importante, [já que] o relacionamento dos dois (...) era o núcleo do roteiro".
Referências
- «Storm Center» (em inglês). AllMovie. Consultado em 24 de novembro de 2019
- «Storm Center». Encyclopædia Britannica Online (em inglês). Consultado em 24 de novembro de 2019