Turismo Militar
O turismo militar é um novo tipo de turismo, criado em 2014 pelo Ministério da Defesa Nacional Português, em conjunto com várias entidades ligadas ao turismo em Portugal.[1] Tem como principal objetivo dar a conhecer aos turistas, nacionais e estrangeiros, a história militar de Portugal através da vida de vários heróis portugueses que tenham participado nas várias temáticas apresentadas.[2]
O Turismo Militar, no seu projeto inicial, apresentou o Roteiro da Defesa do Alentejo, inserido no contexto da Guerra da Restauração, contando a história através do herói Dinis de Melo e Castro.
Ao mesmo tempo, este tipo de turismo pretende revitalizar espaços militares outrora abandonados, por forma a revitalizar as economias locais envolvidas.[3][4][5]
Roteiros do Património Militar em Portugal
Roteiro da Defesa do Alentejo
Inserido no contexto da Guerra da Restauração, o roteiro de turismo militar da Defesa do Alentejo é uma série de passeios pelo património, maioritariamente militar, localizado no Alentejo, particularmente nos distritos de Portalegre e Évora.
Tem como foco principal a cidade fronteiriça de Elvas, que em 2012 foi considerada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade devido ao maior conjunto de fortificações abaluartadas do mundo, onde se encontram as Muralhas de Elvas e o centro histórico de Elvas.[6][7][8]
Com Elvas, fazem parte do roteiro os concelhos de Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Campo Maior.
O Roteiro da Defesa do Alentejo contará a história da Guerra da Restauração Portuguesa, entre 1640 e 1668, através do olhar de um soldado português, Dinis de Melo e Castro, que combateu ao longo de todos os 28 anos de guerra contra os exércitos de Filipe IV de Espanha.
Guerra da Restauração
A Guerra da Restauração foi um confronto militar que opôs os reinos de Portugal e Espanha, colocando um ponto final à dinastia Filipina que reinava os portugueses desde 1580.
Teve início no dia 1 de Dezembro de 1640, com a aclamação de D. João IV como 21º rei de Portugal, recusando a continuação de Filipe III de Portugal, IV de Espanha como rei.
A Guerra durou de 28 anos, terminando efetivamente no dia 13 de Fevereiro de 1668, com a assinatura do Tratado de Paz, sendo na altura regente de Portugal o Infante D. Pedro, futuro Rei de Portugal D. Pedro II, O Pacificador.
Dinis de Melo e Castro
Dinis de Melo e Castro é o herói que os turistas irão acompanhar ao longo do Roteiro da Defesa do Alentejo. Apesar de ser uma figura pouco conhecida da maioria, este português atravessou todo o período da Guerra da Restauração, elevando-se desde a posição de soldado de infantaria até capitão general da cavalaria.
Participou em todas as grandes batalhas da Restauração, além de mais de uma centena de escaramuças, onde foi ferido mais de vinte vezes.
Património do Roteiro da Defesa do Alentejo
De seguida, apresenta-se todo o património escolhido e inserido no Roteiro da Defesa do Alentejo, passível de ser visitado:
- Castelo de Elvas
- Muralhas seiscentistas de Elvas
- Muralhas e obras anexas da praça de Elvas
- Conselho de Guerra
- Sé de Elvas
- Ponte de Olivença
- Castelo de Barbacena
- Local do Castelo de Vila Boim
- Forte da Graça
- Forte de Santa Luzia
- Hospital Militar – Convento de São João de Deus
- Paiol de Santa Bárbara
- Quarteis da Corujeira
- Castelo de Estremoz
- Muralhas de Estremoz
- Ermida de Alcaraviça - Igreja Nossa Senhora da Orada
- Castelo de Veiros
- Conjunto Monumental de Alcáçova – Capela Rainha Santa Isabel
- Quinta do General
- Castelo de Borba
- Igreja de Vila Viçosa
- Castelo de Vila Viçosa
- Castelo de Campo Maior
- Castelo de Ouguela
- Batalha de Arronches
- Batalha de Linhas de Elvas
- Batalha de Ameixial
- Batalha de Montes Claros
Figuras envolvidas
De seguida, apresentam-se as figuras mais importantes durante o período da Guerra da Restauração, tidas em conta para o Roteiro da Defesa do Alentejo. Nesta lista encontram-se os reis, regentes e comandantes que ao longo dos 28 anos de guerra decidiram o destino de ambos os reinos, além do herói do Roteiro:
- Dinis de Melo e Castro
- Dom João IV, O Restaurador
- Dona Luísa de Gusmão
- Dom Afonso VI, O Vitorioso
- Dom Pedro II, O Pacífico
- Filipe IV de Espanha
- Matias de Albuquerque
- Marquês de Torrecusa
- André de Albuquerque Ribafria
- Dom António Luís de Menezes, Marquês de Marialva
- Dom Luís de Haro
- Dom Sancho Manoel, Conde de Vila flor
- Dom Frederico Armando de Schomberg, Conde de Schomberg
- Dom João José da Áustria
- Pedro Jaques de Magalhães
- Dom Juan Téllez-Girón
Roteiro da Defesa do Médio Tejo
Durante a Reconquista Cristã do século XII, Dom Afonso Henriques, O Conquistador e primeiro rei de Portugal, lutou contra os Mouros da Península Ibérica com intenção de conquistar novo território para o mais novo reino da Europa.
Para tal, contou com a preciosa ajuda da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários e, principalmente, do 4º Grão-Mestre da Ordem em Portugal, Gualdim Pais.
O roteiro do Médio Tejo terá como foco principal o distrito de Santarém e, em particular, a cidade de Tomar, considerada a Capital Templária de Portugal, fundada e construída, entre outras, por Gualdim Pais.
Os Templários em Portugal e a defesa da fronteira do Médio Tejo
Os templários fundaram a sua primeira sede em Portugal no local da Fonte Arcada. No entanto, este seria apenas o primeiro passo em território português. No dia 19 de Março de 1128, D. Teresa doou o Castelo de Soure aos Templários, passando esta localidade a ser sede da Ordem. A doação seria confirmada por Afonso Henriques no ano seguinte: "(...) esta doação faço, não por mando, ou persuasão de alguém, (...) e porque em a vossa Irmandade sou Irmão (...). Eu o Infante D. Afonso com a minha própria mão roboro esta carta." (excerto da carta de doação de Soure por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários)
Continuamente crescendo em Portugal, seria com o mestre Gualdim Pais que a ordem atingiria o seu apogeu. Além da cidade de Tomar, do seu castelo e convento de Cristo, Gualdim Pais fundaria também os Castelos de Almourol, Idanha, Cera ou Pombal, entre outros, formando a linha de defesa do Médio Tejo.
Gualdim Pais
Gualdim Pais acompanhou o nascimento do reino, tendo sido armado cavaleiro na batalha de Campo de Ourique, a mesma em que Dom Afonso Henriques foi aclamado rei[9], participando depois na conquista de Lisboa e Santarém.[10]
Depois de uma passagem pela Terra Santa, Gualdim Pais voltou para Portugal onde se tornou responsável pela defesa da Linha do Médio Tejo, que protegia a fronteira entre o território de Afonso Henriques e a capital, na altura, Coimbra.
Património do Roteiro da Defesa do Médio Tejo
De seguida, apresenta-se todo o património escolhido e inserido no Roteiro da Defesa do Médio Tejo, passível de ser visitado:
- Castelo de Abrantes
- Igreja de São Vicente
- Torre de Dornes
- Castelo de Ourém
- Antiga Vila de Ourém
- Mata Nacional dos Sete Montes
- Igreja de São João Batista
- Igreja de Santa Maria dos Olivais
- Convento de Cristo
- Castelo de Tomar
- Castelo de Torres Novas
- Castelo de Almourol
- Pelourinho de Águas Belas
- Castelo Velho do Caratão
Figuras Envolvidas
De seguida, apresentam-se as figuras mais importantes durante o período da Ordem dos Templários em Portugal, entre o nascimento da mesma e a morte do 4º Mestre da Ordem, D. Gualdim Pais:
- Gualdim Pais
- Dom Afonso Henriques
- Dom Paio Mendes
- Bernardo de Claraval
- Iacube Almançor
Referências
- Ministério da Defesa Nacional (MDN)
- Carta Nacional do Turismo de Portugal - Plano de Intervenção
- Turismo militar vai nascer em edificações das Forças Armadas
- Carta Nacional do Turismo Militar vai potenciar o turismo em quartéis, castelos e fortificações
- Governo de Portugal - TURISMO MILITAR PODE «DAR UM CONTRIBUTO IMPORTANTE PARA A MANUTENÇÃO E CRIAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO»
- SIC Notícias - UNESCO classifica como Património Mundial fortificações de Elvas
- «MNE - Comissão Nacional da UNESCO | CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA DE ELVAS E SUAS FORTIFICAÇÕES». Consultado em 23 de janeiro de 2015. Arquivado do original em 30 de abril de 2015
- VisitAlentejo - Cidade-quartel fronteiriça de Elvas e suas fortificações - Património Mundial
- Os Templários e a formação de Portugal
- D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários (1118 – 1195)