Vítor Jorge
Vítor Jorge (1949-29 de dezembro de 2018 (69 anos)) foi um assassino em massa português, quando em 1 de março de 1987 saiu da sua casa para um aniversário, na Praia de Osso da Baleia, em Carriço, Pombal, armado, matando cinco pessoas a tiro e à paulada, sendo que ainda assassinou a mulher e filha à facada. O caso foi chamado de Massacre na Praia de Osso da Baleia.
Crimes
Vítor Jorge saiu na noite de 1 de Março com arma, matou cinco jovens, que levou até à praia da região, Osso da Baleia, matando cada um deles a tiro e à pancada.
Primeiro matou Leonor dos Santos Tomás, que tinha festejado os seus 24 anos nessa noite. Teria uma relação com Vítor Jorge, sendo a "única mulher que verdadeiramente amou." Empregada de limpeza no hospital de Coimbra, tinha convidado os amigos para festejar na casa da mãe. Saíram de lá já de noite, para apanhar o comboio na Guia à boleia de Vítor Jorge. Na praia do Osso da Baleia, a Polícia Judiciária encontrou ao lado do corpo de Leonor uma mensagem: "Isto foi porque tu quiseste. Os outros foram por arrastamento." Supostamente, não conhecia os outros quatro jovens — Luís Teixeira, de 17 anos, Maria do Céu Araújo (20), Isabel Moreia (21) e José Pacheco (22).
O criminoso foi depois para casa, onde iniciou a chacina da própria família: matou a mulher e a filha mais velha, levando-as para um pinhal, com a desculpa de que precisava de ajuda, pois tinha atropelado uma pessoa.
Não matou a filha mais nova, Sandra. Também a levou ao pinhal e ainda lutaram no pinhal e ela, mesmo ferida, conseguiu tirar-lhe a faca e partir a lâmina, mas, finalmente cansado, poupou a vida às duas crianças mais novas. O filho Vítor, de 10 anos, dormiu tranquilo.
Vítor Jorge andou fugido, deixando toda a região em polvorosa, e foi encontrado no dia 5 na aldeia de Casais d'Além. Uma vizinha, que o conhecia bem até porque tinha ali vivido, deu com ele deitado no chão de um casebre em ruínas.
Foi detido e levado para o hospital porque estava febril e ferido numa perna. Logo a 13, o juiz de instrução criminal de Leiria, Eduardo Correia Lobo, levou-a à praia e ao pinhal para a reconstituição do crime. Vítor Jorge surge nas fotos desse dia com um ar tranquilo, a explicar às autoridades como matou sete pessoas a tiro, à paulada e à facada.
Repercussão
O crime e o julgamento de Vítor Jorge emocionaram Portugal, que não estava habituado a tal brutalidade.
O crime foi o primeiro massacre ser executado por Vítor Jorge, que alguns especialistas consideraram sofrer de perturbações mentais, mas o tribunal nunca aceitou a tese de inimputabilidade. O homem tentara suicidar-se, sem o conseguir.
Julgamento e condenação
O julgamento começou em 15 de dezembro. Quando chegou ao tribunal nessa manhã, sem algemas, o assassino de Osso da Baleia tinha à sua espera um batalhão de fotógrafos. Era defendido por um advogado oficioso, Mário Ferreira.
O sorteio dos jurados começou por não correr bem. Só saíam analfabetos. Mas lá se conseguiram os oito jurados efetivos e os dois suplentes — seis dos efetivos eram mulheres, três donas de casa, uma mulher a dias, uma empregada de supermercado e uma comerciante. Dos dois homens, um era agricultor e outro industrial.
No início da sessão, o advogado leu a contestação do réu. Que pedia, por exemplo, que os jurados fossem constituídos por familiares das vítimas. E frisava que a sua defesa devia assentar na busca da verdade e da justiça. Mesmo que isso significasse que deveria "ser morto por crucificação ou apedrejamento popular."
Numa pequena entrevista que nesse dia deu ao Jornal de Notícias enquanto não se iniciava o julgamento disse que "o Vítor Jorge é um monstro e praticou monstruosidades que não merecem piedade nem perdão." Falava de si na terceira pessoa.
Em tribunal pediu que os jurados fossem familiares das suas vítimas.
O julgamento foi marcado com a polémica sobre a inimputabilidade do homicida, com vários especialistas a defenderem que tinha graves problemas mentais. O catedrático e psiquiatra Eduardo Cortesão foi um dos que defendeu essa tese com mais fervor. Tal como o advogado Mário Ferreira.
Do outro lado da barricada estavam os médicos do Centro de Saúde Mental de Leiria, que examinaram Vítor Jorge após a sua detenção, a garantirem que nada foi detetado que apontasse para que fosse inimputável. Foi considerado imputável e condenado em cúmulo jurídico a 20 anos. Para a história ficam as suas próprias palavras no primeiro dia do julgamento: "Não há pena suficientemente severa para castigar um monstro que ceifou sete vidas."
Durante o julgamento, no Tribunal da Marinha Grande, Vítor Jorge confessou os crimes, pediu para ser internado para o resto da vida e alertou para o perigo de um dia matar mais gente. Condenaram-no como um criminoso vulgar.
Os reclusos apenas cumprem cinco sextos da pena. Vítor Jorge devia ter cumprido 16 anos e oito meses. Como beneficiou de várias amnistias, cumpriu 14 anos.
Foi libertado em 5 de Outubro de 2001.
Ficção
Em 1999 foi transmitido na RTP1 uma série policial de nome Esquadra de Polícia, da autoria de Francisco Moita Flores. Os dois primeiros episódios tiveram este crime como inspiração.
Ligações externas
- As histórias das principais procuradoras, Rui Gustavo e Cândida Pinto, Expresso, 1 de fevereiro de 2009
- Vinte e seis anos numa cela, Rui Gustavo, Expresso, 1 de setembro de 2009
- http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/actualidade/quatro-mortes-por-ciumes?nPagina=3 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - Historiados cruéis em Portugal - A brandura nacional nunca existiu, blogue Ciência do Crime