Valdemar Costa Neto

Valdemar Costa Neto GOMM (São Paulo, 11 de agosto de 1949) é um administrador de empresas e político brasileiro filiado ao Partido Liberal (PL). Deputado federal por São Paulo durante seis mandatos, renunciou após ser condenado à prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Valdemar Costa Neto
Valdemar Costa Neto
Valdemar Costa Neto em 2005.
Deputado federal por São Paulo
Período 1º de fevereiro de 2007
a 5 de dezembro de 2013
(2 mandatos consecutivos)[lower-alpha 1]
Período 1º de fevereiro de 1991
a 1º de agosto de 2005
(4 mandatos consecutivos)[lower-alpha 2]
Dados pessoais
Nascimento 11 de agosto de 1949 (73 anos)
São Paulo, SP
Progenitores Pai: Waldemar Costa Filho
Alma mater Centro Universitário Braz Cubas
Prêmio(s) Ordem do Mérito Militar[1]
Partido PL (1985–2006)
PL (2006–presente)
Profissão administrador de empresas, político

Foi julgado e condenado no escândalo do mensalão a sete anos e dez meses de prisão. Cumpriu pena em regime semiaberto e aberto e cumpriu o resto em casa, usando tornozeleiras. Em 2016, em decorrência do decreto presidencial de indulto expedido no ano anterior, o Supremo Tribunal Federal[2] julgou extinta a sua punibilidade, concedendo-lhe a liberdade.[3][4]

Carreira política

Costa foi eleito e reeleito deputado federal por seis vezes, de 1991-1995; 1995-1999; 1999-2003; 2003-2005 (ano em que renunciou, durante o quarto mandato) e de 2007 até 2013 (exercendo outros dois mandatos, renunciando em 2013 ao segundo mandato).[5]

Sem que jamais tenha conhecido a derrota numa disputa eleitoral, Valdemar Costa Neto seguiu a trilha de reeleições de seu pai, eleito para o cargo de Prefeito em Mogi das Cruzes por quatro vezes.

Líder do extinto Partido Liberal

Escolhido líder da bancada do extinto Partido Liberal ainda no seu primeiro mandato eletivo, Costa Neto foi 11 vezes reeleito para o cargo.[6]

Depois de largo período respondendo pela liderança de seu partido, o parlamentar de São Paulo foi conduzido cargo de presidente nacional da legenda, numa vacância ocasionada pelo falecimento do deputado Alvaro Valle (RJ) no ano 2000.

Durante os primeiros 12 anos de sua atividade parlamentar, Costa Neto foi destaque do noticiário político como personagem de oposição aos governos dos presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.[6]

Base aliada ao Governo Itamar

Mas foi na condição de político governista, no entanto, que Costa Neto se destacou. Sobretudo como liderança política da administração do Presidente Itamar Franco no Congresso Nacional.[6]

A atuação política de Valdemar Costa Neto na Câmara dos Deputados, por outro lado, logo foi reconhecida em sua vocação fiscalizadora.[6] Foi titular da CPI que investigou a privatização da VASP (companhia aérea que pertenceu ao governo do Estado de São Paulo), no curso de seu primeiro mandato.[6]

Eficiente engrenagem da engenharia formulada para a maioria parlamentar do governo do presidente Itamar Franco, Costa Neto foi personagem atuante na aprovação de proposições como o Plano Real.

Oposição ao governo FHC

Aliado eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso nas eleições de 1994, Valdemar Costa Neto e seu partido foram para a oposição no final de 1995, primeiro ano do governo do PSDB. Esta decisão, aliás, foi mantida por sete anos, mantendo-se em campo oposto ao governo até o último dia da segunda administração do Presidente FHC.[6]

A partir do rompimento com o governo tucano, Valdemar Costa Neto iniciou uma rotina de denúncias que tinham como foco irregularidades no Ministério das Comunicações, BNDES e SEBRAE.[6]

O conteúdo das denúncias de Valdemar Costa Neto questionava procedimentos administrativos que favoreciam banqueiros, empresas aéreas e procedimentos relacionados aos leilões de privatização que venderam empresas públicas brasileiras.[6]

Durante o período em que Costa Neto esteve na oposição, vários discursos e projetos de sua autoria ganharam repercussão nacional. Entre as iniciativas legislativas de grande repercussão destacou-se o DVS (Destaque de Voto em Separado) que evitou favorecimentos corporativos no curso da discussão e votação da emenda constitucional que extinguiu o monopólio estatal da distribuição do gás canalizado.[6]

O trabalho fiscalizador de Costa Neto produziu resultados concretos com a apresentação de ADINS (Ações Diretas de Inconstitucionalidade). Entre estas iniciativas, destacam-se aquelas que questionaram no STF (Supremo Tribunal Federal) a permissividade da propaganda de bebidas dirigidas aos jovens, além de outra que se opunha à recorrente cobrança de juros compostos no sistema bancário nacional.[6]

Eleições de 2002

Valdemar na sede do Partido Liberal, em junho de 2005

Valdemar Costa Neto foi apontado como importante personagem da aliança que venceu as eleições presidenciais de 2002.[7] Principal artífice da costura política que criou a chapa formada por Lula e José Alencar, o então deputado Valdemar Costa Neto foi presidente e secretário-Geral do PR (partido que nasceu da fusão do Partido Liberal com o PRONA).

Admitido à Ordem do Mérito Militar em março de 1995 no grau de Comendador especial pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, Costa Neto foi promovido em 2003 por Lula ao grau de Grande-Oficial.[8][1]

Valdemar continuou como líder do partido, mesmo após preso no processo do mensalão.[9]

Mensalão

Em agosto de 2005, Costa Neto renunciou ao mandato de deputado federal, quando se viu envolvido no escândalo do mensalão.[10] Sua decisão de renúncia se impôs quando assumiu sozinho a responsabilidade sobre o acordo financeiro que viabilizou a formalização da aliança entre o PT e o PL, para as eleições de 2002, que elegeu Lula e José Alencar. Voltou a se reeleger posteriormente em 2007.[5]

Em 2012 foi preso e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 7 anos e 10 meses no mensalão, e recebeu uma multa de 1,6 milhão de reais. Em 5 dezembro de 2013 renunciou novamente ao mandato de deputado federal,[11] quando foi condenado no processo do mensalão.[12] Na carta, Valdemar diz que renunciou para não impor ao Parlamento “mais um constrangimento institucional”.[5]

Indulto

Em 10 de novembro de 2014, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, autorizou que Costa cumprisse o restante da pena do mensalão em prisão domiciliar.[13] Em 2015, recebeu indulto. Em 2016, Barroso concedeu perdão da pena.[2]

Em 2013 foi investigado na Operação Porto Seguro, deflagrada no ano anterior, e que revelou um suposto esquema de fraudes em pareceres técnicos e em agências reguladoras e órgãos federais. A partir dos áudios das interceptações telefônicas, o procurador Roberto Gurgel sustenta que o parlamentar, valendo-se de sua influência política, prestava e solicitava favores a Paulo Vieira, além de haver indícios de patrocínio de interesses privados perante a administração pública.[14][15]

Em 2015 foi citado por Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, investigado na Operação Lava Jato. Ele contou que Valdemar Costa Neto, condenado no Mensalão, recebeu 200 mil reais "por fora" e 300 reais mil em doações oficiais, para manter as portas abertas com o PR, que dominava o Ministério dos Transportes. Segundo Pessoa, nunca houve contraprestação concreta.[16]

Em agosto, Valdemar foi condenado no Tribunal de Justiça de São Paulo em 100 mil reais por dano ambiental provocado pela sua empresa de mineração na cidade de Biritiba Mirim; ele vendeu a empresa quando foi processado no mensalão, mas o desembargador considerou que a alienação não lhe excluía a responsabilidade, inclusive de recuperar o meio-ambiente degrado.[17]

Com o começo do terceiro governo Lula, Valdemar declarou-se arrependido da ação.[18] A multa só será quitada em março. Em dezembro, Valdemar pediu ao ministro que liberasse as contas do partido para pelo menos pagar a o décimo-terceiro dos funcionários, o que Moraes liberou;[19] a folha salarial para janeiro continuou atrasada, no entanto.[20]

Vida pessoal

É filho de Waldemar Costa Filho e de Emília Caran Costa, mais conhecida como D.Casou-se com Nara Aparecida Costa em 1979, com quem teve três filhos, Waldemar Augusto, Carlos Eduardo e Paulo Marcelo. Divorciou-se em 1993. Atualmente é casado com Dana Vidal Costa, com quem tem uma filha, Catarina Vidal.[carece de fontes?]

Notas

    1. Renúncia em 5 de dezembro de 2013 após expedição de mandato de prisão por corrupção.
    2. Renúncia em 1º de agosto de 2005 durante o escândalo do mensalão.

    Referências

    1. BRASIL, Decreto de 25 de março de 2003.
    2. «Ministro do STF concede perdão da pena a Valdemar Costa Neto». G1. Globo.com. Consultado em 15 de janeiro de 2017
    3. «Condenado no mensalão, ex-deputado Valdemar Costa Neto recebe indulto». Consultor Jurídico
    4. «Barroso dá perdão a Valdemar Costa Neto, do Mensalão». Fausto Macedo
    5. «Valdemar Costa Neto renuncia ao mandato de deputado federal». Câmara dos Deputados. 5 de dezembro de 2013. Consultado em 16 de janeiro de 2017
    6. «PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1589/2010». Consultado em 9 de setembro de 2015
    7. «Sem PFL no páreo, PL acerta aliança com PT». Folha de S.Paulo. Uol. Consultado em 27 de outubro de 2016
    8. BRASIL, Decreto de 29 de março de 1995.
    9. «De dentro da cadeia, Valdemar da Costa Neto segue comandando o partido». EM Política. 23 de dezembro de 2013. Consultado em 9 de setembro de 2015
    10. Natuza Nery (1 de agosto de 2005). «Valdemar Costa Neto renuncia a mandato de deputado federal». Uol. Consultado em 16 de janeiro de 2017
    11. Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta (5 de dezembro de 2013). «Valdemar Costa Neto renuncia ao mandato pela segunda vez». Estadão. Consultado em 16 de janeiro de 2017
    12. «Valdemar Costa Neto renuncia ao mandato de deputado federal». G1 Política. 5 de dezembro de 2013. Consultado em 9 de setembro de 2015
    13. «Valdemar Costa Neto é autorizado a ir para prisão domiciliar». Estadão Política. 10 de novembro de 2014. Consultado em 9 de setembro de 2015
    14. «STF investiga participação de Valdemar Costa Neto na operação Porto Seguro». Gazeta do Povo. 5 de agosto de 2013. Consultado em 15 de janeiro de 2017
    15. Ricardo Brito (12 de novembro de 2012). «Valdemar Costa Neto está envolvido na Operação Porto Seguro, diz Maia». Estadão. Consultado em 15 de janeiro de 2017
    16. G1 (4 de julho de 2015). «Documentos de delator mostram pagamentos a partidos políticos». Jornal da Globo. Consultado em 9 de setembro de 2015
    17. «Presidente do partido de Bolsonaro é condenado a indenizar SP em R$ 100 mil [03/08/2022]». noticias.uol.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2023
    18. Rudolfo Lago (8 de janeiro de 2023). «Arrependido da ação contra eleições, conheça planos de Valdemar para o PL e o imprevisível Bolsonaro». Congresso em Foco. Consultado em 8 de janeiro de 2023
    19. Mateus Salomão (22 de dezembro de 2022). «Moraes desbloqueia R$ 1 mi de fundo partidário para PL pagar salários». Metrópoles. Consultado em 8 de janeiro de 2023
    20. Igor Gadelha (6 de janeiro de 2023). «Com bloqueio de Moraes, Valdemar volta a atrasar salários no PL». Metrópoles. Consultado em 8 de janeiro de 2023

    Ligações externas

    This article is issued from Wikipedia. The text is licensed under Creative Commons - Attribution - Sharealike. Additional terms may apply for the media files.