Villa Malta
Villa Malta, conhecida também como Villa del Pino ou Villa della Rose, é uma villa localizada na Via di Porta Pinciana, no rione Campo Marzio de Roma, no monte Pincio[1].

História
Esta grande villa surge num terreno onde em tempos antigos ficavam os Jardins de Lúculo (em italiano: Horti Luculliani) e a estrutura original remonta ao século XVI. Conta a lenda que, em abril de 1503, o cozinheiro do cardeal Giovanni Michiel, proprietário do terreno e que tinha sua residência no local desde 1468, o envenenou instigado por Cesare Borgia, que conseguiu adquirir depois a propriedade[1]. Logo depois os Orsini ali construíram um palacete com uma torre fortificada[2].

Em 1581, Latino Orsini vendeu a propriedade para os Mattei e, em 1611, Lavinia Calvi Mattei[1] a vendeu aos Frades Mínimos do convento da Santissima Trinità dei Monti, que acrescentaram aos edifícios rústicos pré-existentes uma pequena casa de caça com apenas um andar, conhecida como La Vignola, com uma torre de observação (belvedere) quadrangular e um bosque. Os frades preferiram, para aumentar a renda da propriedade, alugar a villa, na época conhecida como Giardino del Pino por causa de um gigantesco pinheiro que ficava no local. Desta forma, a partir de 1611, a villa foi habitada por vários locatários: o monsenhor Poggi, o cardeal Ludovico Ludovisi e, a partir de 1634, o cardeal Cosimo De Torres, que recebeu o direito de transformar o aluguel em enfiteuse vitalícia. Entre os vários sublocatários do cardeal De Torres estavam Maria Casimira Sobieski, rainha da Polônia, que havia tentado adquirir a villa dos frades sem sucesso. Ainda assim, ela mandou construir uma ponte de madeira por cima da Via Sistina (antiga Strada Felice) o chamado Arco della Regina para poder chegar à villa diretamente do Palazzetto Zuccari, sua residência em Roma. Na primeira metade do século XVIII, o palácio foi habitado por Jacques-Laure Le Tonnelier, xerife de Bréteuil, representante da Ordem Soberana de Malta entre 1759 e 1777[3], motivo pelo qual ela é ainda hoje chamada de Villa Malta. Depois de De Torres, que manteve o controle da villa até 1764, alugaram a propriedade outros ricos romanos, entre os quais Antonio Parmegiani. Na segunda metade do século, o local transformou-se num local de encontro da comunidade alemã de Roma, incluindo o Circolo Artistico Tedesco. Por conta disto, pernoitaram ali Goethe, a duquesa Anna Amalia de Brunswick-Wolfenbüttel (1789) e Giovanni Goffredo Herder. Outro hóspede ilustre foi Giuseppe Balsamo, o conde de Cagliostro, que realizou ali, em 1789, algumas reuniões secretas. Por conta delas, a polícia pontifícia invadiu o palácio na época e o levou preso para o Castel Sant'Angelo. No século XIX, a villa foi habitada pela poetisa Federica Brun e por Wilhelm von Humboldt, embaixador em Roma do Reino da Prússia, uma época na qual a villa é era um centro intelectual da Itália, frequentado pelos pintores Vincenzo Camuccini, Joseph Anton Koch e Angelica Kauffman e pelos escultores Antonio Canova e Bertel Thorvaldsen[2].
Em 1818, a enfiteuse passou para o escultor sueco Nicola Bystrom, que criou ali o seu estúdio, restaurando o palacete e abrindo o acesso à villa a partir da Via Sistina. Em 1827, a villa foi alugada para o rei Luís I da Baviera, o que fez com que ela perdesse muito de sua vitalidade, uma vez que a propriedade só era visitada quando o rei estava em Roma. Depois da morte de Luís I, a casa real manteve a posse da villa até 1873, quando a casa baviera obteve das novas proprietárias, as irmãs do Sagrado Coração, a venda definitiva da propriedade por 18 000 francos de ouro. Em 1878, a villa foi adquirida pelo príncipe russo Alexei Bobrinski, bisneto da czarina Catarina II da Rússia, que transformou completamente a propriedade, conferindo-lhe um ar neorromântico. A torre foi demolida, o grande salão foi decorado com um rico teto e por uma rica lareira de mármore adquirida da família Altemps e os jardins foram decorados com magníficas roseiras, o que fez com a villa passasse a ser chamada Villa della Rose. Em 1907, a propriedade passou para o príncipe Bernhard von Bülow, antigo chanceler da Alemanha, que viveu ali com sua esposa, filha do ministro italiano Marco Minghetti. Depois da Segunda Guerra Mundial, a villa foi adquirida pelos jesuítas, que ali abrigaram a sede da revista "La Civiltà Cattolica", contratando, na época, uma importante reforma para ampliar e modernizar o espaço, mas sem, contudo, alterar o estilo do edifício. Foram criados o grandioso átrio e a escadaria de ingresso, a nova ala meridional para abrigar escritórios e, sob ela, a estrutura da grande biblioteca com cinco pisos subterrâneos. O salão monumental foi transformado em capela, deixando, contudo, inalterada a decoração do piso das paredes, ao passo que a lareira foi transferida para uma sede da Sociedade na Via Sicilia, onde foi instalada numa parede do pátio interno e transformada em fonte[2]. Segundo a tradição, duas palmeiras do jardim foram plantadas a pedido de Goethe no final de sua segunda estadia em Roma, pouco antes de ele alugar a vila em nome da duquesa Anna Amalia de Brunswick-Wolfenbüttel[3].
Referências
- «Villa del Pino o della Rose» (em italiano). InfoRoma
- «Villa Malta» (em italiano). Roma Segreta
- «Monastero e Chiesa di San Giuseppe» (em inglês). Rome Art Lover