Bancada feminina
A bancada feminina é um grupo de parlamentares de representação feminina no poder. Diferente das outras bancadas não é apenas a união de um grupo visando defender interesses comuns, mas também a conquista de um espaço que para elas ainda é pequeno. Embora representem 52,1% dos eleitores brasileiros, a participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9.9%, número semelhante aos 18,5% registrados no Senado.[1]
A tímida representação feminina no Poder Legislativo se mantém inalterada mesmo depois da aprovação da Lei Eleitoral 9.100,[2] promulgada em 1995, segundo a qual 20% dos postos deveriam ser ocupados pelas mulheres. Em 1997 é alterada para o mínimo de 30%.[3] Em 2010, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu uma reforma na lei, tornando obrigatória 30% a proporção mínima de participação das mulheres, mas os partidos políticos alegam dificuldades em atrair as mulheres para seus quadros. Nas últimas eleições legislativas, a média de candidatas à Câmara dos Deputados foi de 31,8%; para as assembleias legislativas, 31.4%.[1]
Sem o devido apoio, a proporção de candidatas efetivamente eleitas é baixa. Em 2010, a relação de candidatas à Câmara Federal e às Assembleias Legislativas e aquelas efetivamente eleitas foi de 4,9%.[4]
Criada em 2003, a Secretaria de Políticas para as Mulheres reuniu os esforços para ampliar a participação feminina nos cargos públicos no Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos,[5] instrumento multipartidário cujo objetivo é fortalecer a inserção da mulher no poder, por meio de cursos, seminários e campanhas institucionais.
A atual coordenadora da Bancada Feminina na Câmara[6] é a deputada Janete Pietá (PT-SP).
História
A luta das mulheres pelo espaço na política é antiga. Ainda no período do Império, em 1880, a dentista Isabel de Mattos Dillon evocou na Justiça a Lei Saraiva (que permitia aos detentores de títulos científicos votar) para requerer seu alistamento eleitoral.[7]
Nos anos seguintes, surgiram várias iniciativas isoladas para permitir o voto feminino. Em 1894, Santos, no litoral paulista, promulga o direito das mulheres ao voto. A medida foi derrubada no ano seguinte. Em 1905, três mulheres conseguiram se alistar e votar em Minas Gerais.[7]
Em 1928, o Brasil elege sua primeira prefeita: Alzira Soriano de Souza,[8] na cidade Lages, no Rio Grande do Norte.[7] O voto feminino só se tornou um direito nacional em 1932.[9]
Aos poucos, as mulheres foram conquistando cargos que, até então, eram exclusividade masculina. Em 1933, a médica paulista Carlota de Queirós é eleita a primeira deputada federal do País. “Cabe-me a honra, com a minha simples presença aqui, de deixar escrito um capítulo novo para a história do Brasil: o da colaboração feminina para a história do País”, disse em seu primeiro pronunciamento na Câmara em 13 de março de 1934.
Em 1988 é eleita Luiza Erundina a primeira prefeita da cidade de São Paulo e hoje é deputada federal e integrante da bancada feminina.
A Casa ao lado, o Senado, só elegeu suas primeiras parlamentares em 1990. Júnia Marise (Minas Gerais) e Marluce Pinto (Roraima) foram as primeiras senadoras eleitas do Brasil. Em 1994, Roseana Sarney é a primeira mulher escolhida pelo voto popular para chefiar um estado, o Maranhão.[10]
Em 2011, as brasileiras obtiveram grandes conquistas. A primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tomou posse. E no Parlamento, foram eleitas as primeiras vice-presidentes da Câmara dos Deputado (Rose de Freitas, do Espírito Santo) e do Senado (Marta Suplicy, de São Paulo).
Principais matérias defendidas atualmente
- PEC 590/2006, da Dep. Luíza Erundina (PSOL/SP), que garante representação proporcional de cada sexo na composição das mesas diretoras da Câmara, do Senado e das Comissões, garantindo pelo menos uma vaga para cada sexo.[11]
- PEC 64/07, da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), que amplia para 180 dias a licença à gestante.[12]
- PEC 231/1995, do Dep. Inácio Arruda (PCdoB/CE), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas, para que a família e a mulher tenham direito ao lazer, capacitação profissional e mais emprego.[13]
Ver também
- Mulheres na política no Brasil
- Lista de governadoras do Brasil
- Primeira-dama do Brasil
- Movimento civis por direitos LGBTI e atuação na política institucional
- Bancada da bala
- Bancada do boi
- Bancada evangélica
Referências
- «www.cfemea.org.br/images/stories/pdf/eleicoes2014_analise_eleitos.pdf» (PDF). www.cfemea.org.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «L9100». www.planalto.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «L9504». www.planalto.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Progresso da Mulheres no Brasil 2003-2010» (PDF)
- «Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos reúne-se na SPM nesta terça». Secretaria de Políticas para as Mulheres. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Bancada Feminina». www2.camara.leg.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Memória Política: A luta das mulheres por espaço na política brasileira». Blog do Marcelo Sereno. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Conheça Alzira Soriano, a primeira mulher prefeita da América Latina». Consultado em 28 de junho de 2015
- «A conquista do voto feminino, em 1932». GGN - O jornal de todos os brasis. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Conheça a história das primeiras mulheres eleitas no Brasil – História sem Fim». Superinteressante. Consultado em 28 de junho de 2015
- «PEC 590/2006 - Projetos de Lei e Outras Proposições - Câmara dos Deputados». www.camara.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «Atividade Legislativa - Projetos e Matérias». www.senado.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2015
- «PEC 231/1995 - Projetos de Lei e Outras Proposições - Câmara dos Deputados». www.camara.gov.br. Consultado em 28 de junho de 2015