Batalha de Berna
A Batalha de Berna foi como ficou conhecida a partida de futebol Hungria 4 x 2 Brasil válida pelas quartas de finais da Copa do Mundo de 1954.[1]
| Evento | Copa de 1954 (Quartas de Final) | ||||||
| |||||||
| Data | 27 de junho de 1954 | ||||||
| Local | Wankdorf, Berna | ||||||
| Árbitro | |||||||
| Público | 39 882 | ||||||
Segundo o Ranking Mundial Elo, foi uma das dez partidas entre equipes com maior pontuação no sistema.
Cenário Pré-Jogo
O cenário pré-jogo deixava claro que aquela seria uma partida histórica. O Brasil era o atual vice-campeão do mundo. E a Hungria era a grande seleção do momento. Enquanto se preparava para a Copa, venceu a Inglaterra em Wembley por 6 a 3. Nos dois jogos da primeira fase, aplicou duas goleadas históricas: 9 a 0 na Coréia do Sul e 8 a 3 na Alemanha Ocidental, com o time reserva.[2]
A Hungria não contava com Ferenc Puskas, lesionado. No Brasil, Zezé Moreira fez três substituições em relação a equipe que vinha atuando. Bauer, recuperado, regressou ao time titular. Rodrigues apresentou o tornozelo inchado, Pinga queixou-se de dores na perna e Baltazar sofreu um choque nos treinos. Em seus lugares entraram Humberto, Índio e Maurinho. Para Zezé Moreira, era a formação mais arisca e ligeira que se poderia arrumar, e que apresentou um "rendimento melhor, melhor vivacidade e discernimento nos treinos". A avaliação da United Press International era de que se o Brasil atuasse no W-M perderia o confronto. Zezé alegava que os hungáros estavam sendo muito "endeusados", embora reconhecesse que se travata de um bom quadro. [3]
A Partida
Antes do início da partida, o vestiário do Brasil foi invadido por dirigentes dispostos a estimular o time a um milagre com exortações patrióticas. João Lira Filho fez um discurso exaltado, obrigou os jogadores a beijarem a bandeira e, aos prantos, declarou que naquele jogo contra os húngaros os canarinhos deveriam se empenhar para vingar os mortos de Pistóia - cemitério italiano onde foram enterrados os pracinhas que morreram na guerra. Segundo o testemunho de Nilton Santos, o time brasileiro já entrou em campo com os nervos em frangalhos.
A partida iniciou com uma chuva torrencial, e logo aos sete minutos de jogo, os húngaros já ganhavam por 2 x 0, gols de Hidegkuti e Kocsis. Djalma Santos descontou, de pênalti, ainda no primeiro tempo. No segundo, Lantos, também de pênalti fez 3 x 1. O Brasil não se abateu, e Julinho Botelho (O melhor do Brasil naquela copa) diminuiu para 3 x 2, depois de uma grande jogada pela direita. O Brasil mandou ainda duas bolas na trave. O árbitro inglês Arthur Ellis expulsou Nílton Santos e Bozsik aos 26 minutos da segunda etapa, depois dos dois trocarem socos. Aos 43 da etapa final, Kocsis, novamente, fez o 4o gol húngaro, dando números finais a partida. Um minuto após o gol húngaro, o centroavante brasileiro Humberto Tozzi, deixou a bola de lado para chutar Gyula Lóránt, e também foi expulso.
Detalhes
| 27 de Junho 1954 | Hungria |
4 – 2 | Wankdorf, Berna | |
| 17:00 (CET) |
Hidegkuti Kocsis Lantos |
Relatório | Santos Julinho |
Público: 39 882 Árbitro: Auxiliar 1: Auxiliar 2: |
|
| ||||||||||||||||||||||||||||||
|
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pós-Jogo
Mal o árbitro Arthur Ellis apitou o final da partida e a pancadaria começou. Todos os 22 jogadores se envolveram na briga. A polícia tentou apartar a briga, mas jornalistas e dirigentes acabaram se envolvendo também.
| “ | "A confusão aconteceu por conta de um mal entendido. As entradas pros dois vestiários ficavam uma do lado da outra. Os dois times estavam deixando o campo após o jogo e o Newton Paes, médico do Brasil, pegou uma garrafa de água. Naquele tempo era garrafa de vidro, não de plástico, como as de hoje. Aí ele pegou a garrafa e jogou no Puskas. Só que ele errou e acertou o (zagueiro) Pinheiro. Pegou na testa dele e, quando o Pinheiro se virou para ver quem havia arremessado, alguém gritou: "foi o Puskas!". Aí começou a confusão."[2] | ” |
| “ | "Antes do jogo, me senti o homem mais sortudo do mundo, pois eu iria arbitrar a partida com as duas melhores seleções do mundo na época. Depois do jogo, no entanto, me senti o homem mais azarado do mundo, pois ao invés de uma aula de futebol como esperava, acabei arbitrando uma vergonhosa carnificina." | ” |
O radialista Mário Vianna inflou os ânimos dos torcedores brasileiros ao gritar nos microfones impropérios contra o árbitro inglês. A população brasileira, insuflada pelas declarações de Mário Vianna no rádio, resolveu agir. No Rio de Janeiro, então capital federal, várias pessoas partiram para a vingança e depredaram a embaixada da Suécia.[4]
Referências
- pt.fifa.com/ Futebol Clássico: A Batalha de Berna
- esporte.uol.com.br/ Para Djalma Santos, a seleção tinha atletas, mas não dirigentes
- «oficialmente escalado o onze brasileiro». Memória BN. Jornal dos Sports (RJ) de 27 de junho de 1954. Consultado em 29 de julho de 2017
- futebolecialtda.com.br/ Túnel do Tempo - A inacreditável Batalha de Berna