Callithrix aurita
O sagui-da-serra-escuro ou sagui-caveirinha (nome científico: Callithrix aurita) é um primata do Novo Mundo da família Callitrichidae, subfamília Callitrichinae endêmico da Mata Atlântica brasileira. Habita as florestas de montanha dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e leste e nordeste de São Paulo.[4]
| Sagui-da-serra-escuro[1][2] | |
|---|---|
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| Estado de conservação | |
![]() Vulnerável (IUCN 3.1) [3] | |
| Classificação científica | |
| Nome binomial | |
| Callithrix aurita (E. Geoffroy in Humboldt, 1812) | |
| Distribuição geográfica | |
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| Sinónimos | |
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É ameaçado de extinção devido principalmente à grande perda de habitat ao longo de sua distribuição geográfica, mas ocorre em diversas unidades de conservação já consolidadas, como o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual do Rio Doce e o Parque Estadual da Cantareira.[4]

Distribuição geográfica
O sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, é endêmico da Mata Atlântica no sudeste do Brasil, ocorrendo nas florestas ombrófilas e semidecíduas nas Serras do Mar e Mantiqueira nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, podendo se estender para o Norte do Rio Doce em MG. Forrageiam e viajam no baixo dossel e vegetação densa do sub bosque, são encontrados entre 6 e 9 metros acima do solo. Junto ao C. flaviceps são as espécies que habitam as áreas com condições climáticas mais extremas.
Ocorre em floresta montana perene, semidecídua, secundária, mestiça, intercalada com estandes de bambu em elevações de até 1200 m. Encontrado em altitudes de 600 a 1200 metros.
Descrição morfológica
Possui coloração geral do corpo negra, mas também são encontrados com manchas ruivas ou pontilhados de vermelho, sem apresentar padrão geral de estrias. Inclusive, suas manchas ruivas dão o tom dourado característico que deu origem ao nome “aurita” da espécie. Sua fronte é branca, com os lados da face negros, as vezes pontilhados de vermelho. Possuem tufos intra-auriculares curtos (20 a 50 mm) e brancos, podendo variar para um tom amarronzado. Testa com ampla mancha branca ou branco-amarelada. Os pés são castanhos e as mãos cor castanha fortemente agrisalhada. Cauda negra com anéis brancos.
Tem como principais medidas: Cabeça-corpo: 190-250 mm/Cauda: 270-350 mm/Peso: 400-450 g. Dentição I 2/2; C 1/1; PM 3/3; M 2/2.
Ecologia
Adaptados para se alimentar de resinas e outras secreções vegetais, além dos vegetais em si, como frutos. Durante os períodos de seca, adapta sua alimentação passando então a utilizar material animal, como larvas de lepidoptera, orthopteras, baratas, aranhas e opiliões, cobras, lagartos, pequenos sapos e ovos de aves. Estudos demonstram que esta espécie também pode se alimentar de fungos do bambu. Não parecem se alimentar de néctar.
Comportamento
Grupos normalmente de 4 a 8 indivíduos, porém pode encontrar grupos de 11 indivíduos, com 1-2 adultos de cada sexo e com somente uma fêmea dominante. Os filhotes, sempre gêmeos, nascem depois de 144 dias de gestação e são carregados pelos pais nas primeiras semanas de vida. Os irmãos mais velhos ajudam no cuidado à prole. Quando atingem a idade adulta migram para outros grupos para formarem novos pares.Tem seu período de atividade reduzido em épocas quente-seca. Época chuvosa - 6:30-19:00/época seca - 7:30-16:30. Seus sítios para descanso estão associados a vegetação densa.
Conservação
A espécie está presente na lista de espécies ameaçadas de extinção dos referidos estados onde ocorre (SEMARJ 1998, SMA-SP 2009, COPAM-MG 2010), assim como na lista nacional (MMA 2014) e do mundo (i.e. IUCN, Rylands et al. 2008). A sua distribuição restrita, a destruição do seu habitat, o declínio populacional, a competição com outras espécies e a hibridização devido à introdução de espécies exóticas invasoras (Callithrix jacchus e C. penicillata) estão entre as principais ameaças (Rylands et al. 2008).
Possui declínio populacional devido a perda e fragmentação do seu habitat (Bechara 2012), redução vista de, aproximadamente, 43% em 18 anos. Declínio intensificado pela competição e hibridação.
Pode estabelecer simpatria com outras espécies como do gênero Cebus e Callicebus , mas não há registro com as outras formas de Callithrix.
Referências
- Groves, C.P. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. 130 páginas. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
- Rylands AB; Mittermeier RA (2009). «The Diversity of the New World Primates (Platyrrhini): An Annotated Taxonomy». In: Garber PA; Estrada A; Bicca-Marques JC; Heymann EW; Strier KB. South American Primates: Comparative Perspectives in the Study of Behavior, Ecology, and Conservation 3ª ed. Nova Iorque: Springer. pp. 23–54. ISBN 978-0-387-78704-6
- Mittermeier, R. A. & Rylands, A. B. (2008). Callithrix aurita (em inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 . Página visitada em 05 de outubro de 2012..
- Rylands, A.B.; Coimbra-Filho, A.F.; Mittermeier, R. A. (1993). «Systematics, geographic distribution, and some notes on the conservation status of the Callitrichidae». In: Rylands, A.B. Marmosets and tamarins: systematics, behavior and ecology (PDF) 3ª ed. Oxford (UK): Oxford University Press. pp. 11–77. 0-19-85022-1
- Mittermeier, Russell A.; Wilson, Don E.; Rylands, Anthony B. (Ed.). Handbook of the mammals of the world: primates. Lynx Edicions, 2013.
- Mamíferos-Callithrix aurita-Sagui da serra escuro.ICMBio. Disponível em:<http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7198-mamiferos-callithrix-aurita-sagui-da-serra-escuro>.Acesso em: 07/06/2019.
- Ferrari, Stephen F. et al. Ecologia dos saguis “meridionais” (Callithrix aurita e Callithrix flaviceps). In: Radiações adaptativas de primatas neotropicais . Springer, Boston, MA, 1996. p. 157-171
- Rylands, A.B., Kierulff, M.C.M., Mendes. S.L. & de Oliveira, M.M. 2008. Callithrix aurita. The IUCN Red List of Threatened Species 2008: e.T3570A9949843. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2008.RLTS.T3570A9949843.en. Downloaded on 06 June 2019.
- Aximoff, I. A. et al. Registros de Callithrix aurita (Primates, Callitrichidae) e seus híbridos no Parque Nacional do Itataiaia. Oecologia Australis, v. 20, n. 4, p. 520-525, 2016.
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