Caminho de Ferro de Luanda

O Caminho de Ferro de Luanda é uma linha ferroviária que atravessa Angola de oeste a leste, sendo uma das mais importantes do tipo no país.

Caminho de Ferro de Luanda
Dados gerais
Local de operação Angola
Terminais Início: Luanda
Fim: Malanje
Operação
Proprietário Instituto Nacional dos Caminhos de Ferro de Angola
Operador Caminho de Ferro de Luanda
Histórico
Abertura oficial 1889
Dados técnicos
Comprimento da linha 479 km (298 mi)
Bitola Bitola do Cabo
Mapa
Legenda
000
000 Cidade Alta
000 Bungo
000 Bungo
000 linha p. pedreiras da Samba
000 Porto de Pesca
000 Porto de Luanda
000
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000
000
200 Textang
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000
000 R. de Catete
000 Estr. de Cacuaco
000 Av. C.te Kima Kienda
400 Rotunda
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000
000
000
000 Av. N'Gola Kiluanje
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800 Musseques
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000 Musseques
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000 Av. Hoji-ya-Henda
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110 Filda
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140 Gamek
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170 Estalagem
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200 Comarca
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000
000
000
000 R. de Calumbo
220 Viana
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000 R. Direita do Piaget
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260 Capalanca
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000 Via Expresso
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300 Entroncamento
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360 Baia
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LuandaBengo
000
000 R. do Aeroporto
480 Hia
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R. de Catete
000 R. de Cunga
640 Catete
000
000
000 R. de Cunga
103 Barraca
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000 Maria Teresa
traçado antigo
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BengoCuanza Norte
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000
134
000
Zenza do Itombe
000 R. do Dondo
290 Cassoalala
Dondo
000 Oeiras
161 Ndalahui[1]
161 Ndalahui
000 Luinha
traçado antigo
185 Luinha
208 Canhoca
R. do Golungo AltoGolungo Alto
000 Queta[2]
000 EN120 
240 Ndalatando[3]
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000 Camoma
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288 Lucala
Cuanza NorteMalanje
000 Lucala
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000
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314 Quizenga
335 Cambunze
000
349 Cacuso
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000
000
368 Matete
378 Zanga[4]
398 Lombe
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000  EN140 
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422 Malanje
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ver referências a fontes no texto do(s) artigo(s)
 Nota: Este artigo é sobre a linha ferroviária. Para a empresa, veja Caminho de Ferro de Luanda (empresa). Para outros significados, veja CFL.

Com 479 km de comprimento e uma bitola de 1067 mm, liga a estação do Bungo e o Porto de Luanda, na capital de Angola, à estação de Malanje, capital da província do mesmo nome, e à do Dondo, na província de Cuanza Norte, através do Ramal do Dondo. Está em construção um ramal para ligar a capital ao novo Aeroporto Internacional de Angola.[5]

Histórico

Nos finais da década de 1860, o governo português tomou como política a construção de grandes obras de engenharia nas colônias com os objetivos de contribuir para a colonização e exploração dos recursos e legitimação da presença de Portugal nas colônias. Uma das principais obras nesse sentido seria uma linha férrea em território angolano.[6]

Construção (1885–1899)

Em 1885, a concessão de uma linha férrea que ligaria Luanda à Pamba de Ambaca (atual Lucala[7]) foi entregue ao empresário Alexandre Peres, que arrematou a licitação com um lance de 19,999 contos, comprometendo-se a formar a Companhia do Caminho de Ferro Através de África (CCFAA), que levaria a cabo o empreendimento. A previsão de entrega total do empreendimento era para o ano de 1891.[6]

O capital para construção foi angariado através de ações e obrigações (juro de 5%). Ao final do aporte total, os encargos da companhia eram de 425,25 contos de réis. Mesmo assim, o empreendimento só foi levado a cabo porque o Estado português deu garantia de rendimento, assegurando o cumprimento dos compromissos com os obrigacionistas, caso o empreendimento não desse retorno financeiro na sua operacionalização.[6]

A construção iniciou-se em 1886, encontrando grandes dificuldades para o seu devido prosseguimento. Assim, somente em 1889 foram abertos os primeiros 60 km, e; só em 1899 o "Caminho de Ferro de Ambaca" chega ao seu termo final, em Lucala, sendo inaugurado.[8] O custo total, obviamente, dado os atrasos, foi muito maior do que o inicialmente orçado.[6]

Operação comercial (1899–1976)

A operação comercial mostrou-se muito abaixo do planejado, retornando enormes prejuízos à CCFAA até 1910, quando, pela primeira vez o resultado financeiro líquido foi positivo. O enorme passivo foi totalmente coberto pelo Estado português.[6]

Composição do CFL abandonada, em 2004.

A construção da linha férrea até Malanje, conforme planejado como extensão anteriormente, foi retirada da CCFAA e repassada ao Estado português em 13 de novembro de 1902, dado o medo de que a Companhia não conseguisse honrar novamente com suas obrigações. A obra do "Caminho de Ferro de Malanje" iniciou-se em maio de 1903 e terminou em pouco mais de 5 anos, totalmente levada a cabo pelo Estado.[6]

Desacordos entre a estatal portuguesa "Companhia dos Caminhos de Ferro de Ambaca–Malanje" (CCFAM) e a CCFAA — com esta última solicitando mais aporte financeiro da nação para manutenção do trecho Luanda–Lucala —, fizeram com que a operação dos trechos fosse totalmente independente.[6]

A chamada "questão de Ambaca" arrastou-se desde 1918, quando Portugal foi obrigado a fazer o primeiro resgate financeiro da CCFAA, evitando sua falência total. A questão só foi resolvida no Estado Novo, com a nacionalização da CCFAA, em 1938, onde também ocorreu a fusão desta com a CCFAM, formando a "Companhia dos Caminhos de Ferro de Luanda" (CCFL). Foi somente em 1918 que os caminhos de ferro de Ambaca e Malanje são unificados, passando ambos a ser chamados de "Caminho de Ferro de Luanda" (CFL).[6]

Após a completa estatização, a linha entrou em um período áureo, entre as décadas de 1940 e 1970, onde rivalizava em importância e volume transportado com o Caminho de Ferro de Benguela.

Declínio (1976–2001)

Com a independência, o CFL entrou num período de declínio, dada a redução do volume de carga transportado, perda de pessoal qualificado, dificuldades financeiras e falta de investimentos resultantes na deterioração da linha.[9]

Aliado a isto, o conflito da Guerra Civil Angolana trazia consigo as sabotagens e os ataques diversos, que tornavam a operação impossível, principalmente a partir de 1984.

Após anos paralisado, o CFL retomou timidamente a operação entre Malanje e Luanda em agosto de 1991, impulsionado pelos Acordos de Paz de Bicesse.

Reabilitação (2001–presente)

Moderna estação de Malanje, em 2011.

A partir de 2001 o governo angolano iniciou um processo de reforma das linhas férreas e das estruturas portuárias, restaurando, no CFL, primeiramente os trechos da região de Luanda.

Outro ponto importante foi a recapitalização da CCFL, que havia sido passada ao controle estatal angolano em 1976, mas que estava praticamente inativa. Assim, em 2003, é convertida em "Empresa do Caminho de Ferro de Luanda-E.P." (ECFL-EP).

A partir de 2005, foi feita uma total revisão da linha até Malanje, sem contudo avançar nos ramais.[10]

Em 27 de dezembro de 2010 o transporte de passageiros de Luanda a Malanje foi finalmente restaurado.[11]

Depois de uma paralisação de 20 meses devido à pandemia do Covid-19 e outros problemas da via, a circulação de comboios de passageiros e de carga ao longa de toda a linha foi reposta a partir de 2 de novembro de 2021.[12]

Operações

Principais estações

Traçado do Caminho de Ferro de Luanda, incluindo o Ramal do Dondo.

As principais estações do CFL são:

Ativos

Desativados

  • Ramal do Golungo Alto: foi construído 1907 e 1909, ligando a estação de Canhoca à do Golungo Alto, então capital distrital. Embora este esforço, o Golungo foi posteriormente preterida como capital em função de N'dalatando.[15][16] O ramal encontra-se atualmente desativado;
  • Ramal de Calumbo: que ligava Viana ao Calumbo;[17]
  • Anel ferroviário de CassonecaCacuaco: ligava Cassoneca ao porto de Luanda.[18]
  • Ramal do Alto Dande, em sistema Sistema Decauville, de Cabiri até Catete.


Referências

  1. «Antigas estações do CFL serão transformadas em hotéis». Club-K. 14 agosto 2010. Consultado em 27 fevereiro 2019
  2. Carta de Angola: Esboço (Mapa) Ministério das Colónias, Comissão de Cartografia ed. 1928. Consultado em 28 fevereiro 2019
  3. Araújo, Sara Laíde Pinto (15 março 2017). «A estação da Cidade Alta de Luanda e a linha de Ambaca : comparação com situações semelhantes em Portugal». Consultado em 28 fevereiro 2019
  4. «Antigas estações do CFL serão transformadas em hotéis». Club-K. 14 agosto 2010. Consultado em 28 fevereiro 2019
  5. «Construção do novo aeroporto de Luanda atrasada dois anos». Diário de Notícias. 29 outubro 2017. Consultado em 17 março 2019
  6. Pereira, Hugo Silveira. O papel do Estado no caminho-de-ferro de Ambaca (Angola): da concessão a privados à nacionalização. Valência: VII Congresso de História Ferroviária, 18-20 outubro de 2017.
  7. Evolução histórica da vila do Lucala em fotografias. Portal Angop. 24 de junho de 2013.
  8. Os Caminhos de Ferro de Angola (CFA). Correio Ambulante. Consultado em 20 de fevereiro de 2019.
  9. 127 de anos de Caminhos de Ferros de Luanda. Rede Angola. 1 de novembro de 2015.
  10. Programa de Reabilitação dos Caminhos de Ferro do pais termina em Dezembro. Portal Angop. 27 de novembro de 2004.
  11. Viagem de Comboio Luanda/Malanje custa mil kwanzas. Portal Angop. 27 de dezembro de 2010.
  12. «CFL volta a fazer trajecto Luanda-Malanje». Novo Jornal. 2 de novembro de 2021. Consultado em 4 de novembro de 2021
  13. «Os transportes no Ultramar» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 1 julho 1953. Consultado em 17 março 2019
  14. «Construção do novo aeroporto de Luanda atrasada dois anos». Diário de Notícias. 29 outubro 2017. Consultado em 17 março 2019
  15. Comboio chega a Malanje até ao fim do ano. Quitexe. 1 de maio de 2009.
  16. O Inicio dos Caminhos-de-Ferro em Angola. AngolaBela. Consultado em 20 de fevereiro de 2019.
  17. Carimbos numéricos volantes (08) * Canhoca. A mala Posta. 8 de agosto de 2012
  18. CFL. Marcofilia de Angola. Consultado em 20 de fevereiro de 2019.

Ligações externas

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