Gabriela Mistral

Gabriela Mistral, pseudónimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi uma poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena, agraciada com o Nobel de Literatura de 1945[1].

Gabriela Mistral
Gabriela Mistral
Nascimento Lucila de María Godoy Alcayaga
7 de abril de 1889
Vicuña
Morte 10 de janeiro de 1957 (67 anos)
Nova Iorque
Sepultamento Tumba de Gabriela Mistral
Nacionalidade chilena
Cidadania Chile
Alma mater
  • Escuela Normal № 1 de Santiago
Ocupação poeta
Prêmios Nobel de Literatura (1945)

Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1951)

Empregador Universidade Columbia, Barnard College
Obras destacadas Antologia poética
Religião catolicismo
Página oficial
http://www.gabrielamistral.uchile.cl/
Assinatura
Edifício no Bairro Azul, onde Gabriela Mistral viveu de 1935 a 1937

Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais dolorosas, mágoa e recuperação.

Biografia

Origem e família

Filha de Juan Jerónimo Godoy Villanueva, quem foi professor e poeta, natural de San Félix,[2] e de Petronila Alcayaga Rojas[3], ambos de ascendência espanhola. Sua infância a passou em diversas localidades do vale de Elqui, na atual Região de Coquimbo. Com dez dias de idades, seus pais a levaram desde Vicuña para La Unión (atualmente conhecido como Pisco Elqui). Entre os três e os nove anos, viveu na pequena localidade de Montegrande. Este último lugar foi o que Gabriela considerou como a sua cidade natal; ao que refere como o seu «amado povoado» e foi ali onde quis ser sepultada.[4]

Mesmo o seu pai abandonando a família quando ela tinha três anos, ela sempre o quis e o defendeu; segundo Gabriela, foram uns poemas do pai dela a que a despertaram o seu amor pela poesia.[5] A mãe de Lucila faleceu no ano de 1929, a quem lhe dedicou a primeira parte de seu livro Tala, que chamou: Muerte de mi Madre[3].

Formação docente

Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária (1903). Fez a prova nacional para professores na Escola Normal Nº1 de meninas de Santiago, obtendo o título de "Maestra". Posterior a isso, desempenhou-se como professora em distintas cidades de Chile, época na que conhece ao poeta Pablo Neruda.[1]

Em 1918 assume como diretora do "Liceo de niñas de Punta Arenas".

Em 1922 é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país, a cargo do filósofo e ministro de educação, José Vasconcelos. Esse ano publica Desolación.[1]

De Lucila a Gabriela

Ganhou renome ao vencer os Juegos Florales de Santiago, em 1914, com Sonetos de La muerte, cuja escolha deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: o italiano Gabriele D'Annunzio e o provençal Frédéric Mistral. Foi a partir desse momento que começou a utilizar o pseudônimo de Gabriela Mistral [1].

Atividade diplomática e internacional

"Em 1945, membro do corpo diplomático chileno, Mistral residia na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, ao receber a notícia de que fora agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se a primeira escritora latino-americana a receber tal honraria".[6] O Prêmio Nobel transformou-a em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em 1957 em Hempstead, estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A notoriedade a obrigou a abandonar o ensino para desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual e movida por um profundo sentimento religioso, a tragédia do suicídio do noivo[7] (1907) marcou toda a sua poesia com um forte sentimento de carinho maternal, principalmente nos seus poemas em relação às crianças. Em sua obra aparecem como temas recorrentes: o amor pelos humildes, um interesse mais amplo por toda a humanidade.

Obras

Entre suas mais significativas obras podemos destacar:

  • Sonetos de la Muerte, 1914
  • Desolación, 1922
  • Lecturas para Mujeres, 1923
  • Ternura, 1924
  • Nubes Blancas y Breve Descripción de Chile, 1934
  • Tala, 1938
  • Antología, 1941
  • Lagar, 1954
  • Recados Contando a Chile, 1957
  • Poema de Chile, 1967

Tradução para o português:

  • Poesias Escolhidas. Rio de Janeiro: Delta, 1969.[8]

Alguns de seus poemas mais conhecidos são:

  • Piececitos de Niño
  • Balada
  • Todas íbamos a ser Reinas
  • La Oración de la Maestra
  • El Ángel Guardián
  • Decálogo del Artista
  • La Flor del Aire
  • Comer, Comer
  • Yo e tú

Referências

  1. «Gabriela Mistral». Universidad de Chile. Consultado em 29 de agosto de 2022
  2. Álvarez, Oriel (20 de junho de 1980). «Gerónimo Godoy, padre de Gabriela». La Nación [arquivado na Biblioteca Nacional Digital de Chile]. Consultado em 29 de agosto de 2022. Arquivado do original em |arquivourl= requer |arquivodata= (ajuda)
  3. Oyanguren M., Palmira. «Gabriela Mistral Alcayaga: "La India Vasca" (sic)». Euskonews & Media. Consultado em 29 de agosto de 2022
  4. «Gabriela Mistral». Wikipedia em espanhol. Consultado em 29 de agosto de 2022
  5. Teitelboim, Volodia (1991): Gabriela Mistral pública y secreta (pág. 17). Santiago: Ediciones BAT.
  6. VALENZUELA, Sandra Trabucco. Gabriela Mistral e o Poema de Chile. Tese de Doutoramento. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 1998.
  7. LAGE, Rodrigo Conçole (2015). «Vida e obra de Gabriela Mistral: uma ilustre desconhecida» (PDF). Centro Universitário de Patos de Minas. Revista Alpha (n. 16): 124-136. Consultado em 19 de março de 2022
  8. MISTRAL, Gabriela (1969). Poesias Escolhidas. Col: Prêmios Nobel de Literatura. Traduzido por Henriqueta Lisboa. Estudo Introdutivo de Jorge Edwards. Rio de Janeiro: Delta

Ligações externas

Precedido por
Johannes Vilhelm Jensen
Nobel de Literatura
1945
Sucedido por
Hermann Hesse
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