Gosende
Gosende é uma freguesia portuguesa do município de Castro Daire, com 20,46 km² de área e 426 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 20,8 hab/km².
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| Freguesia | ||||
![]() Pelourinho de Campo Benfeito | ||||
| Localização | ||||
![]() Localização no município de Castro Daire | ||||
![]() Gosende |
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| Coordenadas | ||||
| Município | ||||
| Administração | ||||
| Tipo | Junta de freguesia | |||
| Presidente | Domingos Soares da Silva (PS) (2017-presente) | |||
| Características geográficas | ||||
| Área total | 20,46 km² | |||
| População total (2011) | 426 hab. | |||
| Densidade | 20,8 hab./km² | |||
Foi vila e sede de concelho até 1834. Era constituído apenas pela freguesia da sede. Tinha, em 1801, 721 habitantes.
População

| População da freguesia de Gosende [1] | ||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1864 | 1878 | 1890 | 1900 | 1911 | 1920 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 |
| 1 147 | 1 227 | 1 222 | 1 251 | 1 266 | 1 269 | 1 446 | 1 560 | 1 463 | 1 367 | 1 196 | 994 | 691 | 557 | 426 |

| Distribuição da População por Grupos Etários | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ano | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos | 0-14 Anos | 15-24 Anos | 25-64 Anos | > 65 Anos | |
| 2001 | 65 | 66 | 235 | 191 | 11,7% | 11,8% | 42,2% | 34,3% | |
| 2011 | 44 | 41 | 192 | 149 | 10,3% | 9,6% | 45,1% | 35,0% | |
Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%
Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%
Freguesia de Gosende
Freguesia do concelho e comarca de Castro Daire, distrito de Viseu, diocese de Lamego, relação do Porto; orago, S. Pedro. Tem uma população de 1.377 habitantes em 357 fogos. Dista 17 km da sede do concelho e está situada na margem direita da ribeira de Balsemão. Tem serviço de correio, escola primária, fábrica de lacticínios e é sede de julg. de paz. Foi um curato anual da apresentação de um dos beneficiados da colegiada de S. Martinho de Mouros, no termo de Lamego, e passou a reitoria.
Produz batata, centeio e milho, pois é terra serrana e fria. Nasce nesta freguesia um afluente do Barosa, o Balsemão, que a divide sensivelmente ao meio.
Foi constituída esta freguesia com os três pequenos conc. de Gosende, Campo Benfeito e Roção, extintos em 1834. As duas últim$2 povoações conservam o pelourinho. Particularmente, a origem da pov. de Gosende está na vila rural ou «quintana» de Gondesindus, coeva do período germânico (visigótico); o próprio nome, Gosendi antigamente, é evolução do genitivo Gondesindi, de Gosendo, nome mui vulgar na Idade-Média, bem como o seu patronímico, Gosendes.
Sem embargo, no século X, a parte mais meridional, serrana, da grande «vila» de Andreadi (Anreade, actualmente), englobava, para SE., o território da actual freg. de Gosende. A «vila» de Andreadi subia do Douro até estas partes e era já então uma antiga paróquia de S. Miguel; de facto, a dita «vila» terminava «super illa lagona ubi nascit Balsamon, super illa Graliária» (Gralheira) (P. M. H., Dip. et Ch., 527).
Já no século X a «vila» de Andreadi devia estar desmembrada nas vílulas que são nomeadas como «vilas» rurais nos nossos monumentos, quando já a velha «vila» de Andreadi se chamava «terra» de Aregos, e, como se verá, não englobava as referidas vílulas de SW. correspondentes à actual freg. de Gosende. Entre essas vílulas, as que para Gosende interessam são as de Gosendi, Gosendinho, Dornas, Ribavelida, Peixeninho, Campo Benfeito e Roção. Após a conquista de S. Martinho de Mouros pelo rei Fernando I, o «Magno» (1057), esta zona ficou incluída no julgado e paróquia de S. Martinho; mantendo-se, todavia, no estado de despovoamento em que a haviam deixado as guerras arábico-cristãs.
No segundo quartel do século XII, D. Afonso I doou a Egas Monis, seu aio e «tenente» de Lamego, aquelas sete «vilas» rurais, como honras, para povoamento; do que Egas Moniz se desempenhou, residindo na bateria de Breteandi (Britiande). Após a morte de Egas Moniz, parte da «vila» de Roção passou para o rei e outra parte a Múnio Ermiges; o rei doou a sua parte, em 1155, ao mosteiro de Salzedas, que comprou em 1172, a de Múnio Ermiges (metade da "vila»), pelo Brejo e pelo «afimento» do Cotelo. As sete honras passaram a constituir um único município e julgado, com sede em Campo Benfeito. No segundo quartel do século XIV. êste município juntou-se ao julgado de Britiande, desligando-se do de S. Martinho de Mouros e recebendo as suas honras, da de Britiande, o maior dos privilégios desta terra: o de beetria.
Por esta altura, outras honras próximas se uniram à de Britiande: as de Várzea da Serra, Mezio e Lalim, que igualmente por ela se tornaram beetrias (excepto Lalim, que já o era, tão antiga quanto a de Britiande).
As onze honras congregadas formaram a ouvidoria medieval de Britiande, na sua primeira fase que termina em 1395. O facto é curiosíssimo na história destas singulares sociedades democráticas chamadas beetrias, e operou-se sob o conde D. Pedro, filho de D. Dinis, eleito para senhor pelas onze honras quando veio fixar residência nos seus opulentos paços de Lalim; aqui faleceu em 1354, sendo levado a sepultar ao mosteiro de S. João de Tarouca. Nesta primeira fase da união, as dez honras de Campo Benfeito, Dornas, Gosende, Gosendinho, Lalim, Mezio, Peixeninho, Ribavelide, Roção e Várzea da Serra, foram chamadas "honras de Britiande», ou «concelhos de Britiande», ou «Britiande e sua honra».
Quando faleceu o conde D. Pedro, o rei D. Pedro I forçou os moradores das onze honras a receber um senhor que êles Ihes nomeou: o novo conde de Barcelos, D. João Afonso de Meneses. As beetrias de Britiande, que tinham o privilégio de eleger livremente para senhor o fidalgo que quisessem, recusaram-se a acatar o decreto régio e expulsaram o mais poderoso nobre de Portugal. Êste queixou-se ao rei, que escreveu, irritado, «a vós, juizes e concelhos de Britiande e aos outros julgados e lugares que eram honras do conde D. Pedro, meu tio»: «sabede que o conde dom Joham meu vassalo, a que eu cas dictas honras fiz mercee, me dise que vós nom queríades com elle husar»; e obrigou os juízes de Britiande a receberem por senhor o conde D. João Afonso, ordenando-lhes que o façam aceitar pelas outras honras anexas.
Morto, em 1381, o conde D. João Afonso, as onze honras elegeram, em Britiande (a cabeça), seu filho, o conde de Viana, D. João Afonso. Traidor à Pátria após a morte de D. Fernando, a sociedade destituíu-o, logo que o alcaide de Lamego se resolveu a dar voz pelo Mestre de Avis. O novo eleito pelos concelhos de Britiande foi João Rodrigues Pereira, confirmado por D. João I em 1385. Presumivelmente por não guardar os «foros, usos e bons costumes» da sociedade, esta destituíu-o, substituindo-o por Martim Vasques da Cunha, o herói de Trancoso. Quando êste, em 1395, se passou para Castela, D. João I sequestrou todos os bens e honras do herói, entre estas as beetrias de Britiande. Foi então que se dispersou grande parte da sociedade: a honra de Gosende, extinta, formou um concelho por si; as honras de Peixeninho e Gosendinho, extintas, passaram a têrmos do conc. de Gosende; a honra de Dornas, extinta, entrou no têrmo de Lamego; a honra de Lalim foi doada a D. João de Castro; a honra de Roção, extinta, formou um conc. próprio; a honra de Britiande, cabeça da sociedade, foi dada à cidade de Lamego; a honra de Ribavelida entrou no têrmo do conc. de Britiande (restaurado em 1396); as honras de Várzea da Serra, Mezio, e Campo Benfeito continuaram beetrias anexas à honra de Britiande (segunda fase da sociedade: 1396-1550).
Pelas quatro honras foram eleitos sucessivamente os duques de Bragança, D. Afonso, D. Fernando I e D. Fernando II, a princesa Santa Joana e o duque D. Jorge de Lencastre. Falecido êste em 1550, D. João III ordenou o sequestro e extinção das beetrias, mantendo-se os conc. Alguns anos antes da definitiva extinção, os conc. de Gosende e de Campo Benfeito formavam já um só, denominado «conc. de Gosende Campo Benfeito». A freg. compreende os lug. de Campo Benfeito, Codeçal, Cotelo, Gosendinho, Peixeninho e Rossão.
Património
Presidente da Junta
- Paulo Jorge da Conceição Correia de Castro (PPD/PSD) - 2013 a 2017;
- Domingos Soares da Silva (PS) - 2017 ao presente.
Ver também
Referências
- Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
Ligações externas
- Paróquia de Gosende, no Arquivo Distrital de Viseu
- Capuchinhas de Montemuro - cooperativa de mulheres da aldeia de Campo Benfeito que trabalham o burel
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