Just Fontaine
Just Fontaine (Marraquexe, 18 de Agosto de 1933) é um ex-futebolista francês nascido no Marrocos, então colônia da França.
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| Fontaine em 2007. | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Just Fontaine | |
| Data de nasc. | 18 de agosto de 1933 (89 anos) | |
| Local de nasc. | Marraquexe, Marrocos Francês | |
| Nacionalidade | francês | |
| Altura | 1,74 m | |
| Pé | Destro | |
| Apelido | Justo | |
| Informações profissionais | ||
| Clube atual | Aposentado | |
| Posição | Atacante | |
| Clubes de juventude | ||
| ???? | AS Marrakech | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos (golos) |
| 1950–1953 1953–1956 1956–1962 |
Casablanca Nice Reims |
48 (62) 83 (52) 152 (145) |
| Seleção nacional | ||
| 1953–1960 | França | 21 (30) |
| Times/clubes que treinou | ||
| 1967 1968–1969 1973–1976 1978–1979 1979–1981 |
França Luchon Paris Saint-Germain Toulouse Marrocos |
|
Fontaine tinha como maiores características sua velocidade, dribles curtos, chutes certeiros e, embora não fosse um jogador muito alto, um ótimo cabeceio.[1][2]
Um dos mais importantes jogadores da história do futebol francês - homenageado pela FFF em 2005 como o maior futebolista francês dos últimos 50 anos[3] - ele é até hoje o maior artilheiro em uma única Copa do Mundo, com os 13 gols marcados na Copa da Suécia, em 1958.[4][5]
Carreira
Fontaine começou sua carreira profissional no Casablanca, onde debutou em 1950. Em 1952, após faturar a liga marroquina, ajudou o clube a ganhar a Copa dos Campeões do Norte da África (extinto torneio entre os campeões das colônias francesas do Marrocos, Argélia e Tunísia), chamando a atenção de clubes da Metrópole.[2] O Nice levou a melhor no leilão e o contratou em 1953.[2] Em sua primeira temporada, ganhou a Copa da França de 1954 pelo novo clube.
Em 1956, após conseguir o campeonato francês pelo Nice, ele se mudou para o Reims para substituir o ídolo local Raymond Kopa, que havia ido para o Real Madrid. Fontaine marcaria 121 gols em 6 temporadas no Reims, ganhando e sendo artilheiro da Division 1 (atual Ligue 1) de 1958, ano em que levantou também a Copa da França, e 1960. O título francês de 1958 possibilitou ao Reims disputar novamente a Taça dos Campeões Europeus (atual UEFA Champions League), torneio do qual o clube fora vice-campeão dois anos antes para o Real Madrid (que naquela final descobrira o potencial de Kopa e decidiria levá-lo).
Os dois clubes novamente encontraram-se na grande final de 1959, mas Fontaine foi bem anulado e não marcou, e o clube não só de Kopa, mas de Alfredo di Stéfano e Ferenc Puskás levou a melhor, ganhando por 2-0. Fontaine foi o artilheiro daquela edição, com dez gols, quatro deles marcado logo na primeira partida, contra a equipe norte-irlandesa do Ards, contra quem marcou outros dois no jogo de volta.
A temporada 1959-60 viu-o jogar ao lado de Raymond Kopa, que voltava do Real. Ambos repetiram no clube o trio que fizera sucesso na Copa do Mundo de 1958, com Roger Piantoni, conseguindo novo campeonato francês. Fontaine terminou também artilheiro, mas afastado dos gramados desde março de 1960: fraturou a tíbia e o perônio da perna direita em jogo contra o Sochaux.[1][2] Não conseguiria recuperar-se totalmente da lesão.
Fontaine jogou sua última partida em julho de 1962, poucas semanas após sagrar-se novamente campeão francês. Anunciou o final da carreira, conseguindo um bom sustento financeiro com o dinheiro do seguro que havia feito para as suas pernas e também como garoto-propaganda da Adidas. No total, ele marcou 165 gols em 200 partidas no campeonato.
Seleção Francesa
Vestindo a camisa azul da França, as estatísticas de Fontaine foram ainda mais impressionantes. Em sua estreia com o time, em 17 de Dezembro de 1953, marcou um gol de chapéu numa vitória esmagadora de 8-0 sobre a Seleção de Luxemburgo. O jogo era o último válido pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1954, mas o jovem acabou não convocado.[6]
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, a situação inverteu-se: Fontaine não foi utilizado, mas foi convocado para o mundial. Além de ter feito temporada perfeita no Reims (campeão da Copa da França e campeão e artilheiro do campeonato francês), o atacante titular e artilheiro dos Bleus nos jogos classificativos, Thadée Cisowski, lesionou-se e não poderia ir para a Suécia.[7] A estreia no mundial da Suécia não poderia ser melhor: atuando com sua dupla de ataque no Reims, Roger Piantoni, juntamente também de Raymond Kopa,[8] marcou três vezes em uma vitória em que os franceses viraram duas vezes a partida, contra o Paraguai (7-3).[9] A primeira fase encerrou-se com outros três gols de Fontaine: os dois franceses na derrota de 3-2 para a Iugoslávia e um na vitória por 2-1 sobre a Escócia, resultado que garantiu a classificação gaulesa.
Veio o mata-mata e Fontaine marcou dois gols na vitória por 4-0 sobre a Irlanda do Norte, pelas quartas-de-final. Nas semifinais, marcou uma vez. Recebeu passe preciso de Kopa, chegou antes de Bellini, driblou Gilmar e concluiu para as redes vazias,[10] no que foi o primeiro gol que o Brasil levou na Copa. O tento, o seu nono no torneio, empatou a partida, mas os brasileiros conseguiram impôr seu domínio, forçando os meias franceses a ficarem recuados na defesa,[10] deixando poucas chances para Fontaine marcar mais.
Situação diferente ele viu na disputa do terceiro lugar, contra a rival Alemanha Ocidental. A defesa adversária, cometendo falhas infantis de marcação durante toda a partida, colaborou para que o Kopa e Maryan Wisnieski enchessem Fontaine de bons lançamentos.[11] O atacante marcou quatro vezes na partida, terminando a Copa somando treze gols, superando o artilheiro do mundial anterior, o húngaro Sándor Kocsis, que fizera onze. Fontaine é desde então o jogador que mais gols marcou em uma única Copa - e, por certo tempo, foi o maior artilheiro dos mundiais, até Gerd Müller conseguir somar o 14º gol na Copa do Mundo de 1974 (posteriormente, o alemão seria superado por Ronaldo em 2006). Por muito tempo também, o terceiro lugar obtido com a vitória azul por 6-3 foi a melhor colocação da Seleção Francesa em Copas.
Entretanto, a carreira goleadora na seleção encerrou-se precocemente em virtude de lesões. Fontaine fez seu último jogo pelos Bleus em 1960, perdendo lugar na Eurocopa daquele ano, a primeira realizada, por causa delas. Voltou a jogar em novembro daquele ano, mas, em dezembro, as lesões voltaram a atacá-lo em jogo contra a Bélgica.[1] No mesmo mês, realizou sua única partida nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1962, contra a Bulgária. As lesões lhe impediram de jogar as demais partidas e a França acabou perdendo a vaga justamente para os búlgaros.[12]
Ao todo, foram espantosos 30 gols em 21 partidas pela França. Fontaine ainda superou notáveis jogadores como Michel Platini e Zinédine Zidane em 2004, quando foi eleito o melhor jogador francês dos cinquenta anos da UEFA, nos prêmios do jubileu da entidade. Curiosamente, assim como eles e como seus contemporâneos Roger Piantoni e Raymond Kopa, Fontaine tem sangue estrangeiro: é filho de mãe espanhola.[13] com um francês.
Pós-aposentadoria
Fontaine tornou-se presidente do sindicato dos jogadores da França, brigando por garantias e contratos maiores para a classe.[1][2] Ao contrário dos jogadores franceses, Pelé provavelmente não guarda referências tão boas da pessoa de Fontaine: dois anos depois do duelo na semifinal da Copa de 1958, ambos se reencontraram em excursão europeia do Santos em 1960, já após Fontaine ter sofrido a fratura que interromperia sua carreira.[14]
Ele entregou um lápis a Pelé, pedindo que assinasse na perna engessada. O brasileiro não entendeu o pedido em francês, mas sim o que Justo teria perguntado ao redor, sob irritação quanto à reação estática do Rei, se o idioma do brasileiro era "africano" ou "macaquês". Indignado, Pelé atirou o lápis no francês, seguido de um palavrão - em bom português.[14]
O ex-jogador assumiu brevemente as rédeas da Seleção Francesa em 1967, mas foi substituído após dois jogos apenas, ambos amistosos que terminaram em derrota. Entre 1979 e 1981, treinou o selecionado de seu país natal. Chegou perto de classificar a Seleção Marroquina para a Copa do Mundo de 1982, levando o Marrocos à última etapa, onde disputaria a vaga em duas partidas contra Camarões, que venceu ambas.
Estatísticas
Clubes
| Equipe | Temporada | Campeonato nacional |
Copa nacional |
Competições continentais |
Outros torneios |
Total | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Jogos | Gols | Jogos | Gols | Jogos | Gols | Jogos | Gols | Jogos | Gols | ||
| USM Casablanca | 1950–51 | 16 | 23 | – | 16 | 23 | |||||
| 1951–52 | 10 | 17 | – | 10 | 17 | ||||||
| 1952–53 | 22 | 22 | – | 22 | 22 | ||||||
| Total | 48 | 62 | – | 48 | 62 | ||||||
| Nice | 1953–54 | 24 | 17 | 7 | 3 | – | 31 | 20 | |||
| 1954–55 | 28 | 20 | 4 | 2 | – | 32 | 22 | ||||
| 1955–56 | 17 | 5 | 3 | 4 | – | 1 | 0 | 21 | 9 | ||
| Total | 69 | 42 | 14 | 9 | – | 1 | 0 | 84 | 51 | ||
| Reims | 1956–57 | 31 | 30 | 1 | 1 | – | 32 | 31 | |||
| 1957–58 | 26 | 34 | 6 | 5 | – | 32 | 39 | ||||
| 1958–59 | 32 | 24 | 2 | 2 | 7 | 10 | 1 | 0 | 42 | 36 | |
| 1959–60 | 28 | 28 | 2 | 2 | – | 30 | 30 | ||||
| 1960–61 | 7 | 4 | – | 1 | 0 | – | 8 | 4 | |||
| 1961–62 | 7 | 2 | 1 | 3 | – | 8 | 5 | ||||
| Total | 131 | 122 | 12 | 13 | 8 | 10 | 1 | 0 | 152 | 145 | |
| Total na carreira | 248 | 226 | 26 | 22 | 8 | 10 | 2 | 0 | 284 | 258 | |
Seleção Francesa
| Ano | Jogos | Gols |
|---|---|---|
| 1953 | 1 | 3 |
| 1956 | 1 | 0 |
| 1957 | 1 | 0 |
| 1958 | 12 | 18 |
| 1959 | 4 | 7 |
| 1960 | 2 | 2 |
| Total | 21 | 30 |
Títulos
- Casablanca
- Campeonato Marroquino: 1952
- Copa dos Campeões do Norte da África: 1952
- Nice
- Reims
- Division 1: 1957–58, 1959–60, 1961–62
- Coupe de France: 1957–58
- Supercopa da França: 1958, 1960
Prêmios individuais
Artilharias
- Copa do Mundo FIFA de 1958 (13 gols)
- Division 1 de 1957–58 (34 gols)
- Division 1 de 1959–60 (28 gols)
- Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1958–59 (10 gols)
- Eliminatórias da Copa das Nações Europeias de 1960 (5 gols)
Ligações externas
Referências
- "Muitos gols, pouca sorte", Especial Placar - Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, pág. 27
- "Just Fontaine - o Goleador da Copa", Heróis do Futebol, Nova Sampa Diretriz Editora, págs. 37-38
- FIFA WorldCup:Just Fontaine
- Perfil na Federação Francesa de Futebol
- FIFA WorldCup:Just Fontaine
- "Como sempre, deserções", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 5 - 1954 Suíça, janeiro de 2006, Editora Abril, págs. 10-13
- "A geopolítica da bola", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, págs. 10-15
- "Trio entrosado", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, págs. 29
- "Vira pra cá, vira pra lá", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, págs. 29
- "O melhor da Copa", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, págs. 40
- "A defesa colaborou e Fontaine fez a festa", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 6 - 1958 Suécia, fevereiro de 2006, Editora Abril, págs. 41
- "Todos querem ir ao Chile", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 7 - 1962 Chile, março de 2006, Editora Abril, págs. 10-13
- "Kopa: Tudo começou com ele", Trivela.com[ligação inativa]
- "Um intruso no Santos de Pelé", Placar, outubro de 2005, Editora Abril, pág. 50
