Lançamento de dardo

Lançamento de dardo (português brasileiro) ou lançamento do dardo (português europeu) é uma modalidade olímpica do atletismo. Uma das mais nobres modalidades por sua antiguidade, integra o heptatlo e o decatlo, além de ter a sua própria prova individual. Assim como o lançamento de martelo e lançamento de disco, este esporte é chamado oficialmente de lançamento. Somente o arremesso de peso é chamado de arremesso, devido ao fato do peso ser empurrado e os demais serem projetados com características diferentes.[1][2]

Lançamento de dardo
Lançamento de dardo
Olímpico desde 1908 H / 1932 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeões Olímpicos
Tóquio 2020
Homens Neeraj Chopra
 Índia
Mulheres Liu Shiying
 China
Campeões Mundiais
Eugene 2022
Homens Anderson Peters
Granada
Mulheres Kelsey-Lee Barber
 Austrália
Dardos masculino e feminino.

História

O dardo fazia parte do pentatlo nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, aparecendo pela primeira vez em 708 a.C., e era disputado em duas modalidades: distância e alvo. Ele era lançado com auxílio de uma tira de couro chamada ankule enrolada em torno do meio do eixo do dardo. Os atletas podiam segurá-lo pela tira e quando o dardo era lançado essa tira se desenrolava dando à lança um voo em espiral. O dardo, uma simples lança reta, tinha a altura de um homem e a largura de um dedo.[3]

O lançamento de varas em alvos foi revivido na Alemanha e na Suécia no século XIX, no início da década de 1870. Na Suécia, estas varas foram desenvolvidas no moderno dardo e atirá-los à distância se tornou um dos esportes mais comuns lá e na Finlândia durante a década seguinte e as regras do esporte começaram a ser aprimoradas. Inicialmente eles eram lançados sem nenhuma corrida anterior e segurá-lo pela alça colocada no centro de gravidade não era obrigatório; corridas curtas foram introduzidas no fim da década de 1890 e a partir daí a distância da corrida passou a ser liberada.[4]

Como modalidade olímpica, o dardo foi introduzido em Londres 1908, depois de uma aparição nos não-oficiais Jogos Olímpicos Intercalados de 1906, em Atenas, e o primeiro campeão olímpico foi o sueco Eric Lemming. Em Estocolmo 1912, com a introdução do decatlo nos Jogos, passou a ser uma das dez provas desta modalidade; foi também neste ano em que foi reconhecido o primeiro recorde mundial da modalidade, a marca de 62,34 m de Lemming.[5] Em Los Angeles 1932 passou a ser uma modalidade olímpica também feminina e a norte-americana Babe Didrikson foi a primeira campeã.[6]

A Europa Oriental e a Escandinávia, em particular a Finlândia, tem uma grande tradição neste esporte. O finlandês Matti Järvinen, nove vezes recordista mundial, os tchecos Jan Zelezny e Barbora Špotáková e a norueguesa Trine Hattestad são os grandes nomes da modalidade, todos recordistas mundiais e com múltiplos títulos olímpicos e mundiais; Zelezny e Spotakova são os atuais recordistas mundiais com as marcas de 98,48 m no masculino e 72,28 m no feminino.[7][8]

Descrição e regras

O dardo é um objeto em forma de lança, feito de metal, fibra de vidro ou fibra de carbono. Seu tamanho, tipo, peso mínimo e centro de gravidade foram definidos pela IAAFFederação Internacional de Atletismo e variam do homem para a mulher. O homem usa um dardo de 2,7 metros de comprimento, pesando 800 gramas. A mulher usa um dardo um pouco mais leve, 600 gramas, e tem 2,3 metros de comprimento. Os dois modelos tem uma empunhadura feita de corda localizada no centro de gravidade.

O atleta corre para tomar impulso e usa uma pista de corrida e lançamento com 34,9 metros de comprimento e 4 metros de largura, fazendo um giro rápido com o corpo para lançar. O dardo costuma sair das mãos do atleta com uma velocidade de 100 km/h. Após o voo, ele aterra numa zona relvada que costuma ocupar a zona central dos estádios de atletismo. A marca obtida pelo atleta é medida pelos oficiais, desde o limite da zona de lançamento até ao primeiro ponto onde o dardo tocou no chão, obrigatoriamente dentro de uma setor pré-marcado no campo com um ângulo de 29°.[7]

Ao contrário das outras modalidades de lançamento (martelo, peso e disco), a técnica do dardo tem regras próprias ditadas pela IAAF e lançamentos "não-ortodoxos" não são permitidos; o dardo precisa ser seguro pela empunhadura e lançado por cima do braço levantado ou dos ombros; além disso, é proibido ao atleta se virar completamente de maneira a que seu rosto fique em direção contrária ao lançamento, técnica que é muito usada, por exemplo, no lançamento de disco.[9]

O lançador é desclassificado se sair da zona de lançamento antes, durante ou depois do lançamento, ou se o dardo tocar no solo sem ser pela ponta dianteira dele. As competições de lançamento de dardo iniciam-se com três rondas de lançamentos para cada atleta. Após esta fase, os oito melhores resultados são apurados para realizar mais três lançamentos. Ao fim da prova, o atleta que obtiver a maior distância num lançamento legítimo é declarado vencedor. No caso de um empate, vence aquele com a segunda melhor marca. [9]

Reconfiguração

Em abril de 1986, o dardo masculino foi redesenhado pelo Comitê Técnico da IAAF. Isto se deveu ao fato de que, além de várias aterrissagens começarem a ser feitas ao comprido, sem a ponta furar o solo, diversos lançamentos estavam sendo feitos no limite da área destinada a isto no campo de atletismo, colocando em perigo potencial as pessoas envolvidas e espectadores. O recorde mundial com o dardo antigo do alemão Uwe Hon, de 104,80 m em 1984, foi o sinal de que algo precisa ser rapidamente mudado ou a modalidade seria inviabilizada para um estádio olímpico. Ele então foi redesenhado, com o centro de gravidade sendo colocado 4 cm à frente enquanto as áreas de superfície posteriores e anteriores ao centro de gravidade foram reduzidas e aumentadas, respectivamente. Isto teve como efeito a redução da elevação do dardo e o aumento da curvatura para baixo no arco da queda. Esta mudança fez o "nariz" do arco cair mais rapidamente, reduzindo a distância de voo em aproximadamente 10% e fazendo com que o dardo atinja o chão de maneira mais vertical e consistente. Em 1999, o dardo feminino também sofreu a mesma modificação.[10]

Mesmo assim reconfigurado, o dardo voltou a ser lançado a distâncias proibitivas e em 2007 um atleta do salto em distância foi atingido na barriga por um dardo lançado do outro lado do campo, durante uma etapa da Golden League em Roma; com o atual recorde mundial masculino já novamente próximo dos 100 metros, nova mudança deve ser feita no implemento nos próximos anos.[11]

Recordes

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com a World Athletics.[12][13]

Homens
Recorde Marca Atleta País Data Local
98,48 mJan Železný25 maio 1996Jena
90,57 mAndreas Thorkildsen23 agosto 2008Pequim 2008
Mulheres
Recorde Marca Atleta País Data Local
72,28 mBarbora Špotáková13 setembro 2008Stuttgart
71,53 mOsleidys Menéndez27 agosto 2004Atenas 2004

Melhores marcas mundiais

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com a World Athletics.[14] [15]

Homens

Posição Marca Atleta País Data Local
198,48 mJan Železný25 maio 1996Jena
297,76 mJohannes Vetter6 setembro 2020Chorzów
396,29 mJohannes Vetter29 maio 2021Chorzów
495,66 mJan Železný29 agosto 1993Sheffield
595,54 mJan Železný6 abril 1993Pietersburg
694,64 mJan Železný31 maio 1996Ostrava
794,44 mJohannes Vetter11 julho 2017Lucerna
894,20 mJohannes Vetter19 maio 2021Ostrava
994,02 mJan Železný26 março 1997Stellenbosch
1093,90 mThomas Röhler5 maio 2017Doha

Mulheres

Posição Marca Atleta País Data Local
172,28 mBarbora Špotáková13 setembro 2008Stuttgart
271,70 mOsleidys Menéndez14 agosto 2005Helsinque
371,58 mBarbora Špotáková2 setembro 2011Daegu
471,54 mOsleidys Menéndez1 julho 2001Retimno
571,53 mOsleidys Menéndez27 agosto 2004Atenas
671,42 mBarbora Špotáková21 agosto 2008Pequim
771,40 mMaria Andrejczyk9 maio 2021Split
870,53 mMaria Abakumova1 setembro 2013Berlim
970,20 mChristina Obergföll23 junho 2007Munique
1070,03 mChristina Obergföll14 agosto 2005Helsinque

Melhores marcas olímpicas

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[16]

Homens

Posição Marca Atleta País Medalha Local
190,57 mAndreas ThorkildsenouroPequim 2008
290,30 mThomas RöhlerouroRio 2016
390,17 mJan ŽeleznýouroSydney 2000
489,85 mSteve BackleyprataSydney 2000
589,66 mJan ŽeleznýouroBarcelona 1992
689,39 mJan ŽeleznýSydney 2000
788,68 mKeshorn WalcottRio 2016
888,67 mSergei MakarovbronzeSydney 2000
988,41 mKonstadinos GatsioudisSydney 2000
1088,34 mVítězslav VeselýLondres 2012

* As marcas de Jan Železný (89,39 m) e Konstadinos Gatsioudis (88,41 m) foram feitas durante as classificatórias em Sydney 2000; a marca de Vítězslav Veselý (88,34 m) foi feita durante as classificatórias em Londres 2012. A marca de Keshorn Walcott (88,68 m) foi conseguida durante as classificatórias da Rio 2016.

Mulheres

Posição Marca Atleta País Medalha Local
171,53 mOsleidys MenéndezouroAtenas 2004
271,42 mBarbora ŠpotákováouroPequim 2008
370,78 mMaria AbakumovaprataPequim 2008
469,55 mBarbora ŠpotákováouroLondres 2012
568,91 mTrine HattestadouroSydney 2000
667,69 mBarbora ŠpotákováPequim 2008
767,52 mChristina ObergföllPequim 2008
867,51 mMirela ManjaniprataSydney 2000
967,34 mOsleidys MenéndezSydney 2000
1067,11 mMaria AndrejczykRio 2016

* As marcas de Barbora Špotáková (67,69 m) e Christina Obergföll (67,52 m) foram feitas nas classificatórias de Pequim 2008; a marca de Osleidys Menéndez (67,34 m) foi feita nas classificatórias de Sydney 2000; a marca de Maria Andrejczyk (67,11 m) foi feita nas classificatórias da Rio 2016 e foi superior à marca da croata Sara Kolak na final (66,18 m) que conquistou a medalha de ouro.

Marcas da lusofonia

País Masculino Atleta Ano Local Feminino Atleta Ano Local
84,78 mLeandro Ramos2022Doha59,76 mSílvia Cruz2008Leiria[17]
83,67 mJulio Cesar Miranda2015São Bernardo do Campo62,89 mJucilene Sales2014São Paulo[18]
65,54 mEgner Tavares2014Lisboa39,90 mIonilde Mendes2007Seixal[19]:647,784
64,73 mEsmeraldino Trigo2018Lisboa43,77 mIndira Manuel2003Elvas[19]:647,784
60,16 mFelipe Chaimite2016Maputo46,54 mSalomé Mugabe2012Maputo[19]:647,785
55,79 mAdeonaldo Freitas2017Leiria43,12Jucelina Mendes2013Folha Fede[19]:648,785
52,71 mOtoniel Badjana2016Lisboa42,61 mJosefina da Silva2018Barcelona[19]:647,784
33,44 mFelismino Alípio2015Dili19,10 mDelfina Soares2014Dili[19]:648,785

Referências

  1. «Entenda: Arremesso e lançamentos». BM&F Atletismo. Consultado em 7 de setembro de 2015
  2. Nomes oficiais dos esportes no site da CBAT
  3. «Throwing the javelin». The journal of Hellenic studies. Consultado em 10 de setembro de 2015
  4. Jukola, Martti (1935). Huippu-urheilun historia (em finlandês). [S.l.]: Werner Söderström Osakeyhtiö
  5. «Javelin Throw World Record Progression - Men». Nemeth Javelins. Consultado em 10 de setembro de 2015
  6. «Athletics at the 1932 Los Angeles Summer Games: Women's Javelin Throw». Sportsreference. Consultado em 10 de setembro de 2015
  7. «Javelin Throw». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015
  8. «All time best». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015
  9. «IAAF competition rules» (PDF). IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015
  10. «Physics: Javelin Designs, what's the significance?». The World of Javelin. Consultado em 10 de setembro de 2015. Arquivado do original em 2 de abril de 2015
  11. «Dardo acerta francês em etapa de atletismo». Terra. Consultado em 10 de setembro de 2015
  12. «World Records». World Athletics. Consultado em 28 julho 2022
  13. «Olympic Games Records». World Athletics. Consultado em 28 julho 2022
  14. «Javelin Throw Men All-time list». World Athletics. Consultado em 28 julho 2022
  15. «Javelin Throw Women All-time list». World Athletics. Consultado em 28 julho 2022
  16. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013
  17. «Recordes de Portugal». FPA. Consultado em 26 julho 2022
  18. «Recordes Brasileiros». CBAt. Consultado em 26 julho 2022
  19. «National Records Javelin Throw» (PDF). IAAF Statistics Handbook. Consultado em 29 julho 2022

Ligações externas

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